Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR005. Antropologia e Esfera Pública Estatal: possibilidades e dilemas da incidência da disciplina e de seus profissionais em políticas públicas

A mesa se propõe a reunir antropólogo/as com diferentes trajetórias junto a políticas públicas, que estão e/ou estiveram situados em distintas posições (dentro e fora de programas/ações de governo, formulando, influenciando, implementando, ou monitorando tais políticas), de modo a qualificar os significados da incidência antropológica na interface com tais processos. Nos marcos da generalização das chamadas políticas de reconhecimento e da diferença, a expertise (e/ou sensibilidade) antropológica foi e permanece sendo convocada a contribuir na modulação de políticas públicas e de programas de governo, no que parece ser, à primeira vista, uma consideração pelo que o seu aporte disciplinar pode significar para a qualificação de tais políticas. Experiências concretas nesse sentido, contudo, apontam para limitações importantes à incoporação mais efetiva do que a Antropologia tem a oferecer, resultantes do que parece ser o desafio de ordem estrutural e desnaturalizadora que a disciplina lança aos ordenamentos discursivos hegemônicos e à ordem socioeconômica dominante. A partir de três experiências práticas (Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas, Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e avaliação de impacto de programas de transferência de renda), promoveremo uma reflexão crítica, a partir das trajetórias dos diferentes profissionais chamados à mesa, visando à potencialização da incidência da Antropologia nesses contextos.

Henyo Trindade Barretto Filho (IEB)
(Coordenador)
Cassio Noronha Inglez de Sousa (Comtexto Consultoria)
(Participante)
Marcia Anita Sprandel (Senado Federal)
(Participante)
Ricardo Verdum (UFSC)
(Participante)


O ofício da pesquisa na fabricação do Estado

Autor/es: Carla Costa Teixeira
Este trabalho busca refletir sobre o etnograficamente visível nas investigações realizadas em instituições e suas articulações com tempos e espaços menos acessíveis nas observações em campo, nas entrevistas, conversas e relações face a face que qualificam o fazer antropológico. Tal triangulação, necessária para a compreensão do dito e dos silêncios, tomará como foco o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a fim de avançar na compreensão da pesquisa como um mecanismo de construção cotidiana de processos estatais. Uma construção que articula disputas internas aos ipeanos sobre como deva ser realizada a pesquisa definida como uma carreira de estado, bem como as fronteiras institucionais em suas tensões com espaços sociais que, como num movimento pendular de reconhecimento de similaridade e desemelhança, permitem compreender o Ipea como uma instituição "in between". "
Trabalho para mesa redonda