Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

GT026. Emoções, Política e Trabalho no Mundo Contemporâneo

A antropologia das emoções vem se consolidando como área autônoma no Brasil há cerca de vinte anos. Ao longo deste percurso, é possível reconhecer já alguns eixos temáticos nítidos, com a formulação de objetos de pesquisa relacionados à política, à cidadania e à violência, mas também às experiências do trabalho e das relações institucionais.

Este Grupo de Trabalho busca explorar as seguintes questões: a – as articulações entre emoção, cognição e interesse na motivação para a ação social; b – a dimensão moral da vida emocional; e c - o trabalho político das emoções na vida política, profissional e institucional.
Com estas questões de fundo em mente, as principais temáticas contempladas são: a – emoções e sociabilidades urbanas marcadas por situações de violência e risco; b – emoções e formas de motivação e engajamento na ação política; c – emoções e discursos/práticas profissionais e institucionais; e d – modelos teóricos para a análise da relação entre emoção e moral.

Maria Claudia Pereira Coelho (UERJ)
(Coordenador/a)
Susana Soares Branco Durão (Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP)
(Coordenador/a)

Sessão 1

Jane Araújo Russo (IMS/ Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
(Debatedor/a)

Sessão 3

Maria Antónia Pedroso de Lima (CRIA / ISCTE-IUL)
(Debatedor/a)


De emociones y arrepentimientos: rectificando prácticas políticas y vitales en el actual escenario de convivencia en el País Vasco

Autor/es: Adriana María Villalón, ADRIANA MARIA VILLALÓN
Esta presentación tiene como "marco" el reciente ingreso del País Vasco a la gramática internacional de gestión del cese de la violencia interna, en el que se comienza a abordar la cuestión de cómo encajar y significar, en su historia e intimidad cultural (Herzfeld 1997), la producción, en los últimos 50 años, de muertes y muertos (procedentes de ETA, del Estado y organizaciones parapoliciales). Así, el objetivo es analizar algunas manifestaciones públicas de experiencias de reevaluación de prácticas y sentimientos que ensayan una mudanza de eje desde una lógica o moralidad política, para otra donde se mezclan emociones e intereses vitales, atravesado de lenguajes de reconocimiento del "daño". Se trata de situaciones que se están desenvolviendo en el reciente campo de competencias por imponer formas (legítimas y alternativas) de narrar la reciente violencia realizada y sufrida. Es así que alrededor de los últimos años existe una fuerte apuesta institucional por fomentar e inculcar prácticas y sentimientos empáticos hacia las víctimas, nutriéndose a su vez de cierto marco internacional de onda de disculpas (Brooks, 1999), donde se superponen y tensan otras narrativas que, al tiempo que ingresan en esos lenguajes empáticas, reservan algún sentido para prácticas cuestionables. Abordaré estas cuestiones a través de registros etnográficos de corporalidades y emociones que se activan entre una serie de figuras envueltas en los eventos de violencia reciente. Entre ellos se encuentran ex-militantes que estuvieron implicados en delitos de sangre que, desde su inserción en la categoría de presos arrepentidos, gestionan palabras, escenarios y movimientos de sus cuerpos responsables; víctimas oficialmente reconocidas que también están haciendo su recorrido testimonial y que tanto son objeto de acciones de reparación como son agentes de conciliación, algunas de ellas instituidas como victimas educadoras; personas sin categorizar, o que podrían pensarse como implicated subject (Rothberg 2013), que expresan emociones ambiguas por haber amparado actitudes y/o sentimientos a favor de la violencia; expertos y mediadores que analizan y explican todos esos actos desde lenguajes que informan y animan iniciativas de convivencia, entre otros. Todo ellos se encuentran, o evitan, tanto en los espacios comunes de sus pueblos como en los nuevos espacios de gestión de la pacificación. ¿Qué es narrar acciones de violencia? ¿Cómo presentarse en espacios públicos que demandan sentimientos acordes a reconciliación, perdón, autocrítica, superación? ¿Cómo hacer inteligible la participación en eventos de violencia sin perder la humanidad, o no parecer tan responsable? ¿Cómo continuar con prácticas políticas, violentas, en otro nivel y cómo validarlas?
Apresentação Oral em GT

Guardas Universitários(as) da USP e uma antropóloga em meio a eles(as), à reitoria e à comunidade: emoções, discursos e práticas profissionais e institucionais

Autor/es: Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer
Este trabalho resulta da convergência de outros dois. O primeiro constou da observação-participante que realizei durante os 9 meses em que fui Superintendente de Prevenção e Proteção Universitária da USP (de 04/2014 a 01/2015). O segundo é a pesquisa “Memórias de Guardas Universitários(as) da USP”, a qual coordeno, desde agosto de 2015, prevista para terminar em dezembro deste ano. Proponho-me a sistematizar e a apresentar, neste GT, minhas observações-participantes (e mesmo as “participações-observantes”) registradas em cadernos de campo improvisados durante a tensa situação em que, como antropóloga, advogada, docente e pesquisadora, integrei uma gestão reitoral à frente de uma Guarda Universitária basicamente composta por homens e que, antes da minha nomeação, era dirigida por um coronel reformado da Polícia Militar. Esse material constitui uma matéria-prima significativa para análises referentes ao fazer etnográfico e às emoções nele envolvidas em uma situação em que o campo foi um campus marcado por compromissos políticos, profissionais e institucionais relacionados à segurança pública, à cidadania e à violência. A pesquisa “Memórias de Guardas Universitários(as) da USP” decorreu do compromisso que eu havia assumido, quando superintendente, de coletar, sistematizar e analisar discursos de guardas cujas carreiras tivessem alcançado ao menos 15 anos em 31/01/2015. Como não tive tempo, enquanto superintendente, de honrar esse compromisso, decidi fazê-lo, posteriormente, como docente e pesquisadora, elaborando uma proposta que agreguei ao Projeto Interunidades em Violência, Democracia e Direitos e ao Subprojeto Sujeitos, Discursos e Instituições, do Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP). De setembro de 2015 a março de 2016, com uma equipe de 5 graduandas, foram entrevistados(as) 38 guardas dos três campi paulistanos da USP. Todas as entrevistas foram gravadas e a maioria concedida por duplas de guardas a duplas de entrevistadoras. Também foram solicitados e recolhidos artigos de jornais e/ou revistas, fotos e outros documentos de acervos pessoais dos(as) guardas. Na atual fase de transcrição e análise das entrevistas, estamos trabalhando com os conceitos de memória, identidade e pessoa, todos entendidos como resultantes de processos relacionais marcados por emoções e moralidades. Pretendo, portanto, colocar em discussão emoções e sociabilidades urbanas marcadas por situações de violência e risco, assim rememoradas pelos(as) guardas universitários(as) em suas entrevistas e assim também sentidas por mim durante e após a minha experiência como antropóloga-superintendente de prevenção e proteção universitária.
Apresentação Oral em GT

Emoções na disputa política – a arena pública atravessada por "amor"

Autor/es: Bernardo Fonseca Machado
O trabalho pretende discutir os significados que o termo “amor” assumiu em determinadas disputas políticas. Duas circunstâncias serão analisadas: as manifestações denominadas “mais amor em SP”, ocorridas durante 2012, ano eleitoral na capital do estado de São Paulo, Brasil; e o hashtag “#lovewins” divulgado em 26 de junho de 2015 após a suprema corte dos Estados Unidos aprovar a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Sugiro que, ao mobilizar o “amor”, os agentes políticos buscaram um discurso universal não marcado por interesses determinados, isso é, trata-se de uma emoção acionada como forma de engajamento na ação política. Entretanto, análises indicam como o termo “amor” e as suas manifestações de disputa também foram marcadas por gênero e sexualidade. As reflexões que levanto pretendem chamar a atenção para o caráter público que o “amor” (e as emoções como um todo) pode assumir em determinadas situações, não apenas nas relações entre indivíduos, mas também como mecanismo discursivo político. Este trabalho se alinha com os estudos de autoras e autores com estudo das conexões profundas entre política, economia e intimidade (Ahmed 2004, Cheng 2010, Cole & Thomas 2009, Hunter 2010, Illouz 2013, Zelizer 2009). A questão que o trabalho procura responder é: como e por que o “amor” foi acionado nos debates políticos em questão? Ao que tudo indica, a aposta política residiu justamente na capacidade de transcendência do termo “amor”. Ele superaria oposições (partidárias, sexuais, ideológicas) apesar de ser – nos dois casos tratados – um termo marcado por gênero e sexualidade – no movimento “Existe amor em SP” vinculado ao espectro feminino e no #lovewin associado à bandeira LGBT. A despeito dessas associações, o “amor”, exatamente por ser uma emoção supostamente transcendente, seria um argumento difícil de ser combatido, aparecendo portanto como um instrumento discursivo supostamente universal.
Apresentação Oral em GT

Entre a sala de audiências e o balcão de atendimento: As faces da emoção no funcionamento quotidiano da justiça

Autor/es: Daniel Seabra Lopes
Assente numa etnografia intensiva praticada em duas instâncias centrais de tribunais portugueses — um tribunal de família e menores e um tribunal criminal — entre Novembro de 2015 e Abril de 2016, a presente comunicação visa reflectir, em primeira mão, sobre alguns dos dados empíricos recolhidos, tendo em vista uma análise do papel das emoções no exercício quotidiano da justiça e no trabalho dos seus profissionais (escrivães, procuradores e juízes). Embora a representação mais típica da justiça no-la apresente de olhos vendados, de modo precaver qualquer tipo de envolvimento ou parcialidade nas suas decisões, isso não impede os seus actores de recorrerem às emoções (às suas ou às das partes envolvidas nos processos juidiciais) de modo a realizarem o seu trabalho de modo consequente. As emoções constituem portanto um ingrediente precioso, talvez até determinante, do funcionamento corriqueiro da justiça, e isto pelo menos a três níveis: 1) No âmbito de inquéritos do Ministério Público ou de audições de testemunhas em julgamento, como meio de obter confissões e estabelecer a verdade dos factos; 2) No âmbito da execução de despachos, como meio de agilizar procedimentos e ultrapassar obstáculos burocráticos; 3) No âmbito de julgamentos, como meio de sinalizar a necessidade de uma intervenção mais veemente para restabelecer não apenas a ordem como também o sentido dos trabalhos em curso. Associada à problemática das emoções encontra-se, como não podia deixar de ser, a questão das idiossincrasias, dos estilos pessoais, que marcam de modo muito claro o funcionamento dos tribunais e a relação que estes estabelecem com outras instituições (por exemplo, com as forças policiais). Esta comunicação procurará assim reconstituir os fios que unem o emocional, o pessoal e o institucional na prática da justiça em Portugal.
Apresentação Oral em GT

A "intimidade que faz mal": o trabalho doméstico, emoções e direitos.

Autor/es: Fabio de Medina da Silva Gomes
O presente estudo é a conclusão de minha dissertação de mestrado, na qual compreendi os discursos das práticas judiciárias de administração institucional de conflitos entre patroas e trabalhadoras domésticas, em Niterói/RJ. O trabalho de campo realizado incluiu observação de audiências e entrevistas com donas-de-casa, trabalhadoras domésticas, advogados, juízes e sindicalistas. Em 2014, após analisar uma audiência em que a empregada doméstica relatou ser humilhada ao longo dos seus anos de trabalho em todas as casas que houvera trabalhado notei que existe uma complexa relação entre “ser da família” e existir de fato este pertencimento. De acordo com uma interlocutora em específico, sua função era cuidar de uma criança, em troca disso receberia mensalmente um salário mínimo, contudo não teria sua “carteira assinada”. Desenvolveu-se uma relação entre Carmen e essa família. Segundo a doméstica, um “apego maldoso”. Uma “intimidade que faz mal”. Contou que, com o tempo, passou a também fazer faxinas, passar roupa e cozinhar. Queixou-se de ficar sobrecarregada, queixa recorrente das empregadas domésticas. É neste processo de proximidade/intimidade e distanciamento que se acordavam prestações e contraprestações que vão além daquilo estipulado tanto pelos indivíduos quanto pelo direito. Apresentei o relato de Carmen, uma vez que optei por uma perspectiva contextualizada do estudo das emoções, como propõe as autoras Lila Abu-Lughod e Catherine Lutz. Este trabalho irá apresentar a análise cuidadosa das riquezas e situações sociais específicas, demonstrando como os discursos das emoções geram realidades sociais, estando presente nas audiências um conteúdo dramático, um espaço para se reviver a relação. A dor era a expressão de um sentimento constante após as audiências. Portanto, o presente resumo propõe uma reflexão sobre a influência das emoções percebidas tanto nas diversas moralidades jurídicas destas profissionais, principalmente no espaço das Audiências.
Apresentação Oral em GT

"Aqui a gente é como uma família": Performances, emoções e justiça em cartórios judiciais da cidade de São Paulo

Autor/es: Janaína Dantas Germano Gomes
Minha pesquisa de mestrado, realizada na Faculdade de Direito da USP, tem por objeto os balcões de atendimento dos cartórios judiciais de alguns fóruns de São Paulo. O objetivo é pensar, a partir deste local privilegiado em que podemos observar as interações entre funcionários públicos e advogados e seus estagiários, o cotidiano de trabalho da justiça. As categorias nativas mútuas acerca dos funcionários dos cartórios e dos advogados e estagiários é ampla, tendo surgido em minha pesquisa uma série importantes informações sobre a relação entre as interações entre esses dois grupos (funcionários públicos e profissionais do direito) e o andamento processual. No entanto, no presente trabalho, pretendo aprofundar um elemento que tem emergido constantemente em minha pesquisa: a presença de emoções como categorias centrais para descrever o cotidiano do trabalho burocrático dos escreventes judiciais. Em fevereiro de 2016 W., diretora de um cartório, repetiu uma frase que há tempos tenho ouvido de meus interlocutores: "aqui a gente é como uma família". Essa frase visava me explicar, naquele contexto, as diversas tensões pelas quais passam os cartórios, nos quais pessoas trabalham por décadas conjuntamente, brigam, deixam de se falar, e criam fortes laços de amizade. W. descreve seu trabalho de gestão de pessoas utilizando a palavra "maternal". "A gente precisa ser dura, mas é que nem mãe, no futuro eles agradecem". FB, por sua vez, enfrentou forte reação de seus funcionários quando, em uma reunião de gestão disse "eu não estou aqui para ser amigo de ninguém". Sua liderança foi questionada no ambiente de trabalho, pois considerou-se inadmissível que o chefe não considerasse aquelas pessoas, seus funcionários como amigos. A situação, no entanto, mudou muito quando os laços de compaixão se fortaleceram com a doença do esposo de FB, logrando a aproximação de todos os funcionários em razão do momento difícil que vivia. por meio destes exemplos, busco salientar que a burocracia racional weberiana não corresponde aos meus achados etnográficos. A organização, impessoalidade que deveria imperar nas relações e no trabalho não corresponde à realidade cotidiana de meus interlocutores. "Esse processo eu faço com o maior carinho, é uma pessoa que precisa muito" e "eu falo para meus funcionários, aqui todas as pessoas são soldados feridos, pessoas magoadas e que precisam do nosso trabalho. Deus está vendo o que fazemos com o coração para elas". Assim, busco nesta apresentação aprofundar este aspecto de meu campo de trabalho, no qual as emoções emergem e parecem tomar conta da lógica de trabalho e das relações interpessoais que se colocam dentro da burocracia judiciária. Para esta reflexão, lanço mão de autores como Veena Das, Erving Goffmann, Clifford Geertz, Richard Sennet.
Apresentação Oral em GT

O Julgamento da “Prostituta Feliz”: Uma Análise da Repercussão da Campanha “Sem Vergonha de Usar Camisinha” (2013) do Ministério da Saúde

Autor/es: João Freire Filho
Em 02 de junho de 2013, Dia Internacional da Prostituta, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Sem vergonha de usar camisinha”, produzida a partir de uma Oficina de Comunicação para Profissionais do Sexo. Um dos cartazes exibia a foto da presidente do Núcleo de Estudos da Prostituição (NEP), Nilce Machado, com 53 anos à época, acompanhada de uma controversa declaração proferida por ela durante a oficina ministerial: “Eu sou feliz sendo prostituta”. A discussão sobre o “projeto de felicidade” das profissionais do sexo mobilizou, rapidamente, a comunidade científica, lideranças religiosas, representantes de associações de prostitutas e militantes feministas (com visões antagônicas sobre as causas e as implicações da prostituição). Pressionado pela bancada evangélica, o então ministro Alexandre Padilha ordenou a retirada do pôster com a frase “Eu sou feliz sendo prostituta”. Permaneceram nas plataformas oficiais as peças que tematizavam, exclusivamente, a importância da prevenção de doenças. O relançamento da campanha com foco restrito no incentivo ao uso de camisinha gerou notas de repúdio de associações de profissionais do sexo. As manifestações de desagrado removiam das prostitutas o fardo da vergonha, enaltecendo a própria militância como motivo de orgulho; incitavam o desapontamento e a raiva em relação ao Ministério da Saúde, definindo como vexaminosa a capitulação de Padilha perante as imposições do conservadorismo religioso. Tanto a veiculação quanto a retirada do banner com a “prostituta feliz” renderam inúmeras matérias em portais de notícias, na imprensa e na TV. Cada nova reportagem repercutia fortemente, por sua vez, nos tribunais morais do ciberespaço — a compaixão, o desprezo, o nojo, a raiva e o ressentimento incrementaram comentários e discussões acaloradas. Naqueles debates públicos, a felicidade das prostitutas não figurou apenas como um estado psicológico, uma condição pessoal, interior e privada — foi tratada, amiúde, como uma condição política, associada ao questionamento de preconceitos e à mobilização do orgulho. Com o apoio de referências teóricas da antropologia e da sociologia das emoções, pretendo conjugar, ao longo do meu paper, a exploração de dois campos investigativos: 1) a análise da política do orgulho e da felicidade escolhida pelas prostitutas para confrontar e reconfigurar “regras de sentimento” (Arlie Hochschild; Helena Flam), “hábitos emocionais” (Deborah Gould) e estereótipos culturais vinculados, historicamente, à sua ocupação; 2) o exame dos quadros de referência que nortearam os debates sobre a moralidade e a eficácia política da campanha governamental “Sem vergonha de usar camisinha” — notabilizada ou difamada como a “campanha da prostituta feliz”.
Apresentação Oral em GT

A influência das emoções no trabalho das agentes penitenciárias do Complexo Penal Dr. João Chaves em Natal/RN

Autor/es: Leonardo Alves dos Santos
Este trabalho é um dos resultados da dissertação de mestrado apresentada em março de 2015 sob o título "Emoção e Penalidade: Mulheres no Complexo Penal Dr. João Chaves". A pesquisa realizada entre 2014 e 2015 consistiu na realização de observação participante, entrevistas e conversas guiadas no pavilhão feminino do Complexo Penal Dr. João Chaves em Natal, Rio Grande do Norte. A proposta deste paper é discutir a influência das emoções no trabalho das agentes penitenciárias em uma prisão de mulheres. Para a realização deste objetivo analiso, a partir do trabalho de Erving Goffman sobre instituições totais e modelação do self, o processo de treinamento e admissão dessas mulheres enquanto profissionais da área da segurança pública. Em seguida, analiso o cotidiano prático da função de agente penitenciária a partir do conceito de emotional labour da socióloga Arlie Hochschild. Por fim, apresento as conclusões sobre o papel das emoções na modelagem do self das minhas interlocutoras e as estratégias de gerenciamento de suas emoções no cotidiano laboral.
Apresentação Oral em GT

Disputas na construção de uma política nacional de cultura: emoções, rumores, piadas e política

Autor/es: Lorena Avellar de Muniagurria
Desde 2011, como parte de minha pesquisa de doutorado, acompanho representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Políticas Culturais e em outros espaços participativos vinculados ao Ministério da Cultura brasileiro. Ana de Hollanda era então ministra de cultura, em uma gestão marcada por ácidas críticas e inúmeros confrontos, vindo a ser afastada do cargo em setembro de 2012. Apesar do descontentamento ter sido bastante generalizado, ele foi especialmente profundo entre representantes da sociedade civil que participavam dos espaços institucionais de diálogo com o governo. Tristeza, decepção, frustração, desânimo, ilusão, esperança e ceticismo foram termos e sentimentos que povoaram meus cadernos de campo naqueles anos. Neste trabalho, pretendo discutir o papel que emoções, paixões e revoltas desempenharam nos processos de engajamento político que pude observar: eles foram base tanto para a desmobilização por parte de alguns militantes da área cultural, quanto para o engajamento e resistência por parte de outros. Tomando por objeto de reflexão brincadeiras, piadas e comentários desses militantes, e a relação que eles estabeleceram com materiais tão diversos como rumores, declarações oficiais e notícias, pretendo ensaiar algumas linhas sobre o significado das críticas feitas à Ana de Hollanda e sobre a relação entre emoções, práticas e narrativas acerca das políticas culturais. Os conflitos vividos durante o ministério de Hollanda apenas podem ser entendidos a partir do contraste estabelecido com as duas gestões anteriores, de Gilberto Gil e Juca Ferreira, durante os governos Lula. Estes ministérios são frequentemente apontados como os melhores já existentes na área, e como responsáveis pela criação de uma "verdadeira" política nacional para a cultura. Neles, inovações como reformas institucionais e criação de novos programas culturais aconteceram acompanhados da instauração de espaços participativos para consulta à sociedade civil e da estruturação de uma ampla rede de mobilização social. A gestão Hollanda foi experienciada por representantes da sociedade civil como uma ruptura com esse projeto, e permitiu observar um interessante processo de redefinições de posicionamentos e de (des)mobilização política, no qual foi posto em xeque a imagem até então fortalecida de um governo e um Estado comprometidos com a democracia, a participação e a diversidade no âmbito da cultura. Veremos que estava em jogo uma disputa por modelos de políticas para o setor, assim como a construção de uma narrativa sobre a história recente das políticas culturais brasileiras. Emoções emprestaram uma das principais gramáticas e vocabulários utilizados nessa batalha.
Apresentação Oral em GT

A moralidade e a produção de desigualdade em uma escola pública do Rio de Janeiro

Autor/es: Maíra Mascarenhas Pereira
Esse trabalho tem como objetivo refletir sobre a moralidade que orienta a vida social dos atores de uma escola federal do Rio de janeiro por meio da análise dos discursos dos professores sobre suas emoções. O argumento foi construído a partir dos resultados de minha pesquisa para dissertação de mestrado que buscou investigar de que maneira a moralidade e o sistema de classificação dos atores dessa escola estavam relacionados à produção de desigualdade entre os estudantes. Por meio da observação participante em conselhos de classe e salas de aula, foi possível perceber que os alunos eram avaliados por seus professores não apenas pelas notas em provas e trabalhos, mais também por critérios morais. Estava avaliação moral era determinante para a aprovação/reprovação dos alunos e também para o fluxo de interações entre estes e seus professores em sala de aula, uma vez que a atenção do professor era distribuída de maneira desigual entre a turma. Somada a isto, a análise dos discursos dos professores sobre suas emoções e suas práticas, revelou uma correlação entre os valores atribuídos a determinadas categorias do sistema de classificação, que apareciam nos conselhos de classe e eram critérios para avaliação, e as expectativas dos professores sobre seus papeis sociais e de seus alunos. Os comportamentos mais bem avaliados eram aqueles que reforçavam o papel social e a identidade do professor, gerando emoções positivas, enquanto os mais mal avaliados eram aqueles que iam contra ou desafiavam este papel, produzindo emoções negativas. Ao mesmo tempo, pesava nessa correlação o grau de agência e arbítrio dos estudantes atribuído pelos professores em suas avaliações. Isso permitia a elaboração de estratégias discursivas dos professores no sentido de impor suas representações sobre seus alunos no conselho de classe, vitimizando-os ou culpabilizando-os por sua situação acadêmica por meio da manipulação de emoções com a compaixão, a raiva e a humilhação. Desta forma, foi possível compreender os referenciais morais que orientavam a ação dos atores da escola e também de que maneira a moralidade própria destes atores engendrava concepções de mérito e de justiça que eram fundamentais para a operacionalização do sistema de classificação e, em última instância, para o destino acadêmico dos estudantes.
Apresentação Oral em GT

O drama pedevista. Sofrimento e resistência entre ex-servidores públicos no Brasil.

Autor/es: Marcela Marques Serrano
O final da década de 1990 e o início dos anos 2000 ficaram marcados pela radicalização da implementação da agenda neoliberal no Brasil; no âmbito da administração pública, fora criado, no governo de FHC, o MARE (Ministério da Administração e Reforma do Estado), encarregado de executar os panos de enxugamento da máquina pública o que era apontado como processo inadiável por Instituições como o FMI e BID. Dentre as muitas estratégias para cumprir tais determinações, o governo lançou os Planos de Demissão Voluntária (PDV) de 1996, 1999 e 2000. Ao todo, só na esfera da Administração Direta Autárquica e Fundacional, foram 15.003 adesistas, a maior parte deles funcionários de nível elementar com baixíssima escolaridade (o equivalente ao Ensino Fundamental de hoje), homens e mulheres de meia idade e profundamente endividados – reflexo do longo período de depreciação salarial e falta de reajustes. Em 2003 alguns destes ex-servidores fundaram o Movimento pela Reintegração/ Readmissão dos Pedevistas (MURP), o argumento para tal reivindicação era que o governo não teria cumprido as promessas de apoio na recolocação no mercado de trabalho, o que levou a maioria a uma situação de “penúria”. Em outras palavras, a maior parte desses ex-funcionários jamais reingressou no mercado de trabalho formal, e muitos dos que tentaram abrir seu próprio negócio não prosperaram e também acabaram no mercado informal. São trajetórias marcadas pela precariedade e incerteza, o que, para boa parte dos meus entrevistados foi a causa primordial dos muitos casos de alcoolismo, crises no âmbito familiar e doenças, como, câncer, infartos, depressão, distúrbio de ansiedade, etc. Portanto, para muitos esta foi uma experiência dramática, narrada como um evento crítico, no sentido de ter desestruturado de forma abrupta o mundo desses sujeitos, promovendo drásticas rupturas das relações sociais e das categorias tradicionais nas quais este mundo se baseava. O objetivo deste trabalho é lançar luz sobre as subjetividades e as diferentes formas de narrar, vivenciar e de resistir aos impactos daquilo que foi, na essência, resultado de uma política de Estado.
Apresentação Oral em GT

EMOÇÕES SILENCIADAS: respeito e conflito entre moradores de rua e agentes estatais

Autor/es: Natália Maximo e Melo
Emoções estão presentes em momentos de conflitos. Estudos sociológicos já mostraram vínculos entre as emoções, a ação coletiva e as transformações sociais (E. P. Thompson,1998; A. Honneth, 2003; Cefai, 2003; Bessin, 2010). As emoções também estão presentes em gramáticas morais guiando julgamentos individuais e institucionais, como por exemplo, os sentimentos de respeito e desrespeito (Vidal, 2003; Honneth, 2008), o de insulto (Cardoso de Oliveira,2010) e ressentimento (Mello, 2010). Diante desse aporte teórico, a pergunta que trago vai no sentido oposto da busca por compreender a emergência de uma emoção e seu potencial de ação. Em um momento de conflito, é possível ausência de emoções? como se dá o silenciamento das emoções? O que significa o silêncio? Para refletir sobre isso, me baseio em um relato retirado da pesquisa de campo entre 2012 a 2014 cujo objetivo é compreender o papel das instituições estatais na gestão dos conflitos urbanos. A pesquisa é realizada em uma instituição de Assistência Social na cidade de São Carlos onde uma equipe multidisciplinar de profissionais fazem atendimento da população em situação de rua. Há ainda dois guardas municipais encarregados da segurança no interior da instituição. Além de descrever a instituição, relatarei uma cena de conflito entre um morador de rua e guardas municipais, fato que suscitou manifestações emocionais silenciosas - pois não exposta publicamente - tanto por parte dos profissionais da instituição quanto dos seus atendidos. O silêncio se tornou a forma de resolução do conflito da instituição.Tanto aqueles conflitos que se dão nas ruas da cidade mas, nesse caso também o conflito ocorrido em seu interior. Procuro, então, refletir sobre as manifestações emocionais que estão unidas a uma gramática moral do respeito/desrespeito. Considero que há uma economia moral onde se produz e distribui diferentemente concepções de respeito que se chocam e se expressam em raiva e resistência mas também em silêncio e inação. Por fim, aponto que os conflitos existentes entre moradores de rua e guardas municipais, tendem a ser silenciados dentro da instituição assistencial, contudo, podem aparecer em eventos, considerados “escândalos”, que fazem ver a desigual distribuição do respeito entre os membros da instituição.
Apresentação Oral em GT

O trabalho no Sistema Único de Saúde: qualificação e emoções

Autor/es: Roberta de Carvalho Corôa
A Política de gestão do trabalho e da educação na saúde, esboçada pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, do Ministério da Saúde, pode ser concebida a política de qualificação do trabalho atualmente vigente no SUS. Tendo como base a análise de documentos oficiais e a realização de entrevistas com trabalhadores técnicos, pretendo problematizar a distância que se coloca entre a esfera de elaboração desta política e o cotidiano de trabalho no SUS. Dentre os fatores que vão determinar a distância entre política e cotidiano, pode-se dizer que existe um ruído entre os referenciais teóricos mobilizados pelo Ministério da Saúde para promover a qualificação do trabalho no SUS e a própria representação dos trabalhadores sobre a sua qualificação. A partir da análise documental, é possível afirmar que a política concebe o projeto de qualificação para os trabalhadores da saúde através da mobilização de demandas emocionais, políticas e relacionais que estiveram presentes no programa da Reforma Sanitária, de 1986, e que deu origem SUS. No entanto, o faz a partir da aproximação com o paradigma da nova gestão do trabalho, que se expande na empresa privada, a partir da década de 1980, com o advento da Reestruturação produtiva. No nível institucional, a conformação da qualificação está localizada no âmbito das relações de produção capitalistas, em que valem os princípios de maior aproveitamento da força de trabalho ao menor custo do empregador, nesse caso o Estado, cada vez mais íntimo dos modelos administrativos oriundos do setor privado. Com as entrevistas, foi possível perceber que também os trabalhadores representam a qualificação a partir de aspectos emocionais e relacionais do trabalho. Todavia, o meu argumento é o de que esses aspectos, quando construídos como categorias dotadas de significação, derivam de uma relação social de outra natureza. Mais especificamente, da relação estabelecida entre trabalhador, usuário e sociedade através do trabalho em saúde. Ao apontarem o carinho, o amor, a paciência, a escuta, o “ser” humano e o “se colocar no lugar do outro” como qualificantes do trabalho em saúde, esses trabalhadores estão localizando o cerne de sua qualificação em uma esfera da vida social que extrapola os limites do mercado. A minha hipótese é a de que trabalhar em saúde consiste estar em uma relação social, cujas partes são o trabalhador e o usuário. No ato do atendimento, o usuário corporifica o compromisso do trabalhador com a sociedade e, portanto, com ele mesmo. Assim, tratar o paciente com amor, com carinho e paciência, surge como uma obrigação moral.
Apresentação Oral em GT

Uma rua, vários problemas e um caso de injustiça ambiental: das sensações e emoções a uma vida sem publicização.

Autor/es: Túlio Gava Monteiro
O artigo que proponho consiste em parte de minha dissertação de mestrado, que trata de uma discussão sobre a ausência de problema público como um motivo de persistência de problemas ambientais na comunidade de vizinhança da Rua Santa Teresinha, em Vila Velha-ES. A partir de uma pesquisa realizada entre 2015 e 2016, busco trazer à tona uma situação de injustiça ambiental em que aquele conjunto de moradores socialmente vulnerável torna-se alvo do descaso governamental e, mesmo de uma intencionalidade perversa, gerando uma situação de injustiça ambiental. A partir de uma perspectiva etnográfica, estabeleço um paralelo entre as sensações e emoções que surgem sobre um meio ambiente permeado de problemas como o lixo, o valão e a os depósitos de sedimento do fundo do canal, e entre os moradores e o poder público, com a capacidade dos habitantes de publicizarem aqueles problemas. Por meio das análises dos conteúdos e narrativas, noto que as relações estabelecidas entre os espaços vividos no passado e o que é vivido atualmente pouco se diferencia, e que os afetos interpessoais reproduzem uma vida comum onde o privado ora ou outra prevalece, assim, se torna produzindo emoções que se traduzem em uma apatia e em um distanciamento dos moradores quanto à participação política.
Palavras chave: Injustiça-Ambiental; Emoções; Publicização
Apresentação Oral em GT

“Culpa e Depressão”: as emoções na feminização no mundo do trabalho.

Autor/es: Claudia Kathyuscia Bispo de Jesus
As exigências da crescente urbanização e do desenvolvimento do mercado de trabalho exigiram tanto a presença das mulheres no espaço público como, principalmente, sua participação ativa no mundo do trabalho. Esse artigo traz uma reflexão sobre as emoções – culpa e depressão – presente no processo de feminização no mundo do trabalho. Isto é, pensar as razões pelas quais essas emoções foram desencadeadas e perpetuadas no decorrer da inserção da mulher no mercado de trabalho. A metodologia utilizada foi um levantamento bibliográfico, com ênfase em dois trabalhos sobre a inserção da mulher no mundo do trabalho: a) “Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista (Brasil 1890- 1930)” de Margareth Rago; b) “A feminização no mundo do trabalho: entre a emancipação e a precarização” de Claudia Mazzei Nogueira. Pode-se considerar que, a admissão das mulheres no mundo do trabalho gerou um movimento contraditório. Se por um lado, o assalariamento de sua força de trabalho possibilitou vários aspectos positivos na sua trajetória, seja de militância política, de formação profissional e, até mesmo, de “emancipação”. Por outro lado, a sua inserção foi calcada numa lógica de trabalho precarizado e de extensão de um o modelo normativo de feminilidade (trabalhadora/esposa/mãe/dona-de-casa). Corroborando, portanto, para o espectro da miséria subjetiva – culpa, ansiedade, medo, depressão e etc. – propagado pela ordem moral.
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Construindo emoções: sobre os possiveis envolvimentos dos voluntarios que trabalham com crianças portadoras de câncer

Autor/es: Rafaella Campos Delgado
Cuidar de crianças com câncer é uma delicada tarefa. Apesar de todos os avanços tecnológicos no tratamento e de uma crescente chance de cura se diagnosticado precocemente, o câncer, em especial o infantil, continua sendo uma doença complexa e difícil de enfrentar. Trata-se de uma doença que ainda é carregada de estigmas e preconceitos pelo senso comum. A proposta deste trabalho é realizar uma abordagem antropológica acerca de experiências vividas pelos voluntários de uma casa de apoio voltada para crianças portadoras de câncer, na cidade de São Luís (Ma), no que tange aos mecanismos de controle de suas próprias emoções no decorrer da tarefa desempenhada. A casa de apoio retratada conta com um tipo de regulamentação (estatuto, normas, regras) que visa a organizar o seu funcionamento, priorizando as necessidades e o bem estar da criança. Dentre as principais regras está a de controlar o que se sente. Durante a pesquisa de campo, foi constatado que o câncer infantil é tratado como um tabu pelos próprios voluntários e funcionários da casa de apoio. É proibido mencionar a palavra câncer diante das crianças e de seus pais. Também não se deve expressar nem tristeza, surpresa, espanto, ou quaisquer emoções e sentimentos que sejam prejudiciais ao sucesso do tratamento da criança. Segundo relatos oriundos de entrevistas com os voluntários, a criança, ao ver seus pais sofrerem, acabaria absorvendo energias maléficas e, consequentemente, poderia agravar o seu estado de saúde, comprometendo todo o tratamento. Todas as atividades de rotina da casa são realizadas com o objetivo de promover momentos de alegria e distração e fazer com que as crianças e seus pais esqueçam, naqueles instantes, que se encontram nas dependências de uma casa de saúde. Sabe-se que o envolvimento entre voluntários, pais e crianças é inevitável: sofrimento físico, emocional e espiritual de todos chega ao limite. Por outro lado, há a necessidade de lutar contra esse limite e lembrar que o pessimismo e desespero de nada adiantariam. As crianças se apegam aos voluntários. As mães desabafavam com os voluntários, que acabam desempenhando papeis de psicólogos, amigos, confidentes, assistentes sociais. Os voluntários o tempo todo passam a sensação de conforto e de segurança para os pais. Desgaste físico e emocional. Voluntários se sentiam de fato parte da vida daquelas crianças e de suas famílias. E devido a isso, correm sérios riscos de se desgastarem fisicamente e emocionamente, uma vez que não podem expressar suas fraquezas dentro da casa. Assim, há emoções permitidas e proibidas para sentir e expressar durante o tempo de trabalho na casa de apoio. O que pode ser sentido e como ser sentido (Mauss). Isso se reflete nas práticas profissionais e institucionais da casa.
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