Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR018. Fronteiras de gênero, dobras da política

Esta mesa redonda se propõe a problematizar as diferentes interfaces de gênero que incidem sobre modos de ativismo e políticas públicas e pretende apresentar resultados de pesquisas em contextos diferenciados, rurais e urbanos, com escalas distintas. A despeito dos avanços teóricos no campo das concepções de gênero e de sexualidade nas últimas décadas, e do crescimento de uma pluralidade de coletivos feministas, queers, lgbts, trans, entre outros, pouca atenção tem sido dada, no campo da antropologia brasileira, a problemáticas que incidem sobre a maneira pela qual as atuais políticas públicas tem reverberado sobre trajetórias biográficas e sobre as conexões entre movimentos sociais, gênero, formas de violência e mediações políticas. Desse modo, pretende-se trazer diferentes perspectivas etnográficas que articulem noções de gênero, subjetividades e histórias de vida que, de algum modo, contribuam para uma reflexão crítica e criativa sobre modos de se fazer e se pensar políticas no Brasil tanto de um ponto de vista mais amplo, dos múltiplos âmbitos do Estado, quanto de um ponto de vista molecular, das micropolíticas que fazem o cotidiano de pessoas, lugares e suas fronteiras.

Silvana de Souza Nascimento (USP)
(Coordenador)
Elisete Schwade (UFRN)
(Participante)
Pedro Francisco Guedes do Nascimento (UFPB)
(Participante)
Heloisa Buarque de Almeida (USP)
(Participante)


Disputas por significados: "novas" categorias de violência sexual

Autor/es: Heloisa Buarque de Almeida
Esta apresentação visa discutir a emergência de um debate público acerca de categorias de violência sexual cujas definições estão em disputa, notadamente a noção de estupro e assédio sexual. Busca-se explorar aqui, a partir de exemplos empíricos retirados da crescente onda de denúncias de violência de gênero na universidade, assim como casos de repercussão na imprensa hegemônica nos últimos 10 anos, algumas disputas por significados que revelam demandas por reconhecimento de certas práticas como violência. Nota-se que essas demandas apelam para novas formas de violência que têm sido tipificadas em marcos legais (como a lei Maria da Penha, ou a nova definição legal do estupro), ao lado de uma visibilização do testemunho das vítimas na mídia hegemônica e alternativa.
Trabalho para mesa redonda