Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR024. Natureza, Cultura e Técnica: perspectivas de gênero e a virada ontológica

A mesa tem por propósito estimular o diálogo entre as teorias de gênero com o campo teórico denominado “virada ontológica” na antropologia. Nas ultimas décadas um conjunto de antropólogos/as vem estudando as relações entre humanos e não-humanos, destacando as interações interespecíficas e a ação/agência dos objetos, com impactos nos conceitos de humanidade, sociedade, cultura, natureza, individuo/pessoa, mente, corpo e implicações epistemológicas cruciais para a disciplina. Em paralelo, em período similar, as discussões de gênero focaram mais na representação de natureza e menos nos efeitos dela e do corpo biológico para definir o humano, porque precisavam enfrentar as explicações biológicas das diferenças, que resultavam em arranjos ideológicos para legitimar a dominação social dos homens sobre as mulheres no ocidente. Como salientou V. Stolcke a ênfase na representação colocou em segundo plano o enfrentamento das diferenças corporais nas discussões teóricas de gênero. Pensando neste desafio, e tendo em vista as novas ferramentas analíticas “da virada ontológica”, parece instigante e oportuno nos questionar sobre como as teorias de gênero são tensionadas pelo novo estatuto do corpo, da biologia, do mundo material e das técnicas na definição do social e na definição do humano. Como abordar os corpos e os objetos, para além da sua construção social, no debate de gênero, sem dar margem à biologização das diferenças e sem fortalecer politicas de dominação com bases eugênicas?

Lady Selma Ferreira Albernaz (UFPE)
(Coordenador)
Lia Zanotta Machado (Universidade de Brasília)
(Participante)
Ana Cláudia Rodrigues da Silva (Universidade Federal de Pernambuco)
(Participante)
Hugo Menezes Neto (Universidade Federal do Pará)
(Participante)
Russell Parry Scott (Universidade Federal de Pernambuco)
(Debatedor)


Além das representações: Gênero, sexualidade, corpo e violência

Autor/es: Lia Zanotta Machado
Busco o entendimento que se distancie da afirmação de Simone de Beauvoir de que há um primeiro sexo e um segundo sexo fora da dimensão cultural de gênero, quanto de uma forma de interpretar ou ler Butler de que é a partir do gênero, como representação subjetiva, que se percebe, ou que se constitui o sexo. O corpo não é uma instância metafórica. Deve ser percebido junto ao cultural, não exclusivamente representacional. A densidade cultural das relações sociais faz ver e construir estilos, gêneros, corpos e sexualidades. “O que os corpos fazem” importam para as subjetividades, para a percepção dos outros e para as relações de poder em condições materiais. Corpos sexuados e concepções de gênero se problematizam reciprocamente. As relações violentas permitem pensar as emoções do medo, da raiva e do poder não somente nas representações, mas nos corpos e nas sensações.
Trabalho para mesa redonda