Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

GT020. CIGANOS: um exercício de comparação etnográfica.

A reflexão sobre o universo temático de identidade reivindicada face o acesso às políticas públicas tem congregado pesquisadores envolvidos com os grupos ciganos no Brasil e exterior. Iniciamos discussões no âmbito local e mantivemos a temática na forma de GTs, tanto nas Reuniões de Antropólogos do Norte-Nordeste como nas Reuniões Brasileiras de Antropologia. Deste modo, objetivamos dar continuidade aos debates, e ao mesmo tempo discutir a produção etnográfica sobre grupos ciganos. Analisando os processos de construções identitárias; propondo uma reflexão sobre a (in)visibilidade desses sujeitos em diferentes cenários políticos. O grupo pretende criar um campo de interlocução, especialmente no Brasil, contribuindo para o início de uma pesquisa comparativa ainda inexistente. Também indagamos sobre o papel da produção antropológica na mediação entre esses grupos e as esferas públicas. Embora os registros etnográficos venham ganhando terreno nos últimos anos, aos pesquisadores se impõe muitas vezes a questão de como mediar às relações entre os sujeitos estudados e o Estado. Este GT busca discutir os dilemas dessas posições para que se desenvolvam análises propriamente Calon/Rom da cultura.

Maria Patrícia Lopes Goldfarb (PPGA- UFPB)
(Coordenador/a)
Mirian Alves de Souza (Universidade Federal Fluminense)
(Coordenador/a)
Mercia Rejane Rangel Batista (Universidade Federal de Campina Grande)
(Debatedor/a)


“Ciganos”: nascidos, feitos e criados – reflexões sobre o campo com “ciganos” e a categoria “cigano” no Rio de Janeiro.

Autor/es: Cleiton Machado Maia
Durante o trabalho de campo do doutorado encontrei várias momentos em que o debate sobre a temática cigano/ciganos foram insuficientes para entender as formas de representatividade dos grupos identitários envolvidos, sejam eles religiosos, culturais e/ou étnicos. Acompanhando o debate sobre a construção da categoria cigano/ciganos, por diversas formas de agências na relação entre estado e atores mais variados, me proponho pensar alguns autores como Scholz, About e Blanes e suas críticas de como se fez ciência e politica definindo “cigano” como uma categoria. Desse modo, o texto começará com dois casos etnográficos ocorridos na vida pública e cotidiana da cidade do Rio de Janeiro, onde os próprios atores questionam e me levam a debates reflexivos centrais de minha pesquisa, “de que ciganos se pode falar?” e “quem pode falar por ciganos?” - debate muito atual no senado com a PL 248/2015 que propõe a criação do “Estatuto Cigano”. E finalmente confrontar campo etnográfico e as abordagens teóricas referidas proponho pensar novas alternativas da categoria “cigano/ciganos”, como novos caminhos interpretativos das várias realidades observadas.
Apresentação Oral em GT

ENTRE O SILÊNCIO E O ENUNCIADO: questões sobre identidade e estigma entre ciganos em Campina Grande (PB)

Autor/es: Izabelle Aline Donato Braz, Mércia Rejane Batista Rangel
A partir das leituras e pesquisa, pode-se afirmar que os assim chamados ciganos estão presentes em nossa sociedade, ao mesmo tempo em que são parte, estão à parte , revelando a prática de construção de uma identidade diferenciada, não qual se sobressai a ênfase em costumes diferenciados da sociedade envolvente, e com ênfase nas situações de interação social em locais públicos. O tema “cigano” quase sempre aciona representações do senso comum, nas quais, práticas como roubo de crianças, vagabundagem, leituras de cartas, quiromancia e festas apresentam-se como dominantes. Contudo, no momento, os ciganos vêm acionando essas imagens, contrapondo e demandando atenções em termos de acesso às políticas públicas. Então, ao mesmo tempo em que se questionam essas imagens enquanto inadequadas, busca-se manter e positivar práticas como a quiromancia e os deslocamentos. No entanto, percebe-se que essas imagens são veiculadas em um debate que vêm mobilizando discussões ligadas as políticas públicas, como também as representações dos próprios ciganos sobre si mesmos. No nosso exercício de pesquisa, nos propusemos a refletir sobre a construção da identidade cigana no âmbito da cidade de Campina Grande, tendo como eixo articulador as matérias dos jornais (Jornal da Paraíba e Diário da Borborema), quando tivemos uma série de mortes envolvendo ciganos e que foram tratadas pelos jornalistas enquanto Saga Cigana. Esta situação social tornou-se para nós numa fonte rica de pesquisa, pois nos permitiu acessar os ciganos que viviam (e alguns ainda vivem) na cidade, mostrando-se como possuidores de expressiva riqueza (fazenda, casas, recursos financeiros), merecendo então a classificação de “elite cigana”, o que marca uma diferença quando comparados aos outros grupos ciganos, que localizados em diversos municípios do Estado da Paraíba, são associados ao extrato mais pobre da população. Neste caso, tiveram que lidar com mecanismos sociais eficientes utilizados por estes ciganos para minimizar o estigma e garantir uma invisibilidade na cidade de Campina Grande. Nesse sentido, o objetivo é apresentar a forma pela qual as matérias jornalísticas apresentam os ciganos e como alguns destes respondem, todos lutando para enunciar uma ‘verdade’, sobre os ciganos. Logo, busco apresentar um cenário composto por questões gerais a cerca dos ciganos, despontando temas sobre questões étnicas no cenário de politicas públicas, como também apresentarei as questões locais sobre o grupo residente nesta cidade que revelam questões de invisibilidade, estereótipos e mídia. As questões sobre geração, liderança entraram nesse cenário como questões de especificidade dessa pesquisa.
Apresentação Oral em GT

O empoderamento da mulher cigana: romper com a invisibilidade e o desafio da afirmação

Autor/es: Jamilly Rodrigues da Cunha
No Brasil, atualmente, nos deparamos com inúmeras etnografias sobre os povos ciganos. Diante desses “novos” campos de pesquisa, existem os temas que são comumente abordados: origem, estigma, nomadismo, identidade e cultura, são alguns deles. Enquanto outras temáticas, como gênero e poder, até onde temos conhecimento, permanecem pouco problematizadas. Interessante é que ao acionarmos esse “universo”, compreende-se que tais relações são fundamentais na conformação social dos grupos. Afinal, mulheres têm um papel definido na estrutura social calon e, tradicionalmente, a elas é imposta uma posição de subalternidade diante dos homens. Por outro lado, no contexto atual, nos deparamos com algumas ciganas que se reconhecem como líderes de suas comunidades e, como uma consequência, representantes de seu povo. Logo, no escopo desse trabalho discutiremos a atuação de uma jovem mulher que vem se constituindo no cenário de ativismo nacional enquanto “liderança cigana”. Sabe-se que em um universo marcado, dentre outras características, pelo sistema patriarcal que determina relações, assumir uma posição de destaque dentro de um grupo e emergir para além dos seus limites, tem gerado alguns efeitos no interior das comunidades. Então, nosso trabalho discorre sobre os desafios ao se romper com posições subalternas e se afirmar enquanto alguém possuidora de poder. Para isso, temos utilizado da observação participante, acompanhando e vivenciando sua atuação na comunidade que vive. Fizemos uso também de uma metodologia que pode ser identificada como “multi-situada”, uma vez que procuramos percorrer os caminhos e redes traçados ao longo de sua trajetória.
Apresentação Oral em GT

Desenvolvimento capitalista, trabalho e ciganos: Uma correlação possível?

Autor/es: José Aclecio Dantas
Este trabalho trata dos resultados parciais de uma pesquisa bibliográfica de mestrado em serviço social sobre grupos ciganos, sua perspectiva do trabalho formal e seus incursos no desenvolvimento sócio metabólico do capital. Nossa analise funda-se no trabalho enquanto protoforma do ser social e se estrutura na perspectiva crítica do materialismo histórico dialético – uma teoria social marxista. Tal pesquisa foi motivada pelos resultados de dois anos de pesquisa de campo entre ciganos do estado da Paraíba. Visando suprir lacunas existentes na produção acadêmica acerca destes grupos étnicos e as formas de sua não inserção no mercado de trabalho formal.
Apresentação Oral em GT

Casamento e produção de parentes entre os Calons do São Gabriel (Belo Horizonte, MG)

Autor/es: Juliana Miranda Soares Campos
A presente comunicação pretende lançar um olhar para a produção de pessoas e de parentes entre os Calons do São Gabriel, partindo do casamento – como ritual e como instituição. Esta reflexão é um desdobramento da minha dissertação de mestrado, construída a partir de um trabalho de campo realizado em 2013, com duração de sete meses nessa comunidade cigana que vive há mais de trinta anos no bairro São Gabriel, na região nordeste de Belo Horizonte (MG). A partir da percepção da centralidade da família e do casamento para estes calons, e em confluência com grande parte da bibliografia cigana (Stewart 1997; Gay y Blasco 1999, Ferrari 2010) começo explorando a noção calon de pessoa coletiva: o “eu” cigano não tem sentido sozinho, apartado de suas relações familiares. Entre os Calons do São Gabriel, o casamento é visto como um momento crucial, pois é a partir dele que um novo núcleo familiar será formado. E é ao passar pelo ritual do casamento que os noivos entrarão para o mundo dos adultos, dos que comandam sua própria família. O casamento se mostra assim uma instituição privilegiada para se empreender na tentativa de imergir na socialidade calon: ele é o ponto de passagem para a vida adulta é a partir dele que se constroem e se atualizam as principais relações de parentesco. Meu foco será o ciclo ritual de casamento calon, uma verdadeira maratona festiva que costuma durar entre 3 a 7 dias. Ao acompanhar um destes ciclos festivos, proponho que a celebração desenrola-se produzindo dois movimentos cruciais: (1) a reunião de calons de vários acampamentos que possuem relações entre si, selando laços, reafirmando uma continuidade na rede calon e produzindo parentesco; e (2) atualizando as práticas de “fazer-se calon”, movimento processual e contínuo de produção de identidade, experimentado de forma distinta entre homens e mulheres, porque pressupõe a uma noção cara a estes ciganos: a vergonha. Com paralelos em grande parte da cosmologia cigana ao redor do mundo, entre os calons do São Gabriel, a vergonha se materializa no corpo feminino, produzindo inúmeras restrições sobre ele, e é a partir do casamento que ela se consolida neste corpo. Privilegiando uma abordagem que amplia a noção de parentesco, deixando de lado outra puramente formalista para assim incluir dimensões empíricas e relacionais sobre o tornar-se parente, tentarei mostrar que o casamento é o princípio estruturador da organização social calon e a afinidade é a referência crucial nas relações entre os ciganos que vivem no São Gabriel e calons de outros acampamentos com quem eles mantêm relações contínuas.
Apresentação Oral em GT

Vivendo em família: modo de vida, parentesco e identidade entre os ciganos em Sobral.

Autor/es: Lailson Ferreira da Silva
Este trabalho analisa as relações sociais entre os ciganos da família Cavalcante que moram no município de Sobral, Ceará, distante cerca de 230 km de Fortaleza, capital; em especial como as relações de parentesco são vividas em um contexto marcado por tensões e instabilidades, proporcionando novos arranjos familiares. A partir da etnografia do núcleo doméstico realizada no período de janeiro a junho de 2013 e da observação das representações construídas pelos ciganos em torno do termo família, o objetivo é mostrar como essas representações são acionadas para descrever formas de solidariedades entre os ciganos. Ao se definirem em termos de como uma "grande família", os ciganos se demarcam dos não-ciganos e elaboram códigos próprios de vida em sociedade que podem ser alterados em função dos interlocutores e das situações. O trabalho discute o papel das relações familiares nas formas de sociabilidade e nos conflitos, as estratégias matrimoniais, inclusive com os não-ciganos, as práticas de trabalho, definindo um estilo de vida cigano. Dessa forma, os ciganos da família Cavalcante definem os sinais que expressam sua identidade e, por conseguinte os diferenciam dos não ciganos.
Apresentação Oral em GT

Liberté: As representações das identidades ciganas no filme de Tony Gatlif

Autor/es: Lucas Medeiros de Araújo Vale
Devido ao longo tempo em que permaneceram sem o domínio da escrita, sendo a oralidade o principal meio difusor de suas práticas e costumes para as novas gerações, é raro encontrar registros de autoria cigana nos quais eles se coloquem enquanto sujeitos de suas próprias narrativas. Os documentos mais antigos de que se tem conhecimento, oferecem apenas o discurso do outro (não-cigano) sobre um povo estranho e distante. É neste contexto que o filme ficcional Liberté (2009), produzido pelo diretor Tony Gatlif, que é cigano, torna-se relevante para a nossa etnografia. Nesta obra, Gatlif faz menção ao Porrajmos, o massacre nazista que dizimou mais de duzentos mil pessoas de sua etnia, e nele representa os supostos costumes, hábitos, meios de sobrevivência, vestimentas e moradias dos Roms que viviam na França, sob influência nazista, durante o período da segunda grande guerra. O filme é protagonizado por uma família cigana nômade que passa a ser proibida de viajar e de manifestar a sua “ciganidade”, sob o risco de ser presa e/ou exterminada nos campos de concentração. Neste trabalho, procuramos identificar de que maneira as identidades ciganas são (des)construídas e representadas nesta obra, a partir das performances do viver, viajar, pousar, morar, trabalhar e as suas formas de socialidades (FERRARI, 2010), atentando para as narrativas, personagens, cenários, figurinos, e suas potências figurativas; para as intertextualidades narrativas e interpretativas, através da decomposição dos filmes em sequências, cenas, e/ou planos.
Apresentação Oral em GT

Atualização e manutenção da identidade étnica: etnografia sobre o processo de conversão religiosa de ciganos em Cruz das Almas/BA.

Autor/es: Maraísa Lisboa de Souza
O presente projeto se situa no campo de estudos das Ciências Sociais sobre grupos étnicos. Sendo assim, nosso tema de investigação se refere a persistência e continuidade de um grupo étnico num contexto de conversão religiosa. Nosso problema de pesquisa consiste em saber quais são as implicações da conversão religiosa para a manutenção e atualização da identidade étnica. Temos como pressupostos que um grupo étnico persiste na medida em que se mantem as diferenças culturais entre eles e as demais coletividades com as quais interage. Mas para ter continuidade, um grupo étnico precisa ser capaz de se transformar na medida em que mudam as diferenças culturais definidoras das fronteiras. Estas últimas dependem de uma combinação entre os novos recursos materiais e simbólicos disponibilizados e as categorias classificatórias que lhe servem como referência. Nas interações interétnicas existem planos restritos e articulados. Os primeiros são norteados por um conjunto de prescrições sobre as situações sociais impeditivas a interação, enquanto nos segundos as diferenças de ordem cultural podem ser minimizadas e até mesmo negadas (BARTH, 1969). A hipótese desse trabalho é de que a religiosidade está se tornando um campo de articulação que contribui para a minimização do estigma que recai sobre a identidade étnica do grupo. Para testá-la desenvolveremos um estudo de cunho qualitativo e etnográfico junto aos ciganos convertidos ao protestantismo na cidade de Cruz das Almas/BA, buscando compreender quais são as implicações da conversão religiosa para a manutenção e atualização da sua identidade étnica.
Palavras chave: Identidade; Conversão; Ciganos.
Apresentação Oral em GT

Identidades Ciganas no Brasil

Autor/es: Mario Igor Shimura
A organização de diversos movimentos sócio-políticos por parte de lideranças e representatividades ciganas no Brasil tem provocado o interesse de pesquisadores sobre a instigante temática da identidade cigana ou “ciganidade”. As pesquisas etnográficas têm demonstrado a subjetividade peculiar desse elemento, haja vista sua característica plural e que a princípio não se comporta numa sentença teórica, acadêmica ou popular, pois isso exigiria uma generalidade inconcebível, unificante, que invariavelmente englobaria um todo complexo de diferentes perspectivas, endógenas e exógenas, conflitantes e interseccionadas ao mesmo tempo, imparciais e diferenciantes sobre quem são ou o que é ser cigano. Definir o “cigano” e/ou sua identidade num conjunto limitado de palavras depende de inconsistência teórica e empírica, pois pressupõe a universalização do conceito de um grupo pluricultural, não essencialista e globalizado. Isso é assim porque a ciganidade é pluriétnica e portanto representada por um espectro de divergências conceituais, sem acordos teóricos potencialmente convergentes que contenham a integralidade das inúmeras percepções, simbólicas e representativas, da alteridade. Toda e qualquer elaboração descritiva que se arrogue como definição de será, senão rebatida, invariavelmente questionada e contra-argumentada pelas mais variadas vertentes do fenômeno da ciganidade. Talvez seja por isso que o que geralmente se faz é reproduzir o senso comum, amplamente aceito e absorvido como verdade absoluta ou então, produzir descrições sobre quem são, como são, como vivem os ciganos etc de um contexto específico e universalizar tais informações de modo a produzir e reproduzir estereótipos. Essa apresentação pretende apresentar um inventário das identidades ciganas a partir da alteridade, discorrendo sobre diferentes categorias identitárias reunidas em diferentes grupos, a saber, étnico-racial e sociocultural. Entendendo que a expressão geral “os ciganos” é oriunda de equívocos históricos e conceituais pretende-se também demonstrar como a identidade cigana se reelabora, reinventa e ressignifica, bem como se dão esses processos, suas implicações socioculturais e quais são os seus mecanismos.
Apresentação Oral em GT

Entre laços e teias: famílias ciganas no Seridó do RN

Autor/es: Virgínia Kátia de Araújo Souza
O trabalho apresentado é fruto de uma pesquisa etnográfica realizada com os ciganos do Seridó Norte Rio-grandense, em especial nas cidades de Cruzeta, São Vicente e Currais Novos. O objetivo principal foi compreender como se organizava a rede de movimentos circulatórios e de fixação na qual esses ciganos mobilizam frente a atual organização das suas famílias, nucleares e extensas, assim como da relação estabelecida com a sociedade majoritária. Utilizou-se como método a etnografia embasada na observação participante, nas entrevistas formais e informais, assim como do recurso fotográfico como registro visual do campo. Nesse viés, sabe-se que há um fluxo, um movimento contínuo dos próprios atores pelo espaço. Espaço esse, circunscrito por características especificas. Se no imaginário, os ciganos estão “sedentarizados”, simbolicamente há uma prerrogativa nômade que mantem uma tradição, mesmo que recriada. Visualiza-se, então, a reflexão acerca de sua organização partindo da ideia de fluxo em rede. Como o próprio conceito trás no seu significado, o fluxo possui direções, e assim, corroboro com Hannerz (1997) ao tratar o fluxo como uma metáfora geradora. A noção de rede mostra seu aspecto peculiar: o de se articular e rearticular permanentemente. Dessa forma, refletir sobre os ciganos vai além de delimitá-los em um grupo específico. Pensá-los de maneira horizontal, sem delimitações superficiais individualizadas ou ainda como universais estruturais do que seria ser cigano, pretende apaziguar e compreender como se organizam. Desse modo, o estudo sobre família atrelada ao conceito de rede é fundamental nessas situações em que a categoria grupo não consegue dar conta da complexa mobilidade entre os sujeitos que estão se relacionando socialmente. Por conseguinte, um duplo movimento surge como uma tipologia da compreensão: o sobreviver da troca e do “fazer a feira” e o da doença e da morte. O primeiro, condiz à relação estabelecida com os não-ciganos e, o segundo, relacionado aos laços de parentesco.
Palavras chave: Família, Rede, Ciganos
Apresentação Oral em GT

Os Ciganos nas Minas Gerais: O Passado e o Presente em Movimento

Autor/es: Thiago Henriques Lopes, Thiago Henriques Lopes Carlos Eduardo Santos Maia
Este trabalho resulta, primeiramente, de curiosidade pessoal acerca do modo de vida dos chamados ciganos e também da carência de discussão do tema na Geografia. Recorreu-se a outras áreas das ciências humanas com maior tradição em pesquisa acerca destes sujeitos a fim de entender a relação espaço-tempo-cultura no tocante à sua chegada e perseguição sofrida antanho nas Minas Gerais. Posteriormente, analisam-se algumas práticas cotidianas de um grupo acampado no bairro Igrejinha (Juiz de Fora - MG) no momento da pesquisa. Acerca deste grupo, detém-se numa perspectiva de exposição “antropogeográfica”, em que se expõe sua organização social relacionada ao ambiente ocupado, mais especificamente em termos da condição de moradia temporária e das paisagens encontradas no acampamento.
Pôster em GT