Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR023. "Natureza e cultura: expectativas futuras e antigas amarras"

O que a ideia de “cultura” representa hoje no pensamento antropológico? A antropóloga britânica Christina Toren afirma que a noção de cultura está obsoleta; os modelos culturais tentam explicar como indivíduos ou grupos adotam o que é convencional mas fracassam por não darem conta das micro-histórias, isto é, da capacidade de cada um mudar permanecendo o mesmo.

Já Dominique Lestel, filósofo e etólogo francês, argumenta que a cultura não é um fenômeno exclusivo dos seres humanos, surgindo progressivamente entre outros grupos animais, aos quais aplica as ideias de cultura e sociedade para explicar suas formas de comportamento. Reafirma a utilidade desses conceitos apontando quão necessária é a reflexão sobre os turvos limites entre natureza e cultura bem como entre animalidade e humanidade.
O antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte entende a cosmologia ocidental como um feixe de tensões entre tradições de pensamento que nela persistem, tais como as que se opõem identificadas a dois legados distintos: o racionalista e o romântico. De que modo essas tensões remodelam a díade natureza/cultura, central em nossa disciplina?
As reflexões da antropóloga francesa Sophie Poirot-Delpech também versam sobre a reconfiguração desses interstícios sob os efeitos das novas tecnologias.
A mesa redonda proposta pretende, ao reunir esses pesquisadores, uma reflexão sobre as transformações da díade natureza/cultura, antiga mas sempre atual.

Glaúcia Oliveira da Silva (UFF)
(Coordenador)
Poirot-Delpech Sophie (Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Département de sociologie, UFR de philosophie)
(Debatedor)
Christina Jessie Camden Toren (University of Saint-Andrews)
(Participante)
Dominique Lestel (École Normale Supérieure)
(Participante)
Luiz Fernando Dias Duarte (UFRJ)
(Participante)


Manipulation du vivant et statut ontologique des transpèces

Autor/es: Dominique Lestel
Le 21e siècle fait entrer la culture dans une phase inédite de manipulation du vivant à travers la convergence des nanotechnologies, des biotechnologies et des technologies de l’information et de la cognition. La question n’est plus celle de l’anthropologie classique (quelles sont les cultures qui peuvent émerger du substrat biologique humain) mais celle d’une biologie culturelle inédite – quelles sont les êtres vivants que la culture du 21e siècle invente et qu’elles sont les formes d’existence qui en découlent ? Un tel processus passe par l’émergence d’êtres vivants qui ne peuvent plus être définis par le biais d’une appartenance à une espèce donnée (les transpèces) et par la manipulation culturelle du statut ontologique d’un certain nombre d’entités – qui donne par exemple un statut de « vivant » à des artefacts ou de « personne » à des animaux.
Trabalho para mesa redonda