Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR033. Refugiados no Brasil: deslocamentos forçados e conexões transnacionais em perspectiva

A proposta desta mesa é discutir a partir de experiências de pesquisa empírica processos sociais que vêm conduzindo milhares de sujeitos a saírem de seus contextos nacionais, buscando refúgio, bem como suas conexões e redes de relações para o estabelecimento ou o trânsito nos países nos quais reclamam proteção. Segundo dados do relatório “Tendências de Asilo 2014”, do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), as guerras na Síria e no Iraque, conflitos armados, violações de direitos humanos e a deterioração das condições humanitárias e de segurança em diferentes países, fizeram as solicitações de refúgio aos países industrializados em 2014 chegarem ao maior patamar em 22 anos. Estima-se em 866 mil o número de novos pedidos de refúgio apresentados em países industrializados durante o ano passado. O dado indica um acréscimo de 45% em relação a 2013, quando 596.600 pedidos foram registrados. Os números de 2014 são os maiores desde 1992, quando começou o conflito na Bósnia-Herzegóvina. Considerando esse quadro, propomos apresentar e problematizar três experiências de pesquisa que envolvem contextos sociais relevantes para a questão dos deslocamentos forçados e pedidos de refúgio no mundo contemporâneo: a) conflitos na Síria e a situação dos refugiados sírios; b) relações e negociações para o reassentamento de refugiados palestinos; c) refugiados colombianos e o processo de determinação de refúgio brasileiro.

Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto (Universidade Federal Fluminense)
(Coordenador)
Mirian Alves de Souza (Universidade Federal Fluminense)
(Participante)
Sonia Cristina Hamid (Instituto Federal de Brasília)
(Participante)
Angela Mercedes Facundo Navia (Universidade Federal de Rio Grande do Norte)
(Participante)


Regimes narrativos exaustivos. A verdade do sujeito refugiado na sua “história”

Autor/es: Angela Mercedes Facundo Navia
Propõe-se discutir um dos mecanismos de classificação e administração de pessoas cujas vidas foram marcadas pelo êxodo. Trata-se das exigências narrativas e textuais feitas aos candidatos a refúgio e suas implicações no processo de reconhecimento como refugiados, focando para isso nas entrevistas em que os solicitantes devem “narrar sua história”. Mais do que uma história capaz de reconstruir a “verdade” do acontecido, essa interação entre solicitantes e agentes do universo institucional do refúgio produz uma história que pode ser publicamente apresentada como uma história “verídica”. Dita produção narrativa não apenas contribui para validar certas experiências de mobilidade, mas o próprio mecanismo que diferencia e seleciona apenas as pessoas cuja história encaixe na fórmula do “fundado temor de perseguição”.
Trabalho para mesa redonda

Refugiados sírios no Rio de Janeiro: ações de acolhimento e construções identitárias na diáspora

Autor/es: Mirian Alves de Souza
A apresentação focaliza refugiados sírios na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Pretende-se explorar os processos sociais que vêm conduzindo milhares de sírios a saírem de seu contexto nacional, buscando refúgio, e suas conexões e relações para o estabelecimento ou trânsito no Rio de Janeiro. A partir de pesquisa empírica, descreveremos a chegada de refugiados sírios, analisando o processo de determinação de refúgio e a construção e negociação de identidades políticas e religiosas na diáspora. A apresentação será baseada na etnografia do universo de acolhimento dos refugiados sírios no Rio de Janeiro, considerando duas instituições confessionais: a Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro e a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro. Nesta etnografia pretende-se analisar o processo de negociação e construção identitária dos sírios na diáspora.
Trabalho para mesa redonda

O reassentamento de refugiados palestinos no Brasil: identidade nacional e humanitarismo

Autor/es: Sonia Cristina Hamid
Nesta comunicação, pretendo apresentar o modo como, ao longo do processo de reassentamento de refugiados palestinos no Brasil, ocorrido entre 2007 e 2009, os discursos referentes aos mesmos sofreram transformações. De refugiados em perigo, os quais precisavam da ajuda do Estado brasileiro para serem salvos da própria morte, eles foram, ao fim do processo, construídos como sujeitos perigosos, sendo culpabilizados pela dificuldade de adaptação ao país. Por meio do relato deste processo, busco evidenciar como o reassentamento se constitui como campo profícuo para pensar questões referentes à identidade nacional, ao humanitarismo e à construção da diferença cultural. A compreensão dos valores e significados aí acionados, assim como a maneira como esses elementos se articularam, se apresentam como centrais para o entendimento das práticas de gestão desta população de refugiados no Brasil.
Trabalho para mesa redonda