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GT 001. A antropologia da morte: perspectivas etnográficas em diálogo.

Hippolyte Brice Sogbossi (Departamento de Ciências Sociais/Universidade Federal de Sergip) - Coordenador/a, Thiago Zanotti Carminati (Universidade Regional do Cariri) - Coordenador/a
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A importância dos estudos sobre a morte é inegável. Nem sempre teve a atenção adequada esse fato universal. Aos poucos, surgem estudos especializados em vários domínios do conhecimento. A morte é um fenômeno físico, social e cultural e desperta muita curiosidade. Um acontecimento, experienciado, vivido de múltiplas formas que implicam os vivos na situação de observadores da morte do outro. Mas há também a não-morte: a carne ‘morre’ mas a pessoa vive. A atual proposta, considerando a diversidade de enfoques sobre o fato, objetiva acolher e discutir trabalhos transdisciplinares, sendo que o diálogo com a antropologia é fundamental. Estudos comparativos também são bem vindos, e os enfoques deverão questionar e contextualizar as teorias hegemônicas ocidentais sobre a morte. Preferência será dada a etnografias que versem sobre a temática, em situações como o suicídio, a morte por desaparecimento, o falecimento como resultado de doenças, a morte misteriosa, o infanticídio, o assassinato, o fenecimento e os rituais religiosos ligados; enfim, morte como ligada a contextos políticos, sociais, biológicos e culturais.

GT 002. A contribuição da perspectiva antropológica sobre o uso de substâncias psicoativas para o debate atual em torno das

Frederico Policarpo de Mendonça Filho (UFF) - Coordenador/a, Beatriz Caiuby Labate (California Institute of Integral Studies in EUA - Programa de Psicologia Leste-Oeste do CIIS) - Coordenador/a, Andrés Leonardo Góngora Sierra (UNIVERSIDAD NACIONAL DE COLOMBIA) - Debatedor/a, Camila de Pieri Benedito (Doutoranda) - Debatedor/a, Rogerio Lopes Azize (UERJ) - Debatedor
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O GT visa refletir sobre as representações e práticas acerca do uso de substâncias psicoativas e discutir instrumentos teóricos e metodológicos que permitam compreender os formas de consumo, seus efeitos sociais e políticos, bem como os controles que as cercam. Contempla a multiplicidade de discursos e práticas que coexistem em torno dessas substâncias, como a própria definição como “drogas”. Tanto as estratégias de controle sobre as experiências de uso, como aquelas mobilizadas para garantir esse consumo são consideradas em suas singularidades, isto é, a partir de sua própria constituição. Nesse sentido, o ponto de partida é problematizar o paradigma “médico-legal” em que se baseiam as políticas de drogas estatais. Ao mesmo tempo, busca-se superar a dicotomia “efeitos farmacológicos” versus “aspectos culturais”, promovendo o diálogo entre diferentes campos de conhecimentos, de modo a se pensar o tema a partir de uma perspectiva mais integrada. Para tanto, o GT comporta: 1) etnografias sobre práticas de consumo de substâncias que recebem as alcunhas de “droga”, “plantas” e “remédios”; 2) análise de políticas de drogas e das instituições que atualizam regimes de controle, tais como tribunais de justiça e serviços de saúde e comunidades terapêuticas. 3) pesquisas que exploram o saber nativo e o encontro entre disciplinas diversas, como, por exemplo, investigações sobre o potencial terapêutico da maconha e dos alucinógenos.

GT 003. A luta pelo espaço nos centros urbanos contemporâneos

Urpi Montoya Uriarte (Universidade Federal da Bahia) - Coordenador/a, Cornelia Eckert (UFRGS) - (Coordenador/a), Cristina Patriota de Moura (Universiade de Brasília) - Debatedor/a, Luísa Maria Silva Dantas (PPGAS/UFRGS) - Debatedor/a, Ana Luiza Carvalho da Rocha (Universidade Feevale/RS) - Debatedor/a
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Nos centros urbanos convivem uma grande quantidade de espaços vazios desocupados e pessoas morando nas ruas, prédios abandonados e cortiços superlotados, edifícios restaurados e ruínas urbanas, imóveis ocupados por refugiados de todos os tipos, territórios de legalidades e ilegalidades. Neste espaço de múltiplas contradições e conflitos se livram, na atualidade, de forma aberta ou difusa, uma luta violenta e desigual pelo espaço, protagonizada por racionalidades opostas e lógicas complexas, formas distintas de entender a ordem, de habitar e de circular, de rememorar, de usar ou contra-usar. Projetos de reabilitação, revitalização, gentrificação, empreendedorismo e ordenamento urbano intervêm no espaço público usado por milhares de pessoas para sobreviver e nos prédios habitados por aqueles outros tantos que mal conseguem sobreviver. O capital destrói, constrói ou reconstrói ali onde lhe é conveniente enquanto os habitantes e usuários do centro se refugiam em espaços opacos, nas dobras dos espaços abstratos, construindo e reconstruindo suas formas de habitar os lugares centrais. O objetivo deste grupo de trabalho é congregar os diversos tipos de abordagens etnográficas que revelem e discutam a complexidade e os antagonismos que se defrontam nos centros urbanos contemporâneos, a “guerra de lugares” que se processa nele e as formas de entender o que é o centro e como habitá-lo.

GT 004. A Produção Indígena nos Cursos de Licenciaturas Interculturais: diálogos interdisciplinares e saberes tradicionais na educação superior

Marcos Antonio Braga de Freitas (Universidade Federal de Roraima) - Coordenador/a, Carlos Kleber Saraiva de Sousa (Universidade Federal do Ceará) - Coordenador/a
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A educação superior brasileira no século XXI tem buscado novos desafios com as demandas das populações oriundas das camadas populares e de vulnerabilidade social, quilombolas, povos indígenas, entre outros segmentos sociais do país com a inclusão e o acesso às universidades a partir de políticas de ações afirmativas e cursos específicos, a exemplo da Educação do Campo e Licenciaturas Indígenas. O Ensino Superior Indígena no Brasil, tem uma história de luta, resistência e os marcos legais conquistados com a Constituição Federal de 1998 (art. 210 e 231), LDB 9.394/1996 (art. 78 e 79) e do Conselho Nacional de Educação. A educação superior indígena é uma realidade com as experiências iniciais nos anos de 2000 a 2005, a exemplo, da Universidade do Estado do Mato Grosso (UNEMAT), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Goiás (UFG); entretanto, se expandindo para outras instituições de ensino superior, tendo hoje aproximadamente 28 cursos de licenciaturas interculturais indígenas no Brasil, inclusive sendo criado em 2005, o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígena no âmbito do Ministério da Educação para fomentar essa expansão e manutenção dos cursos. A proposta do GT é discutir as experiências em curso nas universidades brasileiras no contexto das licenciaturas interculturais, sobretudo, de que forma a produção indígena tem reflexos nas escolas e comunidades indígenas.

GT 005. Agências materiais e espirituais no cotidiano: experiências e narrativas de coexistência

Martina Ahlert (Universidade Federal do Maranhão) - Coordenador/a, João Frederico Rickli (UFPR) - Coordenador/a
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Diversas pesquisas em antropologia têm se interessado pelos modos como as pessoas mobilizam agências materiais e espirituais em situações de lutas, disputas e construções identitárias. Entidades como encantados, espíritos, fantasmas, demônios, o próprio Espírito Santo, entre outras; e objetos “animados" como imagens, amuletos, fotografias e a bíblia, por exemplo, podem participar do dia a dia das pessoas em diferentes contextos. Essas agências não estão limitadas a planos extraordinários, circunscritos aos domínios do explicitamente religioso. Antes, elas permeiam escolhas, decisões e atitudes cotidianas em relação aos mais diversos temas, e seus efeitos se materializam de formas variadas na experiência. Essas situações e ações apontam em direção à não exclusividade humana nos modos de viver, de dar forma e sentido à existência. Este Grupo de Trabalho pretende reunir etnografias e pesquisas de caráter etnográfico em arquivos que abordem essas experiências e a produção de narrativas a elas vinculadas. De um ponto de vista teórico, interessam-nos três pontos, sobretudo: em primeiro lugar, a análise das disputas e controvérsias em torno da legitimidade e autenticidade dessas narrativas e experiências. Em segundo, a questão da coexistência e coabitação no mundo, que questiona leituras lineares sobre o tempo e a história. Finalmente, a análise de situações em que as fronteiras e limites daquilo que se caracteriza como religioso são desafiados pelos próprios dados etnográficos.

GT 006. Alimentação, Cultura e Direitos Sociais

Talita Prado Barbosa Roim (Universidade Federal de Goiás) - Coordenador/a, Rogéria Campos de Almeida Dutra (Universidade Federal de Juiz de Fora) - Coordenador/a, Maria Eunice de Souza Maciel (UFRGS) - Debatedor/a, Sandra Simone Queiroz de Morais Pacheco (UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA) - Debatedor/a, Talita Prado Barbosa Roim (Universidade Federal de Goiás) - Debatedor/a
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O projeto de construção de uma comunidade global baseada em padrões universais e progressivos de decência, moralidade e dignidade humanas constitui uma das grandes transformações do século XX, tendo como marco significativo a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesse âmbito, o Direito à Alimentação tem sido objeto da reflexão antropológica desde 1940 e é crescente sua participação no debate contemporâneo em função de sua interconexão com a “crise alimentar” em suas diferentes facetas, tais como: mecanismos institucionais de poder e práticas administrativas, relações de dominação entre grupos e nações, crise ecológica e produção em larga escala, concentração de renda e empobrecimento de grandes contingentes populacionais, relações entre saberes tradicionais e saber científico etc. No Brasil, a Constituição de 1988 representou um avanço significativo na possibilidade de consolidação de um conjunto de Direitos Sociais, dos quais a alimentação ocupa um lugar central, seja na efetivação da dignidade humana e cidadania, seja na possibilidade dos grupos sociais reproduzirem suas existências nos seus lugares de atuação. Assim, o GT busca assegurar e ampliar o espaço de discussão da Antropologia da Alimentação e colocar em perspectiva questões relativas aos riscos e controvérsias sobre a segurança alimentar e nutricional, dos ativismos políticos e das políticas públicas, que assegurem o direito à alimentação, soberania e cultura alimentar nos seus aspectos multidimensionais.

GT 007. Antropoéticas: outras (etno)grafias

Patrícia dos Santos Pinheiro (Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPB) - Coordenador/a, Flávia Maria da Silva Rieth (DAA/ICH/UFPEL) - Coordenador/a, Cláudia Turra Magni (Universidade Federal de Pelotas) - Debatedor/a, Marília Floôr Kosby (Université de Liège) - Debatedor/a
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O Grupo de trabalho Antropoéticas: outras (etno)grafias visa reunir pesquisadoras/es que realizem trabalhos voltados ao tensionamento e à atualização das formas de experimentação de linguagens e metalinguagens no desenvolvimento de processos e resultados de pesquisa em antropologia e áreas afins. O mapeamento, a experimentação e a descoberta de alternativas e recursos criativos que bem se relacionem com a etnografia enquanto textualidade implicada em uma arte descritiva - tal como Tim Ingold propõe que se pense a Antropologia – são movimentos capazes de desestabilizar e promover a quebra de fronteiras entre ensino/pesquisa/extensão, potencializando diálogos, interesses e desejos mútuos entre conhecimentos acadêmicos formais e conhecimentos populares anti-hegemônicos. Assim, este Grupo de Trabalho pretende fomentar a discussão acerca de experimentações que aproximem a etnografia daquilo que a escritora brasileira Conceição Evaristo chama de escrevivências, o que nos reporta à noção de conhecimentos situados por corpos histórico-políticos (Haraway, 1988). No sentido de levar a sério a atitude epistemológica de se ver a cultura como criatividade (Wagner, 1975), são aliados o teatro, a poesia, o desenho, o cinema e tantas outras performances cuja legitimação, enquanto metodologias potentes para a produção de conhecimento na área de Antropologia, ainda tem muito a ser reivindicada.

GT 008. Antropologia da cidadania

Marcus André de Souza Cardoso da Silva (PPGEF/UNIFAP) - Coordenador/a, Luís Roberto Cardoso de Oliveira (Universidade de Brasília) - Coordenador/a, Lenin dos Santos Pires (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a, Luiz Eduardo de Lacerda Abreu (Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília) - Debatedor/a, Juliana Gonçalves Melo (Professora adjunta IV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) - Debatedor/a
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A terceira onda democratizante na América Latina não se mostrou capaz de suprimir desigualdades estruturais nem garantiu a efetivação dos direitos civis e sociais dos cidadãos. Isto representou um desafio às abordagens formalistas da teoria política, incapazes de explicar satisfatoriamente as especificidades que caracterizaram este processo. Nesse cenário, a antropologia, com seu foco etnográfico, tem muito a contribuir para o debate sobre “direitos”, “cidadania”, “igualdade” e “justiça”. Ao deslocar a análise da dimensão formal da cidadania para como os direitos são vividos, concebidos e problematizados cotidianamente pelos atores sociais, abre-se espaço para perceber rearranjos e concepções distintas da formulação eurocêntrica. Ao fazer isso, os antropólogos têm desestabilizado abordagens que naturalizam o modelo liberal, demonstrando que não é possível compreender a “cidadania” como um status puramente legal que garante ao indivíduo um conjunto de direitos e deveres em sua relação com o Estado. Tendo isto em mente, o GT busca comparar e debater trabalhos etnográficos que abordem: como a “cidadania” é significada por diferentes atores associados às agências do Estado, ONGs, movimentos sociais e outros coletivos; como se dão as relações que estes diferentes atores estabelecem entre si; quais são os desafios metodológicos dos estudos etnográficos sobre “cidadania”.

GT 009. Antropologia da Criança: conjugando direitos e protagonismo social

Fernanda Cruz Rifiotis (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - Coordenador/a, Clarice Cohn (UFSCar) - Coordenador/a, Emilene Leite de Sousa (UFMA) - Debatedor/a, Antonella Maria Imperatriz Tassinari (Universidade Federal de Santa Catarina) - Debatedor/a
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O objetivo do GT é reunir trabalhos que tenham como foco os modos pelos quais as crianças se constroem enquanto sujeitos, a fim de mapear e problematizar os desafios teóricos e metodológicos no campo da Antropologia da Criança. Como forma de dar continuidade aos GTs realizados em outras RBAs, interessa-nos trazer para o primeiro plano das reflexões, o potencial das crianças para revelarem o que nem sempre é objeto de atenção em estudos focados exclusivamente nos adultos. Gostaríamos de receber trabalhos sobre infâncias diferenciadas (crianças urbanas, campesinas, quilombolas, indígenas, de populações tradicionais, em situação de institucionalização, entre outras) que suscitem questões de gênero, raça e direitos específicos. Considerando o tema da 31 RBA, destacamos a importância de pensar sobre os direitos e a proteção desses sujeitos, assim como também sobre os sujeitos desses direitos e seu protagonismo social. A proposta do GT é congregar pesquisas etnográficas recentes que suscitem discussões teóricas, metodológicas e éticas em diferentes contextos nacionais e internacionais abarcando: estudos que pensem as experiências de construção das crianças enquanto sujeitos, que empreendam análises das tecnologias de governo voltadas às crianças, que exercitem reflexões metodológicas sobre a pesquisa com crianças e discutam as noções sociais de infância e que coloquem em perspectiva a questão da proteção e dos direitos desses sujeitos e seu protagonismo social.

GT 010. Antropologia da Economia

Arlei Sander Damo (UFRGS) - Coordenador/a Eugênia de Souza Mello Guimarães Motta (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) - Coordenador/a, Gustavo Gomes Onto (UFRJ) - Debatedor/a, Lúcia Helena Alves Müller (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande dos Sul) - Debatedor/a
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Desde o nascimento da nossa disciplina os intercâmbios de objetos e riquezas, mediados ou não pelo dinheiro, as formas de valoração e de provimento das condições materiais de continuidade da vida foram objeto de descrição e interpretação a partir dos modos de vida dos “outros”. As teorias econômicas já tinham grande importância nas sociedades a partir das quais surgiu a antropologia e, nas últimas décadas, se tornaram uma verdadeira linguagem global. A importância dos especialistas, sejam acadêmicos ou gestores governamentais, nunca foi tão grande, tendo esses um papel preeminente no desenho de políticas de larga escala. Economia, portanto, concerne a uma multiplicidade de objetos, temas e possibilidades de abordagem que implicam, sempre, o questionamento sobre a própria definição sobre o que seja “a economia” ou que caracterize algo – prática, teoria – como “econômico”. A Antropologia da Economia vem ganhando novo fôlego, com a organização de diversos eventos e publicações acadêmicos voltados a essa área de estudos. O objetivo do GT é propiciar um espaço dedicado a colocar em diálogo trabalhos que possibilitem explorar a multiplicidade de sentidos da economia, as diversas escalas de observação que ela permite e provoca e as ambiguidades e misturas que colocam em questão as fronteiras e limites do econômico, como a relação com as práticas familiares, a intimidade, a religião, o consumo, a dádiva, a política, as moralidades e assim por diante.

GT 011. Antropologia da Moral e da Ética

Carlos Eduardo Valente Dullo (UFRGS) - Coordenador/a, Roberta Bivar Carneiro Campos (Universidade Federal de Pernambuco) - Coordenador/a
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A Antropologia se desenvolveu debatendo as regras e normas sociais, os processos de julgamento e atribuição de responsabilidade, as formas de sanção e punição, as prescrições e proibições, bem como os efeitos sociais das transgressões. A problemática da moralidade não é, portanto, estranha para a nossa disciplina. Entretanto, não se constituiu, até recentemente, um campo de pesquisa como o da Moral e da Ética. Tendo início com o debate sobre a tensão entre o universalismo moral e o relativismo das moralidades locais, passando pela redefinição dos conceitos de moral e ética sob a ótica específica da Antropologia, esta agenda teórico-metodológica volta-se principalmente para uma preocupação com novos recortes empíricos como as figuras exemplares, as conceituações de “liberdade” e “responsabilidade”, as práticas de cuidado (care), os processos de recuperação após momentos críticos, as respostas sociais a tragédias, entre tantos outros recortes que observem seja o evento ordinário seja o extraordinário momento de quebra ou (re)instituição da moral - bem como as maneiras pelas quais os processos de mudança e de conservação se atualizam. Seguindo, portanto, a proposta de Laidlaw, Fassin, Robbins, Keane e Das (entre outros) uma antropologia que se volte para estes fenômenos comporá, necessariamente, uma chave analítica transversal às mais diversas temáticas: religião, política, economia, família e parentesco, saúde e bem-estar, natureza e animais, direito, gênero e sexualidade etc.

GT 012. Antropologia da Saúde e Direitos Humanos: políticas públicas e agenciamentos sociais em saúde

Sônia Weidner Maluf (PPGAS/UFSC) - Coordenador/a, Érica Quinaglia Silva (Universidade de Brasília) - Coordenador/a, Marcos Aurélio da Silva (Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso) - Debatedor/a, Jaqueline Teresinha Ferreira (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva - UFRJ) - Debatedor/a, Sílvia Maria Ferreira Guimarães (DAN/UnB) - Debatedor/a
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A Antropologia da Saúde no Brasil, além de enfatizar questões clássicas da pesquisa etnográfica, com foco em práticas e saberes locais, tem se debruçado mais recentemente sobre as políticas públicas, o cotidiano dos serviços e das instituições, buscando compreendê-las a partir do Estado “visto de baixo”, o que envolve também os saberes técnico-científicos que sustentam essas políticas. A convergência dessas diferentes perspectivas potencializa a pesquisa etnográfica, sobretudo quando feita no que podemos denominar de zona de confluência entre práticas do Estado e políticas públicas, de um lado, e sujeitos sociais, práticas e saberes locais, de outro, em um contexto em que o tema dos direitos humanos, e da saúde como direito humano que deve contemplar as especificidades sócio-econômico-culturais dos sujeitos, comunidades e populações, torna-se central. A proposta do GT é de, a partir de diferentes perspectivas etnográficas, proporcionar um espaço de reflexão sobre a relação entre Antropologia da Saúde e Direitos Humanos, em um contexto em que de modo geral há um retrocesso nos direitos e na democracia no país, particularmente nas políticas públicas de saúde, com o corte nos orçamentos e mudanças substantivas nos princípios que sustentam o Sistema Único de Saúde e as políticas de saúde mental no país. A articulação de diferentes abordagens etnográficas visa pensar os desafios e os diálogos possíveis entre a Antropologia, Estado e Direitos Humanos no campo da saúde.

GT 013. Antropologia da Técnica

Fabio Mura (PPGA-UFPB) - Coordenador/a, Eduardo Di Deus (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS/UnB) - Coordenador/a, Carlos Emanuel Sautchuk (Universidade de Brasilia - Debatedor/a, Caetano Kayuna Sordi Barbará Dias (Universidade de Caxias do Sul) - Debatedor/a, Alessandro Roberto de Oliveira (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - Universidade Federal de Goiás) - Debatedor/a
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O GT Antropologia da Técnica chega a sua terceira edição tendo contribuindo para a ampliação do interesse pelo tema e a consolidação desta área de estudos na antropologia brasileira. A partir da definição de técnica como “ato tradicional eficaz”, oferecida por Mauss, a compreensão dos processos técnicos se desenvolveu com especial atenção para a diversidade de relações e interações entre humanos, artefatos, plantas, animais, minerais e ambiente de modo geral. Para compreender tais processos resulta significativo focar as práticas, os conhecimentos e as habilidades que estão na base das cadeias operatórias, não como mera projeção de uma tecnologia, mas como propriedades de ação sobre materiais. Neste sentido, pretendemos aqui salientar, entre os processos técnicos, o trabalho como ato que coloca “as mãos em obra”, centrado justamente na manifestação de habilidades práticas, fruto da experiência no ambiente, ele mesmo entendido como meio técnico, nos termos de Leroi-Gourhan. Ênfase também será dada aos efeitos oriundos das intenções e de práticas técnicas que redundam na configuração de relações de poder. Tal proceder permite focar atos políticos voltados a mobilizar, ordenar e hierarquizar forças e materiais, não como em oposição à dimensão material, mas como técnicas de uso e de controle, fundamentais na formação de sistemas técnicos. Assim, espera-se aqui reunir trabalhos etnográficos e analíticos que foquem os processos técnicos na direção de tais preocupações.

GT 014. Antropologia das Emoções

Maria Claudia Pereira Coelho (ICS/UERJ) - Coordenador/a, Ceres Victora (UFRGS) - Coordenador/a, Eduardo Moura Pereira Oliveira (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) - Debatedor/a, Raphael Bispo dos Santos (UFJF) - Debatedor/a, Iara Beleli (Núcleo de estudos de Gênero - Pagu/UNICAMP) - Debatedor/a
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A antropologia das emoções vem se consolidando como área autônoma no Brasil há cerca de vinte anos. Ao longo desse percurso, podemos identificar um conjunto de temáticas agrupadas em torno de dois eixos principais: as temáticas ligadas a áreas da vida associadas à dimensão “privada” e as temáticas vinculadas ao “mundo público”. Para as primeiras, podemos arrolar problemas de pesquisa ligados ao corpo, à sexualidade ou a saúde/doença; para as segundas, listaríamos os movimentos sociais, a violência ou os universos profissionais/institucionais. Esse Grupo de Trabalho tem como proposta avançar na superação dessa dicotomia, incluindo em seus focos de interesse, ao lado do elenco já canônico de temáticas passíveis de abordagem pela antropologia das emoções, novos problemas concebidos sob a égide da reflexão sobre essa dicotomia. As principais temáticas a serem contempladas são: a) emoções e instituições/práticas estatais; b) emoções e políticas públicas; c) emoções, moral e formas do cuidado; d) emoções, violência e vitimização; e) emoções e movimentos sociais; f) emoções e discursos/práticas profissionais; g) corpo, sensorialidade e emoções; h) emoções, gênero e sexualidade; i) emoções e experiências de saúde/doença.

GT 015. Antropologia das Mobilidades Contemporâneas

André Dumans Guedes (GSO/UFF) - Coordenador/a, Candice Vidal e Souza (PUC Minas) - Coordenador/a, Luzimar Paulo Pereira (Universidade Federal de Juiz de Fora) - Debatedor/a
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Este grupo de trabalho pretende abrigar pesquisas que tenham as mobilidades como objeto etnográfico. Buscamos dialogar com trabalhos que abordem as formas e significados de experiências, práticas e representações diversas sobre o deslocamento, em diferentes contextos socioespaciais e temporais. Para tal fim, sugerimos que os trabalhos tratem de uma ou mais das seguintes questões: 1) as formas de mobilidade ou deslocamento cotidiano, seus arranjos espaço-temporais característicos e sua relação com formas de organização de coletivos, identidades e institucionalidades; 2) as diferenças nos deslocamentos (ou nas imobilidades) pensadas em suas relações com as capacidades diferenciais dos sujeitos de se mover e ter acesso ao mundo, em razão de situações de classe, gênero, localização, etnia, idade ou valores religiosos e morais; 3) as propostas e reflexões metodológicas para o estudo de sujeitos em movimento. As mobilidades em questão podem situar-se no interior de áreas urbanas, rurais ou naturais; ou “entre” tais espaços. Nesse sentido, buscaremos orientar nossa discussão coletiva pelo diálogo com aquelas reflexões pioneiras sobre o tema surgidas dos estudos sobre o campesinato brasileiro. O que há de particularmente inspirador nestes estudos, balizando aqui nossa discussão, é a estratégia de analisar as múltiplas formas e modalidades de movimento conjuntamente com a diversidade de vocabulários, linguagens e formas narrativas de que se servem aqueles em deslocamento.

GT 016. Antropologia das práticas juvenis

João Batista de Menezes Bittencourt (UFAL) - Coordenador/a, Marco Aurélio Paz Tella (Universidade Federal da Paraíba) - Coordenador/a
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O presente GT tem como como objetivo reunir trabalhos resultantes de pesquisas em conclusão ou andamento, e que tenham como foco privilegiado de investigação as práticas juvenis em suas mais diversas expressões. Mudanças sociais, políticas e culturais ocorridas no ocidente, especialmente na segunda metade do século XX, produziram alterações significativas nas subjetividades juvenis, promovendo mudanças no conjunto das experiências que por muito tempo definiram os sentidos de “ser jovem” e “ser adulto”. Atualmente, as pesquisas antropológicas tem lançado mão de diferentes abordagens teóricas e metodológicas para a compreensão das práticas juvenis, onde se destacam a influência das teorias da agência, dos estudos sobre performatividade, das abordagens disposicionalistas, como também de uma releitura dos cultural studies. Desse modo, fazer uma antropologia das práticas juvenis em nosso atual contexto, trata-se não apenas estar atento às mudanças nos repertórios de sentidos acionados pelos/as jovens, como também se abrir para possibilidades interpretativas advindas de outros campos do saber. Serão aceitos para o debate nesse grupo de trabalho, pesquisas, especialmente etnografias, que se dediquem ao estudo das práticas juvenis a partir de diferentes temas, tais como: sociabilidades e territorialidades; gênero, sexualidade e relações étnico-raciais; educação, trabalho e profissionalização; arte e performatividade; entre outros.

GT 017. Antropologia das Relações Humano-Animal

Andréa Barbosa Osório Sarandy (UFF) - Coordenador/a, Flávio Leonel Abreu da Silveira (UFPA) - Coordenador/a
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O campo das relações humano-animal, ou Animal Studies, teria emergido na década de 1970 em meio a movimentos de proteção animal que, não obstante, remontam ao século XIX. Na verdade, os animais participam das análises antropológicas há muito tempo. Algumas análises identificaram dois paradigmas correntes: um que pode ser chamado de materialista, em busca do animal “real”; e outro semiótico, pós-estruturalista ou simbólico, em busca de representações. Mais recentemente, a emergência de reflexões sobre o perspectivismo ameríndio realçou a centralidade dos animais em aspectos da vida religiosa e cosmológica de populações ameríndias, com um forte impacto nas conhecidas relações entre natureza e cultura. O presente Grupo de Trabalho pretende ser um espaço para reflexões teóricas e pesquisas empíricas acerca das relações entre animais humanos e não humanos, a partir de um viés antropológico. Serão aceitos trabalhos tanto sobre as percepções simbólicas quanto sobre relações concretas materiais entre ambos. Entre eles, destacam-se produções voltadas aos animais de estimação, de abate, de tração, animais da fauna silvestre brasileira ou estrangeira, caça, criações, rinhas, concursos, turismo, animais de laboratório; em meio urbano, rural ou entre populações ameríndias e mesmo fora do continente americano; relações cotidianas, científicas, religiosas, alimentares, ideológicas, morais, artísticas, legislação, políticas públicas, saúde, entre outras possibilidades.

GT 018. Antropologia dos Esportes: desdobramentos epistemológicos e teórico-metodológicos nos estudos das práticas esportivas

Wagner Xavier de Camargo (UFSCar) - Coordenador/a, Luiz Fernando Rojo Mattos (UFF) - Coordenador/a, Mônica da Silva Araujo (UFPI) - Debatedor/a
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Este grupo de trabalho é fruto de estudos e esforços da antropologia brasileira em compreender das práticas esportivas em sua interface com a sociedade. Nos últimos encontros da RBA (desde 2000) e da RAM (desde 2001), compreendemos que o esporte institucionalizado e as práticas esportivas estão cada vez mais presentes na vida dos sujeitos e têm adquirido maior visibilidade, tanto no cenário brasileiro, quanto no Sul-americano. Como efeito, vimos um aumento exponencial representado no número de pesquisadoras/es (seja na qualidade dos trabalhos, seja na amplitude temática), e tal aspecto se reveste no incremento (e verticalização) de problemáticas concernentes à área. Nesse sentido, é no espaço do GT que aprofundamos e refinamos alguns debates mais clássicos da antropologia, como conceitos de identidades e etnicidade, teorias do indivíduo e da pessoa, usos do corpo e estruturas de poder, além de outros mais contemporâneos, como as questões de gênero, sexualidade e erotismo, interseccionalidades, novas subjetivações e as próprias práticas esportivas. Essas temáticas emergem de etnografias densas e plurais, que abordam distintas modalidades esportivas como o futebol, vôlei, basquete, rugby, lutas e artes marciais, esportes de aventura, ciclismo, natação, dança e outras. O objetivo deste GT, portanto, é possibilitar e dar manutenção ao espaço de diálogo, trocas, interlocução e colaboração entre pesquisadoras/es envolvidas/os com o universo dos esportes.

GT 019. Antropologia dos estudos de folclore e cultura popular: imagem, corpo, ritual e performance.

Oswaldo Giovannini Junior (Universidade Federal da Paraíba) - Coordenador/a, Daniel Bitter (UFF) - Coordenador/a, Nilton Silva dos Santos (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a, Léa Freitas Perez (Ufmg) - Debatedor/a)
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Na história da antropologia brasileira, os estudos em torno das culturas populares ou folclore tiveram destaque, desenvolvendo um campo de pesquisa com especificidade epistemológica e metodológica. Este GT propõe retomar esta temática, valorizando trabalhos etnográficos com especial atenção aos processos de construção do corpo, das imagens e do espaço em diálogo com a antropologia simbólica e dos rituais. Corpos e paisagens constituem o locus de realização concreta das festas, das sociedades e das culturas, assim como também as condicionam. Seu registro imagético está presente nos estudos e expressões da cultura brasileira e é usado como recurso metodológico para a elaboração do conhecimento etnográfico. A proposta destaca 3 eixos de investigação etnográfica e teórica: 1- na direção de uma antropologia dos estudos de folclore, focalizando as categorias, valores e práticas dos próprios atores que constituíram o campo; 2- no sentido do estudo de festividades, ritos e celebrações sob novos enquadramentos teórico-metodológicos de uma antropologia simbólica e/ou de rituais, da performance, da perspectiva da corporeidade e da antropologia da paisagem; 3- referente às relações metodológicas e epistemológicas nas fronteiras da antropologia e das artes visuais, sonoras, imagéticas, cênicas. O GT pretende reunir pesquisas que valorizem as especificidades do campo de estudos da cultura popular em suas diversas dimensões e conexões com fenômenos contemporâneos da vida social.

GT 020. Antropologia dos Povos e Populações Costeiras: Práticas Sociais, Territórios e Conflitos

José Colaço Dias Neto (Universidade Federal Fluminense) - Coordenador/a, Francisca de Souza Miller (Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN) - Coordenador/a, Cristiano Wellington Noberto Ramalho (Universidade Federal de Pernambuco - UFPE) - Debatedor/a, Marco Antonio da Silva Mello (DAC/IFCS-UFRJ) - Debatedor/a, Leticia D'Ambrosio Camarero (Universidad de la República) - Debatedor/a
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Grupos sociais que vivem do extrativismo e da agricultura, entre outras atividades – tais como pescadores artesanais e ribeirinhos em geral – são habitantes de regiões costeiras e historicamente têm sido impactados por diversos fenômenos. A expansão metropolitana, os desastres ambientais de grandes proporções, o turismo em pequena e larga escala, as formas de controle oficial em áreas de interesse ecológico, são alguns processos que vem reconfigurando o uso e a ocupação de territórios costeiros e ribeirinhos no Brasil. Seus efeitos recaem sobre um grande contingente de famílias ou de cidades inteiras – no que diz respeito às economias locais, gestão pública e formas de participação política – ou, com relação às suas dimensões mais abrangentes, em maiores escalas, pois tratam-se de fenômenos globais ajustados às estruturas contemporâneas de exploração de recursos naturais, seus modos de produção e administração e repartição de lucros por parte de grandes agentes sociais e mesmo por Estados. Reflexões sobre o manejo de ecossistemas, as formas de organização política destas populações, suas estruturas econômicas, bem como os conflitos suscitados por diferentes processos e agentes sociais – sobretudo agências estatais, organizações não governamentais e empresas – são alguns dos aspectos que serão discutidos nesta atividade.

GT 021. Antropologia e tecnociência: teorias, métodos e perspectivas

Fabíola Rohden (UFRGS) - Coordenador/a, Marko Synésio Alves Monteiro (UNICAMP) - Coordenador/a, Jane Araújo Russo (IMS-UERJ) - Debatedor/a, Fabrício Monteiro Neves (Universidade de Brasília) - Debatedor/a, Guilherme José da Silva e Sá (Departamento de Antropologia - UnB) - Debatedor/a)
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O objetivo deste GT é promover a discussão sobre as interfaces entre ciência, tecnologia, sociedade e poder, a partir da produção antropológica contemporânea. Dessa forma, busca ampliar o espaço de discussão do campo da Antropologia da Ciência e da Tecnologia, tanto no sentido de consolidar debates em andamento quanto na intenção de refletir sobre as perspectivas dessas investigações para o futuro. Temas como biossocialidades, biomedicalização, práticas de produção de conhecimento em laboratórios e as interfaces entre conhecimentos científicos e não científicos têm sido muito investigados em anos recentes. Ao lado desses temas, questões como as relações entre humanos-não humanos (dentro e fora de instituições científicas), redes de produção de ciência e tecnologia e as interações entre "nós" e cosmologias não ocidentais vêm dando cada vez mais densidade à reflexão antropológica. Ao lado da renovação dos temas de pesquisa, antropólogos/as envolvidos com a tecnociência vêm também ajudando a reconstruir teorias. Seja na crítica da Teoria Ator-Rede, ou no efervescente campo dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, temas como associações, performatividade e políticas ontológicas vêm ganhando terreno na análise social, com forte participação de antropólogos/as e do método etnográfico. O GT buscará reunir trabalhos que ajudem a construir uma reflexão sobre o papel que a Antropologia vem tendo nesse cenário de reflexões.

GT 022. Antropologia, Estado e mobilização indígena

Kelly Emanuelly de Oliveira (Universidade Federal da Paraíba) - Coordenador/a, Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza (UPE) - Coordenador/a, Hosana Celi Oliveira e Santos (Universidade Federal de Pernambuco) - Debatedor/a
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O grupo de trabalho se propõe a estudar as possibilidades de ação de povos e organizações indígenas na atualidade, frente à garantia de direitos étnicos na esfera nacional e internacional. Propomos discutir as estratégias que os grupos indígenas vêm executando para se posicionarem politicamente frente aos sucessivos ataques pela via do poder público, seja na proposição de Leis contra direitos étnicos, na inoperância frente a sucessivas violências impetradas contra os povos indígenas ou pela criminalização de lideranças políticas. Por outro lado, tencionamos aprofundar o próprio fazer antropológico como via de ação política em defesa dos direitos étnicos.

GT 023. Antropologia, gênero e saúde no contexto neoliberal e neoconservador no Brasil: desafios e estratégias de enfrentamento

Rozeli Maria Porto (UFRN) - Coordenador/a, Mónica Franch (Universidade Federal da Paraíba) - Coordenador/a
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Nas últimas décadas, o avanço na pesquisa antropológica sobre as articulações entre gênero, saúde e sexualidade tem evidenciado problemáticas importantes no campo dos Direitos Humanos e fundamentais. Reflexões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva de mulheres e homens, em suas várias orientações de gênero e sexualidade, têm provocado axs pesquisadorxs em um campo moral a pensarem no entrecruzamento desses direitos com diferentes marcadores sociais da diferença. Essas questões se tornam urgentes num contexto hodiernamente sombrio no país, marcado pela implantação de um projeto econômica e socialmente excludente, que está levando ao desmonte de políticas públicas de saúde. Os direitos relativos ao aborto, ao parto humanizado, o acesso a serviços de saúde para travestis e transexuais ou, ainda, a prevenção e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV/Aids, estão cada vez mais ameaçados diante de tais circunstâncias. Frente aos desafios impostos por esse contexto neoliberal e neoconservador, a proposta deste GT é refletir sobre as estratégias teóricas, metodológicas e políticas que estamos desenvolvendo no cotidiano de nossas pesquisas em torno das questões de gênero, saúde e sexualidade. Podem girar em torno de temas como maternidade, aborto, HIV/Aids, Tec. Reprod., diversidade sexual e transexualidade, e suas articulações entre gênero, classe, raça,etc; relações e/ou conflitos com o Estado; fluxos de poder, influências políticas, morais e/ou religiosas.

GT 024. Antropologia, gênero e sexualidade em contextos educativos

Elisete Schwade (UFRN) - Coordenador/a, Fátima Weiss de Jesus (UFAM/DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA/PPGAS) - Coordenador/a
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Esse GT tem como objetivo discutir gênero e sexualidade em práticas educativas, a partir de intervenções e pesquisas antropológicas realizadas nos últimos anos, no marco das políticas que fazem referência a diversidade, de acordo com as possibilidades previstas na constituição de 1988 que, em 2018, completa 30 anos. Buscamos um balanço das diferentes situações em que as reflexões sobre gênero e sexualidade são acionadas em contextos educativos, também em perspectivas que incorporem outros marcadores sociais da diferença, tais como raça, classe, geração. Desse modo será possível perceber avanços e retrocessos, permanências e transformações, tendo em vista conflitos e dinâmicas próprias associadas as políticas de educação e suas repercussões em contextos particulares. Serão aceitos trabalhos realizados com o enfoque metodológico e analítico da antropologia, com ênfase na etnografia, realizados em escolas, na formação de professores, cursos de aperfeiçoamento e especialização, cursos vinculados a movimentos sociais e organizações coletivas, entre outros.

GT 025. Cidades, turismo e experiências urbanas

Juliana Gonzaga Jayme (PUC Minas) - Coordenador/a, Lea Carvalho Rodrigues (Universidade Federal do Ceará) - Coordenador/a, Wânia Maria de Araújo (Universidade do Estado de Minas Gerais e Centro Universitário Una) - Debatedor/a, Vera Maria Guimarães (UNIPAMPA) - Debatedor/a, Maristela Oliveira de Andrade (Universidade Federal da Paraíba) - Debatedor/a)
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Desde a 29ª RBA, coordenamos um GT, cuja proposta é contribuir para as discussões no âmbito da antropologia urbana e do turismo. Assistimos, de um lado, às políticas urbanas comuns nas metrópoles, em especial em suas áreas centrais e pericentrais, voltadas para as chamadas requalificações que, muitas vezes, vão ao encontro da ideia de marketing urbano, com intervenções em edifícios históricos, que se tornam lugares de entretenimento e consumo cultural. A memória é usada estrategicamente, valorizando o passado como mercadoria cultural, de modo que se frua história e cultura nesses lugares. Ademais, o turismo é uma atividade que pode impactar cidades de quaisquer portes, com efeitos na reconfiguração de espaços e na criação de lugares e paisagens. As cidades são, a um só tempo, lugares identitários (Augé) e de memória (Nora); espaços de dispersão, fragmentação e fluxos (Hannerz); espaços de encontro e de conflito. As cidades turísticas, por outro lado, à parte suas singularidades, necessitam criar atrativos ao visitante, despertar seu interesse e suscitar desejos de ali estar, ver e viver experiências ímpares, distantes do cotidiano, o que cria um imaginário sobre elas via narrativas dos moradores, viajantes e empresas de turismo. Este GT acolherá propostas que resultem de pesquisas empíricas sobre essas temáticas e promovam articulações entre problemas teórico/metodológicos, próprios aos dois campos disciplinares, ou enfoquem diferentes dimensões analíticas sobre os temas

GT 026. Ciganos: exercício de comparação etnográfica

Maria Patrícia Lopes Goldfarb (UFPB) - Coordenador/a, Mirian Alves de Souza (UFF) - Coordenador/a, Felipe Berocan Veiga (UFF e LeMetro/IFCS-UFRJ) - Debatedor/a
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A reflexão sobre o universo temático da identidade reivindicada face o acesso às políticas públicas tem congregado pesquisadores envolvidos com os grupos ciganos no Brasil e exterior. Iniciamos discussões no âmbito local e mantivemos a temática na forma de GTs, tanto nas Reuniões de Antropólogos do Norte-Nordeste como nas Reuniões Brasileiras de Antropologia. Deste modo, objetivamos dar continuidade aos debates, e ao mesmo tempo discutir a produção etnográfica sobre grupos ciganos. Analisando os processos de construções identitárias; propondo uma reflexão sobre a (in)visibilidade desses sujeitos em diferentes cenários políticos; e problematizando como os projetos políticos das organizações ciganas são moldados pelas imaginações étnicas e nacionalistas que circulam nas diferentes comunidades, o grupo pretende criar um campo de interlocução, especialmente no Brasil, contribuindo para o início de uma pesquisa comparativa ainda inexistente. Também indagamos sobre o papel da produção antropológica na mediação entre esses grupos e as esferas públicas. Embora os registros etnográficos venham ganhando terreno nos últimos anos, aos pesquisadores se impõe muitas vezes a questão de como mediar às relações entre os sujeitos estudados e o Estado. Este GT busca discutir os dilemas dessas posições para que se desenvolvam análises propriamente Calon/Rom da cultura.

GT 027. Conflitos Socioambientais, Conhecimento Tradicional e Desenvolvimento Sustentável no Brasil Central

Franklin Plessmann de Carvalho (UFRB) - Coordenador/a, Carmen Lúcia Silva Lima (Universidade Federal do Piuaí) - Coordenador/a, Alfredo Wagner Berno de Almeida (universidade Estadual do Maranhão) - Debatedor/a, Helciane de Fátima Abreu Araujo (Universidade Estadual do Maranhão) - Debatedor/a
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No contexto atual, povos e comunidades tradicionais estão sendo impactadas por políticas governamentais e agroestratégias implementadas por conglomerados econômicos produtores de commodities agrícolas. O Grupo de Trabalho, aqui proposto, reunirá pesquisadores que estejam refletindo sobre conflitos socioambientais vivenciados por povos e comunidades tradicionais em decorrência dos referidos empreendimentos. A análise privilegiará a relação que se estabelece entre as ações de pesquisa e as ações de resistência, com destaque para a interação entre conhecimentos tradicionais e acadêmicos na formulação e crítica ao desenvolvimento sustentável. Terão prioridades propostas de trabalho que tratem de investigações realizadas na região do Brasil Central, que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, norte de Minas Gerais e sul do Pará. A pretensão é socializar os resultados de experiências etnográficas com apoio de cartografias sociais que estejam dialogando com outras produções que abordem os conflitos socioambientais no Brasil Central.

GT 028. Conflitos, Práticas Estatais e Mobilização Social no Brasil contemporâneo

Manuela Souza Siqueira Cordeiro (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA) - Coordenador/a, Katiane Silva (Universidade Federal do Pará) - Coordenador/a, Paula Mendes Lacerda (UERJ) - Debatedor/a, Marta de Oliveira Antunes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - Debatedor/a, Rhuan Carlos dos Santos Lopes (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) - Debatedor/a
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O GT tem como proposta reunir trabalhos que tematizem processos e dinâmicas em torno de conflitos sociais. Compreendemos o conflito como um momento que pode desencadear mobilizações sociais, caracterizadas pelo estabelecimento e negociação de poder entre coletivos políticos ou entre estes e o Estado. Além dessa dimensão que, por sua vez, se desdobra em categorias que pretendem descrever formas específicas de violência como a “violência estatal”, a “violência contra a mulher”, o “genocídio”, os “massacres” e “conflitos no campo”, buscaremos contemplar também o conflito em sua dimensão processual ou genealógica, atentando para os mecanismos por meio dos quais as diferenças e desigualdades se fundam e perpetuam. Pretendemos também abarcar trabalhos que estejam discutindo ações de coletivos políticos que se constituem ou se reorganizam frente a situações consideradas injustas, desiguais ou violentas, de maneira a perceber como estes vislumbram a possibilidade ou a expectativa de reparação pelas violações sofridas. Trata-se, portanto, de um GT que espera se compor a partir de uma diversidade de situações etnográficas que tenham como proposta discutir mobilizações sociais nas cidades, no campo, em comunidades indígenas.

GT 029. Culturas populares, rituais, festas e sujeitos em performance: diversidade sexual, racial e de gênero

Rafael da Silva Noleto (Universidade Federal de Pelotas) - Coordenador/a, Hugo Menezes Neto (Universidade Federal de Pernambuco) - Coordenador/a
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No campo de estudos sobre rituais, festas, culturas populares e manifestações performáticas há uma discussão consolidada sobre práticas culturais coletivas que conformam estruturas rituais, sociabilidades festivas e pertencimentos identitários. Com muita frequência, entretanto, as abordagens privilegiam a análise de certas manifestações culturais em sua totalidade performática, invisibilizando processos de subjetivação dos sujeitos que as integram. Em detrimento do debate sobre como os sujeitos produzem suas manifestações artístico-culturais, buscaremos discutir como essas manifestações produzem os seus sujeitos e, de outra perspectiva, como os referidos processos de subjetivação por vezes apontam para a subversão e agenciamento de lógicas, dinâmicas e conteúdos simbólicos da tradição. Pensando o desafio da gestão das diferenças sociais e do peso das premissas tradicionais presentes nos contextos rituais, festivos e/ou artísticos, pretendemos reunir pesquisas que discutam tais contextos na interface com os debates antropológicos sobre diversidade sexual, etnicorracial e de gênero, atentando para: os processos através dos quais as pessoas se tornam sujeitos sexualizados, racializados e generificados; e as possibilidades de mudanças de práticas rituais, festivas e/ou artísticas como efeito das atuais discussões políticas sobre a diversidade e a gestão da diferença.

GT 030. Eleições e Política

Marcos Otavio Bezerra (Universidade Federal Fluminense) - Coordenador/a, Wilson José Ferreira de Oliveira (Universidade Federal de Sergipe) - Coordenador/a, Christine de Alencar Chaves (UnB) - Debatedor/a
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O GT se propõe a receber trabalhos que abordem etnograficamente como sujeitos, famílias, grupos e coletividades se organizam, agem e pensam a política. As eleições aparecem como evento marcante para tomada de posição e organização de concepções sobre política e seu funcionamento. Seguindo possibilidades abertas por trabalhos do Núcleo de Antropologia da Política (NuAP), o período eleitoral é um momento profícuo para analisar como a política se relaciona com espaços da vida cotidiana, seja através do engajamento dos sujeitos nas disputas eleitorais ou definindo coletividades que, enquanto tais, as evitam. Simultaneamente, dimensões da vida cotidiana (como relações entre vizinhos e disputas entre famílias) são muitas vezes pensadas e elaboradas tal qual uma política, oferecendo igualmente, elementos que compõe o funcionamento mais geral da política. Cabe especialmente discutir os possíveis deslocamentos do processo eleitoral na conjuntura atual. O golpe de Estado e a crescente intervenção de decisões judiciais na definição de ocupantes de cargos públicos põe em cheque o significado usualmente atribuído às eleições. Trata-se também de uma disputa eleitoral onde se dão, simultaneamente, definições em relação a questões nacionais, polarização entre esquerda e direta, demarcação de posicionamentos em relação a temas cotidianos, padrões estéticos, corpos e identidades. Esse quadro abre um amplo espectro para (re)pensar e ampliar a reflexão da antropologia em relação à política.

GT 031. Ensinar e Aprender Antropologia

Amurabi Pereira de Oliveira (Universidade Federal de Santa Catarina) - Coordenador/a, Ceres Karam Brum (UFSM) - Coordenador/a
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É notório que nos últimos anos a Antropologia tem expandido sua presença junto às mais diversas formações universitárias e não universitárias, bem como, tem havido no Brasil um incremento na formação de antropólogos em nível de pós-graduação e de graduação, sem que com isso tenha havido um debate profundo em torno do seu ensino, bem como das particularidades do aprendizado de ser antropólogo, em termos da aquisição teórica-metodológica. O processo formativo em antropologia passa, necessariamente, pelas relações entre ensino e aprendizagem, de modo que a discussão em torno de sua aquisição mostra-se fundamental para a própria compreensão dos rumos da Antropologia como ciência na atual conjuntura. O presente Grupo de Trabalho visa discutir estas questões, com foco na formação de antropólogos e de “não antropólogos”, discutindo as diversas inserções da ciência antropológica em vários espaços formativos. Buscamos realizar uma reflexão em torno do lugar do ensino/aprendizagem da antropologia, bem como dos desafios postos a sua realização, e das fundamentações teóricas, epistemológicas e práticas que subjazem seu ensino, voltando para a formação de antropólogos (em nível de graduação e pós-graduação), cientistas sociais, profissionais da saúde, professores etc. Também buscamos compreender o ensino/aprendizagem da Antropologia na educação básica. Este GT se baseia numa ampla interface entre a antropologia e ensino, visando abarcar os mais diversos trabalhos produzidos neste cenário.

GT 032. Espaços Fronteiriços numa Perspectiva Interdisciplinar: formações identitárias e o problema da cidadania.

Izabel Missagia de Mattos (UFRRJ) - Coordenador/a, Senilde Alcântara Guanaes (Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA) - Coordenador/a, Annelise Caetano Fraga Fernandez (UFRRJ) - Debatedor/a
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A proposta tem como objetivo reunir investigações com enfoques interdisciplinares sobre os processos históricos de configuração de zonas fronteiriças nas Américas, sem deixar de considerar as relações do continente com os fluxos econômicos e políticos globais. As zonas de fronteira podem se caracterizar como "vazios" de poder nas quais a violência contra o "outro" é (re)produzida. Nesses contextos têm sido recorrentes as guerras e a escravidão, além de uma relação contraditória com o próprio Estado, ao questionar, inclusive, não apenas a cidadania mas a própria humanidade do outro. Investigações inovadoras sobre o tema, tanto em termos teóricos como metodológicos, têm surgido a partir de perspectivas que relacionam diversos campos de conhecimento. Perspectivas da etnohistória, de gênero, linguísticas, socioambientais, entre outras, vem criticando o pensamento colonialista ao apontar para o papel de centralidade das zonas fronteiriças para a compreensão das sociedades americanas. A proposta contempla investigações baseadas em fontes documentais ou etnográficas que abordam o tema da fronteira como espaço social e simbólico, aportando discussões relativas à reconstrução da memória histórica e aos intercâmbios comerciais e culturais, ao dinamismo identitário e construção de territórios, bem como as relações entre indivíduos e ou grupos, como indígenas, afrodescendentes, populações rurais e urbanas, em condições de vulnerabilidade social, econômica, cultural e jurídica.

GT 033. Estudos em contextos africanos: desafios, limites e perspectivas

Andréa de Souza Lobo (Universidade de Brasília) - Coordenador/a, Josué Tomasini Castro (Universidade de Campinas) - Coordenador/a
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O emergente campo da Antropologia da África a partir do Brasil tem, nos últimos anos, atraído um conjunto de pesquisadores e questões que se manifestam em projetos de pesquisa, publicações e seminários que começam a gerar um acúmulo de reflexões sobre o continente. A diversidade temática e geográfica é relativamente ampla, embora haja uma concentração de estudos nos e sobre os PALOP. Tal cenário torna cada vez mais premente a importância de um diálogo qualificado sobre perspectivas, oportunidades, limites e desafios de um campo que passa a tomar expressão na antropologia feita no Brasil. O GT que propomos tem por objetivo reunir diferentes trabalhos desenvolvidos em contextos africanos promovendo a continuidade de um diálogo qualificado sobre pesquisas etnográficas realizadas no e sobre o continente. Com esse objetivo, convidamos pesquisadores que abordem temáticas diversas, tais como o desenvolvimento; a cooperação internacional; fluxos locais, regionais ou globais; dinâmicas familiares e de parentesco; mobilidade e dinâmica social; gênero e sexualidade; relações sul-sul; cultura popular; concepções de cidadania, dos direitos, do Estado; dentre demais questões que, ao perpassarem os interesses de antropólogos brasileiros, respondam aos inúmeros desafios da pesquisa sobre e em contextos africanos.

GT 034. Estudos etnográficos no mundo dos psicoativos

Edward John Baptista das Neves MacRae (Universidade Federal da Bahia) - Coordenador/a, Regina de Paula Medeiros (Pontificia Universidade Católica de Minas Gerais) - Coordenador/a
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Nos últimos anos, o campo do estudo do uso de substâncias psicoativas, até recentemente apanágio quase exclusivo dos estudos em saúde ou direito, vem também se desenvolvendo de forma muito rápida na antropologia. A nova, mas não inédita, atenção dada aos seus aspectos culturais traz uma série de implicações teóricas, metodológicas, políticas e éticas. Destacam-se aí conflitos entre abordagens teóricas baseadas no interacionismo simbólico e as norteadas pela teoria ator-rede e as questões metodológicas relacionadas a uma maior ou menor participação nas práticas pesquisadas e na militância de diferentes movimentos sociais. Surgem diversas indagações. Pode/ deve o pesquisador usar substâncias psicoativas em campo junto com seus interlocutores? Qual o lugar da autoetnografia? Tampouco podem ser deixadas de fora questões éticas relacionadas ao estudo de populações com práticas ilícitas ou socialmente estigmatizadas. Que proteção se oferece aos sujeitos da pesquisa? E aos pesquisadores? Pensando nestas, propõe-se um grupo de trabalho para refletir sobre instrumentos metodológicos-teóricos- éticos que possibilitam a compreensão dos contextos sociais onde pesquisadores investigam distintas práticas de uso de psicoativos, sejam eles lúdicos, espirituais ou terapêuticos possam trazer à discussão os vários dilemas encontrados em seus estudos.

GT 035. Etnografia em novos contextos de produção de coletivos indígenas e quilombolas

Levi Marques Pereira (Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD) - Coordenador/a, Sandro José da Silva (UFES) - Coordenador/a, Sonia Regina Lourenço (Universidade Federal de Mato Grosso) - Debatedor/a, Leif Ericksson Nunes Grunewald (UFGD) - Debatedor/a
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O GT pretende reunir trabalhos de pesquisadores sobre os contextos de produção de coletivos indígenas e quilombolas que contribuam para a discussão de temas como as práticas sociais e os modos de existir aí instituídos, as conexões com o movimento indígena, indigenista e quilombola, bem como as negociações com o Estado dentre outras instituições. Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – 2010) mais de um terço da população indígena vive em espaços urbanos, em espaços conhecidos como aldeias urbanas ou como simples moradores da cidade. Outra parte dos indígenas vive em áreas rurais não regularizadas pelo Estado como Terras Indígenas, em acampamentos em margem de rodovias, ou mesmo em áreas tituladas por particulares. Tem-se assim, uma gama variada de contextos e situações nas quais realizam suas formas de existir e que recusam critério exteriores a estes coletivos, como o “marco temporal”. O fenômeno das “retomadas” indígenas e quilombolas, em suas múltiplas implicações e significações, aponta para a movimentação política de recuperação de terras expropriadas, mas também expressa mudanças de postura frente ao Estado e a sociedade nacional, envolvendo processos intrinsecamente conectados com o reposicionamento do próprio coletivo em relação às suas formas de expressão e práticas culturais. O GT pretende reunir pesquisadores do campo da etnologia indígena e/ou comunidades quilombolas que tragam contribuição para esse debate.

GT 036. Etnografias da deficiência

Olivia von der Weid (UERJ) - Coordenador/a, Fagner Carniel (UEM) - Coordenador/a, Adriana Abreu Magalhães Dias (UNICAMP) - Debatedor/a, Nádia Elisa Meinerz (Universidade Federal de Alagoas) - Debatedor/a
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Deficiência é uma categoria em disputa, em constante reconstrução, que apresenta amplo potencial analítico, político e metodológico para a antropologia. Este grupo de trabalho visa dar continuidade às atividades desenvolvidas desde a 29ª RBA, reunindo estudos etnográficos que abordem perspectivas diversas sobre os corpos, os direitos, os fazeres, os lugares, os medicamentos, as políticas, os desejos, os prazeres, as tecnologias e as experiências de pessoas com deficiência e com doenças raras. Serão privilegiadas propostas que considerem: a) o papel dos movimentos sociais e das políticas públicas para pessoas com deficiência na construção das condições e parâmetros relativos aos direitos e cidadania, tais como cuidado, acessibilidade, inclusão escolar, vida autônoma, etc; b) narrativas e práticas de pessoas com deficiência que organizam a inserção de sujeitos concretos em diferentes coletividades; c) ensaios teóricos, realizados a partir do amadurecimento etnográfico, que problematizem a categoria deficiência pelo referencial antropológico, seja a partir dos debates contemporâneos da disciplina, seja pela articulação com categorias analíticas no diálogo com outros campos como saúde, direito, linguística, etnologia, gênero e sexualidades, raça, etnia e racismo, ciência e tecnologia, dentre outros; d) por fim, são bem vindas as reflexões sobre os desafios e adequações do/no método etnográfico, produzidas a partir das tensões encontradas no campo de pesquisa sobre a deficiência.

GT 037. Etnografias sobre a financeirização do agronegócio no Brasil: efeitos, disputas e comparações

Anna Catarina Morawska Vianna (UFSCar) - Coordenador/a, Luciana Schleder Almeida (UNILAB) - Coordenador/a
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Este grupo de trabalho tem como intuito propor um debate sobre a financeirizaçāo do agronegócio no Brasil por meio de etnografias que explorem a imbricação de elementos técnicos e morais que marcam a chamada “sociedade do agronegócio” (Heredia, Palmeira, Leite 2010). Sāo bem vindas reflexões baseadas em trabalho etnográfico que proponham, por exemplo, comparações entre o agronegócio para exportação e redes de troca de produtos não financeirizados, como é o caso de sementes crioulas e produtos agroecológicos; descrições de alianças entre técnicos, órgãos de pesquisa e produtores em torno de saberes e tecnologias que visam o aumento da produção e circulação de produtos; estratégias discursivas que esses agentes mobilizam para legitimar a expansão do agronegócio; etnografias sobre leilões e mercados agropecuários que joguem luz sobre noções correntes de economia e mercados; análises sobre as distintas temporalidades implicadas no “dentro” e “fora” da porteira, assim como em mercados físicos e futuros. Pretende-se, deste modo, reunir tanto pesquisadores que têm como foco central questões próprias da antropologia da economia, assim como aqueles que as tangenciam tendo em vista os processos de expropriação e conflito que seus interlocutores de pesquisa vêm enfrentando no meio rural brasileiro.

GT 038. Famílias em perspectiva: filiação, parentalidades e outras formas de conectividade

Leandro de Oliveira (Universidade Federal de Minas Gerais) - Coordenador/a, Alessandra de Andrade Rinaldi (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) - Coordenador/a, Flávio Luiz Tarnovski (Universidade Federal de Mato Grosso) - Debatedor/a
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Este GT é motivado pelo cenário contemporâneo de controvérsias públicas envolvendo família, gênero, sexualidades e direitos. O grupo discutirá a família enquanto modo de conectividade localizado (modulado por marcadores como geração, classe social, religião, etc) e enquanto símbolo político disputado. Abordaremos temas como conjugalidades, parentalidades, adoção e relações com a família de origem, examinando reconfigurações das conexões entre público e privado. A proposta é focalizar nexos entre cenários político-culturais, movimentos sociais, micropolíticas do cotidiano, interações e relações de poder em contextos plurais, com atenção a experiências relativas ao exercício parental entre sujeitos com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Quais são os percursos trilhados por casais (ou por pessoas fora de parceria conjugal) ao construir a filiação como projeto (ou ao rejeitar e/ou abdicar de filhos preteridos)? Como operam as formas de parentalidade exercidas por pessoas LGBT e sobre pessoas LGBT? De que forma discursos científicos, jurídicos e políticos têm abordado estes temas? Serão acolhidos estudos que abordem: conflitos, manutenção de laços e discursos sobre emoção no cotidiano da casa e dos grupos domésticos; usos políticos da noção de família, moralidades e a produção de discursos de verdade; produção e ruptura de laços no âmbito das práticas jurídicas; enlaces entre família, direitos sexuais e laicidade do Estado.

GT 039. Feiras, mercados, capitais e potencialidades

Maria Catarina Chitolina Zanini (UFSM) - Coordenador/a, Lídia Maria Pires Soares Cardel (Universidade Federal da Bahia) - Coordenador/a
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O objetivo deste GT é refletir sobre os processos produtivos, as dinâmicas interativas, as unidades familiares de produção da agricultura rural e urbana, bem como as especificidades de seus locais de mercado. Compreendemos que os procedimentos de produção, consumo e distribuição de alimentos dialogam com os aspectos da vida cotidiana voltados para os hábitos alimentares, para o saber/fazer na transformação dos alimentos, como também, para as diversas formas de trabalho humano na relação com a terra, com o bioma e com os bens da natureza. Neste sentido, entendemos que as estruturas conceituais que separavam as sociabilidades urbanas e rurais devem ser revistas para que novos constructos analíticos possam emergir. Em suma, esperamos estabelecer um diálogo objetivo e subjetivo que permeie os vários processos produtivos, de circulação e de consumo de bens e processos gerados pelo modo de produção familiar. Pretendemos, igualmente, agregar estudos que pensem novas opções e ferramentas teórico-metodológicas para refletir acerca das feiras como lugares de mercados variados em que muitos capitais circulam (econômico, cultural, político, de conhecimento e outros) e nos quais muitas dinâmicas se processam simultaneamente, fazendo deste um espaço repleto de significados e potencialidades.

GT 040. Fronteiras, saúde, gênero e sexualidade: conexões, deslocamentos e alteridades corporais, espaciais, temporais

Guilherme Rodrigues Passamani (UFMS) - Coordenador/a, José Miguel Nieto Olivar (Faculdade de Saúde Pública USP) - Coordenador/a
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O GT visa aglutinar pesquisas que reflitam sobre fronteira, saúde, gênero e sexualidade a partir de contextos espaciais, temporais ou corporais imaginados como marginais, fronteiriços ou minoritários, ou que remetam a problematizações, conexões laterais ou transformações acerca de centros ou arranjos majoritários. Nesse marco relacional, interessa pensar as experiências de sujeitos e grupos sociais a partir da intersecção com outras categorias de diferenciação: etnia, região/procedência, geração, classe, escolarização, orientação sexual, religião, raça/cor. Estamos atentos, também, a questões como trânsitos, deslocamentos, circulação, fluxos migratórios e processos de (des/re)territorialização e fronteirização, relacionados com agenciamentos de saúde, de gênero e sexualidade. Além de pesquisas sobre "mobilidades", são bem-vindas pesquisas que abarquem a construção social do desejo, do cuidado, do adoecimento e do gênero em “outros geográficos”, “entre-cidades”, "zonas” e contextos rurais, priorizando aqueles lugares que estão atravessados pela sua nomeação como fronteiras, margens ou periferias. O GT tem o intuito de melhor compreender as multiplicidades de formas e sentidos da saúde (processos de adoecimento, cuidado e morte), do gênero e da sexualidade, em articulação com processos territoriais "menores".

GT 041. Islã e suas interfaces no Brasil e no mundo

Francirosy Campos Barbosa (USP) - Coordenador/a, Sonia Cristina Hamid (Instituto Federal de Brasília) - Coordenador/a, Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a
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O islã é uma das religiões que mais cresce no mundo, tendo, inclusive, forte presença em países ocidentais. A despeito disso, ele segue sendo ideologicamente construído de modo “orientalista”, visto como uma religião exótica e retrógrada, além de uma ameaça a um suposto ordenamento secular ocidental. De modo a superar uma visão essencialista e homogênea do islã e de seus praticantes, buscamos o diálogo com pesquisadores que vêm se dedicando a investigações sobre esta religião em suas variadas intersecções com questões nacionais, econômicas, étnicas, raciais, geracionais, de classe, de gênero e/ou de instrução. Da mesma forma, buscamos abordagens que mostrem as relações entre fenômenos globais e locais e que apontem, por exemplo, de que modo eventos políticos que ocorreram ou vem ocorrendo em países com populações de maioria muçulmana – primavera árabe; radicalização de grupos religiosos; guerras civis em países como a Síria; deslocamentos populacionais – influenciam as percepções e as vidas de homens e mulheres muçulmanos de diferentes maneiras, globalmente. Aceitamos tanto propostas que abordem estas questões a partir de perspectivas exclusivamente teóricass, quanto aquelas que apresentem pesquisas empíricas.

GT 042. Maternidades, partos e cuidado infantil: políticas dos corpos, direitos humanos e antropologia em ação

Rosamaria Giatti Carneiro (UnB) - Coordenador/a, Elaine Müller (UFPE) - Coordenador/a, Giovana Acacia Tempesta (UnB) - Debatedor/a, Fernanda Bittencourt Ribeiro (Pucrs) - Debatedor/a, Camila Pimentel (Fiocruz Pernambuco) - Debatedor/a
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Este GT pretende dar continuidade às discussões inauguradas na RBA de 2014 e em outros fóruns de debate antropológico nos últimos anos. Se, de início, nos concentramos nos debates sobre parto, assistência médica e movimentos de mulheres na atualidade, os últimos anos têm nos dado mostra da ampliação da reflexão nesse campo. A antropologia do parto tornou-se, pouco a pouco, a antropologia das maternidades, dos corpos e da infância, tematizando literalmente o cuidado em sua vida social desde uma perspectiva de gênero. Muitos têm sido os seus desdobramentos que nos incitam a propor este grupo, quais sejam: as maternidades contra-hegemônicas; as novas parentalidades; as teorias da maternagem, a criação com apego, a disciplina positiva e seus dilemas; a vida profissional e a maternidade no século 21; as mães e deficiência no contexto do Zika Vírus; aborto; os movimentos sociais-econônicos maternos; a política e a maternidade; as desigualdades e maternidades; as noções de infância; os direitos no/do parto; a pesquisadora como mãe e a antropologia feita por mães, para além, é claro, dos debates sobre assistência médica, leituras de parto, pós-parto e amamentação. Por essa razão, trabalhos que contornem esse leque investigativo serão mais do bem-vindos no sentido de despertar diálogos antropológicos sobre direitos humanos e maternidades em ação e em amplo sentido.

GT 043. Memórias Indígenas e experiências de construções biográficas

João Pacheco de Oliveira Filho (Museu Nacioonal/UFRJ) - Coordenador/a, May Waddington Telles Ribeiro (Programa de Pós Graduação em Estado e Sociedade/UFSB) - Coordenador/a, Pablo Antunha Barbosa (UFSB) - Debatedor/a, Pablo Quintero (UFRGS) - Debatedor/a, Rita de Cássia Melo Santos (UFPB) - Debatedor/a
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O GT busca reunir pesquisas que apresentem dados e interpretações novas sobre a continuada e persistente presença e protagonismo da população autóctone no Brasil no período colonial, no século XIX, na República e na atualidade. Partindo de reflexões teóricas dos campos da antropologia, sociologia, história e estudos literários, intentamos reunir biografias, trajetórias, histórias de vida, autobiografias, etnobiografias, dentre outras modalidades de narrativas biográficas, buscando dar conta das profundas intervenções que estas populações tiveram na constituição da história nacional bem como das modalidades de esquecimento e outrificação de que foram objeto. As mudanças sociais não serão tratadas apenas como fatos políticos e econômicos, mas como fenômenos sociais totais, envolvendo dimensões emocionais e afetivas, explorando aspectos contraditórios e ambíguos nas relações sociais, considerando também os contextos intersocietários e buscando compreender o protagonismo e a “agency” permanentemente exercida pelos indígenas. O presente GT está relacionado ao desenvolvimento do projeto em rede “Os Brasis e suas Memórias: Os indígenas na formação do Brasil”, coordenado por João Pacheco de Oliveira, que articula 22 universidades e que pretende através da elaboração de biografias sobre indígenas construir outras possibilidades de narrativas sobre a História do Brasil e a contemporaneidade dos povos indígenas.

GT 044. Mobilidade dos Povos Indígenas: fronteiras, conflitos e desafio dos direitos humanos

Antônio Hilário Aguilera Urquiza (UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) - Coordenador/a, Jane Felipe Beltrão (Universidade Federal do Pará) - Coordenador/a, Jorge Eremites de Oliveira (Universidade Federal de Pelotas) - Debatedor/a
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O GT pretende reunir trabalhos de pesquisadores/as que tenham pesquisa sobre os novos contextos ou cenários de mobilidade dos povos indígenas, entre aldeias, entre fronteiras, ou mesmo para centros urbanos, realidades às vezes produzidas por deslocamentos forçados motivados por grandes empreendimentos, ou histórias de expulsão de seus territórios tradicionais e as tentativas de retorno na atualidade. Conforme dados do (IBGE – 2010) ao redor de um terço da população indígena vive em espaços urbanos, enquanto outra parte vive em áreas de conflito, em acampamentos em margem de rodovias, ou mesmo em áreas tituladas por particulares, na maioria dos casos, em contextos de extrema violência. A mobilidade indígena muitas vezes é forma de resistência a múltiplas formas de violências: territoriais, culturais, políticas, de gênero, dentre outras, às quais os levam a intensa movimentação política com novas posições frente a um Estado usurpador de direitos, ao mesmo tempo em que procuram ocupar novos espaços políticos, como universidades e agências do próprio governo. Assim, este GT pretende reunir pesquisadores/as com afinidade na temática indígena e áreas afins que tragam contribuição para esse debate.

GT 045. Moralidades, afetos e políticas: sobre e das relações de gênero entre indígenas

Patricia Carvalho Rosa (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá) - Coordenador/a, Elizabeth de Paula Pissolato (Universidade Federal de Juiz de Fora) - Coordenador/a, Diógenes Egidio Cariaga (PPGAS/UFSC) - Debatedor/a, Suzana Cavalheiro de Jesus (Universidade Federal do Pampa) - Debatedor/a, Andréa Carvalho Mendes de Oliveira Castro (Universidade Federal do Paraná) - Debatedor/a
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O GT pretende colocar em diálogo pesquisas que reflitam sobre os modos indígenas de elaboração e significação de suas noções de identidades de gênero e sexuais diante de suas existências híbridas quando observamos as escalas de mobilidades/trânsitos de referentes morais e éticos que passam a circular e constituir seus cotidianos. Estes referentes plurais têm conectado diferentes pontos de vista entre os coletivos ameríndios; nos modos como as narrativas sobre pessoa, corpo, parentesco não estão distantes de relações que envolvem distintos regimes de alteridade e relações de poder. Sob tais condições sempre plásticas e conjunturais de produzir gradientes relacionais, etnografias recentes conduzem nossos olhares às considerações dos fatores que contribuem para a heterogeneidade de experiências indígenas relativas às problemáticas de gênero que atravessam as estruturas simbólicas e práxis coletivas. Entre estes processos a afiliação religiosa, idade, escolarização, relações com o sistema de saúde, mobilidades e migração, gestão dos territórios, são fatores transversais que intersectam elementos culturais, históricos e políticos que cominam nas cosmopolíticas efeitos conceituais, de tradução, manejo das diferenças e experimentações de vivências diferenciadas. Esperamos reunir pesquisas que reflitam sobre os (re)posicionamentos dos entendimentos indígenas sobre os domínios, relações e agenciamentos masculinos e femininos e como estes vem vivenciando e significando estes processos.

GT 046. Música, Som e Formas Expressivas

Wagner Neves Diniz Chaves (Departamento de Antropologia Cultural/UFRJ) - Coordenador/a, João Miguel Manzolillo Sautchuk (DAN/UnB) - Coordenador/a
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Expressiva, comunicacional e performativa, aglutinadora de múltiplos conhecimentos, significados e agenciamentos, a música é um campo fértil para investigação antropológica de um conjunto de temas e questões, possibilitando o diálogo entre diferentes nichos dos debates antropológicos, tais quais etnomusicologia, etnologia indígena, cultura popular, patrimônio, antropologia urbana, antropologia do Estado e análise de rituais e performances. Apostando na relativização da noção de “música” como categoria analítica e partindo da superação do antigo dilema que apartava análise dos aspectos sonoros e interpretação dos sistemas de pensamento e ação, este Grupo de Trabalho volta a atenção para as conexões entre múltiplos aspectos das práticas musicais e produções sonoras e seus significados sociais, principalmente as relações da “música” com outros meios expressivos e práticas sociais, e as dimensões técnicas e práticas do fazer musical. Tendo em vista esta perspectiva geral, pretende-se explorar os seguintes eixos temáticos: 1) música e linguagem; 2) interação no fazer musical; 3) teorias musicais nativas; 4) música, ritual e performance; 5) mediação, apropriação e identidade; 6) gravação, representação fonográfica e arquivos; 7) paisagem sonora.

GT 047. Nas tramas do viver: entre governos, escritas e antropologias da dor

Natália Corazza Padovani (Pagu / UNICAMP) - Coordenador/a, Leticia Carvalho de Mesquita Ferreira (CPDOC/FGV) - Coordenador/a
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Este GT dá continuidade há um debate iniciado em 2015, que respondia a três distintas ordens de problemas: a dimensão ética da dor, as técnicas de governo e a escrita etnográfica. Preocupados por aspectos do viver que muitas vezes são esquecidos, sublimados e controlados, mas, todavia constituem e animam a vida cotidiana, neste GT, propomos, agora, uma nova rodada de debates. Para tanto, temos o intuito de reunir etnografias que analisem as variadas articulações entre técnicas de governo e modalidades de sofrimento, explorando tais dilemas a partir de diferentes perspectivas. Seu viés analítico – o desafio de transpor terminologias locais para termos correlatos como “dor”, “sofrimento”, “sofrer”; os desafios metodológicos – como fazer etnografia de/em situações de sofrimento?; e suas composições éticas - até onde ir na partilha da dor com nossos interlocutores? Como evitar uma compaixão desenfreada ou um desejo de governo renovado? Ao acreditarmos que o sofrimento/dor apresenta-se como condição comum a variados contextos de pesquisa, esperamos receber contribuições que, independentemente de vínculo disciplinar, estejam, por um lado, atentas a como a força ética produtiva do sofrimento pode, em muitos contextos, ceder espaço à força produtiva do governo, a fim de produzir sujeitos e populações governáveis. E, de outro lado, não se furtem a descrever a dor como modo de viver o mundo, cujo modo situado de análise incide em formas de narrar e produzir etnografia.

GT 048. Novas perspectivas para o estudo das religiões de matriz africana nas Américas

Clara Mariani Flaksman (PPGCS/UFBA) - Coordenador/a, Gabriel Banaggia (PPGCIS/PUC-Rio) - Coordenador/a
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Nos anos 1970, na chamada "virada sociológica" nos estudos sobre as religiões de matriz africana no Brasil, a maioria das pesquisas sobre o tema buscava uma perspectiva mais voltada para a relação destas religiões com a sociedade brasileira abrangente. Desde os anos 1980, porém, os estudos sobre manifestações afro-brasileiras vêm sendo objeto de transformações, especialmente no que tange ao modelo de abordagem de seus princípios cosmológicos e à relação com os processos de formação daquilo que se convencionou chamar identidade nacional. Assim, estudos com um viés mais propriamente sociológico atualmente se mesclam com estudos mais voltados para uma compreensão acerca do funcionamento mesmo destas religiões e de um caminho mais dual entre tais manifestações e a sociedade em geral. Com estas novas pesquisas, voltou-se a aventar a possibilidade imaginada por Roger Bastide da construção de um quadro mais geral dessas religiões, imaginado inicialmente como um projeto comparativo. O que se pretende aqui é que o alargamento de experiências etnográficas conduza não somente a um "quadro sinóptico" tal como imaginava Bastide, mas também estimule a experimentação com uma perspectiva transformacional que permita que o aprofundamento descritivo revele potencialidades de diferentes manifestações de matriz africana.

GT 049. Ofícios e profissões: memória social, identidades e construção de espaços de sociabilidade

Fernanda Valli Nummer (UFPA) - Coordenador/a, Maria Cristina Caminha de Castilhos França (IFRS) - Coordenador/a
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Este Grupo de Trabalho está em sua 4ª edição e as discussões têm trazido uma enriquecedora diversidade de questões associadas a temas como memória, sociabilidade e identidade no mundo trabalho. De forma mais ampla, os debates entre sociologia e antropologia sobre ofícios e profissões têm aprimorado as discussões sobre as diversidades culturais reveladas por cada participante ao relatar sua experiência de trabalho de campo. Recursos metodológicos utilizados nas etnografias diante da multiplicidade de estudos têm também proporcionado aprendizados diversos. Em 2015, publicamos o primeiro livro, resultados destas discussões: “Entre ofícios e profissões: reflexões antropológicas”. Para 2018, serão privilegiados estudos etnográficos em que ofícios e profissões são analisados não apenas como funções sociais especializadas que as pessoas desempenham de acordo com as necessidades de outras, mas sim como uma das múltiplas dimensões das identidades dos sujeitos. Sejam dimensões concebidas ao longo das atividades produtivas ou sob processo educativo desenvolvido através da memória social das comunidades de saber, que resulta em transmissão e legitimação, e ambas sendo capazes de gerar esquemas de percepção e ação no mundo social. Nosso objetivo para a RBA é que os trabalhos aprovados e que tenham os textos completos enviados para o evento sejam pré-selecionados para um segundo volume do livro e que os debates que já foram gerados nas outras edições sejam representados nessa Reunião.

GT 050. Os trinta anos da Constituição Federal de 1988 e os direitos dos quilombos: dinâmicas territoriais, formas de resistências e desafios antropológicos

Raquel Mombelli (NEPI/UFSC) - Coordenador/a, Aderval Costa Filho (Universidade Federal de Minas Gerais) - Coordenador/a
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A proposta pretende reunir reflexões antropológicas em torno da afirmação e consolidação dos direitos das comunidades quilombolas no país, no marco dos 30 anos de Constituição Federal de 1988 e dos 15 anos da publicação do Decreto 4.887/2003. Os avanços e as limites no que diz respeito à implementação dos direitos territoriais, sociais, culturais, entre outros, diante do incremento dos denominados “projetos de desenvolvimento”, sob a justificativa de “aceleração” do crescimento econômico e da necessidade de “obras de infraestrutura”, tais como a energética, rodovias, mineração, portos, aeroportos, linhas de transmissão de energia, entre outras. Neste contexto, a violação dos direitos humanos e territoriais das comunidades quilombolas vem alcançando escalas mais amplas devido ao descumprimento de normas legais, e a franca promoção de expropriação territorial e extinção premeditada de práticas culturais e organizacionais destas comunidades, financiadas pelos grupos econômicos que articulam politicamente as demandas do agronegócio e de projetos de crescimento econômico, promovendo até mesmo alterações nos marcos legais e na própria Constituição Federal. A proposta é um convite à reflexão sobre o tema, comparando experiências etnográficas, no contexto afro-latino-americanos e internacionais, assim como refletir sobre os novos desafios éticos, teóricos e epistemológicos postos ao fazer antropológico, à articulação entre a academia e movimentos sociais, à atuação profissional.

GT 051. Performances e marcas da religião na cidade

Emerson Giumbelli (UFRGS) - Coordenador/a, Edilson Pereira (UERJ) - Coordenador/a, Christina Vital da Cunha (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a
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O tema da religião encontra na Antropologia uma longa tradição, com pesquisas seminais sobre o seu papel na vida social e suas formas de expressão material e simbólica. Performance, por sua vez, tornou-se tema de estudo antropológico especialmente nas últimas décadas do séc. XX, em profícuo diálogo com outros campos de conhecimento. Notabilizou-se, sobretudo desde os anos 1990, a presença da religião em gramáticas e estéticas acionadas por atores identificados com os mundos da política, da cultura, do turismo, do crime em interações materializadas e/ou que se desenrolam em “áreas públicas”, periferias e outros espaços citadinos. Ao aproximar esses temas, o GT busca avançar sobre fronteiras conceituais e metodológicas na investigação de modalidades de ação e comunicação no espaço urbano, dando ênfase a performances e materialidades. Trata-se de uma via de acesso aos processos sociais que refletem o papel da religião na experiência urbana e nas modalidades de compreensão da cidade. Deste modo, interessam-nos estudos etnográficos que enfatizem composições, conexões, controvérsias e disputas entre atores sociais que articulam espaço urbano e religião a partir de performances e marcas (monumentos, arquiteturas etc.) com inflexões mais amplas na vida social. Nosso objetivo é reunir estudiosos que, interessados em dinâmicas do religioso da e na cidade, apresentem abordagens criativas sobre movimentos e intersecções performadas entre valores, estéticas, territórios e temporalidades.

GT 052. Política indígena na política não indígena: Experiências de participação e protagonismo indígena em processos eleitorais.

Luís Roberto de Paula (Universidade Federal do ABC) - Coordenador/a, Ricardo Verdum (Museu Nacional) - Coordenador/a
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Apesar da participação indígena em processos eleitorais possuir uma longa e intensa trajetória histórica no país, quando o tema vem à baila, normalmente nos lembramos somente do mandato de deputado federal do xavante Mário Juruna na década de 80. Já tivemos e temos atualmente dezenas de prefeitos, vices e vereadores indígenas com mandatos efetivamente conquistados, espalhados pelos quatro cantos do país, além de uma candidatura indígena à vice-presidência da República. Na contramão de um fenômeno que se torna mais intenso e visível a opinião pública, são ainda raras as pesquisas no campo da etnologia indígena, e mesmo das ciências sociais de modo geral, que tenham como objeto privilegiado de análise a relação entre povos indígenas e processos eleitorais no Brasil. Esse GT busca aglutinar pesquisadores que já tenham produzido investigações sobre essa temática, bem como aqueles que estejam em processo de pesquisa, e que se interessem em apresentar seus primeiros resultados. São bem-vindos pesquisadores de todas as filiações disciplinares, já que um dos objetivos dessa proposta é a de propiciar um debate multidisciplinar, fazendo jus a própria natureza epistemológica do objeto investigado. Será dada ainda especial atenção à inclusão no GT de propostas advindas de pesquisadores indígenas dedicados ao tema, bem como de indígenas que tenham ou estejam ocupando mandatos nos poderes executivo ou legislativo municipais.

GT 053. Políticas patrimoniais, conservadorismo político e os novos desafios da antropologia

Simone Pondé Vassallo (Universidade Federal Fluminense, Departamento de Antropologia) - Coordenador/a, Patricia Silva Osorio (UFMT) - Coordenador/a, Renata de Sá Gonçalves (Universidade Federal Fluminense) - Debatedor/a, Regina Maria do Rego Monteiro de Abreu (UNIRIO) - Debatedor/a
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Nos anos 2000, as políticas de promoção do patrimônio imaterial propiciaram a chegada de novos atores no campo do patrimônio, como os chamados detentores, bem como a ampliação da participação dos antropólogos nessas esferas. Várias práticas de grupos subalternizados foram reconhecidas como patrimônio nacional e se beneficiaram de recursos públicos, contribuindo ativamente para as suas lutas por direitos. No entanto, com a mudança política ocorrida em 2016 e com o aumento das forças conservadoras, vários programas de democratização do patrimônio foram reduzidos ou mesmo interrompidos. Além disso, setores conservadores começaram a atuar mais diretamente nas práticas patrimoniais, gerando inúmeros impactos. Nesse contexto, no âmbito das atividades propostas pelo Comitê de Patrimônios e Museus da ABA, o presente GT busca refletir sobre as seguintes questões: quais os impactos das novas políticas patrimoniais e do aumento das forças conservadoras nas diferentes situações etnográficas e na atuação dos órgãos públicos voltados para o patrimônio? Quais os desdobramentos dessas novas políticas na própria pesquisa antropológica? Qual o papel do antropólogo como mediador entre essas diferentes esferas? Com o intuito de ampliar a reflexão para as diversas formas de atuação dos antropólogos, o GT se propõe a acolher trabalhos tanto dos que estão inseridos na academia quanto os dos que atuam em órgãos governamentais.

GT 054. Políticas, etnografias e campos da extensão universitária na antropologia brasileira

Luciana Gonçalves de Carvalho (Ufopa) - Coordenador/a, Luciana de Oliveira Chianca (UFPB) - Coordenador/a, Ulisses Neves Rafael (Universidade Federal de Sergipe) - Debatedor/a, Lady Selma Ferreira Albernaz (ufpe) - Debatedor/a
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A pesquisa de inspiração participante marcou a busca de uma construção reflexiva e dialógica no campo antropológico, notadamente a partir dos anos 1970, no Brasil. O fazer antropólogo expandiu-se então consideravelmente, na percepção de que saberes acadêmicos, científicos ou humanísticos pressupõem uma fusão de horizontes com os saberes populares e locais, sejam eles tradicionais ou não. Tal pressuposto transformou o cotidiano de muitos professores e pesquisadores, sendo que nas universidades brasileiras ele foi traduzido pela incorporação oficial da extensão no binômio ensino/pesquisa, relacionando conceitual e inexoravelmente a universidade pública com a sociedade e suas demandas. Este GT propõe o debate de aspectos conceituais, metodológicos, políticos, relacionais e pedagógicos de práticas extensionistas em diferentes contextos de atuação e em relação com áreas de conhecimento conexas à antropologia. São bem-vindos relatos de experiência e análises de programas, projetos de extensão universitária e ações “extramuros”, voltadas para educação, arte, saúde, meio-ambiente, patrimônio cultural, igualdade racial, direitos humanos, desenvolvimento local, trabalho e renda. Deseja-se estimular reflexões e críticas sobre o preceito da indissociabilidade das dimensões de ensino, pesquisa e extensão, considerando-se as condições objetivas e subjetivas da implementação das ações e mediações extensionistas nas distintas regiões do Brasil.

GT 055. Povos e Comunidades Tradicionais: estratégias de mobilização política, reconhecimento e luta pela garantia de direitos

Claudina Azevedo Maximiano (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas) - Coordenador/a, Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA-UFRRJ) - Coordenador/a, Maria Helena Ortolan (UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS-UFAM) - Debatedor/a, Alfredo Wagner Berno de Almeida (universidade Estadual do Maranhão) - Debatedor/a, Maria José da Silva Aquino Teisserenc (Universidade Federal do Pará) - Debatedor/a
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O reconhecimento dos direitos dos povos e comunidades tradicionais vigentes a partir da Constituição Federal de 1988 trouxe como desdobramentos políticas específicas, principalmente no que diz respeito à assistência estatal nas áreas de educação, saúde, economia e regularização de terras. Tais direitos foram se consolidando através da ação desses agentes sociais, concretizado nos diversos movimentos sociais que em suas pautas reivindicatórias trouxeram para o cenário político brasileiro as demandas de garantias de direitos específicos e diferenciados. Esse Grupo de Trabalho (GT) pretende reunir pesquisadores interessados em analisar comparativamente, por meio da apresentação de pesquisas a atuação dos agentes sociais, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, artesãs entre outros. As articulações e lutas pelo reconhecimento e por afirmação dos direitos conquistados e, ainda a fragilização e ameaças aos direitos conquistados no atual contexto sociopolítico brasileiro serão os objetos das discussões e reflexões desse GT. O objetivo é refletir e possibilitar discussões sobre as estratégias utilizadas pelos povos e comunidades tradicionais na perspectiva do fortalecimento das lutas pela reafirmação de direitos conquistados, sobretudo o que tange a educação, saúde e a defesa dos territórios tradicionalmente ocupados.

GT 056. Povos indígenas, afrodescendentes e outros povos tradicionais, conflitos territoriais, e o não reconhecimento pelo Estado nacional.

Stephen G. Baines (Departamento de Antropologia, UnB) - Coordenador/a, Luis Eugenio Campos (Universidad Academia de Humanismo Cristiano) - Coordenador/a
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Em anos recentes, com o avanço do agronegócio, mineração, a construção de hidrelétricas, o turismo, e outros projetos, as pressões econômicas de grandes empresas interessadas em explorar os recursos naturais em territórios de povos indígenas, afrodescendentes e outras comunidades tradicionais, levou governos a negar o reconhecimento de territórios de muitos coletivos que reivindicam seu reconhecimento pelo Estado. As frequentes violações de direitos por parte de grandes consórcios com respaldo do Estado levam a novas formas de mobilização política dessas populações em que suas identidades étnicas estão sendo reforçadas, e casos de etnogênese e reelaboração cultural. No Brasil, a bancada ruralista, no Congresso, e a pressão de grandes empresas, visam enfraquecer os direitos dos povos indígenas e quilombolas assegurados na Constituição Federal de 1988, e mesmo revertê-los, com proposições legislativas como a PEC 215/2000. A questão do não reconhecimento é um tema de alta relevância neste momento histórico marcado por tentativas de deslegitimar reivindicações dos povos tradicionais. No Chile, o governo não apenas viola os direitos de muitos coletivos indígenas, mas reluta em não reconhecer os afrodescendentes chilenos. Na Argentina, o avanço do neo-extrativismo ameaça os direitos dos coletivos indígenas, com situações de crescente conflitividade y estigmatização, como a que atinge o povo Mapuche n o sul do país. Fatos comparáveis se encontram em outros países da América Latina.

GT 057. Processos e dinâmicas no ciberespaço: divergências, dissidências, usos e contra-usos em relação à experiência de si

Laura Graziela F. de F. Gomes (Universidade Federal Fluminense) - Coordenador/a, Eliane Tânia Martins de Freitas (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE) - Coordenador/a
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Pretende-se reunir trabalhos que discutam dinâmicas que problematizem continuidades off/online, além das articulações entre público/privado/intimidade na rede, a fim de apreendermos modos de subjetivação que valorizem engajamentos mais exclusivos com o online. Mesmo reconhecendo os usos instrumentais off-line da rede, incluímos dinâmicas dissidentes/divergentes e práticas de usos/contra-usos que requerem mais reflexividade e experimentação com/na rede. Pensamos em questões de gênero/sexualidades dissidentes contemporâneas também como fenômenos próprios da cibercultura, resultantes de seus propiciamentos, não apenas na busca de se visibilizarem, mas também de modo a valorizarmos sistemas classificatórios nativos cujas categorias sugerem experimentações que não visam tanto o off-line. Outra questão relevante refere-se ao trabalho na rede e de que modo ele sinaliza desafios e propiciamentos quanto às alteridades e diversidades relativas aos entes humanos/não-humanos que podem conduzir a novos regimes de self. Também incluímos modos do fazer político, que se radicalizam pelos usos mais táticos e reflexivos de se lidar com a rede e a própria informação. Se empresas e corporações beneficiam-se dos rastros deixados por usuários, novas gerações deles vêm investindo em modos de socialização política propriamente digital, o que dá origem a fatos políticos novos, próprios daquele meio, bem como novas ferramentas e novas sociações delas decorrentes.

GT 058. Processos identitários étnicos, território e tradições de conhecimento

Claudia Mura (UFAL) - Coordenador/a, Edviges Marta Ioris (Universidade Federal de Santa Catarina) - Coordenador/a, Estêvão Martins Palitot (Departamento de Ciências Sociais UFPB) - Debatedor/a, Alexandra Barbosa da Silva (UFPB) - Debatedor/a, José Maurício Paiva Andion Arruti (UNICAMP) - Debatedor/a
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Com objetivo de dar continuidade ao debate iniciado na última RBA, este GT pretende reunir pesquisas etnográficas que focam os processos identitários étnicos e territoriais, com especial atenção às dinâmicas da organização social do conhecimento que os acompanham. Procura-se alimentar o espaço de diálogo e análise sobre o gerenciamento, distribuição e hierarquização do conhecimento em diferentes contextos experienciais (históricos e políticos) que definem específicas relações de poder e de modos de significação e elaboração étnica. Nesses termos, a proposta tem como base uma abordagem gerativa e comparativa, fundamentada nos desdobramentos analíticos de Barth para uma sociologia do conhecimento que visa esclarecer as formas como a diferenciação, a alteridade, é gerada e reproduzida através de constantes fluxos culturais. Serão valiosas as contribuições provenientes de investimentos empíricos que abordam os processos de mudança (sociais, políticas e econômicas), as elaborações de cosmologias e manifestações simbólicas, bem como os quadros morais que orientam as experiências individuais e coletivas no estabelecimento e gerenciamento das relações intra e interétnicas. Também benvindas são as contribuições que abordam as unidades sociopolíticas em diferentes escalas, como famílias e/ou linhagens, e que analisam a forma como as alianças se efetivam no tempo e espaço -extravasando ou não o nível étnico-, assim como as variações na elaboração e sistematização dos fluxos culturais.

GT 059. Projeções Sociopolíticas e Agenciamentos Coletivos no Mundo Rural

Marisa Barbosa Araújo (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA) - Coordenador/a, Delma Pessanha Neves (Professor permanente do PPGA UFF) - Coordenador/a
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Assistimos hoje, no mundo rural, a uma efervescência de processos e sujeitos distintos que, redelineando configurações, exprimem transformações nesse amplo universo social. Populações rurais vivenciam processos políticos que envolvem a redefinição de identidades e papeis sociais, pautados em direitos específicos ou fundamentais e na luta pela conquista de patrimônios materiais e imateriais. Outras, nesse mesmo quadro social, deslocam-se na tentativa de repor condições de vida sob relativa autonomia. Ou ainda gerenciam diversas restrições, por tais razões estimulando filhos a se constituírem por diferentes inserções produtivas. Esses investimentos exigem a construção de diversas formas de posicionamento político e inserção social, de articulações de saberes específicos, sobretudo construídos para a ação coletiva e para convivência em universos sociais em disputas. Essas populações têm ainda investido na produção de seus próprios mediadores, muitos destes, para tal exercício, negociando com porta-vozes de quadros institucionais. Interessa-nos reflexões e esquemas conceituais que permitam o entendimento da complexidade dos processos de transformação social no mundo rural, principalmente os que envolvem as construções identitárias, diferentes territorialidades, os modos e adequação e de reconfiguração produtiva e as formas de sociabilidade. Igualmente nos interessam processos que explicitem a fluidez de fronteiras e redefinições sociais pela elaboração de recursos de mediação.

GT 060. Prostituição e direitos humanos em tempos de reação

Thaddeus Gregory Blanchette (UFRJ Macaé) - Coordenador/a, Flavia do Bonsucesso Teixeira (Universidade Federal de Uberlândia) - Coordenador/a
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No decorrer dos últimos 125 anos, passaram sucessivas “ondas” de políticas públicas que supostamente resolveriam a questão da prostituição. Neste contexto, o Brasil tem adotado uma política constante, porém ambígua, que é declaradamente abolicionista, enquanto pragmaticamente devolve a “regulamentação” cotidiana da prostituição às autoridades locais. Essas, por sua vez, frequentemente administram o comércio do sexo através de concordatas extra-oficiais com vários poderes paralelos. Isto tem feito o ofício de vender sexo, no Brasil, algo extremamente arriscado e sujeito a constantes violações dos direitos humanos dxs trabalhadrxs do sexo. O presente GT contemplará trabalhos que focalizaram na interface entre o trabalho sexual e os direitos humanos, particularmente os que focalizam nos conflitos e colaborações entre as trabalhadoras sexuais, agentes do governo e outros grupos. Em particular, estamos interessados em trabalhos que expõem transformações nessas interações em anos recentes, particularmente no contexto da gentrificação e “higenização” dos espaços urbanos, da luta contra o assim-chamado “tráfico humano”, e das reações contra práticas e identidades sexuais, ou que demonstram permanências frente essas pressões. Também aceitaremos trabalhos que refletem sobre o engajamento antropológico com o trabalho sexual, particularmente apresentações que focalizam nas questões éticas decorrentes desse envolvimento.

GT 061. Religião e materialidades: novos horizontes empíricos e desafios teóricos

Renata de Castro Menezes (Museu Nacional/UFRJ) - Coordenador/a, Rodrigo Toniol (Unicamp) - Coordenador/a
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O crescimento da literatura das ciências sociais dirigida às materialidades,objetos e coisas é fato notório. Nas últimas décadas,a diversificação de abordagens teórico-metodológicas mobilizadas pelo tema tem se refletido na consolidação do que já é quase um subcampo disciplinar,com debates próprios, eventos específicos e publicações regulares a ele dedicadas.O propósito deste GT é dar sequência às discussões levadas a cabo nas três ocasiões anteriores,nas RBAs,e reunir trabalhos dedicados às variadas formas de articulação entre religião e materialidades.Trata-se de dar centralidade às formas materiais de produção da experiência religiosa, apostando, com isso,na possibilidade de que novos horizontes empíricos e desafios teóricos sejam explorados.Entre outras questões possíveis, destacamos três que poderão orientar as reflexões dos trabalhos reunidos pelo GT.Primeiro, como a religião acontece na cultura material? Trata-se de enfatizar como imagens,objetos litúrgicos e devocionais,arquitetura e espaços sagrados mobilizam e são mobilizados em práticas religiosas. Segundo,como alguns objetos ocupam um lugar ambíguo —e controverso— na relação com a religião?Estátuas,obras de arte e templos históricos são apenas alguns exemplos daquilo que pode ocupar o centro dessa modalidade de relação entre materialidade e religião. Terceiro, como as variadas conformações de vínculo entre religião e materialidade também implicam em “formas sensacionais” diferenciadas da experiência com o sagrado?

GT 062. Ritmos da Identidade: Música, Juventude e Identidade

João Batista de Jesus Felix (UFT) - Coordenador/a, Carlos Benedito Rodrigues da Silva (Universidade Federal do Maranhão) - Coordenador/a
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Socialização e discussão de pesquisas concluídas ou em andamento, enfocando a música e ritmos como elementos de mobilização coletiva, e definição de linguagens e códigos de comunicação: enfoques sobre construção de performances e linguagens corporais entre grupos de juventude nas diversas regiões brasileiras ou mesmo em outros países, a partir das tendências rítmicas veiculadas pelos sistemas midiáticos. Estamos diante um fenômeno bastante interessante, pois, é cada vez maior as expressões artísticas, que eram assumidas como simplesmente formas de lazer, serem assumidas como formas de se expor posições políticas. A arte sempre foi vista como muito perigosa, principalmente pelos governos autoritários, mas ela era entendida como uma extensão, uma maneira a mais dos órgãos especializados em políticas (Partidos Políticos principalmente) tinham para demonstrar suas posições. Atualmente existem vários trabalhos acadêmicos que procuram demonstrar que a música, a dança, o cinema, o teatro, têm uma grande autonomia política. Nossa intenção, com instituição deste GT, é dar espaço para conhecermos pesquisas desenvolvidas em todo o território nacional ou estrangeiros, sobre formas de se construir identidades através da música, da dança e do lazer.

GT 063. Saúde e Doença como Experiência, Itinerário Terapêutico e Remédios Caseiros

Laércio Fidelis Dias (Unesp-Marília) - Coordenador/a, Reginaldo Silva de Araújo (Universidade Federal de Mato Grosso) - Coordenador/a
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Diante de uma doença, um infortúnio, quando a vida não sorri da maneira como se gostaria, que caminhos percorrer para resolver ou mitigar problemas e aflições decorrentes da doença? Contar as histórias acerca desses episódios talvez seja o que de melhor os seres humanos já elaboraram para orientar a resolução dos problemas práticos e encontrar algum sentido para a realidade desvanecida de sentido diante de um grave problema de saúde. O recurso a diferentes especialistas terapêuticos insere-se numa lógica denominada de itinerário terapêutico; itinerário este que expressa a busca pela cura ou mitigação do sofrimento. De que modo se dá a utilização dos remédios caseiros feitos à base de ervas e outras substâncias animais e minerais na construção do itinerário terapêutico entre as populações indígenas, tradicionais, rurais ou urbanas para solucionar seus problemas de saúde? Como as narrativas acerca destes episódios de doenças trazem consigo os princípios de ordenação e sentido da experiência da doença? O Grupo de Trabalho aceitará trabalhos que oferecem respostas ou reflexões para estas duas questões. O objetivo é selecionar comunicações que versem sobre a doença e saúde enquanto experiência, como processo de elaboração sociocultural, cuja construção e negociação de seus significados se dá num universo de sistemas médicos diversos e de forças políticas não necessariamente simétricas, e que dêem destaque ou refiram-se a remédios à base de ervas, substâncias animais e vegetais.

GT 064. Sustentabilidade, Justiça Ambiental e Justiça Social

Doris Aleida Villamizar Sayago (Universidade de Brasília) - Coordenador/a, Alessandro Roberto de Oliveira (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - Universidade Federal de Goiás) - Coordenador/a
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Os efeitos e as consequências da crise global ambiental não são vivenciados da mesma forma por todos. Os mais desfavorecidos sofrem de modo desproporcional os efeitos das mudanças climáticas. A proposta deste GT é refletir sobre as relações entre as desigualdades sociais e raciais e as desigualdades ambientais à luz da noção de justiça ambiental. A noção de justiça ambiental busca dar conta tanto das desigualdades na exposição a riscos ambientais (poluição, resíduos, inundações, etc.) quanto da exclusão dos grupos marginalizados e discriminados na concepção e implementação de políticas. Considera as questões relacionadas com a degradação do meio ambiente, o esgotamento ou a exploração excessiva dos recursos naturais e as diversas formas de poluição, mas sobretudo os efeitos sociais que suscitam. Justiça alimentar, justiça climática e justiça ecológica constituem novos campos de mobilização e de pesquisa. A atualidade e relevância da temática permite agregar trabalhos que discorram sobre movimentos sociais que denunciam as injustiças ambientais e que reivindicam a defesa e o acesso aos recursos naturais; catástrofes ambientais; impactos socioambientais decorrentes das explorações desenfreadas em territórios indígenas; migrações ambientais; a tragédia do Rio Doce; e os efeitos nocivos que geraram para as pessoas excluídas das redes de poder. Finalmente, pretende-se pensar novas estratégias de sustentabilidade nas quais a justiça ambiental seja reconhecida como uma prioridade.

GT 065. Trajetórias de acadêmicos indígenas, negros e quilombolas: impactos presentes e perspectivas de futuro

Ugo Maia Andrade (Universidade Federal de Sergipe) - Coordenador/a, Osmundo Santos de Araújo Pinho (Universidade Federal do Reconcavo da Bahia) - Coordenador/a, Florêncio Almeida Vaz Filho (UFOPA) - Debatedor/a, Maria Rosário Gonçalves de Carvalho (Programa Pós-Graduação Estudos Étnicos e Africanos; Programa Pós-Grdauação em Ciências Sociais) - Debatedor/a
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O acesso à universidade suscitou novas perspectivas para segmentos socialmente minoritários, a exemplo de indígenas e quilombolas, e mesmo negros (pretos e pardos) urbanos, cujos indivíduos ascenderam ao ensino superior como realização pessoal e/ou estratégia coletiva. Todavia, se ainda persistem inúmeros obstáculos à sua permanência na academia, percursos acadêmicos de índios, negros e quilombolas têm sido construídos na contramão das adversidades. Pretende-se reunir, neste GT, comunicações atentas aos efeitos dessas trajetórias sobre coletivos indígenas, negros e quilombolas, buscando-se responder a quatro questões básicas: [1] até que ponto o acesso à universidade pública tem auxiliado na consolidação/formação de uma autonomia e protagonismo indígena, negro e quilombola em um cenário de deterioração gradual de direitos? [2] Em que sentido a produção acadêmica e política desses atores sociais tem feito diferença em relação ao que, antes, já se produzia? [3] Quais os novos olhares e perspectivas trazidos por estes novos intelectuais indígenas/quilombolas/negr@s? [4] Que repercussões têm sido produzidas, nos coletivos de origem, pela ascensão de indígenas e quilombolas/negr@s ao ensino superior em níveis de graduação e pós-graduação?

GT 066. Visualidades Indígenas

Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz (UFF) - Coordenador/a, Edgar Teodoro da Cunha (UNESP) - Coordenador/a
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O GT visa reunir pesquisas recentes que analisem as produções audiovisuais feitas por povos indigenas ou sobre eles. O escopo das investigacões a serem apresentadas deve agregar reflexões sobre as concepcões de imagem do ponto de vista das cosmologias de distintos povos indigenas, mas também reflexões sobre a apropriação das técnicas de produção de imagens, analises de processos de socializacão da linguagem do cinema e do video por meio de oficinas e seus paradoxos e experiencias correlatas. O objetivo das sessões será analisar as novas visualidades que se colocam para dentro e para fora dos grupos indigenas, o protagonismo dos jovens indigenas na produção de discursos audiovisuais a partir das lógicas culturais; relações entre imagem e xamanismo; circulaçao de pontos de vista indígena e sua recepção academica, apropriação do audiovisual em processos de transmissão de conhecimento, seus limites e possibilidades. Os temas gerais que serão acolhidos no GT tratam de comunicacão intercultural, relacões entre imagem e politica, questões de autoria, tecnologias nativas do tornar visivel, jovens indigenas e apropriacão das tecnicas do video, transmissão oral e o audiovisual.