Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR008. Antropologia Visual e Hipermídia: práticas de pesquisa entre a circulação das imagens e a inscrição etnográfica.

Essa mesa-redonda, composta por parte dos membros do Comitê de Antropologia Visual da ABA, se propõe a discutir e apresentar projetos de pesquisa que acolhem a interseção entre antropologia visual e hipermídia.

Ao longo dos últimos anos a internet se tornou um instrumento cada vez mais presente nas pesquisas antropológicas. O ciberespaço não é apenas um lócus de pesquisa, é também um local onde a própria pesquisa antropológica encontrou novas modalidades de inscrição. A inscrição do texto antropológico, tradicionalmente a etnografia, veem tendo os seus recursos usuais incrementados com fotografias, filmes, sons, e diversas modalidades de interação, ganhando assim novas condições de dialogia.
A antropologia visual ao longo de sua formação sempre pensou na ampliação do discurso antropológico para além do texto escrito. Tematizando a imagem fotográfica e videográfica (além do som e das paisagens sonoras), a antropologia visual construiu um extenso repertório sobre metodologias de pesquisa e modos de inscrição etnográfica a partir de recursos audiovisuais. Na internet temos um repertório muito maior de dispositivos de registros audiovisuais que veem se apresentando como um campo inédito na construção de uma nova dinâmica do nosso ofício. Destaca-se a possibilidade de horizontalidade da dialogia onde ganham relevância as preocupação com os museus virtuais, dossiês de patrimolialização, o compartilhamento de dados de pesquisa, mapas interativos, e outros.

Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque (UERJ)
(Coordenador)
Rafael Victorino Devos (Universidade Federal de Santa Catarina)
(Participante)
Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz (UFF/FLACSO-EC)
(Participante)
Ronaldo de Oliveira Corrêa (Universidade Federal do Paraná)
(Participante)
Andréa Claudia Miguel Marques Barbosa (UNIFESP)
(Debatedor)


(In-)visibilidade, abjeção e perspectiva: A cidade como hipertexto.

Autor/es: Ana Lúcia Marques Camargo Ferraz
Discuto as formas de apresentar a etnografia das redes de relações das classes trabalhadoras pauperizadas de Niterói, no Rio de Janeiro (Brasil) em linguagem multimídia. A questão norteadora da reflexão aqui desenvolvida é como expressar o conhecimento produzido pela etnografia das relações entre posições de onde se experimenta a cidade. Para dar conta de tal desafio, visamos construir um método cartográfico para apresentar perspectivas sobre a vida urbana, vista a partir da experiência de sujeitos específicos. Aqui, não se trata de pensar o espaço, estudar a praça pública, mas de reconstruir experiências, lances de vista oriundos de posições sociais de onde se vive a cidade de determinada maneira. O objetivo do trabalho é relacionar posições, constituindo seus pontos de vista, mapeando a rede que configura a classe trabalhadora como conjunto heterogêneo.
Trabalho para mesa redonda

Compartilhando imagens, peixes e habilidades

Autor/es: Rafael Victorino Devos, Viviane Vedana Gabriel Coutinho Barbosa
Este trabalho apresenta experimentações em hipermídia com coletivos de pesca, através do engajamento da câmera em técnicas corporais e cadeias operatórias implicadas nas práticas de vigia de cardumes, navegação de canoas não motorizadas e arrasto de rede na praia. Com montagens em videos, panoramas interativos e paisagens sonoras online a pesquisa se inseriu em meio às trocas de pescadores que compartilham imagens com smartphones da presença dos cardumes nas praias e no mar, em meio a um sistema de cognição distribuída, junto à comunicação pelo rádio e outras formas tradicionais de obter e confirmar “notícias de peixe”, em um monitoramento coletivo dos cardumes na paisagem costeira de Santa Catarina. De forma mais ampla, o trabalho sugere entender o uso de “novas tecnologias”, hipermída, sem dissociá-las da tecnicidade de práticas coletivas e sistemas de conhecimento artesanais.
Trabalho para mesa redonda

Fragmentos de uma vida em pedaços, Intertextualidades nos circuitos de visualização de Estamira

Autor/es: Ronaldo de Oliveira Corrêa
Pretendo discutir, nesta comunicação, as relações intertextuais existentes entre o documentário “Estamira” (2004) de Marcos Prado e o livro homônimo baseado no documentário, a saber, “Estamira. Fragmentos de um mundo em abismo” (2013). Meu argumento recai na apropriação/edição da fala/imagem do(a) outro(a) em meio ao processo de circulação e usos dos materiais disponíveis em diferentes mídias, como as redes sociais de compartilhamento de imagens fotográficas e videográficas, os livros-objetos, entre outros. Pretendo com isso, refletir sobre os usos e desvios que os materiais imagéticos passam em suas vidas sociais nos circuitos de compartilhamento, e a possibilidade de pensar a antropologia visual como uma instância discursiva e estética, logo ficcional, em meio a produção exponencial de imagens/discursos sobre/do(a) outro(a) nas sociedades contemporâneas.
Trabalho para mesa redonda