Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

GT050. Perspectivas Antropológicas no Esporte e no Lazer: corpos, gêneros e sociabilidades

Este Grupo de Trabalho almeja dar um passo complementar que contribua com o esforço empreendido para a consolidação de uma antropologia dos esportes ou das práticas esportivas nos últimos anos em fóruns acadêmicos de discussão e da proeminência que os estudos sobre o corpo e as relações de gênero vêm adquirindo no campo das ciências sociais e humanas. Nesse sentido, tem como proposta a compreensão das interseccionalidades entre corpos, gêneros e sociabilidades nos esportes e nos lazeres. A sua intenção é a de reunir trabalhos, de pesquisadores de diversas regiões do país, – proporcionando amplo espaço de interlocução, intercambio e diálogo –, situados nas áreas das Ciências Sociais, Humanas e/ou da Saúde que se apresentarão como fontes de reflexão para a problematização de rótulos, designações de gênero, sexualidades, desvios, abjeções, corpos e hegemonias esportivas entre outros temas correlatos. Deste modo, entrelaçando perspectivas antropológicas e interdisciplinares pensamos em atingir criticamente a difusão de imaginários, representações, cosmovisões, discursos e práticas atreladas a posturas de dominação patriarcal e de poder hegemonicamente constituídos nos campos do esporte e nas práticas de lazer.

Leonardo Turchi Pacheco (Universidade Federal de Alfenas)
(Coordenador/a)
Wagner Xavier de Camargo (FAPESP)
(Coordenador/a)


Do Nocautear o inimigo à vitória dos justos: projetos de “salvação” e estratégias religiosas para jovens lutadores de MMA no Rio de Janeiro

Autor/es: Felipe Magalhaes Lins Alves
Propõe-se neste artigo analisar e interpretar a construção de um projeto sócioreligioso que se utiliza da prática esportiva do MMA como ferramenta de conversão religiosa para adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social na cidade de Nova Iguaçu, município da região metropolitana do Rio de Janeiro. Ao seguir os passos do idealizador, assim como a rede de agentes sociais que este constrói e administra, busca-se aqui compreender o projeto como uma “máquina” que gera novas moralidades no campo religioso. Em outro ponto da análise, estuda-se como tal projeto social se utiliza de um esporte secular enquanto tática de aproximação entre jovens evangélicos e lutadores de MMA. Por último, investigo outros projetos sociais direcionados à juventude e gerenciados por agentes do Estado. Estes também vêm se utilizando do MMA como estratégia de “salvação” para populações moradoras de favelas da cidade, ao oferecer um esporte “violento” como solução para a “paz”.
Apresentação Oral em GT

SE CADA UM TEM UM CORPO, POR QUE O CORPO TEM QUE SER UM? Um estudo de caso na Educação Física Escolar

Autor/es: Lucio Carlos Dias Oliveira, Maria de Nazaré Pereira da Silva Jozimar Prazeres
O “culto ao corpo” coloca-se na sociedade como preocupação geral, que perpassa por todos os setores, classes sociais e faixas etárias, apoiada num discurso que ora lança mão da questão estética e ora da preocupação com a saúde. É muito instigante escrever sobre o corpo, principalmente dentro de uma perspectiva pedagógica, pois esse é um assunto que trata não só da questão física, mas psicológica e estética. No entanto, a maneira como ele se realiza dentro de cada grupo é diversificada. O estudo busca uma reflexão sobre o corpo como um objeto de compra e venda, como um importante veículo de ascensão social, tornando-se um acessório, remontado, imperfeito, um rascunho a ser corrigido e transformado, um lixo que pode ser varrido para debaixo de um tapete, chamado ilusão, uma ilusão mostrada todos os dias pelos meios midiáticos, “meios de comunicação social” responsáveis pela difusão das informações, a saber: rádio, jornais, revistas, televisão, vídeo, entre outros, impulsionados basicamente pelo processo de massificação a partir dos anos 1980, onde o corpo ganha mais espaço (CAMARGO, 2013). Este trabalho pretende levar a uma reflexão sobre a ditadura do corpo, nas sociedades contemporâneas, com o objetivo de levar as pessoas a pensarem na seguinte questão: se cada um tem um corpo, por que o corpo tem que ser um? Com a finalidade de conhecer informações sobre a aceitação do corpo que cada um tem, e como tudo isso pode interferir na autoestima dos adolescentes e jovens. Stenzel (2003, p. 23 – 24), afirma que, todas as tentativas de conceituar a beleza fazem parte do campo de pesquisa de estudo da Estética. Esta investigação foi um estudo descritivo e exploratório, de campo, tendo como informações o tipo de aceitação do corpo que cada um tem, podendo interferir na autoestima dos adolescentes. A pesquisa foi realizada utilizando questionários, que foram aplicados as adolescentes do sexo feminino, em uma escola da rede Privada, da cidade de São Luís – MA, verificando qual a relação que os mesmo tenham com seu corpo e a aceitação desses indivíduos no meio em que estão inseridos. Observou-se que em meados do século XX, com o avanço dos meios de comunicação, o corpo perdeu sua identidade e passou a ser massificado e globalizado. As pessoas deixaram de ter um corpo próprio, com características individuais e passaram a perseguir uma imagem ilusória de perfeição, aderiram a um modelo ditado pela mídia e pela sociedade narcisista que prega uma qualidade de vida, a qual sugere um modelo padronizado para todos (o modelo JUBESA). Não importando para tanto, o quanto custe ou quais problemas trará, ou ainda de que maneira poderá ser alcançado, pois quem não segue esse padrão, está fora – é discriminado.
Apresentação Oral em GT

O gênero para além do sexo: discussões a partir de uma etnografia na vela de Niterói (RJ)

Autor/es: Luiz Fernando Rojo Mattos
Neste trabalho estarei revendo algumas discussões relativas às identidades de gênero em uma pesquisa que realizei em um clube de vela em Niterói (RJ), entre 2009 e 2012. A partir dos dados etnográficos ali construídos, problematizo como o conceito de homosociabilidade reforça a naturalização do binarismo sexual na análise das relações de gênero. Proponho, em contrapartida, os conceitos de sociabilidade homogênero e heterogênero como ferramentas analíticas para a interpretação de relações de sociabilidade que tensionem a coerência entre sexo biológico e identidade de gênero. Este trabalho, portanto, se insere em uma perspectiva que dialoga profundamente com a obra de Judith Butler, no que esta critica a forma pela qual homens e, principalmente, mulheres são pensadas como "substantivos", como "essências naturalizadas", mesmo por análises que se propõem a pensar as relações de gênero. Ao mesmo tempo, entretanto, busco dialogar com as contribuições de Silvia Yanagisako, que identifica que, embora não possa ser tomado como um dado natural, os entendimentos socialmente constituídos sobre a dicotomia homem/mulher é parte fundante da forma como o gênero é compreendido em nossa sociedade. Desta forma, a análise de uma situação etnográfica particular - como o caso das relações de gênero neste clube de vela - possibilita observar como discursos e práticas sociais constituem os entendimentos sobre sexo e gênero em diferentes contextos, contribuindo para a ruptura de perspectivas essencialistas sobre as identidades de gênero.
Apresentação Oral em GT

Sofrer é necessário, superar é consequência: legitimaçoes da dor e deficiência em algumas narrativas esportivas

Autor/es: Marco Antonio Gavério, Valentina Iragola Cairoli
Nossa proposta é discutir como o 'corpo deficiente' e o ‘corpo em dor’ servem de bode expiatório à suposta naturalidade das capacidades corporais humanas. Utilizamos aqui esquematicamente distinções modernas entre deficiência, dor, e capacidade sem indicar os termos como atributos fixos e estanques de corpos a priori tidos como inaptos e capazes. A partir da consideração de que as identidades são construidas em meio de relações politicas, e que os corpos são vistos cada vez mais como instrumentos para atingir modelos identitários socialmente negociáveis, o intuito em explorar essas divisoes não é mostrar como uma identidade ‘anormal’ se opõe a uma identidade ‘normal’, mas antes notar certa 'oposição constitutiva' dos termos, bem como das próprias identidades a que auxilia a dar inteligibilidade. Para explorar essa 'desnaturalização' dos termos deficiência/doença/capacidade, o mundo das competições esportivas pode ser um espaço de profícua interpretação sócio antropológica. Nesse sentido nossa ideia é investigar como o 'medo da deficiência' e a 'dor como superação' emergem quando o corpo capaz e flexível dos esportes mainstream, considerado um dos lócus da integridade moral pela superação de limites físicos, se 'quebra', 'sofre injúrias'. Tal quebra e injúria aqui se referem ao corpo que se lesiona, que se machuca e pode debilitar-se, mas também indicam uma ruptura com normas e expectativas socioculturais de como um corpo deve ser, sentir e funcionar. Com esse intuito, partiremos de elaborações descritivo analíticas das narrativas midiáticas do jogador Neymar Júnior e da ginasta Laís Souza, esportistas que se machucaram e tiveram suas lesões e incidentes espetacularizados. Nos interessa nesses exemplos captar os sentidos dessas notícias no que projetaram 'discursos da dor e da deficiência' e contrapo-los criticamente com as experiencias etnográficas dos autores. Por um lado, insights críticos de uma experiência como deficiente em certas práticas corporais, e por outro, a experiência de pesquisa em um grupo de corrida. Tal configuração formal e teórica desta peça será uma tentativa de provocar um debate crí(p)tico sobre deficiência e dor, ou seja, um debate que a posicione não só como uma condição particular de existências coletivizadas, mas também um modo de regular e conformar (legitimar) corpos e subjetividades que, por algum motivo, são ou se tornaram ou tem possibilidades de se transformarem em dissonantes.
Apresentação Oral em GT

“Enterrem meu coração sob o viaduto” - A Nobre Arte e o bairro negro de São Paulo

Autor/es: Michel de Paula Soares
A presente apresentação parte de uma etnografia em uma academia de boxe instalada embaixo de um viaduto na Baixada do Glicério, região central do município de São Paulo, localidade estigmatizada como bairro negro da cidade, devido à sua alta concentração de imigrantes africanos e latino-americanos. Para cumprir tal missão, realizo uma observação participante como aluno de boxe na academia. Dessa maneira, pretendo descrever e analisar as particularidades da prática sócio-esportiva do boxe neste espaço, acompanhando e participando dos treinos junto dos demais alunos (jovens do bairro, imigrantes, ex-moradores de rua, entre outros), além de seguir estes atores sociais em suas redes de sociabilidade cotidianas pela região, podendo assim discutir sobre como esta atividade proporciona reflexões sobre as ideias de pertencimento, corpo, preconceito, lazer e cidade. De acordo com Loïc Wacquant, “o boxe oferece um prisma singular por intermédio do qual é possível chegar a uma compreensão das possibilidades estruturadas, percepções culturais e trajetórias individuais no interior dos bairros pobres” (Wacquant, 2000, p.127). Assim, à maneira deste autor, proponho tornar-me um aprendiz de boxe, experimentando esse processo de “iniciação a um ofício do corpo tanto mais reconhecido por sua simbólica heróica quanto desconhecido em sua realidade prosaica” (Idem, p.11), além de utilizar esta inserção em campo para me aproximar dos praticantes que habitam a região, possibilitando seguir suas redes, ou sociabilidades alargadas (Agier, 2011) nos trajetos percorridos cotidianamente em outras atividades significativas. Contudo, a presente pesquisa, assim como seu recorte etnográfico, possuem diferenças estruturais e contextuais que permitem dialogar, comparativamente, com a obra de Wacquant. O próprio “fechamento da academia sobre ela mesma (...) constituindo uma ilha de estabilidade e ordem” (Wacquant, 2002, p.44), visto que o ambiente não possuía aberturas físicas (janelas), precisa ser levado em conta, pois, embaixo do viaduto, estamos em pleno fluxo cotidiano da cidade. Em sua origem, o boxe é uma prática sócio-esportiva de proeminência masculina que auxilia na construção e difusão, através das próprias linguagens artísticas, de um conceito de masculinidade. Todavia, contrariando Wacquant, para quem o boxe era “a prototípica instituição masculina do gueto” (Wacquant, 2000, p.127), a presença de mulheres na Underground Boxing permite levantar questões de gênero relacionadas à pratica como tal.
Apresentação Oral em GT

Para além da estética e da saúde: a academia de ginástica enquanto espaço de sociabilidade

Autor/es: Miriã Anacleto
Na modernidade, a excitação e a qualidade de vida são fundamentais. Nessa sociedade marcada pelo culto ao corpo e a constante celebração da juventude, o corpo é elencado como vetor de construção identitária, objeto de consumo, de manipulação e de distinção social. Uma vez que o processo de modernização urbana permite uma crescente renovação de usos dos espaços públicos da cidade, a busca pelo corpo esteticamente ideal tem impulsionado o indivíduo moderno a se aventurar nas práticas esportivas visando atender a expectativa do imaginário social. Entretanto, outro fator determinante na escolha da prática de determinada atividade física é a sociabilidade, uma motivação importante para os indivíduos que procuram pessoas com afinidades capazes de cimentar suas relações sociais, além de simplesmente manter a boa forma física. Desse modo, o esporte, fenômeno universal de grande popularidade, se apresenta como alternativa para a modelação do corpo ideal e a promoção de interseccionalidades entre os indivíduos. Como consequência, as academias de ginástica e musculação configuram-se não somente como espaços de lazer, mas, sobretudo, como ambientes de realização estética, de promoção da saúde, de construção de identidades subjetivas e coletivas, e como espaços de sociabilidade entre os gêneros e as diferentes gerações. Tendo como suporte empírico a revisão bibliográfica acerca da temática corpo na Antropologia e o trabalho etnográfico em andamento em uma academia situada na cidade de Maringá-PR, essa comunicação tem por objetivo analisar e descrever o papel social das academias de ginástica no contexto moderno.
Apresentação Oral em GT

Kyudo: Os arcos e as flechas que atravessam o tempo desde os samurais a modernidade e sua prática no Brasil

Autor/es: Sonia Maria Neves Bittencourt de Sa
O Kyudo compõe junto com o Aido (luta de espada) e o Kendo práticas tradicionais das artes marciais dos Samurais. O Kyudo, no entanto, se transformou em um esporte nacional no Japão. Esta prática que foge as características do arqueirismo competitivo ocidental nos remete ao campo social e símbólico da cultua japonesa que envolve os praticantes em muitas facetas da cultura japonesa. Cinco eixos de observações se entrelaçam em torno do Kyudo. (a) espiritualidade. Tendo o xintoísmo como base, os praticantes do arqueirismo japonês cultivam reverência a divindades e a natureza. Para os xintoísta o imperador era símbolo dos deuses e descedente direto deles daí porque o dever de obediência total a ele; (b) práticas corporais e performance. O Kyudo concilia as práticas corporais individuais as coletivas por meio de uma série de pequenos ritos que une todos os arqueiros durante uma prática de arco e flecha. Estes movimentos sincronicos produz uma estética que busca a beleza e precisão de movimentos. Muitas destas posturas e atitudes se inter-relacionam com atividades comuns que estão presentes na história cotidiana da cultura japonesa; d. concepção do guerreiro com suas tradições e vestuários, gêneros, estrutura social e suas hierarquias relacionando os espaços do dojô a lugares de prestígio e maestria; d. as tecnologias usadas para a confecção dos arcos e flechas que como coisas animadas moldam e influenciam a vida que os rodeia e quando unificada com o corpo que os atira cria uma unidade performativa; e. Por fim, o processo de transição do Kyudo tradicional para uma prática que segue a lógica do mercado esportivo mundial. Como conservar as características do esporte tradicional e se expandir para outros países como no caso do Brasil? Em uma leitura preliminar pode-se analisar o que representou a figura do samurai dentro da história do povo japonês e todo o seu sistema econômico e social. Os movimentos do arqueirismo, suas formas e rituais praticados revelam o mundo híbrido entre a tradição e o moderno vivido intensamento pelos japoneses após a segunda guerra mundial e que começou no final de seu período feudal e do império Meiji (1868/1912). Este trabalho busca então compreender como na prática do Kyudo no Brasil, é possível se apreender parte desta história da cultura japonesa bem como compreender como os cinco elementos citados anteriormente remete ao praticamente a se inserir no contexto do Kyudo não como esporte mas como uma arte do arqueirismo. O trabalho tendo como base metodológica o trabalho de observação participante e estudo de campo mostra como o grupo de Kyudo de João Pessoa se insere nesta modalidade e busca manter as características de prática do Kyudo voltado para o aperfeiçoamento da mente, corpo e espiritualidade.
Apresentação Oral em GT

A esportivização do Judô Kodokan: o que a Educação (Física) nos diz sobre identidade e alteridade

Autor/es: Aaron França Teófilo
Jigoro Kano (1860-1938) foi homem franzino de baixa estatura, porém, de grande envergadura intelectual. É reconhecido como o pai fundador da Educação Física. Renome derivado das suas contribuições à consolidação dessa área acadêmica, especialmente, a fundação do Judô Kodokan em 1882. Em diversos trabalhos de sua autoria, o significado do Judô transparece como tema central. Muitas vezes, Kano se ocupou em diferenciar a Kodokan das outras "escolas" de luta japonesas designadas "artes marciais". Todavia, ele não foi o único a dar atenção especial à questão da originalidade do judô. Interessante notar que, em nossos dias, pesquisadores(as) cujos trabalhos estão inseridos nos campos da Educação e da Educação Física seguem se debruçando sobre ela. Mediante uma breve coleta de dados bibliográficos apreciamos alguns destes trabalhos, procurando notar neles, o que dizem sobre a relação identidade e alteridade no que concerne à prática do judô Kodokan. Primeiro, podemos notar que se afiguram preocupados com uma certa identidade educacional desta "arte marcial", supostamente ameaçada pelos impulsos competitivos que marcam seu desenvolvimento internacional, desde o alvorecer do século XX. Pois uma tal esportivização produziria como efeito perverso o empobrecimento filosófico-pedagógico do judô, que, como originalmente proposto por Kano deveria ser entendido, sobretudo, como um método educativo universal - moderno e científico - da pessoa humana - em sua integralidade física, intelectual e moral. Assim concebido, por segundo, os escritos em comento esboçam suas distintas tentativas de purificação identitária do Judô, partindo em comum da confrontação do saber-fazer acadêmico sobre os supostos aspectos propriamente desportivos dessa "escola de arte marcial", a fim de adequar a sua prática ao âmbito escolar. Assim, podemos considerar em conclusão, que os trabalhos apreciados estabelecem uma relação oposta e gradual entre "o que o judô é" (identidade) e "o que o judô não é" (alteridade) baseados em certas proposições que diferenciam o lugar do corpo, da mente e do espírito da pessoa humana nas versões educacional ou competitiva do Judô. Diante desse quadro entendo pela relevância de uma pesquisa cujo desiderato maior seria desenvolver o esboço de uma teoria etnográfica da esportivização, por meio de um experimento de simetrização do saber-fazer antropológico com o saber-fazer expresso por judocas engajados(as) no desenvolvimento da alta performance competitiva. Tal empreendimento possibilitaria a tradução dos dizeres desses(as) atletas sobre a relação identidade e alteridade no e do Judô, a fim de compará-los - de forma transversal - com o discurso antropológico a respeito desta clássica questão, já abordada em diferentes contextos etnográficos.
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