Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR015. Etnografia das instituições: reflexões a partir de uma instituição de pesquisa

A etnografia tem buscado explorar as conexões e tensões próprias aos processos de institucionalização, tomando como referência (1) a configuração de posições dos agentes envolvidos (em suas relações internas e externas); (2) dos valores e projetos em disputa; (3) e da produção de afinidades entre os indivíduos e o dever ser institucional. Tais reflexões têm aportado desdobramentos para a especificidade da etnografia em contextos institucionais, bem como para a compreensão dos processos estatais e da luta política que, frequentemente ocultada pelas retóricas oficiais, sempre se faz presente nos processos de naturalização central às instituições.


Desta perspectiva, a Mesa Redonda tem como propósito discutir a experiência e os desdobramentos da pesquisa “Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: uma etnografia institucional”. Durante dois anos pudemos acompanhar as atividades dessa conceituada instituição do estado em nosso país. A realização de atividades as mais diversas, desde seminários e workshops envolvendo agentes do governo e/ou da academia até a produção de pesquisas e textos, reuniões de grupos de trabalho, etc., puderam ser registradas e estão sendo submetidas à reflexão crítica por parte de um pensar/fazer antropológico. Nesta oportunidade iremos abordar, três tópicos: 1) os desdobramentos de pesquisar pesquisadores para o fazer etnográfico; 2) a institucionalização da pesquisa e a fabricação do estado; 3) e a produção e a gestão da “pobreza”.

Sérgio Ricardo Rodrigues Castilho (UNiversidade Federal Fluminense - Depto Sociologia)
(Coordenador)
Carla Costa Teixeira (DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA/UNB)
(Participante)
Andréa de Souza Lobo (Universidade de Brasília)
(Participante)


Pesquisando pesquisadores. Novos desafios do fazer etnográfico?

Autor/es: Andréa de Souza Lobo
Desde o clássico artigo de Laura Nader (1972) muitas pesquisas antropológicas têm sido feitas entre diferentes tipos de elite, bem como vários artigos foram publicados sobre os desafios metodológicos deste novo campo de pesquisa. Embora o universo das relações políticas ou a abordagem política das relações nas sociedades complexas venha a ganhar destaque na antropologia, seu desdobramento em reflexões sobre o fazer etnográfico parece ser incipiente. É neste lugar metodológico que se insere o presente trabalho. O objetivo é refletir sobre as estratégias e desafios metodológicos das investigações antropológicas no que se refere à burocracias mais ou menos políticas de estado a partir da experiência de pesquisa no Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), especificamente sobre os interessantes desdobramentos de realizar pesquisa de campo etnográfica entre pesquisadores.
Trabalho para mesa redonda

O ofício da pesquisa na fabricação do Estado

Autor/es: Carla Costa Teixeira
Este trabalho busca refletir sobre o etnograficamente visível nas investigações realizadas em instituições e suas articulações com tempos e espaços menos acessíveis nas observações em campo, nas entrevistas, conversas e relações face a face que qualificam o fazer antropológico. Tal triangulação, necessária para a compreensão do dito e dos silêncios, tomará como foco o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a fim de avançar na compreensão da pesquisa como um mecanismo de construção cotidiana de processos estatais. Uma construção que articula disputas internas aos ipeanos sobre como deva ser realizada a pesquisa definida como uma carreira de estado, bem como as fronteiras institucionais em suas tensões com espaços sociais que, como num movimento pendular de reconhecimento de similaridade e desemelhança, permitem compreender o Ipea como uma instituição "in between".
Trabalho para mesa redonda