Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR026. O Musicar Local – novas perspectivas na antropologia da música

Estilos musicais tradicionais tendem a ser pensados de uma perspectiva regional (nativismo gaúcho, ex). No entanto, em 1989 Ruth Finnegan publicou o livro The Hidden Musician: Music-making in an English Town, um estudo das práticas musicais na cidade de Milton Keynes (UK). Entre os gêneros de “música local” da cidade, ela documentou a música folclórica inglesa, bandas de música, os vários corais e orquestras locais, as bandas de rock e pop e o movimento “country”. Seu trabalho mostra como atividades musicais locais no mundo atual envolvem muitos estilos cujas origens transcendem os limites da localidade. No entanto, agregam pessoas que vivem e transitam numa mesma localidade e suas atividades conjuntas articulam a vida social do local – uma realidade que se replica pelo mundo todo.

A articulação social é produto de práticas musicais – ou do musicar. Adotamos o termo “musicar” como tradução da palavra “musicking”, cunhada por Christopher Small. Para Small, musicking engloba qualquer forma de engajamento com música, desde a escuta ao fazer musical propriamente dita. Ao atrelarmos o musicar ao local, buscamos investigar como o musicar constrói a localidade e como é construído por ela. As perguntas chaves são: Qual é a natureza do musicar no contexto local? O que isto nos diz sobre a construção da localidade e o modo como é vivida pelos musicantes? O que contribui para o engajamento musical e para a criação de sentimentos de compromisso com a produção da música em nível local?

Rose Satiko Gitirana Hikiji (USP)
(Coordenador)
Suzel Ana Reily (Insituto de Artes, UNICAMP)
(Participante)
Ewelter de Siqueira e Rocha (Universidade Estadual do Ceará)
(Participante)
Rose Satiko Gitirana Hikiji (USP)
(Participante)


Tornar-se africano no Brasil: O musicar de imigrantes e refugiados em São Paulo

Autor/es: Rose Satiko Gitirana Hikiji
Apresento pesquisa sobre o fazer musical de imigrantes e refugiados africanos em São Paulo, desenvolvida junto ao projeto temático “O Musicar Local”, no qual investigamos como o musicar constrói a localidade e como é construído por ela. A partir do contato com músicos africanos que chegaram a São Paulo nos últimos anos, perguntamos de que maneira a música constitui a experiência de se tornar/perceber africano no Brasil. Questionamos que “comunidade” é esta construída pela prática musical e como ela se sobrepõe a outros espaços identitários e de socialidade que marcam a experiência destes africanos no Brasil A documentação das performances dos músicos imigrantes, parte do exercício etnográfico, é pensada também como musicar: uma tecnologia de interatividade voltada para a construção de espaço para suas comunidades no Brasil.
Trabalho para mesa redonda

Encontros e conexões no musicar local de uma cidade história de Minas

Autor/es: Suzel Ana Reily
Como em Campanha (MG), em muitos lugares a música cumpre papel central na construção da identidade local. Os estilos privilegiados nestes processos tendem a ser aqueles tidos como originários do local; em Campanha incluem o Coral Campanhense que executa repertórios coloniais, a banda de música, os congados e as folias, mas exclui os diversos conjuntos de “animadores do canto litúrgico”, por não terem nascido na cidade. Vale notar que as tradições “locais” também não nasceram em Campanha, sendo antes o resultado de encontros entre pessoas de lugares diferentes que convergirem na cidade ao longo do tempo. Através de uma análise dos encontros que forjaram as sonoridades campanhenses, busca-se compreender como o musicar promove o compromisso dos habitantes com sua cidade.
Trabalho para mesa redonda