Cinque Terre

Simpósios Especiais

Filtrar:

SE 01. Como fazer Antropologia no pós-510?

Soraya Fleischer (DAN/UnB) - Coordenador/a, Cynthia Andersen Sarti (Unifesp) - Participante, Martinho Braga Batista e Silva (UERJ) - Participante, Giovana Acacia Tempesta (UnB) - Participante, Rosana Maria Nascimento Castro Silva (Universidade de Brasília) - Debatedor/a
O chamado “Sistema CEP/CONEP” foi criado no Brasil em 1996. Desde então, várias resoluções e regulamentações foram elaboradas nesta instância de controle social do SUS e, em geral, apresentaram desafios específicos às Ciências Sociais, particularmente, à Antropologia. 196/1996, 466/2012 e, mais recentemente, 510/2016 são os números das resoluções que tentaram fomentar práticas ditas éticas nas pesquisas realizadas no país. Mediante a progressiva articulação dos colegas das C. Humanas, a CONEP reconheceu que suas formulações iniciais eram areacêntricas, predominando uma visão biomédica de “pesquisa”, “consentimento”, “ciência”, “risco” e “devolução”. Os antropólogos, na última década, têm sido personagens centrais para pressionar a CONEP a se abrir para outras formas de pensar “pesquisa” e de se relacionar com os “sujeitos de pesquisa”. Contudo, mesmo com alguns avanços, a nova resolução (510) não cumpre as promessas de simplificar o trâmite dos projetos de pesquisa da área de ciências humanas. Ao contrário, tem complexificado os entendimentos de “consentimento” e do famoso “TCLE”, bem como reduzido “etnografia” a apenas um método passível de uma descrição formal, pragmática e padronizada para todas as pesquisas realizadas na área. A tramitação pelos CEPs, na era pós-510, tem intensificado a já conhecida litania, agora não meramente burocrática, mas, sobretudo epistemológica, com uma sobrecarga de questionamentos, desconfianças, invalidações, na forma das “pendências”.

SE 02. Desregulação ambiental e seus efeitos sociais: desafios para um antropologia em ação

Deborah Bronz (Universidade Federal Fluminense - UFF) - Coordenador/a, Andrea L. Zhouri Laschefski (UFMG) - Coordenador/a, Wilson Rocha Fernandes Assis (Ministério Público Federal) - Participante, Felisa Cancado Anaya (Universidade estadual de montes claros) - Participante, Raquel Oliveira Santos Teixeira (UFMG) - Debatedor/a, Andrea L. Zhouri Laschefski (UFMG) - Participante, Ricardo Verdum (Museu Nacional) - Participante, Alessandra Korap Silva (Associação Indígena Paririp) - Participante, Maria Janete Albuquerque de Carvalho (Servidora Pública) - Participante, Deborah Bronz (Universidade Federal Fluminense - UFF) - Debatedor/a
Nos últimos anos, propostas de mudanças na regulação ambiental têm recebido particular atenção do Governo Federal, no bojo de uma nova guinada desenvolvimentista rumo ao fortalecimento das alianças dos atores vinculados às atividades extrativas e produtivas com o mercado internacional (mineração, petróleo, hidroeletricidade, agroindústria). O que chamamos de desregulação ambiental se refere à flexibilização das leis relacionadas à gestão e à proteção ambiental e aos direitos territoriais, visando um menor controle legal do Estado diante da intensificação de processos produtivos, da exploração de recursos naturais, do uso e da ocupação da terra. Esse processo vem acompanhado dos seguintes fenômenos observados em diversos casos estudados por antropólogos: expropriação, agravamento dos danos nos territórios de ocupação tradicional ou de periferia urbana; violência e criminalização dos movimentos sociais (e das práticas antropológicas); retrocessos na legislação socioambiental brasileira (licenciamento ambiental, código florestal, código de mineração); surgimento de novas formas de imobilização da força de trabalho; reestruturação do mercado de terras nas áreas rurais etc. Parte destas pautas se tornou tema de moções e notas assinadas pela ABA no último biênio. Convidamos pesquisadores, membros do Ministério Público e representantes de movimentos sociais para refletir sobre esses fenômenos, procurando ampliar e aportar subsídios que desafiam uma antropologia em ação.

SE 03. Direitos Humanos, dignidade, ativismo e os limites da atuação antropológica

Juliana Gonçalves Melo (Professora adjunta IV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) - Coordenador/a, Patrice Schuch (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS) - Coordenador/a, Luís Roberto Cardoso de Oliveira (Universidade de Brasília) - Participante, Lucia Eilbaum (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE) - Participante, Marcus André de Souza Cardoso da Silva (PPGEF/UNIFAP) - Participante, Bárbara Gomes Lupetti Baptista (UFF) - Participante, Lívia Dias Pinto Vitenti (Universidade de Brasília) - Participante, Taniele Cristina Rui (Unicamp) - Participante, Karina Biondi (UEMA) - Participante, Carolina Barreto Lemos (UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB) - Participante
A proposta é discutir as concepções de Direitos Humanos na contemporaneidade, com ênfase especial no trabalho do antropólogo e na discussão sobre dilemas vinculados às pesquisas sobre o tema. O debate, por sua própria amplitude, será dividido em três eixos. Na primeira sessão, pretendemos discutir conceitualmente a noção de Direitos e Direitos Humanos, dando especial atenção aos conceitos de moralidade e dignidade. A proposta será também dialogar com pesquisas etnográficas que priorizam esse debate e revelam a complexidade de aplicar essa concepção em contextos etnográficos onde, entre outros aspectos, a ideia de indivíduo tem menor centralidade, e/ou em cenários marcados por pela violência e onde a dignidade humana é desrespeitada reiteradamente. Em um segundo momento, a proposta é focar na discussão sobre o ativismo dos antropólogos, buscando refletir sobre as possibilidades, os limites e os dilemas de pesquisar onde acontecem violações humanitárias graves. A perspectiva é analisar ainda as possibilidades de atuação e os riscos corridos por antropólogos que ousam denunciar situações de violações e passam a ser ameaçados por isso. Na sessão três, tendo por referência a discussão anterior, objetivamos apresentar um panorama atual dos estudos sobre Direitos Humanos na antropologia brasileira a partir da atuação da Comissão de Direitos Humanos da ABA nos últimos dois anos e avaliação desses contextos.

SE 04. Estudos Etnográficos em Educação

Rodrigo Rosistolato (Universidade Federal do Rio de Janeiro) - Coordenador/a, Neusa Maria Mendes de Gusmão (Universidade Estadual de Campinas) - Participante, Amurabi Pereira de Oliveira (Universidade Federal de Santa Catarina) - Participante, Nalayne Mendonça Pinto (UFRRJ) - Participante, Ceres Karam Brum (UFSM) - Participante, Tânia Dauster Magalhães e Silva (PUC-Rio) - Participante, Nazareth Salutto (Universidade Federal Fluminense) - Participante, Guillermo Vega Sanabria (Universidade Federal de Viçosa) - Participante
 | 
Antropologia e Educação são áreas que têm desenvolvido diálogos frutíferos tanto no Brasil quanto no cenário internacional. Há, como em qualquer zona de fronteira, uma série de debates e embates sobre a relação entre as duas áreas. Discute-se até mesmo se o ideal seria pensar em uma antropologia da educação, em que os fenômenos educacionais seriam tratados como “objetos” da investigação antropológica; ou se deveríamos trabalhar com a noção de antropologia e educação, reconhecendo as especificidades de cada área e pensando a partir de uma abordagem interdisciplinar. Discussões semelhantes ocorrem quando pensamos a pertinência e a eficácia de etnografias em contextos educacionais. Existem argumentações plenamente reconhecidas no campo educacional sobre uma suposta impossibilidade de realização de etnografias em educação. Por outro lado, antropólogos que trabalham com pesquisa educacional defendem veementemente tanto a viabilidade quanto a pertinência de etnografias sobre os processos educacionais. Ao considerar esses debates e disputas presentes na produção de conhecimento sobre a educação, o Simpósio tem dois objetivos. O primeiro é fomentar o diálogo e a troca de experiências entre pesquisadores que têm realizado estudos etnográficos em educação. O segundo, discutir questões teóricas e metodológicas relacionadas às etnografias em contextos educacionais, enfatizando a pertinência e a eficácia da etnografia enquanto forma de produção de conhecimento sobre a educação.

SE 05. Gênero e sexualidade: conservadorismos, violências e ativismos

Isadora Lins França (Departamento de Antropologia) - Coordenador/a, Sérgio Luís Carrara (Instituto de Medicina Social) - Coordenador/a, Jacqueline Moraes Teixeira (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento Cebrap) - Participante, Ronaldo Romulo Machado de Almeida (Unicamp) - Participante, Vanessa Jorge Leite (Instituto de Medicina Social UERJ) - Participante, Juliana de Farias Mello e Lima (Pagu (Unicamp)) - Participante, Roberto Efrem Filho (Universidade Federal da Paraíba) - Participante, Paulo Victor Leite Lopes (UFRN) - Participante, Maria Filomena Gregori (UNICAMP) - Debatedor/a, Carla de Castro Gomes (Pesquisadora) - Participante, Mario Felipe de Lima Carvalho (UFRJ) - Participante, Regina Facchini (Núcleo de Estudos de Gênero Pagu/Unicamp) - Participante, Júlio Assis Simões (Universidade de São Paulo) - Debatedor/a
 | 
Na esteira de simpósios organizados em RBAs anteriores (2012, 2014, 2016) pelo Comitê de Gênero e Sexualidade da ABA, este SE discute a “reação conservadora”, que tem como um dos pontos centrais de articulação a crítica aos conceitos de gênero e de sexualidade, bem como às proposições políticas que, buscando promover a cidadania de diferentes categorias sociais, deles emanam ou neles se enredam. Se, de um lado, essa reação ameaça a agenda que, nos últimos vinte anos, vem sendo construída por ativistas e militantes em torno dos direitos sexuais e reprodutivos. De outro, em seu matiz profundamente essencialista, contesta o próprio conhecimento que, em larga medida, caracteriza a antropologia contemporânea e que pode ser considerado seu incontestável legado às ciências humanas e sociais. A primeira sessão dará continuidade ao debate sobre religião e conservadorismos, apontando para as diferentes convenções e moralidades relacionadas a gênero e a sexualidade no campo religioso e para sua diversidade interna. Em seguida, abordaremos o cenário no qual a violência não apenas é perpetrada, mas também administrada pelo Estado, em arranjos que interpelam diferencialmente os sujeitos na medida em que gênero e sexualidade articulam-se a outras categorias. Na terceira sessão, a “reação conservadora” disputa espaço e convive com a emergência de novos sujeitos e novas formas de organização política que situam gênero e sexualidade como arenas de intensa transformação nos nossos dias.

SE 06. Grafias da imagem na Antropologia em ação

Cláudia Turra Magni (Universidade Federal de Pelotas) - Coordenador/a, Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz (UFF) - Coordenador/a, Ana Zanotti (Documentarista Independente) - Participante, Ana Luiza Carvalho da Rocha (Universidade Feevale/RS) - Participante, Alexandre Fleming Câmara Vale (Universidade Federal do Ceará) - Debatedor/a, Zoy Anastassakis (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - Participante, Bárbara Andréa Silva Copque (UERJ) - Participante, Fabiana Bruno (Unicamp) - Participante, Aina Guimarães Azevedo (Universidade Federal da Paraíba) - Debatedor/a
 | 
A constituição, produção, extroversão, circulação e o ensino dos saberes antropológicos já não se conformam às convenções e aos princípios epistemológicos assimétricos e hierárquicos que prevaleceram ao longo da história dessa disciplina. Os trabalhos e as ações de pesquisadoras/es que pretendemos reunir e discutir neste Simpósio, tensionam as formas e fundamentos da prática antropológica e da escrita etnográfica, (des/re)articulando seus conceitos e pensamentos - seja pela experimentação de múltiplas grafias com, através e a partir de imagens, seja por inovações práticas e reflexivas, envolvendo a intertextualidade, a hipermídia e outros meios digitais e virtuais de engajamento e experiência do mundo. Arriscam-se, assim, na invenção de formas dialógicas, experimentais e criativas de conceber e questionar, não apenas a antropologia, como também a universidade, a cultura e suas próprias conceituações. Através do trabalho poético da imagem e do imaginário, de princípios de (de/re)composição e (des/re)montagem, investem nas dimensões antropológicas do percebido e do imaginado, propõem correspondências, narrativas públicas e intervenções museológicas, cujo fluxo, o devir, e a circulação social interrogam e colocam à prova o fazer antropológico contemporâneo.

SE 07. Histórias da Antropologia no Brasil: criticas decoloniais

Miriam Pillar Grossi (Universidade Federal de Santa Catarina) - Coordenador/a, Christiano Key Tambascia (IFCH - UNICAMP) - Participante, Simone Lira da Silva (Universidade Federal de Santa Catarina) - Participante, Felipe Bruno Martins Fernandes (Universidade Federal da Bahia) - Participante
O Simpósio Especial reunirá pesquisadores/as que estão se debruçando sobre a História da Antropologia no Brasil em suas relações com a constituição das antropologias mundiais a partir de uma perspectiva critica decolonial. Refletiremos sobre o recente lugar ocupado pela Antropologia Brasileira, no contexto da antropologia mundial, após ter sediado o 18th IUAES World Congress em julho de 2018 em Florianópolis.

SE 08. Identidades, Territórios e Resiliência no Brasil contemporâneo: Estado, desenvolvimento, violência e reprodução da diferença

Aderval Costa Filho (Universidade Federal de Minas Gerais) - Coordenador/a, Stephen G. Baines (Departamento de Antropologia, UnB) - Coordenador/a, Aderval Costa Filho (Universidade Federal de Minas Gerais) - Participante, Stephen G. Baines (Departamento de Antropologia, UnB) - Participante, Russell Parry Scott (UFPE) - Participante, Carlos Alexandre Barboza Plínio dos Santos (Departamento de Antropologia/UnB) - Debatedor/a, Ana Beatriz Vianna Mendes (Universidade Federal de Minas Gerais (PPGAN/UFMG) - Participante, Walmir da Silva Pereira (UNISINOS) - Participante, Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (UPE) - Participante, Walmir da Silva Pereira (UNISINOS) - Debatedor/a, Raquel Mombelli (NEPI/UFSC) - Participante, Cintia Beatriz Müller (DEA/UFBA) - Participante, Osvaldo Martins de Oliveira (UFES) - Participante, Gersem José dos Santos Luciano (Universidade Federal do Amazonas) - Debatedor/a
 | 
O Simpósio Especial pretende problematizar as questões das identidades e territórios e formas de resiliências no Brasil contemporâneo, a partir da correlação entre poder, territorialidade, Estado, desenvolvimento, preservação ambietnal, violência e micropolítica, enfatizando situações de exclusão ou subalternização de povos indígenas, comunidades dos quilombos, povos e comunidades tradicionais, bem como suas lutas pelo reconhecimento formal e acesso à terra/território e demais direitos. Sabe-se que a perspectiva desenvolvimentista e modernizadora adotada pelo Estado Brasileiro tem resultado numa série de impactos sobre territórios tradicionais e modos de vida, resultando em déficits de cidadania de vários grupos historicamente excluídos. Nos dois últimos anos, o cenário politico de retrocesso democrático agravou ainda mais este quadro, seja pelo desmonte de aparatos do Estado, pela supressão de programas sociais, cortes orçamentários e paralisação dos processos de regularização, em sintonia com os interesses e projetos hegemônicos. O SE se propõe também a problematizar a atuação do(a) antropólogo(a) nos processos de reconhecimento de direitos étnicos, coletivos e territoriais, no diálogo com campo jurídico e com o poder executivo, no sentido de promover interlocução entre o fazer antropológico, garantia de direitos e lutas sociais. As três sessões serão: Resistência e resiliência; Estado, desenvolvimento e violência; O trabalho do antropólogo e a implementação de direitos.

SE 09. Laudos Antropológicos: Um Balanço Crítico

Fabio Mura (PPGA-UFPB) - Coordenador/a, Eliane Cantarino O'Dwyer (UFF) - Coordenador/a, Jane Felipe Beltrão (Universidade Federal do Pará) - Participante, Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA-UFRRJ) - Participante, Pablo Quintero (UFRGS) - Participante, Fabio Mura (PPGA-UFPB) - Participante, Jorge Eremites de Oliveira (Universidade Federal de Pelotas) - Participante, Sérgio Góes Telles Brissac (Ministério Público Federal) - Participante, Eliane Cantarino O'Dwyer (UFF) - Participante, Alexandra Barbosa da Silva (UFPB) - Participante, Ana Flávia Moreira Santos (DAA/UFMG) - Participante
Os laudos antropológicos revelam-se peças fundamentais nos processos de reconhecimento de direitos individuais e/ou coletivos, social ou etnicamente diferenciados. Longe de serem meros trabalhos técnicos (em âmbito administrativo ou judicial), eles representam um gênero específico de produção antropológica, requerendo cada vez mais a atenção da disciplina. O presente simpósio pretende traçar um balanço crítico sobre este tipo de produção, dentro e fora dos muros acadêmicos, focando principalmente a atenção sobre as situações de conflito e suas peculiaridades etnográficas – que geralmente caracterizam a produção dos laudos. Destacar-se-ão também aspectos práticos, teóricos e metodológicos na elaboração seja de relatórios para fins administrativos, seja de perícias judiciais, bem como experiências de análise dos mesmos em processos de ensino, no nível da graduação e da pós-graduação, em minicursos ou outras formas de capacitação e em consultorias antropológicas.

SE 10. O campo do patrimônio e o papel da antropologia

Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu (UNIRIO) - Coordenador/a, Izabela Maria Tamaso (Universidade Federal de Goiás) - Coordenador/a, Silvana Barbosa Rubino (UNICAMP) - Participante, Heitor Frugoli Jr. (Departamento de Antropologia da USP) - Participante, Antonio Carlos Motta de Lima (UFPE) - Participante, Artionka Manuela Góes Capiberibe (Departamento de Antropologia/IFCH/Unicamp) - Debatedor/a, Roque de Barros Laraia (Professor Titular) - Participante, Rivia Ryker Bandeira de Alencar (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) - Participante, Sara Santos Morais (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) - Participante, Julie Antoinette Cavignac (UFRN) - Participante, Renata de Sá Gonçalves (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a
Nas últimas décadas, a noção de patrimônio ampliou-se consideravelmente no Brasil. Deixou de se referir apenas aos bens imóveis relacionados à noção de passado histórico e passou a englobar o cultural, o intangível, o genético, o intelectual. Deu-se início a um processo de “patrimonialização das diferenças” trazendo para o centro do debate as narrativas plurais centradas na noção de diversidade. Essa mudança trouxe novos atores e demandas para o campo do patrimônio e propiciou um mercado de trabalho crescente para antropólogos chamados para identificações, inventários, laudos e outras formas de mapeamentos de saberes tradicionais e expressões performativas singulares. Além disso, os/as antropólogos /as vêm há algumas décadas participando de conselhos consultivos de agências de patrimônio em escala nacional, estadual e municipal, além de também já terem ocupado a presidência de instituições de patrimônios estaduais e nacional. É tempo de avaliarmos os desafios encontrados por estes /as antropólogos /as no contexto destas agências. Como a antropologia tem contribuído para garantia do reconhecimento da diversidade cultural? Quais dilemas éticos tem enfrentado? Quais conquistas foram possíveis em contextos por vezes adversos? Este debate visa refletir sobre a importância de termos como pauta do Comitê de Patrimônios e Museus da ABA a demanda por representações da antropologia em todos os conselhos estaduais, além da já histórica e importante presença no conselho do IPHAN.

SE 11. Prostituição, tráfico de pessoas e mercados do sexo: desafios para uma agenda de direitos humanos em tempos de autoritarismos

Ana Paula da Silva (Universidade Federal Fluminense (UFF) - Coordenador/a, Juliana Gonzaga Jayme (PUC Minas) - Coordenador/a, Adriana Gracia Piscitelli (Unicamp) - Participante, Michelle Barbosa Agnoleti (Universidade Estadual da Paraíba) - Participante, Thaddeus Gregory Blanchette (UFRJ Macaé) - Participante, Juliana Gonzaga Jayme (PUC Minas) - Debatedor/a, Flavia do Bonsucesso Teixeira (Universidade Federal de Uberlândia) - Participante, Ana Paula Luna Sales (UNICAMP) - Participante, José Miguel Nieto Olivar (Faculdade de Saúde Pública USP) - Participante, Ana Paula da Silva (Universidade Federal Fluminense (UFF) - Debatedor/a, Natânia Pinheiro de O. Lopes (UERJ) - Participante, Soraya Silveira Simões (UFRJ) - Participante, Fernanda Maria Vieira Ribeiro (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão) - Participante, Juliana Gonzaga Jayme (PUC Minas) - Debatedor/a, Ana Paula da Silva (Universidade Federal Fluminense (UFF) - Debatedor/a
 | 
A revitalização de agendas moralizantes e a desqualificação dos direitos humanos tem redundado na crescente estigmatização da comercialização do sexo e uma consequente (re)criminalização dxs trabalhadorxs sexuais. Isto, muitas vezes, acontece sob a égide de projetos de “renovação” física e moral dos centros urbanos, que buscam transformar esses em espaços quase-privatizados, dedicados ao consumo e a performance da respeitabildade burguesa. Existem cada vez mais as forças de segurança engajadas em operações que fecham boates e retiram prostitutas da rua. Simultaneamente, a questão da prostituição tem se voltada, outra vez, para a esfera religiosa, com várias seitas engajadas em projetos de “resgate de vítimas do tráfico”, que buscam insumos do Estado. Em conjunto com isto, tramitam no Congresso projetos de lei que criminalizam clientes e retiram direitos conquistados pelxs trabalhadorxs sexuais. Nosso seminário refletirá sobre esses fenômenos, buscando forjar elos temáticos com outras áreas de pesquisa que tocam nas questões dos direitos humanos, particularmente estudos de gênero, raça, direitos sexuais, urbanização e migração. O simpósio se dividirá em três sessões, que tocará em: 1- A história das mudanças nas políticas referente à prostituição; agentes e stakeholders. 2- Tráfico de pessoas e a prostituição: narrativas de criminalização da migração ou proteção aos “vulneráveis”? 3- Metodologias em tempos de estigmatização: articulações entre grupos sociais e a academia.

SE 12. Território, gênero e sexualidade fora dos eixos: cruzando fronteiras teóricas e geopolíticas

Silvana de Souza Nascimento (Universidade de São Paulo) - Coordenador/a, Fabiano de Souza Gontijo (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) - Participante, Rafael da Silva Noleto (Universidade Federal de Pelotas) - Participante, Elisete Schwade (UFRN) - Participante, Mónica Franch (Universidade Federal da Paraíba) - Participante, Roberto Marques (Universidade Regional do Cariri) - Participante, Guilherme Rodrigues Passamani (UFMS) - Participante
 | 
Para fora dos grandes centros urbanos, experiências que envolvem práticas sexuais, sexualidades, relações de gênero e corporeidades passaram a ser problematizadas, como um campo de investigação da antropologia no Brasil, apenas no início do século 21. Apesar da consolidação dos estudos de gênero e da diversidade sexual, pesquisas realizadas em diferentes contextos (rurais, ribeirinhos, povos indígenas e tradicionais, pequenas e médias cidades, metrópoles etc.) mobilizam a reflexão antropológica e a produção de novas perspectivas sobre conceitos e teorias já sedimentados. Nesse sentido, este simpósio pretende reunir pesquisadoras e pesquisadores que possam oferecer novas perspectivas etnográficas e que possibilitem novos enfoques teóricos e metodológicos no cruzamento entre espacialidades, corpo, gênero, sexualidade, raça, etnia, entre outros

SE 13. Territórios Indígenas enquanto Comunidades Políticas

João Pacheco de Oliveira Filho (Museu Nacioonal/UFRJ) - Coordenador/a, Henyo Trindade Barretto Filho (Departamento de Antropologia/UnB) - Coordenador/a, Paulo Roberto Homem de Góes (UFPR) - Participante, Andrey Cordeiro Ferreira (UFRRJ) - Participante, Daniela Fernandes Alarcon (PPGAS/MN/UFRJ) - Participante, Henyo Trindade Barretto Filho (Departamento de Antropologia/UnB) - Participante, Sidnei Clemente Peres (Universidade Federal Fluminense) - Participante, Edviges Marta Ioris (Universidade Federal de Santa Catarina) - Participante, Rosamaria Santana Paes Loures (Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) - Participante
 | 
Em 1957, baseado em registros administrativos do SPI, Darcy Ribeiro caracterizava a população indígena no Brasil como composta por micro-sociedades isoladas no meio da floresta amazônica, com raros territórios definidos e dependente da tutela e proteção oficial. Nas décadas seguintes, com o aparecimento de mobilizações indígenas em diferentes partes do país, com a Constituição de 1988 e novas convenções internacionais, consolidou-se uma outra consciência quanto à valorização da diversidade sociocultural e a defesa de um patrimônio ambiental. Mais de 100 milhões de hectares foram formalmente reconhecidos como “terra indígena”, apontando para formas de cidadania diferenciadas e para um regime pós-tutelar . O que mudou para os povos indígenas durante os últimos sessenta anos? Que novas experiências, conhecimentos e identidades resultaram, em cada caso específico, da luta pela demarcação das terras? Que novas comunidades políticas, que reconfigurações étnicas, que novos projetos de futuro alavancaram ou foram engendrados por essas mobilizações? Que referenciais os moveram e movem em sua inserção no Brasil contemporâneo? A presente chamada objetiva estimular contribuições de natureza etnográfica e analítica sobre como as práticas e estratégias colocadas em ação nas últimas décadas por povos indígenas específicos para a conformação de seus territórios étnicos, implicaram paralelamente na reconfiguração de suas culturas e nos seus modos de organização social.