Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

GT019. Cidades, turismo e experiências urbanas

Ao dar continuidade às discussões realizadas na 29ª RBA, este GT busca contribuir para as discussões no âmbito da antropologia urbana e da antropologia do turismo. Assim, acolherá propostas que exponham os resultados de estudos empíricos sobre essas temáticas e que promovam articulações entre problemas de ordem teórica e metodológica, próprios aos dois campos disciplinares, ou que enfoquem diferentes dimensões analíticas sobre esses temas. Cidades são lugares identitários, no sentido de Augé (1994), mas também de dispersão, fragmentação e fluxos (Hannerz, 1997); são lugares de memórias, mesmo que forjadas pelas políticas de requalificação; propícias à observação, mas, sobretudo, à vivência de situações sociais. Na perspectiva de Agier (2011) o estudo de tais situações favorece a apreensão de fenômenos fluidos, que parecem nos escapar. Cidades são também lugares privilegiados das ritualizações e das performances, da criatividade, do encontro e dos múltiplos embates. Como lembra Silva (2014, p.352) “as cidades são compostas por narrativas de ações, sobretudo, de ações imaginárias”. As cidades turísticas, por outro lado, à parte suas singularidades, veem-se na necessidade constante de criar atrativos ao visitante, despertar seu interesse e suscitar desejos de ali estar, ver e viver experiências ímpares, distantes do cotidiano, o que cria um imaginário sobre elas a partir das narrativas textuais, visuais e orais dos moradores, viajantes e empresas de turismo.

Juliana Gonzaga Jayme (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais)
(Coordenador/a)
Lea Carvalho Rodrigues (Universidade Federal do Ceará)
(Coordenador/a)

Sessão 1

Alcides Fernando Gussi (Universidade Federal do ceará)
(Debatedor/a)

Sessão 2

Cristina Maria Da Silva (Universidade Federal do Ceará)
(Debatedor/a)

Sessão 3

Vera Maria Guimarães (Universidade Federal do Pampa)
(Debatedor/a)


Estrangeiros na cidade: homossexualidades mapeadas nos usos recreativos da cidade de São Paulo

Autor/es: Bruno Puccinelli
Este trabalho é um recorte de pesquisa de doutorado em andamento sobre a apropriação de espaços públicos na região central da cidade de São Paulo por sujeitos que se definem como gays, bem como definem os lugares a partir desta matriz. A etnografia é baseada em pesquisa de campo, entrevistas e análise documental de material gráfico. Apresento parte da análise de guias turísticos direcionados a estrangeiros a partir de três diferentes plataformas: “Gay Guide” da revista Time Out, sediada em Londres; “São Paulo LGBT Guide” produzido pela empresa de turismo do município disponível on line; e “São Paulo Fag Map” da revista holandesa Butt, disponível on line. Parto da análise de mapas de referência para o visitante a partir dos descritores de interesse e das distâncias produzidas entre as diversas opções de lazer. Seguindo as proposições de Sarlo (2009), é possível vislumbrar tais mapeamentos como idealizações de uma “cidade imaginada”, que recorta vias e sentidos para o usufruto dos lugares visitados. Não temos uma cidade real, mas uma sugestão de cidade. Neste caso, uma cidade que deve ser vista e entendida como uma cidade gay a partir de uma certa noção de cosmopolitismo que internacionaliza São Paulo. A cidade apresentada se assemelha a outras cidades relacionadas a uma apresentação de si como uma cidade gay tanto pelo poder público como por ações privadas, como nos exemplos selecionados para esta análise. Como apontam os textos de Leticia Sabsay (2011) e Doreen Massey (2005), é imprescindível a compreensão da produção do espaço, e das cidades, por suas interfaces com gênero e sexualidade. Tal perspectiva se coaduna com a proposição teórico-metodológica de inferência investigativa citadina atenta à situacionalidade dos contextos pesquisados, como indicada por Michel Agier (2011). Parto das possibilidades de leitura normativa das espacialidades destacadas pelos mapas e proponho uma leitura conjunta a partir de três estrangeiros (um estado-unidense, um canadense e um polonês) que se definiam como gays, ou queers, e visitavam São Paulo a fim de conhecer melhor suas opções de lazer noturno e sexual. Tais cenas ajudam a movimentar os mapas outrora pretensamente estáticos, propondo novas vias de acesso ao lazer e ao prazer, como a transposição de centralidades que se situam não apenas nas ruas paulistanas, bem como nos corpos que interessam: as vivências e caminhos destes sujeitos alocam centralidades recortadas em termos de performance de gênero, cor/raça e classe, enfatizando certas formas de ser brasileiro. Há um duplo movimento de valoração pela via do reconhecido como normativo (limpo, seguro, branco, gay) bem como do produzido como norma a partir da contestação do normativo (sujo, arriscado, negro, queer).
Apresentação Oral em GT

Efervescência, emoção e produção de sentidos na Jornada Mundial da Juventude

Autor/es: Euler David de Siqueira, Denise da Costa Oliveira Siqueira
Resumo: Em julho de 2013 a cidade do Rio de Janeiro sediou pela primeira vez a Jornada Mundial da Juventude. O evento, de características e proporções extraordinárias, pode ser chamado de um megaevento: envolveu um público de mais de três milhões de pessoas de 175 países, implicou a participação de governos, profissionais e voluntários em sua organização, exigiu adaptações do sistema urbano de transportes e, sobretudo, atraiu a atenção da mídia. Tendo como leitmotif a fé e o encontro com Deus, a Jornada contou ainda com a participação do primeiro papa latino-americano, Francisco I, na primeira visita ao exterior em seu pontificado. Partindo desse contexto, o objetivo desse artigo é refletir acerca das representações de juventude que apareceram nos discursos sobre os jovens participantes da jornada, um mês depois das manifestações que mobilizaram o país e que tiveram como principal personagem também o jovem. Metodologicamente, esta é uma pesquisa de natureza qualitativa e guiada por um olhar antropológico que busca mapear discursos e narrativas veiculadas pela mídia e em sites da internet. Chamamos a atenção para o fato de a jornada veiculada pela mídia ser uma dentre outras versões construídas por sujeitos. Em outras palavras, a jornada e as representações do jovem na mídia ganham o estatuto de construção social devendo assim ser analisado.
Apresentação Oral em GT

Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos – desdobramentos da construção contemporânea da "favela" na chave da "violência" e do "consumo"

Autor/es: Evelyn Louyse Godoy Postigo
O entendimento das favelas cariocas como "problema" não é recente. As representações de "territórios de pobreza" e "territórios de violência" tem pautado o tipo de interação que se estabelece com esses territórios e suas populações. Atualmente, o principal projeto voltado para favelas no Rio de Janeiro são as Unidades de Policia Pacificadoras – UPPs, elaborado diante da constatação do Estado da necessidade de uma reestruturação urbana, sobretudo para contenção da “violência urbana”. Tal contexto tem como desdobramento, principalmente em favelas pacificadas, o entendimento das "favelas" e "favelados" também como "cultura a ser consumida". Tal discurso vem sendo construído amparando-se na consolidação da favela como rota turística da cidade. Estou chamando esse processo de favelização da cidade. A hipótese sustentada é que, hoje, a figura do "favelado" é entendida especialmente nessas duas chaves, resultando nas perspectivas polarizadas de ameaça iminente ou, seu oposto, uma “cultura a ser consumida” e acionando ao mesmo tempo o sentimento de negação e de desejo. Diante deste cenário, a presente proposta tem por objetivo apresentar resultados parciais da pesquisa etnográfica em andamento, a partir da qual busco compreender o diagrama urbano que se forma a partir deste contexto, no qual as favelas se consolidam como pontos turísticos da cidade sem, contudo, romper com o imaginário popular de que são a principal fonte da “violência urbana” da capital fluminense.
Apresentação Oral em GT

Museus, patrimônio e turismo: o caso do Museu da Gastronomia Baiana, no Pelourinho, Salvador - BA

Autor/es: Fabiana de Lima Sales
O presente artigo tem como campo de estudo as reflexões e discursos acerca do patrimônio cultural e os museus e as relações que ambos, patrimônio e museus estabelecem com o turismo, enquanto atividade mobilizadora de uma extensa cadeia produtiva que se alimenta de bens simbólicos tais como a cultura e o patrimônio. A pesquisa apresenta como unidade de estudo o Museu da Gastronomia Baiana (Salvador, BA, Brasil) e o seu entorno, o Largo do Pelourinho, como palco das relações sociais a serem estudadas dentro da perspectiva antropológica de uma experiência urbana. O museu em destaque, situado em um complexo cultural que inclui um Restaurante Escola, tem a gastronomia como tema do seu acervo e museografia, oferecendo ao visitante a oportunidade de conhecer a Bahia “pela boca”. A partir desta proposta, este trabalho objetiva promover uma reflexão em torno das contemporâneas discussões no campo da museologia e da adaptação dos museus ao alargamento do conceito de patrimônio cultural, bem como à inclusão de práticas culturais e bens relativos aos cotidianos, além da qualidade da experiência que se oferece ao visitante, o qual, por sua vez, pertence à sociedade da aprendizagem e à economia da experiência. A gastronomia, fenômeno contemporâneo notadamente urbano, neste estudo, cria as conexões entre patrimônio cultural, museus e o turismo, sendo o elemento diferencial na experiência do visitante, tanto por ser um ícone no imaginário turístico da cidade de Salvador, quanto por estar acessível a este visitante por meio de uma visita a um museu, espaço consagrado historicamente à exploração de objetos materiais. Foram utilizados como procedimentos metodológicos pesquisa bibliográfica acerca dos museus e seu papel social enquanto espaço educativo e de preservação da memória e do patrimônio cultural; a gastronomia como fenômeno urbano, estreitamente vinculado ao conceito de patrimônio e elemento diacrítico na construção da identidade cultural; o turismo cultural urbano como atividade social e econômica que se apoia no patrimônio e cultura das localidades. Realizou-se também pesquisa documental a partir de documentos produzidos pelo Museu da Gastronomia Baiana, entrevistas semiestruturadas aplicadas a interlocutores estratégicos no que toca o funcionamento e trabalho realizado pelo MGBA e visita de campo no intuito de analisar, principalmente, se e como o museu transmite a dinamicidade inerente ao fazer cultural baiano, manifesto em sua gastronomia, através da experiência que ele propicia ao seu visitante.
Apresentação Oral em GT

Rasurando guias e cartões postais: consumindo Fortaleza a partir de um sofá

Autor/es: Igor Monteiro Silva
As narrativas sobre as cidades expressam-se de modo bastante plural. Músicas, poesias, obras literárias e cinetográficas são bons exemplos de regimes de representação acerca de um lugar. Entretanto, para um consumo mais veloz, guias turísticos e cartões postais parecem figurar de maneira mais constante nas mãos dos turistas. Fáceis de carregar e manipular, coloridos, repletos de imagens e observações de destaque, escritos a partir de uma linguagem coloquial, anedótica, que prioriza a manutenção de uma relação informal com leitor, tais suportes trabalham sobre o um princípio de articulação entre a divulgação de informações e as práticas de visitação de um lugar (BARREIRA, 2012, 2008; WELK, 2007). Assim, como “manuais práticos de apresentação de cidades” (BARREIRA, 2012), os guias e cartões antecipam aquilo que pode ser encontrado em uma destinação, contribuindo para a conformação de um “olhar do turista” (URRY, 2001) que tenderá a buscar, justamente, o que foi apresentado, avaliando – inclusive – sua experiência a partir dos referenciais oferecidos. Trata-se, portanto, de uma produção narrativa que visa a constituir-se enquanto um todo coerente acerca da cidade, sugerindo os caminhos que devem ser tomados, bem como os que devem ser evitados; o que, portanto, deve ser conhecido, experimentado ou visitado. Todavia, é importante frisar que as práticas de consumo do instituído nem sempre são feitas de modo passivo. Os sujeitos lançam mão, em seu cotidiano, daquilo que Certeau (1994) chamou de “táticas” e “astúcias” para muitas vezes operar desvios em relação ao que é proposto institucionalmente. No plano do turismo, de maneira alguma as experiências dos viajantes (COHEN, 1972) devem ser tomadas como algo da ordem do homogêneo, elas são diversas em termos de motivação, de programação e, obviamente, de relações diretas com o lugar visitado, possibilitando, assim, a materialização de capacidades inventivas no que diz respeito às sugestões e legimitações que figuram nas narrativas de guias e cartões postais. E é, precisamente, sobre tais possibilidades de consumo da cidade de Fortaleza por parte de “turistas” e “viajantes”, para além daquelas sugeridas pelos surportes citados, que esta comunicação se estrutura. A idéia, portanto, é pensar sobre expressões de negociação, ou mesmo de recusa/rasura, frente aos dicursos que atribuem a determinados lugares da cidade a qualidade natural de “turísticos”. Para tanto, a rede de intercâmbio de hospitalidade Couchsurfing.org – proponente de uma alegada distinção em termos de hospedagem frente ao chamado “turismo institucionalizado” (COHEN, 1972) – e as experiências de alguns de seus usuários são aqui tomadas como expressões empíricas privilegiadas.
Apresentação Oral em GT

Não joga nada na Geni. Deixa a Geni jogar

Autor/es: João Soares Pena, João Soares Pena Maria Isabel C. M. da Rocha
Através de dois trabalhos de teor etnográfico realizados em Salvador, propomos um cruzamento de temáticas urbanas. Para tanto, tomaremos a crônica musical Geni e o Zepelim, composta por Chico Buarque de Holanda na década de 1970, como fio para costurar as diversas possibilidades narrativas, frutos de nossas experiências individuais de trabalho de campo no Centro da cidade. Tomamos a canção de Chico por observar nela três peças-chaves das nossas pesquisas: a cidade, o estrangeiro externo e o estrangeiro interno. No entanto, nossas pesquisas individuais apresentam temáticas bem diferentes. Em um caso, ao nos debruçarmos sobre as reformas atuais em zonas centrais da capital da Bahia, entendemos tais reformas urbanas como parte de um dispositivo de pacificação mais abrangente, que tem no urbanismo algumas de suas engrenagens. Vemos como as imposições verticais de um urbanismo estratégico estão relacionadas à promoção de uma espécie de branding urbano. Esta construção de imagem, voltada para fora, vem tocar fortemente os praticantes cotidianos da cidade, especialmente quando eles e suas práticas são considerados destoantes da imagem idealizada. Por outro lado, leva-se em conta a fetichização do exótico, do particular, o que é tido como identitário da cidade, por parte do mercado do turismo – especialmente em Salvador. No outro caso a análise volta-se para espaços no Centro da cidade onde a atividade que lhes dá sustentação relaciona-se com as práticas sexuais, são os cines pornôs e outros estabelecimentos afins. É flagrante a desconsideração dessas atividades na dinâmica da área pelo poder público em suas intervenções, mas também sua inserção na memória oficial da cidade e, especificamente, do Centro. Essas duas questões perpassam os interesses hegemônicos em questão que definem o que deve ser mantido, preservado, evidenciado, esquecido e eliminado. No corpo a corpo com a cidade em reforma, vemos como os praticantes ordinários lidam com o interesse urbanístico, que tende a excluí-los do jogo estratégico e, assim fazendo, torna-os estrangeiros internos. Em outro movimento, quando são vistos como potencialidades para a promoção de uma imagem de cidade, se tornam foco também do interesse turístico (voltado aos estrangeiros externos – sejam turistas ou investidores), que propõe uma estetização para torna-los facilmente “inteligíveis”. Assim como Geni, os sujeitos e demais elementos autênticos – ou exóticos – recebem tratamentos antagônicos do poder público, dependendo dos interesses hegemônicos em questão. No caso de Salvador, esses elementos seriam principalmente os espaços negros e aqueles dos que se dedicam a atividades sexuais, os quais nesse jogo do turismo e da prática urbanística higienista e estratégica, aparecem como a Geni, o mal e a salvação.
Apresentação Oral em GT

Cultura visual e megaeventos no Rio de Janeiro

Autor/es: Jorge de La Barre
Quando a socióloga urbana Sharon Zukin cunha o termo de “consumo visual” para caracterizar a nova forma de relação social e estética que vai se estabelecendo em várias cidades do mundo a partir dos anos 1990 no contexto da desindustrialização e da globalização da cultura, ela reconhece explicitamente a centralidade da dimensão visual na ordem urbana contemporânea. Estendida ao contexto específico da agenda dos megaeventos (esportivos e outros) que estão acontecendo no Rio de Janeiro pelo menos desde 2012, a problemática do consumo visual ganha uma dimensão específica: podemos observar em tempos de megaeventos, a produção de uma visualidade espectacular excepcional diretamente ligada ao fluxo de visitantes que chegam na cidade. Sem dúvida, o consumo visual nas suas diversas vertentes (publicidade, comunicação institucional oficial, arte urbana,...) encontra-se particularmente exacerbado durante os megaeventos, tanto como do resto, os dispositivos de segurança. A dupla agenda carioca dos megaeventos esportivos de 2014 e 2016 revela a vontade oficial de projetar uma cidade global, espetacular e festiva. No entanto, essa vontade vai ressaltando desigualdades, contradições e contestações importantes. Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo sobre as dimensões sociais e culturais dos processos de renovação urbana, abordados numa perspectiva socio-antropológica. Nesta apresentação pretendo explorar os significados levantados pela cultura visual contemporânea no Rio de Janeiro na hora dos megaeventos, lembrando a centralidade da dimensão visual na experiência urbana contemporânea. Mais particularmente, quero examinar uma dupla relação, no contexto carioca dos megaeventos: entre cultura visual e imaginários urbanos por um lado, entre cultura visual e itinerários urbanos por outro. Na primeira relação – cultura visual e imaginários urbanos –, tento mostrar que as imagens da (e na) cidade podem ser consideradas como dispositivos e maneiras de catar o real, seja para reforçar a sua existência, magnifiá-la, ou contestá-la. As utopias e distopias são formas singulares de imaginários urbanos nas quais a cidade é sempre algo mais do que ela é, e sempre um pouco o que ela poderia ser ou vir a ser. A visualidade está sempre em relação com o tecido urbano e o ambiente natural da cidade; existe uma relação forte entre imaginário urbano, arquitetura e paisagem natural. Na segunda relação – cultura visual e itinerários urbanos – sugiro que as figuras urbanas da modernidade – errância, flânerie – deixaram cada vez mais espaço às figuras consumistas da pós-modernidade. Previsíveis, as deambulações do turista na cidade globalizada são marcadas pela busca da familiaridade dos lugares de consumo visual.
Apresentação Oral em GT

Experiências de afeto à cidade em uma Fortaleza “apavorada”

Autor/es: Lara Denise Oliveira Silva, Glória Diógenes
Este trabalho se interessa em compreender como se inscreve, nas tramas da cidade, a relação sujeito e espaço urbano a partir da etnografia de intervenções artísticas. A pesquisa tem como lugar o cenário urbano de Fortaleza/CE. A quarta maior cidade do país (IBGE, 2010) destaca-se como um destino turístico disputado: desembarcam em Fortaleza turistas oriundos de diferentes lugares do Brasil e de outros países. A capital do Ceará também figura no cenário nacional como uma das cidades mais violentas do mundo. Em consequência destes acontecimentos e dos discursos que evocam o medo e a insegurança, percebe-se uma segregação e estigmatização dos espaços públicos na cidade que atuam como filtro na seleção dos lugares onde se deve ou não circular e permanecer. Como consequência da cultura do medo (BARREIRA, I., 2011; BARREIRA, C.,2013), notam-se mudanças na relação entre os sujeitos e os espaços públicos, impactos nas atividades turísticas e nas rotinas de moradores e visitantes. Paradoxalmente, em diálogo com este cenário de cidade turística, populosa, urbanizada e violenta ganham destaque ações e iniciativas de grupos de teatro de rua, coletivos de fotografia e audiovisual, grafiteiros, performers, artistas etc que demarcam outros usos na cena urbana e se propõem a assumir posturas alternativas, pautadas nos afetos, em relação à cidade, utilizando para tanto a linguagem das intervenções e da arte. Este trabalho procura responder ao seguinte questionamento: como se articulam pertencimentos e afetos aos lugares em uma capital turística marcada por acontecimentos violentos? A cidade do turismo é o pano de fundo para compreender como práticas, ações e intervenções de coletivos, grupos e artistas constroem situações de pertencimento e afeto à cidade. Este trabalho interessa-se em compreender o que estas intervenções trazem de novidade para a relação dos sujeitos com a cidade a partir da potência que as ruas e os espaços de uso coletivo possuem no sentido de contrapor-se a discursos que reduzem à experiência urbana ao deslocamento e às sensações de insegurança e medo. Elas ainda, em um diálogo com Simmel (1979, 2005) e Benjamin (1994), travam um embate de ordem prática e simbólica com as noções de anonimato, impessoalidade e individualismo. Tal como propõe Agier (2011), trata-se de pensar as urbes como espaços por excelência de encontro de alteridades, de produção de significados e de demarcação de diferenças.
Apresentação Oral em GT

Ações coletivas na produção do espaço urbano: o trabalho de um coletivo urbano cultural da zona norte do Rio de Janeiro

Autor/es: Livia Maria Abdalla Gonçalves
Este artigo baseia–se nos resultados iniciais de uma pesquisa que tem como proposta refletir sobre o discurso e as práticas de um “coletivo” urbano que realiza intervenções de natureza política e cultural em espaços gratuitos e públicos da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, que engloba atividades performáticas e de ativação das memórias locais. A cidade, que há anos vivencia um cotidiano de repressão militarizada e o recrudescimento de mecanismos de vigilância e controle, possui uma administração urbana empresarial, fortalecida pela realização de grandes eventos, que vem alterando a experiência cotidiana dos moradores, empobrecendo sua relação com o espaço público. A investigação considera as tensões encontradas nas esferas social, cultural e econômica impostas pela lógica do capital mundial e os movimentos sociais originados nos territórios, que possuem natureza e temporalidade distintas e, ainda que em diálogo com os processos globais, procuram formas alternativas de dizer e fazer cidade. As políticas de uso e ocupação do território, o agenciamento de empreendimentos urbanos, a falta de direcionamento de recursos a equipamentos e serviços públicos, as práticas do governo em torno do tema da segurança pública, tudo isto contribui para que existam cidades com maior e menor grau de clivagem entre os espaços públicos e privados. Entretanto, por outro lado, presenciamos atualmente a multiplicidade de redes, de trocas de informação e fluxos (Hannerz) que dão novos sentidos de interação entre os grupos. Em meio ao processo que transforma a cidade e a tensiona, modificando e segregando seus espaços, a população foi às ruas ao longo do ano de 2013 reivindicar por melhorias no país. Essas novas práticas se articulam no interior de movimentos já existentes, criam outros e se relacionam incorporando novas formas de organização e comunicação. Ao mesmo tempo, surgem novas inspirações, articulações e práticas que, ainda que não operem em formatos reivindicatórios tradicionais, expressam uma ativação da cidadania e uma repolitização do social. A emergência de um sujeito político (Agier) surge como a possibilidade de uma irrupção do indivíduo em um determinado momento, em condições que lhe permita o desenvolvimento e expressão de sua subjetividade. São coletivos de ativistas culturais que defendem a ocupação do espaço público em formatos eventualmente fora dos determinados ou chancelados pelos poderes públicos fornecendo, assim, um repertório de ações construído às margens daquilo que se produz no centro da “Cidade Olímpica”. O "coletivo” estudado está formado desde 2010 e é composto em sua maioria por moradores da zona norte da cidade.
Apresentação Oral em GT

Processos identitários, turismo e patrimônio cultural na Freguesia de Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão da Ilha

Autor/es: Mariela Felisbino da Silveira
Através das experiências vividas no trabalho etnográfico, trazemos o campo do patrimônio cultural no bairro do Ribeirão da Ilha, apresentando o contexto histórico de construção da identidade cultural de “açoriano-descendente” e os desdobramentos relativos ao uso, estratégico, da imagem patrimonializada do lugar feito por moradores e instituições privadas e governamentais, especialmente as ligadas ao turismo. O Ribeirão da Ilha, localizado em Florianópolis, estado de Santa Catarina, foi um dos primeiros povoamentos portugueses da cidade. Esta localidade guarda consigo um conjunto de patrimônios culturais que são pensados como atrativos, oferecidos pelas instâncias governamentais e privadas ligadas ao turismo, para quem procura conhecer e vivenciar os aspectos particulares do lugar. Entendemos que o turismo na localidade tem oportunizado uma série de ações que culminam num iminente processo de objetificação, exatamente, dos seus bens considerados patrimoniais. Esta objetificação pode ser percebida, por um lado, em relação à prática da maricultura, que não só é cultivada, mas também objeto de consumo, através de circuitos de bares e restaurantes. Por outro lado, há identificação da apropriação do discurso local quando referido ao patrimônio cultural. Entre as estratégias, temos a da mídia voltada para os turistas, que usa as representações e imagens do patrimônio local como pano de fundo de suas ações. Nas imagens que circulam sobre a localidade, se percebem indícios de uma objetificação cultural, principalmente através de discursos que naturalizam e inserem a prática da maricultura na localidade.
Apresentação Oral em GT

Caminhando junto na cidade: reflexões sobre uma experiência urbana e etnográfica.

Autor/es: Paola Luciana Rodriguez Peciar
As ponderações teórico-metodológicas apresentadas neste trabalho são elaboradas a partir da etnografia realizada na rua Leganitos, situada na zona centro da cidade de Madrid, na Espanha. Esta etnografia é parte de uma pesquisa mais abrangente, que trata do modo de vida de espaços urbanos que possuem como fator distintivo a presença, duradoura ou sazonal, de coletivos de “estrangeiros” com relação aos territórios nacionais onde se estabelecem. Essas presenças “estrangeiras” são fruto tanto do fenômeno de mobilidade humana da imigração como do turismo, e imprimem uma das principais marcas do modo de vida de grande parte das cidades contemporâneas, principalmente aquelas denominadas como capitais: a heterogeneidade social e cultural (Velho, 2011; Augé, 2010; Simonicca, 2007; Hall, 2004 e Hannerz, 1999). A Rua Leganitos é identificada na cidade de Madrid e propagada (principalmente pelos meios de comunicação locais) como “la calle de los chinos”, quer dizer, como a “rua dos chineses”, ou ainda, como a “Mini-Chinatown”. Esta representação se dá devido a abundante presença de comércios de imigrantes da China naquela rua, onde todos, sem exceção, são atendidos por chineses. Porém, apesar desta característica, neste artigo não desejo ratificar a representação “a rua dos chineses”. Pelo contrário darei visibilidade a outras representações, outros pontos de vista e sentidos atrelados a Leganitos, que também é lugar de habitação, de trabalho, de trânsito, de vivências e memórias de outros sujeitos. Leganitos foi abordada por mim desde a perspectiva da antropologia urbana, através de um trabalho etnográfico onde me vali, dentre outras técnicas de pesquisa, do caminhar junto (Jolé, 2005) e da etnografia de rua (Eckert e Rocha, 2003). É sobre essas duas técnicas de pesquisa em particular que eu gostaria de expor aqui, através de minha aproximação com elas durante o trabalho de campo. O objetivo deste artigo é o de compartilhar o exercício da tentativa de produzir conhecimento sobre o espaço urbano e a cidade, por meio de alguns preceitos que envolvem o ato de caminhar junto e de realizar uma etnografia de rua. Entre as considerações apresentadas sublinha-se que, a partilha da experiência de percorrer uma rua ou as ruas de um bairro através de caminhadas junto aos interlocutores de pesquisa pode gerar subsídios enriquecedores para a composição de uma etnografia urbana.
Apresentação Oral em GT

Palmas para o turismo itinerante: a experiência urbana e identitária de uma cidade de migrantes, pioneiros e forasteiros no Tocantins

Autor/es: Ricardo Bruno Cunha Campos, Profa. Dra. Elisa Maria dos Anjos (UNITINS) Fundação Universidade do Tocantins Prof. Me. John Max Santos Sales (UNITINS) Fundação Universidade do Tocantins
Este trabalho discute o fluxo turístico e o habitat itinerante que marca a cidade de Palmas, capital do Tocantins. Pensando a partir de uma pesquisa exploratória nos espaços públicos da cidade, discutimos a experiência urbana da mais recente capital do país que é fortemente caracterizada por ser uma cidade que atrai migrantes/turistas de todos os lugares e regiões. Palmas é uma cidade planejada e é considerada como uma das mais promissoras “cidades sustentáveis” do século XXI, estando inclusive citada no rol das capitais com maior potencial para o desenvolvimento econômico baseado no turismo. A cidade além de receber investimentos internacionais via BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para que se torne uma capital sustentável e turisticamente atrativa, também conta com uma imagem midiática forte que propaga a cidade como “lugar” acolhedor e enquanto uma “terra de oportunidades”. Marcada por um histórico de ser uma capital que “surgiu no meio do nada”, a cidade, apesar de planejada e de um plano diretor bem definido, teve ao longo de sua pequena história (26 anos), um crescimento urbano vertiginoso que abarcou aspectos significativos do capital e do capitalismo tardio ou maduro, ou seja, a segregação sócio-espacial e os vazios urbanos são marcas constituintes e fundamentais do seu território e de seus espaços públicos, como as praças, ruas e longas avenidas. A cidade possui a segunda maior praça pública do mundo – A Praça dos Girassóis, e a Praça do Bosque dos Pioneiros, onde há uma sociabilidade latente. Também ostenta monumentos imponentes de arquitetura urbana, mas, ao mesmo tempo, possui em seu plano diretor, grandes “vazios”, caracterizados pelos “não-lugares” (Augé, 1994); principalmente nas ruas, praças e quadras internas dos bairros. Pensando estas dicotomias para o futuro das cidades brasileiras e suas experiências urbanas, tomando Palmas, a “princesinha do Brasil”, como uma “cidade laboratório” (Agier, 2011), encontramos a incidência em nossa pesquisa das categorias chave que representam ao mesmo tempo uma necessidade de afirmação de pertencimento ao lugar – que “afasta” os turistas e recém-chegados representados no imaginário urbano e no cotidiano (De Certeau, 2013) (Categoria dos “pioneiros” x “forasteiros”). Como esses conflitos e aproximações ocorrem na dinâmica da cidade, vivenciada no uso dos espaços, bem como na ocupação do seu território ao longo do tempo? Assim, discutimos a partir da interdisciplinaridade entre as Ciências Sociais e as Ciências Econômicas o futuro e o desenvolvimento das cidades brasileiras a parir dessa “cidade laboratório” e suas experiências urbanas migrantes de fixação e de fluxo.
Apresentação Oral em GT

Da cidade à natureza: imaginário urbano e prazer turístico.

Autor/es: Romain Jean Marc Pierre Bragard
As relações entre turismo e urbanidade podem ser abordadas questionando a complexidade da própria dinâmica urbana contemporânea. Hoje primeira indústria do mundo, o setor turístico continua sua expansão, diversificando suas ofertas em termos de destinos e modalidades de visita. Ora, este processo cultural apresenta uma particularidade relevante: o turismo é um fenómeno urbano (Lefèbvre) que oferece uma experiência de ruptura com um cotidiano também urbano. Assim, a urbanidade parece produzir um “antídoto” aos seus próprios “males” (Corbin, 1988). Conhecer alhures distantes ou próximos, apresenta-se como uma estratégia afetiva que proporciona uma ruptura na vida dos sujeitos urbanos. Marcador temporal, trabalho da identidade e do laço social, vetor de transformação como de reprodução social, o turismo consiste em um ritual urbano (aqui chamado de “ritual excursivo”) amparado por uma mitologia também urbana (Urbain, 2002). Proponho expor resultados e perspectivas de trabalho sobre o turismo ecológico, com base em etnografias realizadas no Brasil e na França. Mais precisamente, questionarei a lógica afetiva que leva sujeitos citadinos a praticar caminhadas pedestres em busca do contato com a natureza. Destacarei como a urbanidade produz um “desejo de natureza” por meio de uma mitologia que “coloca em desejo” tanto os destinos, quanto as modalidades de prática. Descrevendo as dimensões imagéticas e tecnológicas (midiascape e tecnoscape nos termos de Appadurai, 2004) do “trabalho da imaginação” necessário ao engajamento corporal na prática excursiva (Warnier, 1999), mostrarei como a urbanidade mobiliza intensamente o significante “natureza” e analisarei como este significante funciona na articulação entre sujeito e cultura. Com efeito, observamos que a urbanidade não cessa de celebrar a natureza: propagandas de higiene, de alimentos, de lazer e até de setores de atividades muito predadores para o meio-ambiente (petróleo, nuclear) nos convidam (obrigam?) a amar a natureza. Para além de qualquer realidade física, “a natureza” aparece como um “significante mestre” (Lacan) que ampara um dispositivo produtor de ações que visam uma saída (mítica) da urbanidade. Em diálogo com as discussões clássicas da antropologia, veremos que o turismo ecológico ocupa uma função ritual universal: performar e experimentar, mesmo que em nível inconsciente, uma mitologia que trata a questão das origens da sociedade. Assim, proporei a hipótese (a ser discutida), segundo a qual a atratividade da natureza no turismo provém de um tratamento moderno da angustiante questão do estatuto da humanidade diante do mundo físico. A natureza visitada no quadro do turismo apresentar-se-ia então como “boa para pensar” a condição urbana dos caminhantes nas suas variações culturais modernas.
Apresentação Oral em GT

O fotojornalismo de Canindé Soares entre a fé e o turismo: Reflexões sobre a emergência de novas paisagens no interior nordestino

Autor/es: Sylvana Marques, Maria Lúcia Bastos Alves
A fotografia, a paisagem e o turismo se estabelecem em elementos socioespaciais privilegiados para a análise das performances e produções espaciais. A tríade tem o olhar como condicionante. São elementos estratégicos para problematizar relações sociais, pois carregam em si um espaço resultante do conflito dessas relações. Das variáveis que dão forma aos espaços escolhemos fotografias de paisagens captadas pelo fotojornalista Canindé Soares. São imagens inscritas na atual demanda social de políticas públicas estatais direcionadas ao fomento do turismo no interior nordestino. Com lugar social privilegiada no campo profissional, o fotógrafo, alimenta a imprensa e outros projetos editoriais ligados à produção de informação de atualidade. Seu trabalho é primordial para a compreensão de acontecimentos que desenrolam-se em um movimento contínuo de trocas e adesões, acompanhados por embates, utilização e domínio dos espaços, situações sedimentada numa existência concomitante à vida cotidiana. Nesse texto, priorizamos para análise a cidade de Santa Cruz, localizada no interior do estado do Rio Grande do Norte. Diante das fotografias problematizamos a ordenação e instrumentalização do olhar que se dá sobre as paisagens pelas políticas públicas em torno do turismo. A ideia é que são produzidas paisagens espetacularizadas sobre grande influência do discurso do turismo direcionado as políticas de combate a pobreza. Apreendendo a fotografia em seu sentido mais amplo trataremos da compreensão dos significados construídos que legitimam e divulgam a produção e o ordenamento espacial dessas paisagens em seu processo de caracterização enquanto um espaço turístico. Para tal, além do material produzido por Canindé Soares, recorremos às operações teóricas desenvolvidas por Lefebvre (1991a, 1991b), Walter Benjamin (1987), Guy Debord (2003) e Georges Didi-Huberman (2010, 2013). Metodologicamente organizamos as fotografias em séries temporais e temáticas, abordando-as enquanto um discurso. A fim de ultrapassar as análises binárias dividimos-as em três níveis de observação experimental: convergente, divergente e insurgente. Às observações acrescentamos os direcionamentos dados por Georges Didi-Huberman, no qual afirma que para além de ser um objeto compreendido a partir de si mesmo a fotografia é um enquadramento recortada pelas distintas relações que a circunscrevem. Desse eixo desmembram-se questões que norteiam o entendimento do processo de produção, enquadramento, espectacularização e (re)elaboração espacial, a fim de romper com a naturalização que padroniza e espetaculariza os espaços, fixando nele as relações de modo a-histórico.
Apresentação Oral em GT

A cena gótica paulistana: apropriações do espaço urbano e processos de identificação

Autor/es: Douglas Delgado
A partir de etnografia em espaços frequentados por góticos na cidade de São Paulo, o presente projeto busca contribuir para a compreensão de duas questões centrais para o debate da antropologia urbana: de um lado, as formas específicas de apropriação do espaço urbano e as categorias analíticas para sua apreensão (cena, circuito, trajeto) e, de outro, a relação entre consumo e processos de identificação, visando identificar os bens e elementos culturais apropriados e ressignificados pelos adeptos do grupo, com vistas a estabelecer elos de pertença e fronteiras simbólicas. Como hipótese é trabalhada a ideia de que a cena é uma noção que envolve não só a dimensão espacial, mas também uma temporalidade, porque ela é construída no arranjo de categorias e discursos que são reorganizados e redefinidos através da prática de atores sociais. A segunda hipótese a ser trabalhada é a de que os processos de identificações com o estilo gótico passam, em boa medida, pela apropriação e ressignificação de bens de consumo.
Palavras chave: cidade, etnografia, identificação
Pôster em GT

Comunidades Indígenas na Cidade de Manaus: patrimônio cultural, atividades criativas e Turismo

Autor/es: Mayra Laborda Santos, Chris Lopes da Silva
Na pesquisa intitulada “Comunidades indígenas na cidade de Manaus: patrimônio cultural, atividades criativas e turismo”, desenvolvida a partir de 2015 na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), busca-se refletir particularmente, sobre os indígenas citadinos que vivem em Manaus, seu patrimônio cultural (material e imaterial) e a inserção desse patrimônio nas atividades turísticas locais. Tem-se como objetivo geral: realizar um estudo sobre o patrimônio cultural e as atividades criativas realizadas pelas comunidades indígenas na cidade de Manaus e que são usados como alternativa de geração de renda e/ou como promoção cultural. Como objetivos específicos: identificar o patrimônio cultural das comunidades indígenas que vivem na cidade de Manaus-Am; caracterizar as atividades criativas (artesanatos, pinturas, grupos de música e dança indígenas, dentre outros) utilizados como alternativas de geração de renda; relacionar as atividades culturais e criativas com a perspectiva do turismo, enquanto promotor do patrimônio cultural. Em termos metodológicos a presente pesquisa caracteriza-se como uma abordagem socioantropólogico, na perspectiva da pesquisa qualitativa, fundamentada no trabalho de campo e na pesquisa bibliográfica e documental. Os dados preliminares apontam que, no contexto atual, há uma discrepância entre a diversidade cultural indígena (suas atividades culturais e criativas) e o Turismo na cidade de Manaus, quando deveria haver uma estreita relação entre eles. Existem na cidade de Manaus, de acordo com dados levantados durante a pesquisa de campo, 27 comunidades e/ou associações indígenas, distribuídas entre os bairros da Zona Leste, Norte e Centro-oeste, evidenciando um rico patrimônio cultural indígena na referida cidade. Considera-se o Turismo um dos importantes instrumentos para a promoção da cultura e da identidade étnica, há registros em alguns lugares do país em que o Turismo contribuiu significativamente, é o caso do povo Pataxó, na Bahia. Em Manaus, infelizmente, observa-se um forte processo de invisibilidade dos povos indígenas, herança do histórico de colonização do país, que ainda tem seus ecos no momento atual, demandando política públicas que atuem sobre essa realidade e a modifique.
Pôster em GT