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Mesas Redondas

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MR 001. (Re)Definições de Gênero e processos de biomedicalização

Jane Araújo Russo (IMS-UERJ) - Coordenador/a, Fabíola Rohden (UFRGS) - Participante, Débora Allebrandt (UFAL) - Participante, Jane Araújo Russo (IMS-UERJ) - Participante, Maria Claudia Pereira Coelho (ICS/UERJ) - Debatedor/a
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Esta mesa redonda tem como objetivo discutir algumas das novas formas de intervenção biomédica relativas à sexualidade e à reprodução e suas interfaces com marcadores sociais da diferença, com destaque para a dimensão das relações de gênero. Pretende-se, dessa forma, fomentar o debate antropológico mais geral acerca das articulações possíveis entre a produção de variadas formas de conhecimento e de intervenção e seus efeitos no cotidiano, agregando diferentes perspectivas teóricas e campos de investigação empírica. Por meio de análises que se dedicam a compreender o impacto de novos recursos como a utilização de hormônios, distintos medicamentos e materiais genéticos, busca-se dar conta dos efeitos da disponibilização desses artefatos. A intenção é priorizar as interfaces entre ciências, tecnologias, sociedade e poder, tendo como foco as redes que envolvem desde a produção de conhecimentos e de tecnologias até suas repercussões relacionadas a novas formas de entendimento do sujeito em diversos cenários contemporâneos. Tais cenários abarcam o surgimento de distintas formas de (bio) sociabilidade e subjetividades, incluindo a apropriação “leiga” de conhecimento e tecnologia com o objetivo de auto-aperfeiçoamento, implicando diferentes modos de distanciamento, aproximação e utilização do discurso médico-científico.

MR 003. Antropologia e Direitos Humanos à Alimentação

Maria Eunice de Souza Maciel (UFRGS) - Coordenador/a, Maria Eunice de Souza Maciel (UFRGS) - Participante, Denise Oliveira e Silva (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ) - Participante, Lana Magaly Pires (Universidade de Brasília) - Participante, Antonio Carlos Motta de Lima (UFPE) - Debatedor/a
Direito Humano à Alimentação A questões aligadas ao Direito Humano à alimentação encontram-se diretamente relacionadas com as noções de Segurança Alimentar e Fome enquanto problema Social. Segurança Alimentar é um conceito muito trabalhado no Brasil atual mas ele tem diferentes conotações conforme o país. Cabe diferenciar Segurança Alimentar de Alimento Seguro e estabelecer claramente as diferenças e relações. A Fome enquanto um problema social deixa de ser utilizada no Brasil sendo substituída por Segurança Alimentar. No entanto, o país só em 2014 saiu do Mapa Mundial da Fome da FAO e pode voltar este ano. Cabe verificar as políticas públicas ligadas a este caso, inclusive em sua situação atual. O debate gira, também, sobre a diversidade alimentar e as políticas ligadas às diversas formas de viver que existem no Brasil. Em função disso, cabe ver a definição de direito Humano à Alimentação (tanto nacional quanto internacional) que traz a proteção à diversidade. Ou seja, o direito humano à uma alimentação adequada no sentido cultural. Este debate atinge diretamente aos antropólogos dedicados à antropologia da Alimentação.

MR 004. Antropologia e Saúde Coletiva: convergências, impasses e possibilidades

Carlos Guilherme Octaviano do Valle (UFRN) - Coordenador/a, Martinho Braga Batista e Silva (UERJ) - Participante, Daniela Riva Knauth (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - Participante, Inara do Nascimento Tavares (Universidade Federal de Roraima) - Participante, Maria Luiza Garnelo Pereira (Instituto Leônidas & Maria Deane - FIOCRUZ) - Debatedor/a
As relações entre a Antropologia e a Saúde Coletiva tem um histórico significativo e longo, tomando em consideração as duas áreas de conhecimento, ensino e pesquisa. Para além do foco evidente em questões e problemas referentes à saúde e doença, as duas áreas dividem preocupações objetivas a respeito de teoria e metodologias de pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, consideram os aspectos institucionais que constituem e forjam intervenções e práticas voltadas a corpos, pessoas e populações. Além disso, chamam a atenção fortemente para sua dimensão política que caracteriza tanto as implicações da administração pública e dos efeitos de Estado, em suas materialidades e simbolismo, bem como consideram a esfera da participação e controle social, inclusive em termos dos efeitos, em paralelo dos ativismos biossociais e dos movimentos sociais em geral. Deve-se acrescentar que as trajetórias acadêmicas de antropólogos descrevem vinculações e inserções profissionais variadas em institucionais de ensino superior, em seus diferentes níveis, seja de graduação e pós-graduação em cursos e programas de Saúde Coletiva, cujo histórico merece maior entendimento e reflexão, o que vem a ser objetivo bastante salutar para as duas áreas de conhecimento científico. Nossa proposta é reunir especialistas, em diferentes momentos de formação e inserção acadêmico-institucional, cujas linhas de pesquisa são singulares, com o propósito de fazer um balanço das interfaces das duas áreas científicas.

MR 005. Antropologia por meio do fazer: experiências de correspondência com praticantes habilidosos em instituições públicas de ensino e pesquisa

Zoy Anastassakis (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - Coordenador/a, Raquel Gomes Noronha (UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO) - Participante, Thiago Lopes da Costa Oliveira (Museu do Índio) - Participante, Amilton Pelegrino de Mattos (Universidade Federal do Acre) - Participante, Isabel Ribeiro Penoni (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) - Debatedor/a
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A mesa tem por objetivo debater e apresentar pesquisas e projetos conduzidos por antropólogo/as que vem se dedicando a fazer antropologia por meio de experiências de correspondência que não sejam pautadas em práticas clássicas de etnografia, documentação e transmissão de informação, mas, sim, em experiências sociais, inovadoras e colaborativas, por meio de response abilities (INGOLD, 2018; HARAWAY, 2016), nossas habilidades de responder, ou melhor, de corresponder (INGOLD, 2018, 2016) ao que fazem os ‘outros’, seja aqueles que encontramos ‘em campo’ ou com quem convivemos nas instituições de ensino e pesquisa em que atuamos. Esses ‘outros’ são aqui percebidos como praticantes habilidosos (INGOLD, 2000) com quem buscamos estabelecer relações de correspondência, criando assim pesquisas e projetos comuns. Nesta mesa, tais questões emergem a partir de experimentações levadas a cabo em quatro instituições públicas, a saber, Museu do Índio - FUNAI, a Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ, a UFAC (Campus Floresta) e o Departamento de Desenho e Tecnologia da UFMA. Tais experimentos se constituem por meio de projetos colaborativos e práticas de ensino e pesquisa realizados em parceria com praticantes habilidosos tais como comunidades indígenas, quilombolas e de terreiro (MI, UERJ, UFAC e UFMA), artistas, artesãos e professores (MI, UERJ, UFAC e UFMA), estudantes de design (MI, UERJ e UFMA), e estudantes da licenciatura indígena no Centro de Educação e Letras da UFAC.

MR 006. Artes, religião e memória: explorando transversalidades

Fernanda Arêas Peixoto (Universidade de São Paulo) - Coordenador/a, Emerson Giumbelli (UFRGS) - Participante, Christina Vital da Cunha (Universidade Federal Fluminense) - Participante, Fernanda Arêas Peixoto (Universidade de São Paulo) - Participante, Paola Lins de Oliveira (PPCIS/UERJ) - Debatedor/a
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O objetivo desta mesa redonda é propor articulações entre os temas da memória, da religião e das artes recorrendo a situações etnográficas e casos precisos. Tais situações serão exploradas para mostrar como, a partir de cada um dos temas em exame, chega-se, por meio de mediações que é preciso analisar e compreender, aos demais. As articulações projetadas exploram dois vetores, que dialogam com discussões relevantes na antropologia contemporânea. De um lado, representações, discursos e projetos que, em meio a controvérsias, contêm ou incidem em dimensões políticas, como mostram, por exemplo, os museus e as intervenções urbanas voltados para uma reflexão sobre direitos. De outro lado, objetos, materiais e volumes, dos mais ínfimos e voláteis até os mais monumentais e permanentes, que interpelam uma reflexão sobre os espaços e suas relações com agentes humanos e não humanos. Portanto, o debate proposto dirige-se aos domínios das artes, da religião e da memória não a partir de antropologias específicas ou especializadas, mas apostando em transversalidades que ativam discussões mais amplas.

MR 007. Configurações de Poder no Brasil pós constituição de 1988: desvendando dispositivos de participação, inclusão e reparações

Carla Costa Teixeira (UNIVERSIDADE DE BRASILIA) - Coordenador/a, Jane Felipe Beltrão (Universidade Federal do Pará) - Participante, Paula Mendes Lacerda (UERJ) - Participante, Antonio Carlos de Souza Lima (DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA/MUSEU NACIONAL-UFRJ) - Debatedor/a, Carla Costa Teixeira (UNIVERSIDADE DE BRASILIA) - Participante
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Em 2018 a constituição cidadã completa 30 anos e com ela a jovem democracia brasileira findo o regime militar. Nesse percurso observamos muitas iniciativas políticas de diminuição das graves desigualdades que marcam a construção da nação e do estado em nosso país, bem como de ampliação dos espaços e das interações democráticas. O objetivo dessa mesa redonda é justamente contribuir para a compreensão de como nessa configuração práticas de poder antigas são reinventadas e novas são construídas. Para tal, a aposta é mais uma vez ancorar reflexões interpretativas em acuradas etnografias tomando como foco, especificamente, cenários de participação social indígena, de inclusão de indígenas e quilombolas no ensino superior e de ações indenizatórias estatais como forma de reparação de violências e violações. Assim, as sutilezas das relações de poder que operam em regimes democráticos podem surgir em regras de um jogo complexo que em muito transcendem vínculos explícitos de mando e subordinação, encarnando dispositivos de domínio eufemizados em processos de negociações, inclusões e reparações que trazem novas retóricas, legalidades, saberes, procedimentos, atores, valores e interesses.

MR 008. Corpos vulneráveis: poder e resistências

Cynthia Andersen Sarti (Unifesp) - Coordenador/a, Lia Zanotta Machado (Universidade de Brasilia) - Participante, Cynthia Andersen Sarti (Unifesp) - Participante, Patrícia Birman (UERJ) - Participante, Marcia Regina de Lima Silva (Usp) - Debatedor/a
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Se a condição vulnerável marca inexoravelmente humanos (e não humanos) como seres que vivem e, como tal, estão expostos ao outro, à degenerescência e à morte, esta mesa propõe tratar dos mecanismos sociais de distintas ordens por meio dos quais alguns corpos e pessoas – na acepção de Marcel Mauss - se tornam mais vulneráveis que outros. Falamos de mecanismos que, historicamente, circunscrevem e subjugam corpos e pessoas no interior de relações de poder e dominação, construindo e enraizando modos de subjetivação que reproduzem a sujeição na qual são forjados, mas apontam igualmente formas inusitadas de resistência. Para pensar essas vulnerabilidades e resistências, propomos, cada uma das participantes, discutir diferenças e desigualdades específicas, que trazem a marca de gênero, da pobreza, do racismo e da violência, profundamente arraigadas numa sociedade com um passado escravocrata como a brasileira, mas abordadas aqui a partir de suas reconfigurações na atual conjuntura política do país. Incluímos a discussão da prática de tortura que, se marcou o período de exceção da ditadura militar (1964-1985), transcende essa localização histórica e está sub-repticiamente presente na sociedade brasileira como modo aceitável de tratar corpos marcados pela desigualdade.

MR 009. Desafios Profissionais para Antropólogos em seus Campos de Atuação: relatos de casos na Amazonia.

Marcos Silveira (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ- DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA - PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA) - Coordenador/a, Patricia Carvalho Rosa (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) - Participante, Hugo Ferreira Netto Loss (IBAMA) - Participante, Walter Alves Coutinho Junior (Ministério Público Federal - MPF) - Participante, João Francisco Kleba Lisboa (Universidade Federal do Paraná) - Debatedor/a
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Cresce o número de antropólogas/os que se vê diante de novas situações profissionais, especialmente fora da universidade, na qual são levados a atuar não apenas como etnógrafa/os, mas como agentes de mediação, para a qual a formação em pesquisa etnográfica continua fundamental, contudo desempenhando novos papéis, inclusive diante dos interlocutores consagrados da antropologia, índios, ribeirinhos, quilombolas. Nesta mesa, propomos ouvir e discutir a experiência de três profissionais que atuam na região Amazonica, no MPF, no IBAMA e no Instituto de pesquisa Mamirauá, para termos uma visão ampla dos desafios que encontram atuando como técnicos, gestores e pesquisadores no âmbito das demandas que estes órgãos procuram atender. Está em jogo não apenas a formação do especialista no lidar com estas alteridades e suas realidades heterogêneas, mas em experiências profissionais que mobilizam a formação em antropologia para outras direções, exigindo que a própria formação profissional seja repensada.

MR 010. Direitos Culturais e Territoriais, Práticas Estatais e Empresariais e Desenvolvimento

Eliane Cantarino O'Dwyer (UFF) - Coordenador/a, Raquel Mombelli (NEPI/UFSC) - Participante, Andrea L. Zhouri Laschefski (UFMG) - Participante, Jorge Eremites de Oliveira (Universidade Federal de Pelotas) - Participante, Deborah Bronz (Universidade Federal Fluminense - UFF) - Debatedor/a
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Contemporaneamente, no Brasil, o reconhecimento de direitos culturais e territoriais tem sido posto à prova por um conjunto de iniciativas e práticas instituídas nos âmbitos governamentais e empresariais que se fazem perceber especialmente no campo das políticas desenvolvimentistas e ambientais, onde encontramos uma diversa gama de leis que regulam a situação dos povos tradicionais e de seus territórios. O regime discursivo do desenvolvimento tem sido acionado pelos governos e por diferentes instituições e agentes para evocar, na prática, a imposição de um modo de vida (capitalista e modernizante) sobre a grande diversidade cultural previamente reconhecida e garantida por leis nacionais e internacionais. Dessa forma, se coloca a questão sobre as implicações desse regime discursivo que é o desenvolvimento como necessidade primordial na sociedade capitalista contemporânea, que produz modos de vida permitidos e impossibilita e desqualifica outros. Para suscitar uma reflexão e um debate mais aprofundando sobre esse tema, a mesa redonda propõe reunir experiências etnográficas de pesquisadores em situações de conflitos socioambientais, reivindicação de direitos territoriais e práticas de governança no âmbito da implementação de grandes projetos de desenvolvimento.

MR 011. Direitos Humanos, Políticas Públicas e Deficiência

Patrice Schuch (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS) - Coordenador/a, Claudia Lee Williams Fonseca (Professora permanente colaboradora) - Debatedor/a, Anahi Guedes de Mello (UFSC) - Participante, Nádia Elisa Meinerz (Universidade Federal de Alagoas) - Participante, Adriana Abreu Magalhães Dias (UNICAMP) - Participante
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Considerando a importância das categorias discursivas na discussão sobre os direitos humanos, esta mesa redonda privilegia o estudo dos processos de inscrição em políticas públicas de expertises, experiências, categorias, formas de registro, classificações e avaliação de sujeitos e populações relacionados à "deficiência". Seu objetivo geral é a compreensão da vida social das categorias, diagnósticos, projetos e formas de intervenção relacionadas à deficiência, bem como as interseções da deficiência com outros marcadores da diferença, tais como gênero, classe e/ou raça e etnia. No âmbito das problematizações que relacionam ciência, poder, Estado e lutas sociais, acreditamos que tais problemáticas mobilizam um conjunto amplo e heterogêneo de proposições estatais, científicas e morais pouco homogêneas, que nos interessa debater. É intenção desta mesa redonda compreender as maneiras em que tais construções acabam se expressando em categorias de políticas públicas, assim como em formas de registro, classificação e avaliação burocráticos, permitindo a promoção e proteção de direitos de determinados sujeitos, mas também eventualmente inviabilizando-os para outros. Arguindo por uma concepção performativa dos direitos, esta mesa redonda pode contribuir especificamente nas reflexões sobre as formas de institucionalização dos direitos humanos das pessoas com deficiência e suas formas de expansão pelas lutas sociais.

MR 012. Dramas técnico-morais de Estado: sobre tecnologias, moralidades e afetos que fazem o bom e o mau governo das vidas

Adriana de Resende Barreto Vianna (Museu Nacional/UFRJ) - Coordenador/a, Adriana de Resende Barreto Vianna (Museu Nacional/UFRJ) - Participante, Angela Mercedes Facundo Navia (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) - Participante, Maria Gabriela Lugones (Universidad Nacional de Córdoba) - Participante, Leticia Carvalho de Mesquita Ferreira (CPDOC/FGV) - Debatedor/a
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A mesa dedica-se à discussão,a partir de três investigações etnográficas distintas, de dinâmicas complexas entre linguagens, saberes e atores ancorados em especialidades “técnicas” de governo e os acionamentos morais e afetivos mobilizados por aqueles que participam de tais situações. Longe de localizar em polos opostos a dimensão “técnica” e a “moral-afetiva”, o que se busca explorar são seus borramentos, distinções contingenciais e trânsitos estratégicos. O exercício da “compaixão profissional” dos especialistas administrativos do refúgio compõe parte central da produção da verdade singular do sujeito refugiado, do refúgio como um todo e da grande verdade na Nação, como demonstra Facundo. De forma semelhante, as experiências de familiares de presos provisórios em busca de informação e recursos para agir em cenários que lhes parecem opacos, permite que apreendamos modos pelos quais o “Estado” é vivido como ordem fundamentalmente injusta – e imoral, portanto – que atravessa e compõe compromissos afetivos densos, como busca discutir Vianna. Por fim, a avaliação nos tribunais do (mau) proceder funcional de magistrados cordobeses em processos relativos à ditadura argentina, permite-nos refletir sobre crenças compartilhadas e universos socio-morais comuns entre agentes judiciais e perseguidos políticos, como aponta Lugones. Em todos os casos estão em jogo processos de reordenamento e codificação de sofrimentos que produzem simultaneamente vidas sob escrutínio e modos de governo.

MR 013. Estudos recentes sobre música indígena em diálogos comparativos

Deise Lucy Oliveira Montardo (Universidade Federal do Amazonas) - Coordenador/a, Sonia Regina Lourenço (Universidade Federal de Mato Grosso) - Participante, Odair Giraldin (UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS) - Participante, Maria Eugenia Dominguez (UFSC) - Participante
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Os Estudos sobre musica indígena tem aumentando em número e abordagens temáticas nas últimas três décadas. Esta mesa reúne alguns pesquisadores que tem desenvolvido trabalhos sobre música indígena em regiões etnograficamente diversas das terras baixas da América do Sul. Pesquisas estas que estão inseridas na rede do INCT Brasil Plural, um programa de pesquisas feitas sob o viés antropológico e que, quando cotejadas tem um grande potencial comparativo. Maria Eugênia Dominguez (UFSC) apresentará seu trabalho sobre sons, audição e conhecimento entre os flauteros guarani e chané do oeste do Chaco desenvolvendo uma discussão sobre os tópicos ritual e história indígena; deslocamentos, música e lugar. Sonia Lourenço (UFMT) trará aspectos de pesquisas recentes que desenvolve com os estudantes indígenas Kurâ-Balairi, Manoki e Trumai-Kayabi, nos eixos ritual, música, flauta e políticas ameríndias, destacando os regimes rituais musicais. Odair Giraldin (UFT) falará sobre os  “gêneros vocais” nos Apinaje, numa abordagem que está construindo em parceira com dois professores Apinaje. Além dos temas já mencionados, a mesa colocará em debate a prática de pesquisa colaborativa que vem sendo desenvolvida com e entre os pesquisadores indígenas, nos cursos de graduação, de licenciatura e de pós-graduação.

MR 014. Festas e patrimônio imaterial no Brasil

Léa Freitas Perez (Ufmg) - Coordenador/a, Marcos da Costa Martins (Plantuc Consultoria Socioambiental) - Participante, Francesca Maria Nicoletta Bassi Arcand (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia) - Participante, Ulisses Neves Rafael (Universidade Federal de Sergipe) - Participante, Taís Diniz Garone (Doutoranada) - Debatedor/a
Em 2016, realizou-se na 68 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sob a coordenação da professora Fátima Tavares (Ufba) a mesa redonda Festas e patrimônio imaterial no Brasil que buscava abordar temas e dimensões das festas, apresentando uma diversidade etnográfica no Brasil que não se manifestam apenas em versões espetaculares de consumo turístico, mas também através de expressões locais que mobilizam interesses, estéticas e agenciamentos heterogêneos de populações invisibilizadas e vulneráveis com implicações diretas para e nas discussões contemporâneas sobre patrimônio imaterial no Brasil, uma vez que inúmeras festas têm sido objeto de dispositivos de patrimonialização. Foi a primeira vez que o tema festa se fez presente na pauta da SBPC, o que, sem sombra de dúvidas, foi um imenso avanço para quem se dedica ao tema. A produtividade das discussões então ocorridas nos leva a proposta de replicar a mesa, agora nos quadros da Rba.

MR 015. Gênero e Diversidade Sexual em Contextos Interioranos e Etnicamente Diferenciados - Crítica Colonial, Perspectiva Queer e Epistemopolítica Radical

Fabiano de Souza Gontijo (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ) - Coordenador/a, Pedro Paulo Gomes Pereira (Unifesp) - Debatedor/a, Moisés Alessandro de Souza Lopes (Universidade Federal de Mato Grosso) - Participante, Silvana de Souza Nascimento (Universidade de São Paulo) - Participante, Estêvão Rafael Fernandes (Universidade Federal de Rondônia) - Participante
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Os aspectos relacionados à experiência da diversidade sexual e de gênero nas zonas rurais brasileiras foram pouco tratados, no Brasil, no âmbito das Ciências Humanas e, em particular, da Antropologia, apesar da consolidação teórica e metodológica dos campos de estudos sobre ruralidade e campesinato, por um lado, e, por outro, sobre gênero e sexualidade. O mesmo se observa em relação aos contextos interioranos, caboclos e ribeirinhos e às situações etnicamente diferenciadas, indígenas e quilombolas, apesar de os estudos sobre etnicidade e sobre povos e comunidades tradicionais terem uma longa trajetória no país. Trata-se aqui de elaborar uma reflexão crítica sobre a persistência da exígua produção de pesquisas nas Ciências Sociais brasileiras e, em particular, em Antropologia, sobre a diversidade sexual e de gênero em situações rurais ou interioranas e em contextos etnicamente diferenciados.

MR 016. Ilegalismos, circuitos judiciários e administração de conflitos no Brasil, Argentina e Canadá

Lenin dos Santos Pires (Universidade Federal Fluminense) - Coordenador/a, Mariano Perelman (UBA-CONICET) - Participante, Luciane Patrício Barbosa Martins (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE) - Participante), Joao Gustavo Vieira Velloso (Université d'Ottawa / University of Ottawa) - Participante, Brigida Renoldi (CONICET) - Debatedor/a
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Esta mesa redonda tem por objetivo discutir a problemática da gestão de ilegalismos e a mobilização de circuitos judiciários a partir de pesquisas etnográficas sobre administração de conflitos no Brasil, Argentina e Canadá. Os ilegalismos são entendidos aqui como condutas que, uma vez patrocinadas por sujeitos específicos, contrariam determinadas expectativas morais e legais que as interpretam enquanto algo de nocivo ou perigoso. A gestão dos ilegalismos envolve desde uma relativa tolerância até suas penalizações, conforme os contextos e interesses em jogo. Nossa proposta buscará promover um debate entre os resultados de abordagens etnográficas e comparativas da pesquisa “Lógicas de mercado, Conflitos de Interesses e Práticas de Controle nos Processos de Administração Institucional de Conflitos”, desenvolvida no âmbito do INCT-InEAC, assim como os estudos de participantes convidados. Neste sentido, priorizaremos pesquisas que realizam um enquadramento mais elucidativo e dinâmico das práticas judiciárias e de controle administrativo empregadas na gestão de ilegalismos. A partir de três contextos distintos, nós nos questionaremos, por exemplo, sobre as definições ancoradas em leis e regulamentações que definem e classificam os atores e suas práticas na utilização do espaço público, assim como as formas de sanções voltadas para o controle de acesso e uso desses espaços e na instauração de relações, territórios e territorialidades específicos.

MR 017. Interculturalidade e políticas públicas: alguns desafios e experiências no campo da saúde para Povos Indígenas no Brasil

Maria Helena Ortolan (UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS-UFAM) - Coordenador/a, Andréa Borghi Moreira Jacinto (Ministério da Saúde) - Participante, Ximena Pamela Claudia Diaz Bermudez (Universidade de Brasilia) - Participante, Maria Helena Ortolan (UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS-UFAM) - Participante
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No Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, está previsto "um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias". Enquanto sociedade pluralista de Estado democrático, a noção de interculturalidade suscita uma discussão teórica e programática fundamental sobre seu papel como princípio norteador da política pública de saúde para os povos indígenas no Brasil. Há necessidade de uma elaboração mais sistemática sobre o conceito e sua aplicabilidade no campo da saúde. A questão de como efetivar atenção à saúde indígena "contemplando a diversidade social, cultural, geográfica, histórica e política", como pretende a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, mantém-se como desafio no campos institucional responsável pela implementação das ações, acadêmico e da política indígena. Esta Mesa-Redonda relacionará, conceitualmente e a partir da apresentação de experiências e pontos de vistas diversos, estes dois propósitos - interculturalidade e política de saúde indígena pautada pelo princípio da diversidade, com o intuito analítico de dimensionar a complexidade da implementação de ações de saúde indígenas pelo Estado brasileiro.

MR 018. Juventudes contemporâneas: estética, política e consumo

Alexandre Barbosa Pereira (Universidade Federal de São Paulo) - Coordenador/a, Mylene Mizrahi (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) - Participante, João Batista de Menezes Bittencourt (UFAL) - Participante, Marco Aurélio Paz Tella (Universidade Federal da Paraíba) - Participante
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A proposta dessa mesa é discutir aspectos das juventudes contemporâneas que mobilizem, ao mesmo tempo, questões estéticas, de lazer, de consumo e de ativismos políticos. Compreende-se que o mundo passa por uma série de transformações a partir do desenvolvimento das novas tecnologias da informação e da comunicação e que essas incidem diretamente nos modos de ser jovem, oferecendo, como afirma Appadurai, novas possibilidades imaginativas. Em outras palavras, os sujeitos considerados jovens e suas práticas culturais seriam, simultaneamente, protagonistas e resultado dessas transformações. Nesse processo, as diferentes formas de ocupar o tempo livre associadas aos novos ativismos políticos, em muitos casos atrelados a manifestações artísticas, apresentam-se como uma arena fundamental de expressão de novos estilos de vida. Despontam, assim, no mundo atual, uma série de insurgências juvenis que desafiam perspectivas simplistas que buscam encaixá-las numa chave dual de entendimento. Há, portanto, novas formas de atuação social que não podem ser reduzidas a um único espectro político, fugindo, portanto, a enquadramentos fáceis. Nesse sentido, a mesa busca apresentar novas possibilidades de entendimento das juventudes contemporâneas a partir das relações com o consumo, a produção artística, a indústria cultural, a política, as gerações, as identidades de gênero e étnico-raciais.

MR 019. Museus e patrimônios pensados por indígenas universitárias

Priscila Faulhaber Barbosa (Museu de Astronomia e Ciências Afins) - Coordenador/a, Eliane Boroponepa Monzilar (Escola Jula Pare/ SEDUC) - Participante, Carolina Camargo de Jesus (SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE MARICÁ) - Participante, Renato Athias (Universidade Federal de Pernambuco) - Participante
Propõe-se reunir nesta mesa, integrada ao GT Museus e Patrimônio da ABA, testemunhos de estudantes universitárias indígenas que constroem seus projetos de vida com relação ao meio de origem. Quando entram no sistema educacional suas trajetórias como estudantes e pesquisadoras envolvem dilemas éticos. Querem contribuir para reforçar a cultura material e imaterial do grupo de referência e do povo ao qual se vinculam. Veem as mulheres como principais difusoras da cultura e dos conhecimentos locais, do trabalho agrícola , da pesca ou das artes e artesanatos. Nestes reconhecem uma ponte para suas práticas da vida cotidiana e para a expressão de sua visão de mundo, em comunhão com as anciãs que transmitem conhecimentos de geração em geração. Elas detêm o domínio dos conteúdos ainda não traduzidos para a linguagem alfabética, para a cultura letrada, para o domínio escolar bilíngue ou bicultural. Veem os museus como lugares de memória e de construção do conhecimento. Problematizam, no entanto as atividades nos museus. Como pontos positivos, destacam a preservação da memória e a possibilidade de lembrar eventos ou histórias esquecidas. Como inconveniente apontam que os objetos apropriados pelos museus ficam guardados entre quatro paredes, sendo preciso elaborar projetos para a difusão e reconhecimento da significação cultural que comportam. Consideram a abertura para as demandas comunitárias relevante para a dinâmica cultural.

MR 020. Novas universidades, novos campi, novas antropologias: docências, alteridades e expansão do Ensino Superior no Brasil

Rafael da Silva Noleto (Universidade Federal de Pelotas) - Coordenador/a, Natacha Simei Leal (Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) - Participante, Rafael Antunes Almeida (UNILAB) - Participante, Diógenes Egidio Cariaga (PPGAS/UFSC) - Participante
Recentemente, o Brasil experimentou uma expansão do Ensino Superior pela implantação de programas governamentais que resultaram na criação de novas universidades federais e na ampliação das universidades federais já existentes. Como política pública do governo Lula, o Programa de Expansão da Educação Superior Pública (EXPANDIR, 2003-2006) e o Programa de Apoio a Planos de Expansão e Reestruturação de Universidades Federais (REUNI, 2007-2012) foram decisivos para mudar o cenário do ensino superior público no país. Com proposta de interiorização e criação de universidades multicampi, novos bacharelados e licenciaturas interdisciplinares e nas áreas de Ciências Sociais e/ou Antropologia, bem como pós-graduações, foram implementados visando atender às chamadas vocações locais de diversas regiões do país e abrindo maiores possibilidades para a atuação no Ensino Superior. Esta mesa redonda tem por objetivo reunir professores/as de Antropologia, vinculados/as a diferentes campos de pesquisa e que atuam em universidades federais do interior do Brasil. Pretende-se debater o exercício da docência em Antropologia fora dos grandes centros de formação em Ciências Sociais, buscando problematizar práticas pedagógicas, dilemas profissionais, relações com a comunidade, experiências de pesquisa impactadas pelo contexto de atuação profissional, aproximações/distanciamentos com alteridades caras ao debate antropológico e, por fim, implicações políticas da expansão do Ensino Superior no Brasil.

MR 021. O ataque sem precedentes aos direitos dos povos indígenas, quilombolas, e outros povos tradicionais

Stephen G. Baines (Departamento de Antropologia, UnB) - Coordenador/a, Franklin Paulo Eduardo da Silva (Secretaria de Educação do Estado do Amazonas) - Participante, Walmir da Silva Pereira (UNISINOS) - Participante, Raquel Oliveira Santos Teixeira (UFMG) - Participante
Esta MR apresenta um panorama, a partir de reflexões do trabalho do Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da ABA, incluindo dois dos seus membros e seu coordenador, e atualiza a situação dos povos tradicionais frente ao ataque sem precedentes nos últimos anos, por uma série de proposições legislativas lançadas pela bancada ruralista, junto com grandes consórcios de empresas de agronegócio, mineração e construção de hidrelétricas, como a PEC 215/2000, que transfere para o Congresso Nacional a competência para demarcar terras ocupadas tradicionalmente pelos indígenas e quilombolas, visando paralisar futuras demarcações, além de medidas que visam facilitar a licitação de grandes projetos em territórios de povos tradicionais. O Parecer AGU nº 001/2017, que contraria a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), ao tentar impor a tese do marco temporal é mais uma violação dos direitos dos povos indígenas. Na Região Amazônica, abordar-se-á o avanço dos grandes projetos e estratégias do movimento indígena para enfrentar as ameaças atuais. Na Região Sul, focalizar-se-á os conflitos envolvendo grandes empresas, povos e comunidades tradicionais, a repartição dos benefícios da biodiversidade no bioma pampa, e as disputas em torno da materialização em curso do Zoneamento Ecológico Econômico no RS. Para a Região Sudeste, haverá reflexões da pesquisa que o GESTA-UFMG tem conduzido sobre o desastre da Samarco e as comunidades afetadas em Mariana. Sudeste.

MR 022. Oriente Médio, conflito e refúgio: problematizando categorias e politizando o debate

Gisele Fonseca Chagas (Universidade Federal Fluminense) - Coordenador/a, Mirian Alves de Souza (UFF) - Participante, Gustavo Baptista Barbosa (Ministério das Relações Exteriores) - Participante, Silvia Montenegro (CONICET) - Participante, Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a
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A transformação da gestão do refúgio enquanto “questão humanitária” deve ser acompanhada da contextualização histórica e do debate político em torno dos conflitos que o provocaram, uma vez que a ideia abstrata do refúgio despolitiza as práticas e os atores envolvidos. Tendo como ponto de partida pesquisas empíricas sobre refugiados sírios e palestinos no Brasil, na Argentina e no Líbano, a Mesa “Oriente Médio, conflitos e refúgio: problematizando categorias e politizando o debate” propõe discutir como a questão do refúgio tem sido mobilizada e gerida pelos distintos atores (Estados, ONGs, mídia, trabalhadores humanitários) à ela atrelados, focalizando nos debates sobre as diferenças entre um refugiado, um solicitante de refúgio, um imigrante e um portador de visto humanitário. Objetiva-se refletir sobre os modos pelos quais os conflitos do Oriente Médio se reverberram na diáspora sul-americana, considerando pensar o papel das comunidades de imigração locais, atores humanitários, estados de acolhida e do próprio fazer antropológico no que Liisa Malkki (1995 ) chama de “a ordem nacional do mundo”. Como realizar trabalho de campo em situação de conflito? Como o trabalho antropológico pode contribuir para o debate público em torno da questão do refúgio e dos direitos humanos?

MR 023. Povos indígenas e expressões contemporâneas do colonialismo

Alexandra Barbosa da Silva (UFPB) - Coordenador/a, Pablo Quintero (UFRGS) - Participante, Andrey Cordeiro Ferreira (UFRRJ) - Participante, Vanessa Hacon (UFRRJ) - Participante, João Pacheco de Oliveira Filho (Museu Nacioonal/UFRJ) - Debatedor/a
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Mais do que encerrar fenômenos, a noção de colonialismo remete a questões que estão longe de serem esgotadas. Centrada na ideia de agentes e de espaços de poder estendendo domínios sobre povos e territórios, suas expressões estão fundadas em relações de dominação, mas suscitando interações e interstícios pouco compreensíveis a partir da dicotomia dominador(es) X dominado(s). A presente mesa, assim, acompanha a proposta de J. e J. Comaroff, de base histórica, atenta a “dialéticas de troca, apropriação, acomodação, luta.” A “questão colonial” não se prende, pois, a um passado, mas é fundamental na (re)produção das dinâmicas sociais hoje. Na América Latina, África e Ásia, o ciclo de investimentos estrangeiros e aquisição de terras iniciado nos anos 2000 não apenas intensificou conflitos e processos de desterritorialização, como evidenciou situações de neocolonialismo e colonialismo interno. Aos processos expropriatórios impulsionados pelo neoextrativismo somam-se, em uma “agenda verde", formas de controle da terra e de exploração dos recursos, apoiadas sobre distintos mecanismos de governo e formas do poder estatal. Expandem-se e diversificam-se processos de controle da força de trabalho, exercícios de violências epistêmicas e físicas sobre populações, governo de territórios e mercantilização da natureza, na reprodução e expansão do capitalismo. Esta mesa, então, propõe considerar como os indígenas fazem face ao (continuado) desafio de produzir respostas nesta complexidade.

MR 024. Riscos, impasses e possibilidades do fazer antropológico em tempos sombrios

Guilherme Rodrigues Passamani (UFMS) - Coordenador/a, Jurema Gorski Brites (Universidade Federal de Santa Maria) - Debatedor/a, Sandro José da Silva (UFES) - Participante, Otávio Guilherme Cardoso Alves Velho (Museu Nacional - PPGAS) - Participante, Sônia Weidner Maluf (PPGAS/UFSC) - Participante
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A história da Antropologia é marcada pelo comprometimento da disciplina com causas diversas. Algumas bastante controversas. No caso da Antropologia brasileira, algumas muito salutares. Essa MR propõe debater, a partir dos acontecimentos que marcaram o Brasil em 2016, um pouco dessa movimentação de aparente retrocesso e novidades incômodas. A partir de trajetórias acadêmicas que se encontram em diferentes momentos, destacaremos como a história na Antropologia no Brasil é tecida por meio de um fazer científico comprometido com as populações estudadas e, em geral, em situações de risco político, de apagamento e de vulnerabilidades inúmeras. Há situações sintomáticas do “perigo” representado pela Antropologia no país ao se colocar ao lado daqueles que, embora compondo a maioria demográfica no campo e na cidade, ainda representam um enorme contingente de minorias sociais sujeitas a ausências de todos os âmbitos. Essa MR, então, refletirá sobre a “antropologia política do golpe”, as fronteiras agrícolas e religiosas hoje, as transformações nas relações com o trabalhado doméstico, a partir de questões étnico-raciais e de gênero, que algumas vozes, com novas roupagens, tentam desconstruir esse saber acumulado ao longo de mais de um século de Antropologia no Brasil.

MR 025. Saúde com lágrimas: cidadania e peso social da maternidade e infância na vida cotidiana

Russell Parry Scott (UFPE) - Coordenador/a, Débora Diniz Rodrigues (Universidade de Brasília) - Participante, Ana Cláudia Rodrigues da Silva (Universidade Federal de Pernambuco) - Participante, Marcia Reis Longhi (UFPB) - Participante
Esta mesa examina mulheres cuidadoras diante do sistema de saúde. Foca suas práticas e emoções ao lidarem com problemas de saúde dos seus dependentes. Quando Scheper-Hughes escreveu "Morte sem lagrimas: a Violência da Vida Cotidiana no Brasil” descreveu um cotidiano violento e sistemas de saúde e de assistência muito precários que afetavam a maneira pela qual as mulheres encaravam a morte de bebês. Hoje a vida cotidiana continua violenta e sistemas de saúde e assistência precários, em maneiras bem diferentes. A implementação do SÚS, a adoção de metas de redução de mortalidade infantil e atenção básica na Estratégia de Saúde de Família, e o advento da epidemia da Síndrome Congênita da Zika implicaram num Estado mais presente. As mães tornam-se cidadãs. Recai nelas um enorme peso como responsáveis pelo alcance das metas da resolutividade nacional do sistema de saúde. Simultaneamente, as mulheres reivindicam direitos desrespeitados. Nesta mesa se discutem as mudanças históricas que contribuem para a relação de mulheres com a infância, com dependentes, e com o sistema de saúde e assistência. Examina manifestações de peso social nas mulheres, a sua inserção no campo de direitos e cidadania, e suas vivências de itinerários terapêuticos, dando realce às experiências, às emoções, às relações com os serviços e à capacidade de reivindicação das próprias mulheres nas suas buscas de atenção responsável como cuidadoras dos seus filhos e dependentes.

MR 026. Terras em Disputa: Diversidade fundiária, (des) regulamentações e retirada de direitos

Senilde Alcântara Guanaes (Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA) - Coordenador/a, Marisa Barbosa Araújo (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA) - Participante, Senilde Alcântara Guanaes (Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA) - Participante, Delma Pessanha Neves (Professor permanente do PPGA UFF) - Participante, Nashieli Cecília Rangel Loera (Departamento de Antropologia) - Debatedor/a
O atual cenário político brasileiro tem propiciado desmontes e retrocessos relacionados a políticas de devolução e distribuição de terras de populações indígenas e rurais, com a eminência de supressão de direitos através de MPs, PECs e PLs junto ao legislativo. A questão da “posse” da terra e seus recursos naturais, aliada a outros interesses econômicos, é o que rege as medidas recém tomadas pelo governo Temer, pautado pelos interesses dos setores ruralistas, segmento fortalecido nos últimos anos. Dentre as recentes regulamentações aprovadas, figura a MP 759/2016: sancionada em julho de 2017, a lei trata da regularização fundiária urbana e rural e promove alterações das regras da Política Nacional da Reforma Agrária. A regulamentação, em linhas gerais, permite a legalização de áreas públicas invadidas, retira exigências ambientais para regularização fundiária e transfere a responsabilidade da seleção de famílias beneficiárias para o âmbito municipal. Como consequências possíveis se colocam o agravamento do desmatamento e dos conflitos violentos por terra, a submissão das populações rurais mais vulneráveis a oligarquias agrárias locais, o aquecimento do mercado de terras e o aumento da pressão sobre terras indígenas e de populações tradicionais ainda não demarcadas e formalizadas. Propomos, através de olhares complementares acerca de situações etnográficas no estado de São Paulo, Roraima e Paraná, refletir sobre as consequências, articulações e reações a este processo.