Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR013. Diversidade Sexual e de Gênero em Áreas Rurais, Contextos Interioranos e/ou Situações Etnicamente Diferenciadas – novos descentramentos, outras axialidades.

No Brasil, no âmbito das Ciências Humanas e, em particular, da Antropologia, apesar da consolidação teórica e metodológica dos campos de estudos sobre ruralidade, por um lado, e, por outro lado, sobre gênero e sexualidade, percebe-se que poucos foram tratados, em ambos os campos, os aspectos relacionados à experiência da diversidade sexual e de gênero nas zonas rurais brasileiras. Perspectiva similar pode ser observada em relação aos contextos interioranos, caboclos e ribeirinhos e às situações etnicamente diferenciadas, indígenas e quilombolas, apesar dos estudos sobre etnicidade e sobre povos e comunidades tradicionais terem uma certa (e longa) trajetória no país. Trata-se aqui, portanto, de refletir sobre a persistência da (quase) inexistência de pesquisas nas Ciências Sociais brasileiras e, em particular, em Antropologia, sobre a diversidade sexual e de gênero em situações rurais e em contextos etnicamente diferenciados. Todos os expositores convidados vêm realizando pesquisas recentes e inovadoras sobre o tema. Esperamos, assim, ampliar a compreensão sobre estas diferentes áreas interpelando um tema pouco explorado que atua na intersecção de diferentes campos do conhecimento.

Laura Moutinho (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO)
(Coordenador)
Fabiano de Souza Gontijo (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ)
(Debatedor)
Moisés Lopes (Universidade Federal de Mato Grosso)
(Participante)
Martinho Tota Filho Rocha de Araújo (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
(Participante)
Estêvão Rafael Fernandes (Universidade Federal de Rondônia)
(Participante)


Outras axialidades, outra antropologia? Sexualidade indígena como crítica colonial

Autor/es: Estêvão Rafael Fernandes
Este trabalho busca apresentar algumas das preocupações que vem surgindo no contexto de minhas pesquisas sobre homossexualidades indígenas no Brasil, em comparação com o movimento two-spirit norte-americano. Dessa maneira, pretendo dividir algumas inquietações no tocante à forma como processos que denomino de "colonização das sexualidades indígenas" formam parte de um complexo discursivo inerente às dinâmicas de colonização, ainda em curso. Lanço a hipótese de que a invisibilidade desses processos se deve, em alguma medida, a processos políticos, ideológicos, raciais, econômicos e científicos (esferas transversalmente ligadas) mais amplos de construção nacional. Penso tais processos tenham atingido, por meio de dispositivos e dialéticas diversas, outras coletividades (rurais, urbanas, quilombolas, ribeirinhas,...) impondo e consolidando um modelo de civilização virinormado.
Trabalho para mesa redonda