Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR025. O consumo de bebidas alcoólicas: entre usos valorativos e condenados

O consumo de bebida alcoólica constitui ato social impregnado de valores e concepções de realidade frequentemente implícitos nos comportamentos a ele referentes. Por essa prática, se expressam sentimentos e estabelecem identidades. A ingestão de bebida alcoólica está assim dotada de regras, razão pela qual a qualificação das transgressões não pode ser apartada das prescrições exaltadas. A possibilidade socialmente aceita e, em certas situações, altamente valorizada desse ato não significa uma ausência de regras. Cada sociedade coloca em relevo os padrões construídos e institucionalizados desse consumo, a variedade de motivos e de oportunidades construídas para o ato social de beber.

No Brasil, tem-se dado menor peso ao consumo de bebidas alcoólicas como objeto de estudo, tomando como referência os modos de pensamento e ação, inclusive aqueles definidos como problema ou patologia. O estudo do consumo de outras drogas, cujos atributos negativos são concebidos como mais deletérios, tornam secundárias as práticas sociais etílicas. Os pesquisadores que investem para construir este objeto de estudo tendem a se perder no isolamento com poucas alternativas de socializar o conhecimento adquirido. Por esta razão, proponho a Mesa Redonda Consumo de bebida alcoólica: entre usos valorativos e condenados, visando reunir pesquisadores afiliados à temática, ampliar o acesso ao conhecimento que vem sendo produzido e estimular propostas de composição de Grupos de Trabalho em eventos futuros.

Angela Maria Garcia (Universidade Federal do Sul da Bahia)
(Coordenador)
José Luciano Albino Barbosa (Universidade Estadual da Paraíba)
(Participante)
Melina Sousa Gomes (Universidade Federal do Ceará)
(Participante)
Djanilson Amorim da Silva (Universidade Federal de Rondônia)
(Participante)
Delma Pessanha Neves (PPGA/UFF)
(Debatedor)


“Serrana é bebida de pé inchado”: Normas e desvios no consumo de cachaça no Ceará.

Autor/es: Djanilson Amorim da Silva
Este trabalho tem como objetivo discutir as transformações pelas quais passam os processos de produção, de circulação e de consumo da cachaça artesanal denominada Serrana, que é produzida e consumida na microrregião da Serra da Ibiapaba, na fronteira entre os estados do Ceará e do Piauí. A proposta é discutir os estigmas atribuídos a certos produtores e consumidores da cachaça Serrana frente às novas formas de produção e consumo de bebidas alcoólicas. São abordados os processos de organização da produção, da circulação, bem como, o imaginário que orbita o consumo da cachaça Serrana: a construção de status, seja da bebida, dos produtores e/ou dos consumidores.
Trabalho para mesa redonda

O sol nasce para todos: o tratamento de dependentes químicos na Fazenda do Sol em Campina Grande/PB

Autor/es: José Luciano Albino Barbosa
Esta pesquisa, em andamento, consiste na investigação sobre o cotidiano de dependentes químicos na Fazendo do Sol em Campina Grande/PB. Tal espaço, de orientação e prática religiosa católica, tem o objetivo de tratar pessoas que sofrem com algum tipo de dependência química, inclusive o álcool, através de uma rotina de trabalho, oração e convivência. Durante todo o ano de 2015 foram realizadas visitas - uma vez por semana - para o acompanhamento das ações na Fazenda, a fim de observar os mecanismos de "cura" e tratamento. Em tais ocasiões, foi investigada a experiência dos internos em relação ao consumo do álcool e como estes se colocam em relação ao mesmo. Neste caso, pretendeu-se problematizar sobre o consumo em suas dimensões sociais, especialmente naquilo que é percebido como comportamento desviante e as trajetórias e históricas de vida no âmbito do consumo de bebidas alcoólicas.
Trabalho para mesa redonda

“Eu ainda não tô bebo que não possa trabalhar”: análise sobre o consumo de bebida alcoólica em terreiro de umbanda

Autor/es: Melina Sousa Gomes
Esta pesquisa dispôs-se a compreender alguns possíveis sentidos do consumo de álcool durante os rituais de umbanda. A ideia é perceber quais são as interpretações dos adeptos, simpatizantes e entidades acerca de tal consumo, bem evidente em alguns terreiros. A pesquisa foi realizada formalmente durante quatro anos (2011- 2014) em um centro específico de Fortaleza, portanto se configura enquanto um estudo de caso. Através de uma etnografia que resultou na elaboração de uma dissertação de mestrado, foi possível perceber algumas situações, representações, normatização e contextos de uso do álcool. Cada entidade, cada tipo de trabalho e ocasiões específicas, com destaque para as festas e datas comemorativas, pressupõem um tipo de uso, que diferentemente do que pode parecer à primeira vista, é perpassado por regras rígidas e prenhe de sentidos. É sobre estes sentidos que versará o debate.
Trabalho para mesa redonda