Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Pôster


 

1º Lugar
Andreza Azevedo Cunha (UFF) / Orientadora: Lucía Eilbaum (UFF)
“Representações, Moralidades e Conflitos nos casos de Violência Sexual contra as Mulheres: uma análise sobre os discursos”

2º Lugar
Caio Nobre Lisboa (UFPB) / Co autores/as: Geraldo de França Alves Júnior  (UFPB) / Orientador: João Martinho Braga de Mendonça (UFPB)
“Importância social e performance dos músicos no contexto do desfile cívico em Rio Tinto - PB: um estudo de caso”

3º Lugar
Evelyn Talisa Abreu de Oliveira (UFPA) / Co autores/as: Débora Monteiro dos Santos (UFPA), Dyenne Héllen do Rêgo Santiago (UFPA), Élida Nascimento Monteiro (UFPA) / Orientadora: Edna Ferreira Alencar (UFPA)
“Os Pequenos Fios de "Itancoã-Miri"”

4º Lugar
Caroline Silveira Sarmento (UFRGS) / Co autores/as: Patrice Schuch  (UFRGS) / Orientadora: Patrice Schuch (UFRGS)
“Mulheres na rua: experiências, práticas e desafios”

5º Lugar
Delza da Hora Souza (UFSC) / Orientadora: Leticia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC)
“ O papel do Grêmio Estudantil nas discussões de Gênero e Sexualidades nas escolas”


Alimentando um estilo de vida: Análise do significado da produção e comercialização de alimentos orgânicos na Feira da APOAM

Autor/es: Ademir Oliveira Souza Filho, Raquel Wiggers
A agroecologia vem sendo base de produção de alimentos em inúmeras feiras no Brasil inclusive no Estado do Amazonas. A pesquisa se propõe a analisar os significados e motivações da produção e comercialização de alimentos orgânicos por aqueles que o produzem, agricultores de base familiar. O campo foi realizado na feira da Associação dos Produtores Orgânicos do Amazonas (APOAM), realizada semanalmente no pátio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A associação é integrante da Rede Maniva de Agroecologia (REMA), que reúne pesquisadores, técnicos, agricultores e consumidores para a reflexão sobre o pensamento agroecológico. A interação do profissional da antropologia junto com os agricultores procurou coletar dados, seja por meio de entrevistas abertas e a descrição da dinâmica e configuração da feira pela observação, no intuito de construir hipóteses sobre o sistema lógico de pensamento sobre o alimento produzido. As análises puderam mostrar que os significados são construídos numa configuração tensionada entre a história alimentar de cada família e a construção de um estilo de vida agroecológico, reiterado, ensinado, confrontando práticas e valores.
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Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça: a Experiência na Empresa Eletrosul

Autor/es: Adriana Barth Barbaresco
Os estudos de gênero e feminismos têm mostrado que, apesar dos avanços e conquistas obtidos através de muitas lutas, as mulheres ainda enfrentam muitos obstáculos, desafios a serem superados. Entre eles, podemos destacar a hierarquia entre homens e mulheres e como essa hierarquização acaba naturalizando e legitimando a violência e a opressão contra as mulheres. Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa etnográfica em oficinas realizadas em outubro de 2014, em março e em agosto de 2015, com turmas compostas por funcionárias/os e colaboradoras/es da empresa Eletrosul, uma empresa pública controlada pela Eletrobrás e vinculada ao Ministério de Minas e Energia do Brasil, e que esteve inscrita na quinta edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça do Governo Federal. O objetivo geral do programa é de promover a igualdade de gênero e raça no espaço de trabalho, superando as assimetrias salariais e de ocupação de cargos gerenciais verificada entre homens e mulheres, brancas/os e negras/os. As atividades e dinâmicas desenvolvidas durante o curso partiram do conhecimento de mundo(s) das/os participantes, com o intuito de estimular as discussões voltadas para as questões de gênero relativas ao sexismo, machismo, etnocentrismo, história das mulheres, violências de gênero, relações étnico-raciais e sexualidades.
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La Otra Educación: Uma reflexão sobre a proposta de educação zapatista, identidade e autonomia a partir das Declarções da Selva Lacandona.

Autor/es: Aiano Bemfica Mineiro
Desde a Primeira Declaração da Selva Lacandona (1994) até o presente, foram construídos dentro do território zapatista em Chiapas, sul do México, mecanismos e estratégias sociais que buscam a autonomia e a auto-determinacão dos diferentes povos que compõem a base social do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Centrado na análise de documentos, mas travando também diálogos com outros teóricos e pesquisadores latino-americanos e suas bibliografias, esse artigo parte da análise das seis Declarações da Selva Lacandona, documentos programáticos produzidos pelo EZLN, para estabelecer uma reflexão que articula a proposta de educação autônoma desenvolvida em Chiapas e as categorias de identidade e autonomia. Entendendo que a escola, enquanto instituição, cumpre historicamente função estatizante em relação ao indivíduo e ao grupo - operando no sentido de construir ‘identidades’, ‘tradições’ e ‘memórias’ -, um modelo próprio de educação autônoma cobra fundamental importância. Afinal, se apresenta como uma forma complexa de resistência social e cultural, e um dos pilares fundamentais dessa nova estrutura social; uma vez que a consolidação de um projeto educacional próprio é uma das instâncias que irão provocar rupturas e re-significacações no campo simbólico, problematizando a fundo a perspectiva colonial historicamente dominante, ambas etapas fundamentais para a superação da crise frente à proposta de uma Nação mono-identitária e sua práxis colonialista.
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Charles Wagley no Museu Paraense Emílio Goeldi

Autor/es: Aldair da Silva Freire, Catrine Coelho Pinheiro Renata Priscila Rodrigues Ventura
O presente trabalho tem como foco investigar a presença de Charles Wagley (1913-1991), antropólogo estadunidense, e sua ligação com o MPEG. Seus trabalhos e suas contribuições para/com o Museu Goeldi resultaram em uma medalha de ouro recebida em outubro de 1981 do INPA– o MPEG, na época, era subordinado ao INPA. O levantamento dos dados está se dando por meio de análise documental e bibliografia no MPEG- com consulta a artigos, livros, relatórios, cartas, memorando, fotos e etc. O acervo inicialmente em analise é o Fundo Eduardo Galvão– devido à proximidade profissional entre Wagley e Galvão- na CID/MPEG. Esta pesquisa se encontra em andamento por meio do projeto “Charles Wagley como articulador Interinstitucional” coordenado pela profa. Wilma Leitão. Pudemos notar que uma de suas características era a preocupação com a formação de profissionais em/na Amazônia, exemplo: Eduardo Galvão no cenário mais amplo e Samuel Sá no cenário regional, e outros. Seus discípulos deram continuidade à formação de profissionais na região Amazônica, Galvão juntamente com Oracy Nogueira e outros, fizeram cursos de aperfeiçoamento, palestras e seminários para a formação de cientistas sociais, técnicos e profissionais de outras áreas, por meio do CESCA, assim suprirem as necessidades de órgãos como a SUDAM. O brasilianista, Wagley, ajudou, principalmente, na institucionalização da Antropologia na Amazônia, articulando instituições nacionais e internacionais. Palavras-chave: Wagley; MPEG; formação
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O processo da viuvez para a mulher: uma experiência em Moçambique

Autor/es: Aline Beatriz Miranda da Silva
Moçambique é um país localizado na África Subsaariana e sua capital, cidade de Maputo, está situada na costa sul do país. Há cerca de 40 anos o país conquistou sua independência , tendo em seu histórico a colonização portuguesa e duas importantes guerras. São as tradições Bantú que marcam a diversidade da maioria dos grupos que habitam Moçambique e, na capital, os grupos predominantes são Ronga e Changana. Há alguns anos em Maputo, mulheres viúvas têm reivindicado direitos relacionados à herança e à guarda dos filhos, além de terem queixas sobre certas práticas que lhe são impostas após a morte de seus maridos, como por exemplo, Kubasisa e Namurapi. Foi nesse contexto que surgiu a AVIMAS – Associação das Viúvas e Mães Solteiras, criada em 1997 com o objetivo de proteger os direitos dessas mulheres. Na AVIMAS conheci algumas viúvas e a partir de vivências no local, de conversas e entrevistas com essas mulheres, procurei entender quais eram as implicações da viuvez em suas vidas. Pude identificar três momentos distintos que caracterizam a vida dessas mulheres: o casamento e a viuvez, considerados por mim como status distintos; e o período de 7 dias referente à transição entre esses dois momentos. Na pesquisa analisei ainda como a viuvez afeta as relações sociais e familiares das mulheres e como organizações semelhantes à AVIMAS são importantes, por serem espaços de vivências e de lutas, além de referência ao se tratar da proteção dos direitos das mulheres.
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A comunidade quilombola de Castainho e a relação com o contexto urbano

Autor/es: Alyce Alcantara de Andrade, Matheus Freire de Oliveira Couto
O levantamento dos dados sobre as comunidades do estado foi realizado através das informações da Fundação Cultural Palmares (FCP), INCRA, teses, dissertações, monografias e artigos sobre o assunto. Após essa etapa, os dados foram sistematizados e apresentados em fichas sobre as questões referentes às comunidades. Dentre as informações mais gerais, estavam os conflitos nos territórios dos quilombos e a situação judicial em que se encontram. Após o preenchimento das fichas referente à comunidade de Castainho, localizada no município de Garanhuns, agreste de Pernambuco, chamou-nos a atenção sobre a sua estreita relação com a área urbana. Chegou a ser denominada, entre as décadas de 1970 à 1980, como um bairro rural de negros e, nas últimas décadas, essa relação veio sendo intensificada, pois sua população exerce muitas atividades na cidade de Garanhuns. Por possuir um alto valor comercial, em razão da proximidade com o centro urbano, e boa área para agropecuária, o território de Castainho acaba sendo objeto da especulação imobiliária. Diante do contexto apresentado, este trabalho objetiva, através de pesquisa documental, caracterizar as relações existentes entre a comunidade de Castainho e o centro urbano, considerando as relações sociais, econômicas e políticas. Especial destaque é dado à especulação imobiliária em relação às terras em que vive a comunidade de Castainho
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O processo do envelhecimento.

Autor/es: Ana Paula Nunes Ferreira
Na atual conjuntura social os idosos têm ganhado representatividade devido seu crescimento quantitativo, o mundo esta em processo de envelhecimento.O capital descobriu um novo nicho de mercado e o estado toma medidas para se adequar à nova composição social. A velhice enquanto condição é uma imposição da sociedade, e o indivíduo sob tal circunstância pode tender ao isolamento social e reclusão de suas relações a grupos fechados. Velhos são vitimas de discriminação e violências que a falta de interação social ajuda a omitir. Objeto de pesquisa: A construção da velhice enquanto um processo de identificação social e as mudanças causadas pelo aumento da população idosa no âmbito da sociedade. Objetivos: Analisar o Processo do Envelhecimento e as mudanças que tem causado no âmbito social; Identificar as construções sociais em torno da velhice ao longo da história; Perceber a forma com que a sociedade e o poder governamental têm ajustado suas ações ao aumento da longevidade; Discutir a questão da violência contra idosos levantando os principais aspectos e fatores de risco. Metodologia: Revisão bibliográfica; Pesquisa de campo que investiga as formas de socialização, levando em consideração as relações sociais dentro da família, instituições religiosas, grupos comunitários, casas de repouso, etc. Palavras–chaves: Envelhecimento;Processo;Adequação;Socialização;Função Social. Principais referências: BEAUVOIR, S. de. A Velhice. BARROS, M. M. L. de. Velhice ou Terceira Idade?
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Movimentos sociais em defesa do Rio Jacaré em Oliveira-MG: uma análise

Autor/es: Ana Paula Santos Rodrigues
O objetivo deste trabalho é analisar a ação dos movimentos sociais em defesa do Rio Jacaré em Oliveira- MG. Para tanto, utilizamos como metodologia a análise documental de jornais, revistas e de grupos do facebook sobre assuntos ligados à cidade, além de entrevistas com ativistas ambientais e integrantes da ONG GRAMDS. Também foram realizados trabalhos de observação participante em reuniões da ONG e no evento Todos pelo Rio Jacaré, organizado por esta em parceria com a administração pública local para o lançamento do Fundo Municipal de Meio Ambiente. Observamos que existem ativistas que não se organizam como um grupo e pautam com maior incisão aspectos mais conflituosos, como a presença de dragas de areia, destruição da mata ciliar por fazendeiros etc. Por sua vez, a estratégia da GRAMDS é agir de maneira a evitar conflitos, tendo como foco a implantação do projeto produtor de água. Os movimentos em defesa do Rio Jacaré possuem em comum, discursivamente, o uso da ideia de desenvolvimento sustentável e o objetivo de trazer à esfera pública a discussão sobre a degradação do rio, o que tem dado resultado, como pode ser percebido pela quantidade de pessoas que compareceram ao evento Todos pelo Rio Jacaré, a maior adesão aos tópicos sobre Meio Ambiente nas redes sociais e o aparecimento do rio como pauta mais frequente nos jornais locais e regionais.
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Etnografia e História de Vida de um Estudante com Deficiências Múltiplas na Escola Pública do Recife-PE

Autor/es: Anderson Rodrigues Ramos, Erisvelton Sávio S. de Melo
O texto tem como objetivo abordar por meio da etnografia como é o cotidiano de um estudante com múltiplas deficiências no ensino básico de uma escola da rede pública da cidade do Recife-PE. Considera-se que o número de estudantes com deficiências múltiplas vem aumentando cada dia mais nas escolas públicas, surgindo dessa forma, uma curiosidade sobre como se dá a inclusão desses estudantes no dia-a-dia da escola e da sala de aula. Partindo da etnografia realizada há um questionamento sobre a ocorrência ou não na garantia dos direitos que lhes são assegurados no Estatuto da Pessoa com Deficiência na escola pública. Partindo da premissa de como se processa o ingresso do estudante com múltiplas deficiências na educação básica foram sendo postas, também, outras questões de inclusão e práticas didático-pedagógicas. Como metodologias foram utilizadas a pesquisa etnográfica por meio da observação direta e o relato da história de vida de um estudante com deficiências múltiplas. Assim, é possível identificar como primeiras considerações que a escola pública necessita organizar um espaço apropriado para receber os estudantes com deficiência múltipla. Muitos desses estudantes vêm enfrentando várias barreiras físicas e de aceitação no aspecto inclusivo do cotidiano escolar, como foi perceptível observar por meio da etnografia e da história de vida do estudante na escola pública.
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Harmony Korine e a potência da imagem etnográfica

Autor/es: André Di Franco Michell de Paula, João Campos
Harmony Korine talvez seja um dos diretores mais consagrados do cinema norte-americano atualmente. Transitando entre filmes independentes em formatos alternativos e megaproduções hollywoodianas, Korine chegou a ser considerado o futuro do cinema americano por Werner Herzog. Embora sempre ficcionais, as obras do autor estão marcadas por um caráter documental, na constante busca em retratar realidades específicas, no uso de não atores, em intensos trabalhos de pesquisa prévia etc.  O seguinte trabalho procura, portanto, analisar o primeiro filme de Korine como diretor, Gummo, buscando interpretar, entre o processo e a obra final, as diversas infiltrações etnográficas presentes no filme. No sentido de que "o olhar e o ouvir constituem a nossa percepção da realidade focalizada na pesquisa empírica” (Oliveira, 2006, p. 31), procuramos entender como as decisões estéticas e, por fim, o trabalho de campo do diretor em Xenia – Ohio, estabelecem um porvir intrinsecamente etnográfico ao filme.  Através de retratos tão críveis quanto reais, argumentamos que a obra de Korine se situa num entre lugar, combinando a ficção e a realidade numa espécie de fricção imagética. O resultado deste experimento produz uma saída poética aos clichês estéticos presentes no mundo do cinema, enriquecendo o processo criativo do cineasta, seja ele documentarista ou não. *OLIVEIRA, Roberto Oliveira de. O trabalho do antropólogo. 3. ed. São Paulo: Paralelo 15, 2006. Capítulo 01.
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“Dane-se a fobia: preconceito fora” – Regulações, controles, e superação das desigualdades de gênero em ambiente escolar a partir das oficinas do projeto papo sério

Autor/es: Andre Luís da Rosa
O objetivo deste trabalho é expor resultados de pesquisa realizada no âmbito do Projeto Papo Sério- realizado pela equipe do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades- em uma escola pública de Ensino Fundamental de Florianópolis com foco nas regulações e controles de sexualidades de alunas/os adolescentes em ambiente escolar. Propomos, então, estudo de caso observado na referida escola. Foi-nos relatada, em oficinas, a forma como a direção da escola pressionava um casal de alunas a “se assumirem” publicamente, em particular para as famílias, alegando que só permitiriam o namoro na escola com o aval familiar. Não se tratava, porém, de proibição do namoro lesbico, mas da exigência de que as meninas saíssem do armário frente à suas famílias. Após a intervenção de participantes do Projeto junto à direção problematizando o “problema” do namoro lésbico no espaço escolar, a escola engajou-se no Concurso de Cartazes contra a Homolesbotransfobia, produzindo cartazes que foram premiados. Além desta atividade, que envolveu a totalidade da escola, um grupo de estudantes, estimulados pela professora de Musica (também pesquisadora em gênero) criaram a canção intitulada “Dane-se a Fobia: preconceito fora”. Analisaremos neste pôster como se deram diferentes abordagens da temática homo-lesbo-transfobias nas atividades pedagógicas e disciplinares desta escola, refletindo sobre como se dão regulações, controles e superações das desigualdades de gênero em ambiente escolar.
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Representações, Moralidades e Conflitos nos casos de Violência Sexual contra as Mulheres: uma análise sobre os discursos

Autor/es: Andreza Azevedo Cunha
O presente trabalho, de cunho etnográfico, busca analisar a construção de “verdades” e de moralidades nos casos de “violência sexual” contra as mulheres, no Estado do Rio de Janeiro. Tem-se como objetivo compreender e discutir a forma como são construídos e legitimados, ou não, diversos tipos conflitantes de depoimentos e construções discursivas (orais ou escritas) em diferentes instâncias que envolvem: o âmbito policial e judicial, as demandas acionadas pelos movimentos sociais (em especial, os ligados ao “movimento feminista”), e as declarações de “leigos” (réus, vítimas e testemunhas), todos envolvidos especificamente em casos de “violência sexual” contra mulheres. Esses discursos criam campos de disputa entre esses agentes, onde, pelo menos, duas partes concorrem na legitimação e imposição de sua própria versão, contribuindo, ou não, para a classificação desses casos em “crime”. A partir dessa análise, procura-se evidenciar os valores morais a partir dos quais são ouvidos, tratados e interpretados esses depoimentos e, assim, através de pesquisa empírica, identificar e compreender a disputa de significados das múltiplas produções de “verdades”, afetando, até mesmo, a disposição dos corpos nos espaços públicos. Cabe ressaltar que o debate a respeito da “violência sexual” contra a mulher, abrange uma série de questões que incluem desde aspectos éticos e morais até argumentos da saúde e do direito jurídico, que incidem diretamente no âmbito da segurança pública.
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CAMINHOS E ESTRADAS: processos de territorialização e conflitos socioambientais em Santa Rosa dos Pretos/ MA.

Autor/es: Anne Carollinne Cunha Rodrigues, Dayanne da Silva Santos Anne Caroline Cunha Rodrigues
As roças, os igarapés, as casas e seus caminhos em Santa Rosa dos Pretos disputam espaço com as estradas ferroviárias e rodoviárias que conduzem produtos para o porto em São Luís produzindo conflitos locais e institucionais. O território reivindicado para a titulação junto ao INCRA pela comunidade quilombola encontra sobre suas fronteiras uma estrada de ferro, construída na década de 80, para o escoamento da produção de ferro das minas de Carajás, no PA, e também a projeção de sua duplicação para o escoamento de produtos de uma nova mina; a rodovia federal Br 135, da década de 1970, e o início das atividades para sua duplicação; os linhões da Eletronorte; uma fazenda; e um assentamento da reforma agrária instalado pelo INCRA, em 1980. Nesse trabalho analisamos as configurações locais e institucionais dos conflitos envolvendo as tensões relacionadas às dinâmicas de instalação da estrutura logística de empreendimentos minerários e de infraestruturas para a produção e exportação decommodities e as estratégias de resistência e luta das lideranças de Santa Rosa dos Pretos pela garantia de seu território. Tomamos noções como espaço de mediação e as discussões sobre o lugar na análise das disputas travadas. Apresentamos resultados de um trabalho em andamento iniciado em novembro de 2014, que envolve a realização de entrevistas com lideranças, procuradores, militantes, etc., acompanhamento de reuniões, protestos e festejos e ainda a análise de documentos jurídicos e administrativos.
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Salvaguarda da Capoeira no estado do Rio de Janeiro: apontamentos e reflexões

Autor/es: Antonina de Lima Fernandez
Na segunda metade do século XX difunde-se internacionalmente a noção antropológica de cultura como “solução” para problemas como racismo e etnocentrismo. Ideias e ações de valorização das diferenças culturais culminaram na criação da UNESCO, em 1947. No Brasil, é Aloísio Magalhães que vai propor a associação do conceito antropológico de cultura às políticas de patrimônio enquanto esteve à frente da direção do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1979, procurando envolver diversidade cultural, religiosa e étnica. Em 2000 temos no Brasil a criação do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial, que propõe o inventário de bens culturais de natureza imaterial, o registro daqueles dotados de significativa relevância e sua salvaguarda. O trabalho que apresento busca analisar o desenvolvimento do Conselho de Mestres de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro (CMCRJ): grupo formado no âmbito do Plano de Salvaguarda da Capoeira do RJ, com sessenta Mestres do estado. Como parte da análise foi primordial entender como os Mestres encaravam o Conselho e o que essa organização, proposta por uma instituição do Estado, significava para eles. Apresento também a relação tecida entre o eu-pesquisadora/eu-representante do IPHAN e detentores, uma vez que integro a equipe da Assessoria de Patrimônio Imaterial do IPHAN-RJ: eu mesma era uma peça do meu campo enquanto representante do IPHAN-RJ.
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Fazer Etnográfico: uma experiencia no processo de ensino e aprendizagem das práticas antropológicas em espaços formativos

Autor/es: Beatriz Demboski Búrigo, BEATRIZ DEMBOSKI BURIGO FELIPE BOIN BOUTIN
A expansão da Antropologia compreendida a partir de suas mais diversas formações não pode se desvincular de discussões sobre questões relacionadas aos processos de ensino e aprendizagem da ciência antropológica e de como esses processos são inseridos em espaços formativos. Portanto, faz-se necessário o desenvolvimento de debates e estudos sobre as particularidades do aprendizado de ser antropólogo e de fazer antropologia. Este presente trabalho nos apresenta informações que contribuem para a análise do processo de aprendizagem do fazer etnográfico, especificamente, possui como objetivo compreender como é produzir etnografia na sala de aula. Compreendemos que este debate sobre como aprender a fazer etnografia é demasiadamente importante para a constituição de nossa trajetória como Cientistas Sociais em formação. Ao analisarmos as práticas utilizadas nas investigações empíricas e as formas como são conduzidas, vários questionamentos sobre os processos de ensino podem ser levantados. Sendo assim, com base em leituras bibliográficas e na realização de entrevistas semi-estruturadas, além da investigação de campo, este trabalho apresenta como se deu este processo de aprendizagem e realização de etnografia multi-situada em sala de aula, a partir da realização de uma pesquisa de iniciação científica sobre as trajetórias e formação dos professores de sociologia da educação básica, graduados e não graduados em Ciências Sociais, que atuam na rede estadual de ensino em Florianópolis.
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“Ir atrás das coisas” na luta Tembé Tenetehara

Autor/es: Breno Neno Silva Cavalcante
“Ir atrás das coisas” é a categoria usada pelos Tembé Tenetehara para referir à busca dos direitos que acreditam ter. A categoria é forjada no contexto de afirmação política da pertença etnicamente diferenciada, após anos de homogeneização, e oferece-nos caminhos para compreender o sistema jurídico Tembé. Em várias oportunidades, a categoria é acionada, sobretudo quando os interlocutores agenciam seus direitos a partir das demandas discutidas coletivamente na Associação Indígena Tembé de Santa Maria (AITESAMPA). Apoiado nos referenciais teóricos do Pluralismo Jurídico – concepção que questiona o Estado como único ente a estabelecer normas jurídicas – afirma-se, via observação participante, que existe um sistema jurídico diferenciado entre o povo Tembé, que pode ser vislumbrado pelas diversas agências do coletivo, em que pese a contaminação sofrida pelas relações interétnicas. Os registros feitos demonstram reivindicações que acionam uma dupla cidadania expressa na demarcação do território tradicionalmente ocupado; no acesso às políticas públicas do Estado, como o Cheque Moradia, programa habitacional do Governo do Pará; e ainda, na escola, quando em contraponto aos demais, acionam sua identidade étnica. A realização de oficinas sobre Diversidade, em duas escolas públicas do município de Santa Maria/Pará, facilitou o contato com os interlocutores em campo, e permitiu verificar como os Tembé se relacionam com a sociedade envolvente, na luta por direitos de cidadania.
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“Aqui cada miritizeiro tem um nome: humanização de miritizeiros em comunidades ribeirinhas e urbanas na Amazônia Oriental

Autor/es: Bruno Rodrigo Carvalho Domingues, Bruno Rodrigo Carvalho Domingues Fagner Freires de Sousa
Este trabalho socializa pesquisas desenvolvidas no município de Abaetetuba – Pará, relacionando identidades culturais e a agrobiodiversidade, em especial, o miritizeiro e suas implicações culturais, sociais, econômicas e na segurança alimentar dos sujeitos sociais. A ilha Sirituba, onde desenvolvemos a pesquisa, possui diversas árvores frutíferas e palmeiras que guardam relevância inconteste para as famílias, tais como o açaí e o miriti. O miritizeiro é considerado na cidade como uma palmeira “santa”, ou palmeira “mãe”, devido suas múltiplas utilidades. A medula do pecíolo da planta, ou bucha, como os agentes preferem dizer, se transforma em brinquedos, artesanato. Os frutos alimentam as populações das ilhas e do centro urbano, seja num aspecto biológico ou cultural. Quando a vida da palmeira chega ao fim, seu tronco serve como ponte para a passagem dos ribeirinhos entre o porto (na beira do rio) e as casas. A relação nativo - palmeira é eivada de significados, mas para além disso, quando a definem enquanto palmeira “mãe”, ou palmeira “santa”, manifestam ali, sentimentos. Este vínculo afetivo é reforçado quando os sujeitos dão nomes às palmeiras, elemento detectado em pesquisa de campo na localidade. O ato de nomear as palmeiras fora analisado a partir de teorias antropológicas tais como as percepções de humanização e personificação e visto à luz do perspectivismo. As conclusões preliminares, portanto, apontam para uma relação harmoniosa entre homem e palmeira
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Importância social e performance dos músicos no contexto do desfile cívico em Rio Tinto - PB: um estudo de caso

Autor/es: Caio Nobre Lisboa, Geraldo de França Alves Júnior
O presente trabalho exigiu um aporte teórico interdisciplinar para sua compreensão: começando pelas imagens, com ênfase no filme etnográfico e nas implicações que a Antropologia Visual tem para a Antropologia em geral; em seguida, com a Música e a Arte, apresentando-nos outras implicações relativas ao conhecimento da sociedade e das culturas, com um pé nos estudos de performance, levando em consideração autores como Victor Turner e Richard Schechner. Um fundamento teórico assentado nas Memórias foi de grande relevância, incluindo ainda os estudos de Histórias de Vida e Etnobiografia. Meus objetivos residiram em tentar expandir a percepção da música e daqueles nela envolvidos assumindo a existência de relações que expressam âmbitos tanto individuais como socioculturais. Tive que igualmente me utilizar de uma metodologia na qual se entrecruzaram aspectos de outras metodologias, dentre as quais se destacam a observação participante, a observação diferida, a metodologia exploratória em Antropologia Visual e a História Oral. Com resultados desde a obtenção de materiais audiovisuais filmados de performances musicais, destacando-se o desfile cívico-militar de Sete de Setembro da cidade, bem como transcrições de áudio de duas entrevistas de áudio-vídeo-elicitação, retornado ao interlocutor, e por fim, a busca por um conhecimento e análise desse universo a mim apresentado da forma mais acurada e ética possível.
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O ritual de domingo. Uma análise etnográfica na Praça José Américo

Autor/es: Carlos Augusto da Silva Júnior
O objetivo deste trabalho é analisar a sociabilidade na Praça José Américo, localizada no município de Sumé, interior do cariri Paraibano.Com a pouca opção de lazer,a praça se torna a única alternativa para os sumeenses no domingo.Com a intensidade do fluxo a praça se torna um espaço das delimitações simbólicas hierarquicamente estabelecidas.Apesar de ser um ambiente de sociabilidade diversos grupos circulam, bem como: famílias, estudantes universitários, moradores de municípios vizinhos e os “môfi”( categoria nativa). A dinâmica da praça é estabelecida, de acordo com MAGNANI (1996) por pedaços na qual os indivíduos constituem locais demarcados, onde os mesmos irão utilizar, de forma ritualista,todo domingo, num determinado espaço temporal.Os grupos que não se enquadram nos pedaços do centro da praça se agrupam nas laterais formando manchas e tem cautela ao circular nos pedaços que diferem do seu,por isso estabelecem horários específicos para circularem. Diante da escassez de lazer e turismo, periodicamente acontecem eventos na cidade e alguns ocorrem na praça como a Semana de Cultura e Arte de Sumé (SECAS).Por se tratar de um evento que traz pessoas de fora, a dinâmica da praça se altera e os espaços são redistribuídos, locais que eram intocáveis em determinados horários são ocupados por “môfi” e jovens das zonas periféricas da cidade.Dessa forma minha intenção é compreender a dinâmica de socialização e repulsa manifestada nas relações de ocupação dos espaços estabelecidos.
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Da caatinga para os seringais: o recrutamento dos soldados da borracha

Autor/es: Carolina Holanda Castor
Essa Pesquisa visa, a partir de documentos históricos, como documentação oficial do Governo Brasileiro e do Estado do Ceará, como também jornais de época, fazer um levantamento de como se deu o processo de recrutamento dos Nordestinos, mas especificamente, Cearenses, para trabalharem como “soldados da borracha” na Amazônia brasileira, no período de 1943-1945, ou seja, nos dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial. Um enfoque importante por onde perpassa a pesquisa é a criação do SEMTRA (serviço especial de mobilização de trabalhadores para a Amazônia) por Getúlio Vargas que visava convencer os nordestinos a deixarem à seca e buscarem uma terra cheia de prosperidade e bonança. Nesse sentido, também se pretende mostrar a fictícia vida oferecida pelos órgãos governamentais e a realidade encontrada por esses trabalhadores ao chegarem ao norte do país. O ponto inicial para entender como se deu esse processo de mobilização é por meio do acervo de Jean Pierre Chabloz, desenhista contratado pelo governo à época para desenhar as propagandas que serviriam de sensibilização aos homens para se deslocarem. Portanto, essa pesquisa visa, por meio de um estudo histórico entender as dinâmicas sociais, políticas e pessoas dos que se envolveram nesse período histórico do Brasil.
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Potencializando a Formação Continuada de professores na Educação Escolar Indígena: Uma Metodologia Diferenciada

Autor/es: Carolina Miranda de Oliveira
O acompanhamento pedagógico do projeto: “Magistério Indígena e Escolarização Guarani Mbya” consiste na construção de uma proposta curricular diferenciada, intercultural e bilíngue que fortaleça e preserve a cultura Guarani, acompanhando a formação continuada de professores não indígenas que atuam no segundo segmento do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) do Colégio Indígena Estadual Guarani Karai Kuery Renda, na aldeia Indígena Sapukai em Angra dos Reis – RJ. Utiliza-se de uma metodologia participativa de natureza qualitativa, que toma a “aula” como locus privilegiado da formação continuada, fazendo uso de tecnologia audiovisual para etnografar a prática pedagógica dos professores e promover a reflexão teórica dessa prática numa perspectiva de pesquisa-ação-participante intercultural crítica. Palavras-Chave: Educação Escolar Indígena; Formação de Professores; Construção Curricular
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Mulheres na rua: experiências, práticas e desafios

Autor/es: Caroline Silveira Sarmento, Patrice Schuch
O trabalho explora questões de gênero nas relações entre pessoas em situação de rua. A partir do método etnográfico, o objetivo é mapear as principais demandas e desafios enfrentados por mulheres em situação de rua, observando como isso se reflete nas relações empreendidas em espaços por elas frequentados. A reflexão proposta está inserida num projeto maior, que vincula Pesquisa e Extensão universitária, e tem por intuito observar os circuitos de atenção às pessoas em situação de rua na cidade de Porto Alegre/RS. A pesquisa exploratória foi realizada no Jornal Boca de Rua, que é totalmente elaborado por pessoas em situação de rua. Desde o início do contato com a população de rua, observou-se que a participação feminina no jornal era menor em relação à masculina, não em termos quantitativos, mas em relação à possibilidade de voz e representação. A partir disto, foram mobilizados esforços para identificar as possíveis origens deste papel coadjuvante das mulheres. Percebendo que as demandas femininas focavam-se em termos de saúde (gestação, atendimento, medicamentos), procurou-se mapear as políticas públicas voltadas às mulheres em situação de rua, identificando as principais lacunas. Resultados preliminares indicam que, à exceção do pré-natal, não existe política de saúde para estas mulheres, fato confirmado pelas interlocutoras e que sugere uma minimização das questões femininas por parte do Estado, o que talvez reflita na própria atuação delas nos espaços que ocupam.
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RELAÇÕES CRUZADAS: Uma narrativa sobre as formas de conexões entre pessoas e encantados.

Autor/es: Conceição de Maria Teixeira Lima
Toda terça é dia de obrigação na Tenda Santa Helena da mãe de santo Luizinha, no âmbito do terecô no interior do Maranhão. Suas filhas de santo, seus parentes e outras pessoas começam a chegar entre seis e sete horas da noite para dar inicio ao ritual. A gira então começa com as doutrinas e finaliza com a mãe de santo ordenando a subida de cada encantado. Todos os presentes permanecem no salão para receber alguns encantados da mãe de santo que sempre passam para conversar com os participantes. Entre eles, Sebastiãozinho, um encantado criança, muito falante, que pertence a uma família de encantados denominada de Légua Boji Buá. É comum que Sebastiãozinho chegue reclamando de não poder falar tudo o que sabe e ver, pois sofreria punições por isso. Como prova desse limite nos contou certa vez a história de sua serrinha, objeto estimado que lhe foi tirado por outro encantado, conhecido como Bambu Verde. O motivo que nos foi narrado por Sebastiãozinho é de que ele usava a serrinha para cortar as cordas ou punhos de redes causando a queda das pessoas que estavam deitadas nas mesmas. Seu Bambu Verde, entretanto, não gostava das peripécias de Sebastiãozinho e por isso tomou a serrinha. Considerando situações como essa, onde encantados se relacionam entre si e onde pessoas e encantados participam na vida uns dos outros, este trabalho descreve as histórias contadas por encantados sobre essas relações, pensando os efeitos que causam e as configurações que recebem no terecô.
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Itinerários e Olhares femininos sobre saneamento básico no Ceará.

Autor/es: Cristiane Freire Gomes, Mona Lisa da Silva
O objetivo dessa investigação é analisar as percepções das mulheres sobre o saneamento básico a partir dos seus itinerários cotidianos. Estes itinerários cotidianos dizem respeito aos trabalhos desempenhados fora das casas destas mulheres com fins dopara o sustento e dos cuidados das famílias. O método utilizado consiste em acompanhar um grupo de mulheres no seu dia a dia. Estas caminhadas direcionadas pelas mulheres se deram para a efetivação das suas rotinas de trabalho, percorrendo o espaço público para o doméstico e vice e versa, e na prática dos cuidados com a vida doméstica e de suas famílias. Através dessa pesquisa, buscamos as sensações expressas por estas mulheres, através dos sentidos. Por exemplo, o esgoto visível é percebido através do olfato (“podridão, catinga”, “fede a dejetos fecais”). O lixo acumulado na esquina é percebido através da visão (“feio, nojento”, “fora do lugar”). A tarefa de se locomover na cidade é percebida como cheio de obstáculos (“buracos”, “lama”, “falta de sinalização”, “calçadas desniveladas” e com “resto de material de obras”). Elas limpam seu lar e seu espaço de trabalho, tentam espantar as moscas, mas com os resíduos na rua, acaba sendo esforço solitário. As análises feitas aqui diz respeito às percepções dessas mulheres com o problema sanitário na cidade, embora existam as que naturalizam qualquer esboço de problema, pois acreditam que as demais cidades também têm os mesmos problemas de Redenção.
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Corpos Vagantes: Rituais de morte e renascimento a partir da caminhada penitencial.

Autor/es: Daiana da Silva Fernandes, Nícolas Anderson Sobreira Tavares
A pesquisa propõe perscrutar um dos ritos praticados pelos penitentes da região das Cabeceiras, no município de Barbalha – Ceará. Dando enfoque à ritualística penitente como processo simbólico referente à preparação do corpo, em vida, para a morte. Como elemento central, a pesquisa busca aprofundar a relação com os elementos da procissão realizada pelos penitentes nos períodos referentes ao calendário cristão como semana santa, quaresma e finados, tendo como objetivo aproximar a relação entre o corpo potencialmente dadivoso e este tipo de penitência, enquanto processo de morte-renascimento. Esta perspectiva ritual da caminhada se dá a partir de elementos constituintes desde: do canto de benditos, que é iniciado pelo decurião e acompanhado pelos discípulos; a visita a encruzilhadas e cemitérios no curso da trajetória; e, consequentemente, as penitências realizadas nesses locais como forma de expurgo individual e coletivo – físico e metafísico. Palavras Chave: ritual, penitencia, morte, renascimento.
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" A prefeitura só enxerga a parede": reflexões sobre uma situação de remoção na cidade do Rio de Janeiro

Autor/es: Daniela Ramos Petti
O trabalho que será apresentado é parte da pesquisa "A construção social, material e simbólica da dita Barra Olímpica", que participo como bolsista. As ideias que se seguem são fruto de observação participante nas reuniões de moradores da comunidade que chamo de Macaró , localizada no Rio de Janeiro e ameaçada de remoção, bem como nos encontros do Comitê Popular Copa e Olimpíadas, onde moradores de favelas e outros militantes debatem o que chamam de "violações aos direitos humanos", intensificadas no contexto dos megaeventos na cidade. O período em que acompanhei os acontecimentos no local pode ser entendido como momento crítico, já que as ameaças de remoção pela prefeitura se agravaram, constituindo um cenário exemplar para entender como os moradores criam e recriam a ordem social. Apesar de minha inserção explícita enquanto pesquisadora, muitos me percebiam como militante. Em meio às propostas do poder público aos removidos, noto diferenças entre a percepção dos moradores acerca de suas casas e o modo como a prefeitura concebe as mesmas, refletindo sobre a emergência das percepções a partir da relação cotidiana com o ambiente (Ingold,2000). Por fim, avisto um processo de enquadramento moral da cidadania (Freire,2015), na medida em que a instrução se mostra no discurso e prática das pessoas como critério determinante para o tratamento oferecido pelo Estado aos habitantes da cidade. Tais questões analíticas surgem de leituras de meu diário de campo.
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CAMINHOS E ESTRADAS: processos de territorialização e conflitos socioambientais em Santa Rosa dos Pretos/ MA.

Autor/es: Dayanne da Silva Santos, Anne Caroline Cunha Rodrigues (UFMA)
As roças, os igarapés, as casas e seus caminhos em Santa Rosa dos Pretos disputam espaço com as estradas ferroviárias e rodoviárias que conduzem produtos para o porto em São Luís produzindo conflitos locais e institucionais. O território reivindicado para a titulação junto ao INCRA pela comunidade quilombola encontra sobre suas fronteiras uma estrada de ferro, construída na década de 80, para o escoamento da produção de ferro das minas de Carajás, no PA, e também a projeção de sua duplicação para o escoamento de produtos de uma nova mina; a rodovia federal Br 135, da década de 1970, e o início das atividades para sua duplicação; os linhões da Eletronorte; uma fazenda; e um assentamento da reforma agrária instalado pelo INCRA, em 1980. Nesse trabalho analisamos as configurações locais e institucionais dos conflitos envolvendo as tensões relacionadas às dinâmicas de instalação da estrutura logística de empreendimentos minerários e de infraestruturas para a produção e exportação de commodities e as estratégias de resistência e luta das lideranças de Santa Rosa dos Pretos pela garantia de seu território. Tomamos noções como espaço de mediação e as discussões sobre o lugar na análise das disputas travadas. Apresentamos resultados de um trabalho em andamento iniciado em novembro de 2014, que envolve a realização de entrevistas com lideranças, procuradores, militantes, etc., acompanhamento de reuniões, protestos e festejos e ainda a análise de documentos jurídicos e administrativos.
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O papel do Grêmio Estudantil nas discussões de Gênero e Sexualidades nas escolas

Autor/es: Delza da Hora Souza
O objetivo deste trabalho é apresentar considerações acerca do papel do Grêmio Estudantil, e como este pode proporcionar amplos debates acerca de gênero e sexualidades nas escolas. A discussão de gênero é um assunto importantíssimo e urgente nas escolas, e esta entidade pode cumprir um papel crucial no que tange ao despertar da consciência política das/os estudantes para essa discussão; indo desde um simples debate sobre questões como machismo, à intervenções na base curricular em sala de aula. Várias são as experiências em que o Grêmio Estudantil oportunizou momentos de conversa sobre diversas temáticas, como a defesa pela educação pública. A partir de uma observação participante realizada nas ocupações de escolas da rede estadual de São Paulo durante novembro de 2015, percebemos o quanto o diálogo com os grêmios estudantis se faz necessário. Esta observação nos permitiu identificar fatores que delimitam as relações a partir de demarcadores de gênero, ao passo que os debates relacionados ao feminismo, quando realizados dentro desses espaços, foram determinantes.
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Quem sou eu? De onde vim? Reflexão sobre a identidade de jovens no ensino médio

Autor/es: Diana Batista Evangelista Monteiro, Roberta Lorena Vieira Mageski
Este pôster procede de análise e observação de alunos do ensino médio, dentro diversas mídias que veiculam na Amazônia brasileira. Um estudo que visa uma imersão do ensino da antropologia no espaço escolar no ensino básico a fim de observar seus efeitos na cultura do amazônica e a importância do entendimento da alteridade e uma reflexão do processo de alteridade desses alunos como indivíduos da Amazônia
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Medicina Tradicional Guarani-Kaiowá: o ñanderu e a Prática de Cuidado com o Corpo e Alma Rompem com Divisões Ocidentais entre Ciência, Religião e Espiritualidade?

Autor/es: Elisângela Pereira Henrique, Islândia Mª C. de Sousa** Paulo C. Basta*** *Estudante de Graduação do Bacharelado em Ciências Sociais- Universidade Federal de Pernambuco – UFPE-Recife-PE-Brasil ** Professora e Pesquisado
Este pôster apresenta resultados parciais de pesquisa realizada com ñanderu1 e rezadores(as) Guarani-Kaiowá, residentes nas aldeias Amambaí, Limão verde, Taquapery, Guassuty e Jaguary, situadas no Estado do Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do Brasil. Nosso objetivo foi estabelecer laços com representantes de conhecimento tradicional nas aldeias com a finalidade de colher relatos sobre as experiências vivenciadas no adoecimento e no cuidado aos doentes. A equipe realizou dois encontros por meio da técnica de grupo focal com homens e mulheres indicados pela comunidade como rezadores, além de 18 entrevistas individuais, entre 01/05/14 e 26/10/15, com os Guaraní-Kaiowá. Alguns resultados dizem respeito ao ser humano, segundo a percepção Kaiowá representar um todo indivisível; e tanto as categorias da biomedicina “saúde” quanto “doença”, não podem ser explicadas apenas pelos seus componentes físicos e psicológicos vistos separadamente. Concluímos que uma abordagem com interesse legítimo na comunidade e em sua cultura, destituída de preconceitos, deve fazer parte das atribuições dos profissionais em saúde que atuam em territórios indígenas. _______________ 1 ñanderu tem o significado de “nosso pai" é o nome Guarani-Kaiowá a pessoa denominada pela cultura branca de pajé/xamâ; eles cuidam das pessoas com cantos, danças, rituais e plantas medicinais além de entoar o canto e fazer a dança para as divindades cultuadas pela etnia.
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O impacto da atividade turística e do crescimento populacional no cotidiano dos moradores da Vila do Abraão em Angra dos Reis

Autor/es: Emanuelle Augusta Moreira Teodoro da Silva, Charles Eleotério Gama
A Vila do Abraão trata-se de uma comunidade habitada dentro da Bahia da Ilha Grande em Angra dos Reis – RJ. Atualmente essa Vila já consta com um índice habitacional considerável, além do turismo que é o "carro chefe" economicamente da ilha. Episódios recentes divulgados na mídia, como o assassinato de um turista norte-americano no último verão parecem reforçar uma ideia de que está se tornando cada vez mais consolidada entre a população da Vila, que um suposto incremento da atividade turística e o desordenado aumento habitacional vêm impactando negativamente no cotidiano dos moradores das áreas de maior visitação, segundo a percepção dos moradores. A definição deste problema se deu a partir percepção dos moradores e turistas da Vila do Abraão, em reclamarem que as atuais políticas de Segurança não vêm dando conta de atender as novas demandas geradas pelo aumento populacional que a Vila vem sofrendo nos últimos anos. Essa reclamação nos leva a questionamentos de como estão sendo elaboradas essas políticas? Se há a necessidade da criação de novas políticas públicas de Segurança ou expansão das políticas já existentes? Buscaremos resultados a fim de entender como esse processo de turisficação vem influenciando no cotidiano dos moradores da Vila. A pesquisa se encontra em andamento, até o presente momento foi realizado um levantamento bibliográfico e documental da ilha, além da visita de campo incluindo entrevistas em profundidade com moradores locais
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Boneca da Lavadeira: um encontro com Iemanjá e com a Calunga

Autor/es: Emilia Guimarães Mota
O emaranhado criativo que aqui se apresenta faz parte da pesquisa que abrangeu o trânsito da Festa da Lavadeira, surgida no Cabo de Santo Agostinho/PE, em 1987, até São Jorge/GO, em maio/2015. A festa teve início após a mobilização gerada pela disposição da estátua da Lavadeira numa casa de praia. Moradores, em especial, adeptos das religiões de matrizes africanas, perceberam uma energia- axé- indicando a comunicação dela com valores e crenças do grupo bem como com fluxos materiais.A Lavadeira foi vista como filha de Iemanjá (divindade iorubana). Os caminhos que viabilizaram a festa estão relacionados à estátua da lavadeira e à boneca da lavadeira criada aos moldes dos mamulengos gigantes para desfilar durante a festa. O objetivo é tecer comentários, apresentar encontros, fluxos e, por isso, o emaranhado criativo de Tim Ingold se mostra como ferramenta para tal intento. Trago alguns exemplos de como os fluxos materiais se entrelaçam mas com especial atenção para boneca, Iemanjá e a Calunga (divindade bantu das águas). Mais do que encontrar-se com Iemanjá, procuro demonstrar aqui que a Lavadeira (estátua/boneca) encontrou-se com a Calunga quando aponto que os mamulengos gigantes são chamados de calungas assim como as bonecas do maracatu, que representam a religiosidade. Indico ainda a presença da Calunga na umbanda, onde Iemanjá também se faz presente.Os devires das religiões de matrizes africanas fluíram, transbordaram em várias direções gerando este emaranhado de encontros.
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Entre Versos e Prosas – A música como facilitador metodológico para o debate entre gênero e educação nas oficinas do projeto Papo-Sério.

Autor/es: Emília Haline Dutra
Este poster integra algumas considerações acerca de minha pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Licenciatura - TCL em Ciências Sociais, que propõe refletir a partir de minhas vivências ministrando oficinas vinculadas ao projeto de extensão Papo-Sério, desenvolvidos pelo NIGS - Núcleo de Identidade de Gênero e Subjetividade da UFSC. Tendo como objetivo problematizar as representações de gênero com estudantes e professor@s da rede pública de Florianópolis, a proposta desta pesquisa norteada pela prática antropológica e metodológica da etnografia é apresentar algumas considerações acerca das oficinas realizadas em 2014 e 2015 sobre a temática “violências contra as mulheres”, na qual se utilizou músicas de cunho violento e sexista como ferramenta disparadora de diálogos. Palavras-chave: Educação, Oficina, Metodologia, Gênero, Música.
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Os Pequenos Fios de "Itancoã-Miri"

Autor/es: Evelyn Talisa Abreu de Oliveira, Débora Monteiro dos Santos Dyenne Héllen do Rêgo Santiago Élida Nascimento Monteiro
O presente estudo consiste em pesquisa realizada em uma escola da comunidade quilombola de Itancoã-Miri, estado do Pará, cujo tema foi o cabelo como marcador de identidade étnica. A pesquisa teve como objetivo conhecer a percepção que as crianças possuem sobre seu cabelo, tentando compreender de que maneira e com qual intensidade a influência midiática atua na constituição dessas percepções. Além de apoiar a realização de projetos comunitários que incentivem a valorização e o resgate do cabelo afro enquanto marcador cultural. Para realizar a pesquisa foi utilizada a observação participante. Posteriormente, foram planejadas e desenvolvidas atividades pedagógicas com as crianças. Como resultado confirmou-se a ausência de representatividade na comunidade, isto é, ausência de exemplos práticos que relacionem beleza à identidade negra, fato que contribui para que haja uma grande influência da mídia no tipo de relação que as crianças tem com seus cabelos e as imagens que elas constroem sobre si mesmas. Apesar disso, a partir das atividades realizadas elas demonstraram surpresa com a estética de cabelos que valorizam a beleza negra, embora tenham dificuldades em assimilar sua própria beleza. A importância dessa experiência pesquisa foi ter lançado as bases que fundamentarão a continuidade do projeto para além das questões estéticas, e focar nas questões culturais, sociais e políticas que o cabelo crespo promove dentro das relações sociais com crianças da comunidade estudada.
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"De onde vem a farinha do nosso prato?": da produção ao consumo papa-chibé

Autor/es: Flavio Henrique Souza Lobato
Este objetivou descrever o sistema de circulação da farinha, narrando a produção na Região bragantina, o transporte, a comercialização na Feira da Farinha e o consumo desse alimento no bairro do Guamá, Belém-PA. E, nesse contexto, compreender as possíveis relações identitárias dos agentes para com o produto por eles produzido, transportado, comercializado e apreciado. Mediante uma abordagem qualitativa, foram realizadas pesquisas bibliográficas, documentais e de campo, empregando como instrumentos de coleta de dados: observações, fotografias, conversas informais e aplicação de entrevistas. Os resultados permitiram compreender que o sistema da farinha se estabelece entre os locais de produção, os caminhões de farinha que fazem o transporte até Belém, os locais de comercialização da farinha e a casa do consumidor. Os agentes que garantem a fluidez do sistema são os produtores, os atravessadores, os vendedores e os consumidores. Observou-se que a circulação da farinha, mesmo que permeada por uma lógica econômica, produz, reproduz, desenha, marca e demarca múltiplas interculturalidades: códigos, linguagens, valores e relações de parentesco, etc. Nessa direção, por meio das práticas a ela envoltas, a farinha desenha e (re)constrói relações de identidade(s) plurais, há, portanto, uma coexistência de identidades, em que as relações de identificação e/ou pertença dos interioranos e dos citadinos se expressam de diferentes formas e com distintas intensidades.
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Pessoa, corpo, emoções: etnografia ameríndia e perspectivas antropológicas

Autor/es: Francklin Batista Pedro, Rafael Siqueira Machado
Esta pesquisa visa articular debates atuais no campo da antropologia em torno do corpo e das emoções com etnografias contemporaneas sobre povos ameríndios. O tema da corporalidade e da produção de pessoas tornou-se um objeto privilegiado na etnologia indígena sulamericana desde o final da década de 1970 e mostrou-se muito produtivo na análise de cosmologias e sociologias da região. Paralelamente, na antropologia internacional desenvolveram-se, no mesmo período, novas perspectivas sobre o corpo e a corporalidade ou a corporeidade (embodiment), perspectivas influenciadas principalmente por uma abordagem fenomenológica. No entanto há ainda pouco diálogo entre os materiais etnográficos sulamericanos e esta bibliografia antropológica, ainda que a etnologia ameríndia tenha efetivamente entrado no debate antropológico internacional a partir dos anos 1990. Como resultados da primeira etapa do Projeto de Pesquisa (2014 – 2015), pretendemos apresentar, primeiramente, os desenvolvimentos teóricos de três autores estudados, que formularam paradigmas importantes para a reflexão sobre os referidos temas na antropologia internacional: Thomas Csordas, Tim Ingold e Bruno Latour. E, em seguida, alguns desenvolvimentos centrais à Etnologia dos Povos Indígenas na América do Sul em torno da corporalidade, da noção de pessoa e de humanidade.
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A medida de segurança no Distrito Federal: reflexão sobre (a ausência d)as políticas públicas no contexto da saúde mental

Autor/es: Gabriel Dourado de Oliveira
Como tentativa de mostrar a existência de pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei, foi realizado um estudo na Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP) da Penitenciária Feminina do Distrito Federal. O objetivo era observar os fatores sociais envolvidos na aplicação da medida de segurança entre aqueles que a receberam como sentença, suas famílias e os funcionários da instituição. A proposta da pesquisa era dar voz a essas pessoas e entender o funcionamento da ATP em um ambiente com ideologia carcerária. Tratou-se de um estudo qualitativo, em que foram entrevistadas 15 pessoas, sendo elas 6 homens que cumprem medida de segurança, 4 mulheres que cumprem igualmente essa sentença, o responsável pela segurança na ATP, o coordenador do serviço de saúde na ATP, a diretora da PFDF, a chefe da Seção Psicossocial da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e a mãe de uma das internas que cumprem medida de segurança. As entrevistas foram filmadas. Durante as entrevistas, pôde-se observar nos diversos discursos a indagação da aplicação da medida de segurança, que é uma sentença de tratamento, e não de punição, dentro do sistema prisional. A medida de segurança, em tese, tem como função reabilitar as pessoas que possuem transtornos mentais e cometeram algum crime. É uma forma de lhes assegurar tratamento. Contudo, essa sentença, ao ser cumprida em hospitais-presídios, acaba por isolar e silenciar essa população.
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Charles Wagley e a Saúde Pública na Amazônia

Autor/es: Gabriela Galvão Braga Furtado
Charles Wagley (1913-1991), antropólogo americano, teve papel de destaque na consolidação da antropologia brasileira. Neste pôster analisamos sua atuação no Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), onde desempenhou a função de Diretor da Divisão de Educação Sanitária. Com base na abordagem antropológica, privilegiou o conhecimento local e trabalhou com uma equipe interdisciplinar formada por técnicos de educação, de cinema, de radio difusão, jornalistas, e técnicos da área da saúde, desenvolveu um amplo trabalho e sensibilizou as autoridades. Realizou atividades de prevenção, utilizando meios de comunicação para informar a população sobre as doenças, como Malária e Lepra. Dentre essas medidas, assinalamos a realização de filmes, em parceria com os estúdios Walt Disney, como Guerra de mosquitos, filme de animação descontraído, com o objetivo de divulgar os cuidados para se evitar doenças. Wagley se notabilizou em suas atividades, devido à preocupação com a população amazônica, tanto em termos das condições precárias de saúde em que viviam, quanto valorizando o seu conhecimento sobre a natureza. Percebeu a importância da divulgação e prevenção de doenças, e foi elogiado por autoridades do Brasil e Estados Unidos, por ter atraído a confiança de pessoas simples. Este resumo é resultado de pesquisas realizadas pelo Projeto “Charles Wagley como articulador institucional”, da Universidade Federal do Pará. Palavras – Chaves: Charles Wagley, Saúde Pública, Amazônia.
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“Exú não bebeu nada, a garrafa está furada”: um estudo de caso sobre o consumo de psicoativo na Umbanda.

Autor/es: Geraldo de França Alves Júnior
Este trabalho adentra a temática ainda pouco pesquisada na Antropologia, que é o uso de psicoativos em religiões de matrizes africanas. Ele está sendo realizado no Terreiro de Umbanda São Jorge Guerreiro, na cidade de Rio Tinto – PB, tendo como objetivos principais dar visibilidade ao estudo de psicoativos, destacando as nuances das religiões afro-brasileiras, seus aspectos simbólicos, religiosos e cosmológicos, desviando-se assim de visões de cunho farmacológico e reducionistas e ressaltando sua própria lógica, as significações e ressignificações que o grupo estudado realiza ou cria, atribuindo sentido aos usos do álcool em contexto ritual. Para tanto, a observação participante e a descrição densa têm sido fundamentais. Outras técnicas têm igualmente sido de grande valia, como a História Oral e a Foto-Elicitação, advinda da Antropologia Visual, visando estreitar as relações de interlocução entre pesquisador e pesquisados. Logo, o presente trabalho não procura fechar questões a respeito do uso do álcool e as manifestações religiosas e simbólicas no interior da Umbanda. Essa pesquisa pretende contribuir para uma maior visibilidade das abordagens antropológicas e produção etnográfica nessa área, principalmente a partir de releituras de autores que se afastam do senso comum e farmacológico reducionistas. Assim oferecendo uma perspectiva que ressalte o modo de visão do grupo estudado em relação ao uso do álcool, ou seja, em sua própria produção cultural.
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Cidade imaginada, cidade existente: processos de renovação urbana e prostituição no Rio de Janeiro

Autor/es: Guilherme Alef da Costa Carvalho, Lucas Bernardo Dias
Ver a cidade a partir de suas ruas e da sociabilidade erótica que nelas têm lugar. Ruas próximas às gares, ao porto, às grandes avenidas que levam e trazem trabalhadores vindos de cidades vizinhas, bairros distantes ou mesmo outros países. Ruas, portanto, propicias à encontros livres das promessas do amor eterno. Ruas que configuram as chamadas regiões morais da cidade. Que nesse caso, concentravam-se na área central do Rio de Janeiro: próximo ao porto, às gares da Central e Leopoldina e margens da Av. Presidente Vargas. Ali, no chamado Mangue, uma nova história urbana veio se constituindo na medida em que todo aquele sistema construído foi sendo desmantelado. A cada investida contra as ruas que acolhiam bordéis, hotéis e oficinas, prostitutas, marinheiros, vagabundos, ambulantes e outros integrantes desse pequeno universo urbano formavam uma comunidade de aflição, que, ao final dos anos 80, se organizou na 1ª associação de prostitutas no Brasil, para conter a demolição do casario local. Apesar da mobilização, os prédios da Prefeitura, foram construídos sobre o terreno da prostituição carioca. O prédio da Prefeitura, hoje conhecido como Piranhão, tornou-se, um símbolo da memória do Mangue. Já a Vila Mimosa, que abrigou a prostituição do Mangue em seus estertores deu nome à nova zona construída a poucos metros dali. Assim, a zona carioca permanecia no imaginário da cidade e no desejo de seus habitantes, sendo assim recriada a sua velha ambiência em setor contiguo.
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"Muito lindas, meninas": Uma etnografia do fisiculturismo feminino em Santa Catarina

Autor/es: Helena Motta Monaco, Helena Motta Monaco
Sob orientação da Profa Miriam Grossi, a pesquisa buscou identificar como se dá a inserção e vivência de mulheres no fisiculturismo brasileiro. Constatou-se, pela leitura da bibliografia, que até pouco tempo, as mulheres eram impedidas de praticar esportes competitivamente, especialmente aqueles que envolvem grande esforço físico. O fisiculturismo é um esporte ainda pouco reconhecido no Brasil, que se pauta na potencialização muscular em volume, definição e simetria. Por ser muito relacionado à força física, o fisiculturismo foi e ainda é um espaço de resistência para as mulheres que o praticam, que precisam lidar com carência de patrocínios e menor premiação em dinheiro do que as categorias masculinas. As confederações de fisiculturismo nacionais e internacionais têm tomado medidas limitadoras em relação às categorias femininas, solicitando que as atletas diminuam seus volumes musculares, contrariando o objetivo original do esporte e desagradando as atletas que desejam desenvolver sua musculatura até o limite. Além disso as mulheres são usadas pelas confederações como instrumento para atrair público e patrocínio, com a criação de categorias que devem se apresentar como “bonitas”, “femininas” e “sem volume muscular excessivo”, e ao mesmo tempo são tratadas como atletas de “segunda categoria”. O trabalho de campo tem mostrado como as mulheres manipulam estas regras e os estereótipos em sua construção de gênero.
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“Agora fazemos assim”: o projeto Mobile Courts e o processo de transposição da modernidade no Timor-Leste contemporâneo.

Autor/es: Henrique Romanó Rocha
O pôster apresenta os resultados de uma pesquisa de campo em Timor-Leste voltada a compreender a dinâmica social do programa “Mobile Courts” implantado no país pela ONU em parceria com o Estado leste-timorense. Busco explorar a ideia de que o projeto Mobile Courts atua como uma ferramenta de consolidação de dispositivos modernos de governança. Embora pequeno, Timor-Leste conta com distintas formas locais de resolução de conflitos que são mais legitimadas socialmente e acionadas pelas pessoas do que a sensibilidade jurídica que o Estado pretende disseminar. A partir da análise do planejamento de alguns tribunais móveis e da análise ritual de sessões em diferentes distritos, indico haver grande apelo por parte dos organizadores para que, além das partes, a população local também vá assistir ao julgamento, com o intuito de tornar mais compreensível a lógica da justiça ocidental no interior do país. Contudo notou-se que essa participação é baixa, e os efeitos do programa podem ser melhor compreendidos no campo político, como forma de demonstrar a necessidade de pontes entre a justiça estatal e as formas locais de resolução de conflitos. Pretendo assim lançar luz sobre como processos de regulação social e burocrática são incorporados e subvertidos habilidosamente em alguns contextos, além de debater práticas e discursos de sujeitos inseridos no campo da disseminação da ideologia individualista-moderna. “Agora fazemos assim”, disse o juiz ao notar o estranhamento do julgado.
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Quilombolas e mocambeiros: análises preliminares do sistema de classificação dos escravos fugitivos dos algodoais maranhenses (1755-1810).

Autor/es: Hyda Juliana Pavão Quadros
Uma Companhia Geral de Comércio, fundada em 1755, tinha o absoluto monopólio da navegação no Maranhão e Grão-Pará, cujo objetivo era vender escravos africanos em grande escala nas capitanias do Grão-Pará e Maranhão, fomentando a produção algodoeira para os centros industriais europeus. Escravos estavam concentrados na plantação, colheita e armazenamento do algodão, e não no sustento da fazenda, feito pelo comércio com quilombolas. Seguindo os arquivos como ilhas de sentidos a serem explorados pelo antropólogo, pergunto: como essas relações são narradas e em quais tipos de documentos a elas temos acesso? Este trabalho busca avaliar algumas das classificações jurídico-policiais de populações de escravos fugitivos de fazendas algodoeiras no Maranhão (1755-1810), através das categorias de análise da antropologia do direito e da justiça no Brasil. Registros de patentes militares exaltavam a preocupação de senhores com o número de escravos traficados chegando aos algodoais, em ritmo acelerado, e autoridades governamentais temiam que estes se insurgissem, atrapalhando as lavouras. Por essa razão, surgiram sistemas de vigilância e controle de comportamentos criminalizados voltados para a população de escravos, atuando como forma de policiamento para os coletivos de fugitivos. Palavras Chaves: escravidão; antropologia em arquivos; quilombos.
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"Suassus", "Malacos" e "Marginais": Reflexões acerca das experiências da diversidade sexual e de gênero na região de Santarém, Pará.

Autor/es: Igor Erick da Silva
Trata-se de apresentar algumas particularidades da vivência e das experiências da diversidade sexual e de gênero em contextos interioranos, rurais e etnicamente diferenciados na Amazônia, a partir da maneira como as categorias êmicas como "Suassu", "Marginal" e "Malaco" aparecem nas entrevistas, conversas e observações realizadas até o momento em Santarém, Pará, no âmbito de uma pesquisa de iniciação científica em andamento. Serão apresentadas as narrativas biográficas de três interlocutores: João Borari (indígena), Maria (ribeirinho) e Rafael (interiorano). Em suas narrativas, aparecem reflexões que apontam para a maneira como suas redes de sociabilidade destoam um pouco daquelas relatadas nos mais variados estudos sobre as experiências da diversidade sexual e gênero nos contextos das demais regiões brasileiras. Os igarapés, as matas, as margens do Rio Tapajós, os barracões de festas das comunidades e o chão de barro batido são alguns dos “lugares” citados como locais de encontros, conversas, namoros e algo mais. Assim, são pontuadas as peculiaridades da construção do desejo nesses contextos e sua relação com a “aceitação”, a permissividade e a visibilização.
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Identidade e identificação: um estudo sobre a construção da política institucional de uso do nome social na Universidade Federal de Goiás

Autor/es: Igor Henrique Santana Mafra
Proponho-me a apresentar resultados preliminares da pesquisa na qual exploro a inter-relação entre a identificação como prática de Estado e a identidade como uma construção ou processo que aponta para uma noção de pessoa. O universo teórico-metodológico que permeia as minhas reflexões advém principalmente dos estudos sobre as tecnologias de identificação, da teoria queer, e da teoria do ator-rede. A fim de compreender como o uso de prenome socialmente reconhecido por pessoas que não se submetem aos padrões normativos do Estado se torna objeto de uma política institucional de identificação em uma universidade pública brasileira. Segui os caminhos traçados na construção da política de uso do nome social dentro da Universidade Federal de Goiás, buscando, entre as atrizes e atores humanas/os e não-humanas/os alistadas/os no processo, verificar as possíveis relações de conflito, articulação e consenso na busca pela sua legitimação, mapeando suas translações de interesses e possíveis controvérsias. Observo que a luta pela instituição de políticas públicas voltadas as pessoas trans*, suscitam uma série de debates fundamentais, que, pautados principalmente pelas concepções da desessencialização e desconstrução dos corpos e identidades, desestabilizam as redes de articulação de poder e ordenamento discursivo do Estado, contribuindo para o surgimento de novas reflexões e acepções — teóricas ou não — das dimensões cosmológicas ocidentais sobre corpo, gênero, noção de pessoa e cidadania.
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Polícia e Justiça: (des)encontros e singularidades na Justiça Militar Estadual em São Paulo e Rio de Janeiro

Autor/es: Isaac Palma Brandão
O presente trabalho versa sobre minha pesquisa na Justiça Militar Estadual - instituição que julga militares estaduais (bombeiros e policiais militares) - em São Paulo e no Rio de Janeiro, com o enfoque específico nos julgamentos de policiais militares. Nesse sentido, discuto, a partir de dados etnográficos, as formas de construção da “verdade jurídica” e as sensibilidades jurídicas próprias desses âmbitos de administração de justiça. Compreendendo a Justiça Militar Estadual como espaço de encontro entre segurança pública e justiça, busca-se compreender como se dá esse encontro ora harmonioso ora conflituoso, entre os diversos agentes da justiça, da policial militar e com aqueles que têm uma dupla pertença. Assim, a partir de uma metodologia de comparação por contraste, também busco discutir as singularidades de cada um dos espaços dessa Justiça militar estadual, em cada um dos estados mencionados: o Tribunal da Justiça Militar Estadual de São Paulo e a Auditoria da Justiça Militar Estadual do Rio de Janeiro. Através da observação das audiências nas duas instituições, é possível refletir não só sobre as particularidades de arranjos institucionais distintos, mas também das formas de ação diferenciadas de cada polícia, sua relação com a cidade e os cidadãos e as eventuais formas de “violência” que são denunciadas. Dessa forma, o foco do trabalho também está colocado nas formas locais de construir a noção de “crime de polícia” para o qual são destinados esses tribunais.
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O Estado contra a sociedade: controle e poder na tramitação da PEC 215

Autor/es: Isabella Drumond Rodrigues
A ideia do interdito do Estado à sociedade – ou sociedades (indígenas) – tenta recuperar e traçar as variadas convenções e estratégias de grupos advindos de tradições convencionalizantes; que encontram-se num limbo de recriação, no sentido de que não se reinventam e acabam por mobilizar planos e ofensivas anti-indígenas com outros moldes. Esses objetivos perpassam a construção de um Estado que não tenha em si tradições diferentes, ou incorpore outros espectros representativos. Nesse sentido, a partir da afirmação de que há disputas de controle e poder envolvidas na PEC 215/2000 - que circunscreve e é circunscrita em conflitos interétnicos - esboça-se uma leitura desse projeto de lei, desde sua redação, a luz dos questionamentos sobre poder e controle, apoiando-se em entendimentos sobre mascaramento, simbolizações diferenciantes e convencionalizantes, e o poder como símbolo que representa a si mesmo em Roy Wagner, e sobre o interdito, o poder e o controle, em Clastres. Os relatores e demais deputados ruralistas justificam nos debates da Comissão Especial de Avaliação da PEC que é preciso imparcialidade e decisões demarcatórias justas, e que a transferência dessas decisões para o Congresso Nacional auferiria tal objetivo. O Estado e o governo são convenções coletivas, os deputados e deputadas, quando pedem o controle demarcatório para si, reafirmam-se como Cultura, e retiram cultura e aperfeiçoamento humano de partidários de simbolizações diferenciantes.
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Mulheres na agricultura familiar: um estudo etnográfico sobre produção e consumo de alimentos no assentamento Josué de Castro

Autor/es: Jéssica Cristina Ferreira da Silva
O presente trabalho trata-se de uma pesquisa etnográfica que teve por objetivo compreender o sistema de roça no assentamento Josué de Castro, norte do estado do Rio de Janeiro, tendo como ponto principal de análise as atividades realizadas pelas mulheres, desde àquelas concernentes à esfera produtiva quanto àquelas da esfera reprodutiva. O campo foi realizado em dois períodos distintos: no primeiro semestre, que se constitui o período da comercialização; e no segundo semestre que é o período da manutenção da roça. Além disso, este estudo demonstrará como a produção de alimentos propicia a criação de categorias que demarcam a rede de sociabilidade local, além de fornecer classificações em relação aos alimentos que serão inseridos na esfera do consumo e aqueles que serão inseridos na esfera da comercialização. Este trabalho encontra-se orientado a partir da perspectiva histórica da construção de gênero, como uma categoria relacional que considera a existência do masculino e feminino, buscando enfatizar as dinâmicas das relações presentes na unidade social primária e na organização do trabalho na roça, privilegiando a produção de alimentos como atividade central dessas relações. A partir de então, cabe a este trabalho demonstrar que a circulação de mulheres por diferentes esferas sociais contribui tanto para garantia de sua autonomia quanto para produzir sociabilidade dentro do grupo.
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Práticas tradicionais e conhecimentos em uma comunidade ribeirinha no Amapá.

Autor/es: José Costa Gemaque, José Costa Gemaque José Costa Gemaque
Este trabalho é um recorte de uma pesquisa etnográfica mais ampla sobre a comunidade ribeirinha de Anauerapucu, um distrito de Santana no estado do Amapá. O fato sociológico que procuro apresentar neste pôster refere-se à construção do etnoconhecimento empreendido na coleta, produção, uso e comercialização do óleo de pracaxi e andiroba. Assim, procuro fazer uma descrição, sobre as práticas empregadas nesta atividade e a forma como esse etnoconhecimento e repassado para as futuras gerações.
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"Direitos Humanos", moralidades e direitos: uma pesquisa etnográfica a partir do NUDEDH

Autor/es: Juliana Coelho de Almeida, Juliana Coelho de Almeida
O presente trabalho tem como objetivo expor minhas primeiras reflexões sobre a pesquisa desenvolvida no Núcleo de Defesa do Direitos Humanos (NUDEDH) da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro. Por meio do método etnográfico, busco acompanhar as atividades desenvolvidas no NUDEDH, principalmente em relação a um de seus 12 programas, o “PROGRAMA VÍTIMAS DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS”, que teria como objetivo formal “atender e prestar assistência a possíveis vítimas de crimes de "violação dos direitos humanos”. Busco pesquisar, analisar e compreender as concepções relativas as noções nativas de “direitos humanos” concebidas pelos profissionais que trabalham no núcleo, bem como pelas pessoas atendidas na categoria de “vítima”. Para isso, busco acompanhar o desenvolvimento judicial dos casos, através da análise de julgamentos e audiências e ainda dos discursos dos demais atores sociais envolvidos nessas etapas, como juízes, promotores e policiais. Tenho como objetivos centrais também tentar pôr em evidência os processos de construção de “verdades” ao longo das ações jurídicas e as “moralidades” envolvidas nesses processos.
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Reabilitação através do saber: uma etnografia sobre práticas educacionais em uma Escola Prisional

Autor/es: Juliana Silva Matos
O objetivo desta pesquisa são as práticas educacionais realizadas dentro de uma Escola Prisional do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro, com especial atenção nas metodologias utilizadas durante os processos de aprendizagem e nas maneiras pelas quais os indivíduos em situação de privação de liberdade, os educadores e todo o corpo funcional que envolve o ambiente escolar, compreendem as questões relacionadas com a importância do aprendizado visando a “readaptação à vida livre” (THOMPSON, 1976). Essa pesquisa se realiza dentro da Escola Estadual de Ensino Supletivo Angenor de Oliveira Cartola situada dentro da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira (SEAP – EB), localizada no Complexo Penitenciário de Gericinó, utilizando o trabalho de campo e pesquisas bibliográficas. Os objetivos gerais são: pesquisar a educação como um direito social e também como perspectiva de mudança social do apenado. Os objetivos específicos são: compreender a percepção dos apenados com relação à educação prisional e estudar a relação entre educadores e alunos. A pesquisa se desenvolve pelo uso de instrumentos qualitativos de investigação, através das técnicas de observação e realização de entrevistas (estruturada e semiestruturada). Parte da pesquisa igualmente comporta o levantamento e análise de material bibliográfico sobre o tema. Para obter as informações que desejo fiz um recorte estrutural no meu objeto, minimizando o campo que concerne o acompanhamento das aulas de sociologia.
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A Atuação de Charles Wagley na Formação de Antropólogos

Autor/es: Lenita Pantoja Silva
O antropólogo americano Charles Wagley (1913-1991), teve importante papel na formação de estudantes brasileiros e estrangeiros. Sob os auspícios do Museu Nacional pesquisou entre populações indígenas e ribeirinhas na Amazônia e na Bahia coordenou o primeiro estudo sobre relações raciais do Brasil. Suas pesquisas visavam, também, à formação de novos antropólogos, treinando-os em técnicas de campo e coleta de material etnográfico. Wagley articulou redes de ensino e pesquisa entre instituições possibilitando o intercâmbio de brasileiros que foram se especializar nos EUA e estudantes americanos que pesquisaram no Brasil. Na perspectiva interdisciplinar, orientou 29 estudantes na Universidade de Columbia, dos quais, 10 pesquisaram no Brasil, dentre eles Eduardo Galvão, que se tornou o primeiro doutor em Antropologia do país, e, ao lado de Wagley ajudou a consolidar nossa Antropologia. Na Universidade da Flórida, Wagley orientou 17 estudantes, entre estes, os brasileiros George Zarur, Mércio Gomes, Samuel Sá e Nássaro Nasser, 11 estudantes americanos realizaram pesquisa no Brasil. Wagley organizou programas de pesquisa voltados para a capacitação interdisciplinar de alunos de pós-graduação com foco na Amazônia, buscando estabelecer uma ciência tropicalista. Considerado como brasilianista desenvolveu e notabilizou importantes estudos sobre o Brasil e principalmente sobre a Amazônia. Este trabalho está vinculado ao Projeto de Pesquisa Charles Wagley como articulador Institucional.
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Candomblé: memória, oralidade e etnicidade, enraizadas no arvorecer de uma cultura fertilizada pela amalgama de povos africanos.

Autor/es: Leonardo Lazaro Faislon
Obstino apresentar algumas reflexões que evidenciam as ascendências entre o Candomblé e a cultura que tange o cotidiano de algumas sociedades africanas, desejando corroborar com a antropologia social para elucidar a complexidade do sistema cultural operante no Candomblé, que visto em sua totalidade, notoriamente nos conduz a concebê-lo para além de uma perspectiva restrita de crença. Desse modo, verso este trabalho, pois tais percepções acerca dessas consonâncias se acentuaram a partir da confluência da minha etnicidade – desde sempre enquanto sujeito “orgânico” do Candomblé –, com a experiência de viver cotidianamente na UNILAB com estudantes naturais de países africanos de língua oficial portuguesa, bem como, da minha inserção em estudos e pesquisas que almejam negritar as congruências entre o Brasil e a África, sendo assim, evocam-se práticas, conceitos, princípios e estruturas que fizeram parte da formação do ser que me apresento, portanto, despertou-se o interesse de fomentar a fusão do conhecimento imanente dessas experiências empíricas com ferramentas do conhecimento teórico, visando locupletar a construção do conhecimento antropológico sobre o Candomblé. Neste sentido, adoto o uso de narrativas históricas e culturais construídas pelas experiências e trajetórias de vida, forjadas pela oralidade e o resgate da memória coletiva como instrumentos metodológicos, acima de tudo, por serem elementos constituintes da base de reprodução do conhecimento no Candomblé.
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Territorialidade no mar e uso dos recursos naturais no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

Autor/es: Lícia Cristina Viana Silva Santos
Este trabalho propõe analisar aspectos relativos à apropriação territorial e uso dos recursos naturais por pescadores artesanais de Atins, Barreirinhas-MA, que tem parte de seu território inserido dentro do PARNA Lençóis Maranhenses. Este recorte foi possível a partir do projeto apoiado pela FAPEMA "Ação estatal de conservação da natureza e populações tradicionais no Brasil: conflitos socioambientais no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses". Em Atins, vivem 185 famílias há pelo menos 150 anos, tendo a pesca como modo de vida e matriz de vínculos de territorialidade peculiares (LITTLE, 2002). A criação da unidade de conservação tem como objetivo proteger o meio ambiente, desconsiderando a presença histórica de famílias de pescadores, agricultores extrativistas e criadores que vivem e trabalham não só em Atins, como em várias outras localidades. Pretende-se mostrar como os pescadores possuem uma noção de territorialidade orientada por saberes e símbolos que envolvem a prática da pesca (DIEGUES, 2004). A metodologia privilegiada é o trabalho de campo ou etnografia, na qual se utilizou ferramentas de geoprocessamento, registros fotográficos e anotações em diário de campo. Observou-se, a partir destes procedimentos e orientação da teoria antropológica, que as atividades dessas comunidades demonstram uma inclinação a adotar ações de baixo impacto na natureza ao utilizar os recursos naturais disponíveis e também que possuem vínculos emocionais com o território no qual vivem.
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(In)segurança Social: Algumas considerações sobre a suspeição criminal no contexto Amazônico/Macapá.

Autor/es: Lorran Lima de Almeida, Layza Ariane Alves Bandeira Ricardo Teixeira da Silva
O medo e a (in)segurança social têm provocado o fenômeno da suspeição criminal. Com isso em vista e, tendo como base algumas referências teóricas como Tereza Caldeira (2000), Michel Foucault (2003) e Howad Becker (2008), desenvolvemos uma pesquisa semi-estruturada no bairro Universidade, na cidade de Macapá – AP. O bairro se mostrou importante neste tema, uma vez que possui alto índice de assaltos e por ser uma área de ressaca que faz ligações com outros bairros da cidade. Para tanto, através dos discursos dos entrevistados buscamos analisar como os moradores identificam os “suspeitos”. Com base nessas questões, empreendemos uma breve discussão sobre o fenômeno da suspeição criminal, perpassando brevemente por temáticas como segregação e insegurança, entre outras. Desta forma, por meio dos dados empíricos colhidos, concluímos que o fenômeno da suspeição é antes de tudo criado socialmente, sendo aplicado em doses diferenciadas a cada grupo ou pessoa específica, isso decorre, principalmente, do fato de que a suspeição é, primeiramente, uma construção valorativa que um indivíduo faz de outro.
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Sistemas nativos de orientação geográfica no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses – quando antropologia e geografia se encontram

Autor/es: Luisa Carolina Ramalho Martins
Este trabalho busca compreender os sistemas nativos de orientação geográfica utilizados pelas famílias de Atins, Barreirinhas – MA – seus mapas mentais e os limites nativos daquele amplo espaço geográfico, constituído de areias e águas. Nesse povoado do Parque vivem 185 famílias há pelo menos 150 anos. A metodologia utilizada implicou na utilização de equipamentos do sistema GPS e de mapeamento cartográficos temáticos específicos, adotando escalas adequadas para visualizar os distintos ecossistemas utilizados pelas famílias. As informações resultaram de pesquisa de campo, com realização de entrevistas, tomada de fotografias e anotações em diário de campo. No decorrer da realização das atividades de campo, trabalhadores exibiram habilidade em representar os espaços utilizados na natureza, os quais adotam como mecanismo de orientação cartográfica, para a qual utilizam também astros, dunas, vento, entre outros. Para Acselrad (2015) tais representações cartográficas teriam uma função simbólica: disseminariam esquemas de percepção do espaço que ganhariam realidade à medida que o conhecimento do território é também um meio de “produção deste território”. Para esses grupos o território é visto como elemento fundamental para a reprodução da vida e do conhecimento transmitido há gerações, dando continuidade à manutenção de sua identidade como comunidades tradicionais
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Ação estatal e conflitos socioambientais no PARNA dos Lençóis Maranhenses

Autor/es: Marceles Oliveira Rocha
A criação do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses propiciou a intervenção dos órgãos ambientais do Estado junto às comunidades tradicionais que historicamente vivem e trabalham nessa ampla região. Este estudo visa compreender os conflitos socioambientais decorrentes da ação proibitiva e fiscalizadora do ICMBio, cujos efeitos se fazem sentir na reprodução material e social das famílias. Tais conflitos são ocasionados pelas restrições impostas à prática da pesca artesanal, da agricultura, da criação de animais, das atividades extrativas bem como da construção de novas edificações. Desconsiderando o modo de vida das comunidades tradicionais, o ICMBio considera tais atividades como conflitantes, com vistas às atividades turísticas por sua beleza cênica. O trabalho busca compreender os fundamentos das situações de conflitos, levando em consideração a visão das famílias alcançadas por tais restrições. Busca entender, também, em que medida a criação dessa UC e as restrições decorrentes da ação dos agentes do órgão ambiental têm afetado a autonomia das famílias envolvidas em tais eventos, uma vez que as decisões que tomam sobre suas vida passam a depender da aprovação ou não do órgão ambiental.
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Reflexão Socioantropológica sobre a saúde da mulher na atenção básica do município de Rio Tinto/PB.

Autor/es: Márcia Alexandrino de Lima
O presente trabalho é resultado de uma pesquisa que objetiva compreender a forma como estão articuladas as políticas de saúde reprodutiva, entre elas o planejamento familiar e as políticas voltadas à saúde da mulher do município de Rio Tinto /PB.O lócus da investigação são os serviços de saúde estruturados com base na estratégia saúde da família. Tendo por base o método etnográfico são realizadas idas a campo com desenvolvimento de observação participante e realizadas conversas informais com profissionais da Unidade de Saúde da Família e usuários (as) dos serviços da atenção básica do município. In loco procuro compreender a dinâmica de trabalho da equipe da Unidade de Saúde. Para as análises foram levantados dados teóricos com ênfase nos estudos de gênero, políticas de saúde e saúde reprodutiva que serviram de subsídios para compreensão do universo do qual estou analisando etnograficamente. Os métodos contraceptivos mais utilizados pelas mulheres: a pílula e a injeção hormonal. Ao que pude observar em conversas informais com usuárias dos serviços de saúde a maioria das mulheres praticamente não costumam usar preservativos. Em contrapartida as mulheres mais jovens até utilizam a camisinha, porém quando o relacionamento ganha estabilidade passam a fazer uso apenas da pílula. Através dos relatos das usuárias e dos profissionais da atenção básica observa-se que a percepção de direitos sexuais e reprodutivos ainda não são vistos em conjunto.
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Corpos mirrados, principalezas e escravos: uma revista aos Tapajó históricos

Autor/es: Marcony Lopes Alves
Este trabalho é fruto de uma revisão crítica de crônicas datadas entre os séculos XVI e XVIII que mencionam os índios Tapajó (Carvajal, Acuña, Betendorff, Heriarte, Queiróz, de la Cruz, Frtiz e outros), e das interpretações que elas provocaram em debates da arqueologia . Na década de 1990, as informações etno-históricas sobre esse coletivo ameríndio foram centrais na argumentação da arqueóloga Anna Roosevelt sobre a existência de sociedades do tipo "cacicado" na Amazônia pré-colonial. Nesse momento, a imagem dos Tapajó era de indígenas muito diferentes daqueles conhecidos etnograficamente. A pesquisa procurou discutir os elementos destacados na argumentação de Roosevelt, como "culto aos ancestrais", poder centralizado, escravidão e nobreza . A partir da releitura das crônicas, junto a comparação com análises etnológicos sobre coletivos seiscentistas e setecentistas da costa brasílica e da bacia amazônica, foi constatar que muito dos fundamentos para a "complexidade social" dos Tapajó eram ilusões criadas pela ambígua linguagem colonial. No final, os Tupi da costa, base para as ideias de Pierre Clastres sobre a "sociedade contra o Estado", não são tão diferentes dos Tapajó, a epítome da estratificação social na Amazônia.
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Semiárido vivo: O cooperativismo na construção dos/as trabalhadores/as do campo na agricultura familiar.

Autor/es: Maria Dedita Ferreira de Lima, Andreina Carneiro de Medeiros Joana Darc Oliveira Gomes
Em uma perspectiva etnográfica, este trabalho pretende analisar os impactos trazidos pela implantação de uma casa de sementes na comunidade de Umburana, localizada na região semiárida do município de Carnaubal/CE. A proposta das casas de sementes comunitárias, um espaço de articulação entre trabalhadores/as rurais para preservação, armazenamento e compartilhamento de sementes nativas, além de proporcionar a troca de informações e cooperativismo entre os agricultores, promove dentro da comunidade o desenvolvimento sustentável, ligado à agroecologia e à economia solidária. Diante de um sistema como o de uma casa de sementes, os trabalhadores rurais da comunidade estudada, vêm construindo sua autonomia enquanto agricultores e um novo olhar sobre a vida no semiárido, apesar de suas narrativas de sociabilidade, inquieto-me para o porque da nova dinâmica, quais interesses e motivos têm levado à nova organização. A partir da observação dos primeiros encontros e de entrevistas com os agricultores, busco discutir o contexto que se dá o percurso de mobilização dentro da comunidade em relação a outras comunidades sertanejas que desenvolvem esse sistema e quais os desafios, alternativas e dificuldades do novo arranjo, tal como percebidas e vividas pelos trabalhadores.
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Políticas educacionais indígenas no estado de Pernambuco

Autor/es: Mauricio Souza Junior
Este trabalho é resultado da pesquisa de iniciação científica intitulada: “Perfil dos professores de ensino médio nos estabelecimentos de educação escolar indígena em Pernambuco”, desenvolvido na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). A Educação escolar indígena especifica e diferenciada é assegurada pela Constituição Federal de 1988, e desde 1991 o Ministério da Educação implementa uma política nacional de educação escolar indígena para os povos indígenas do país. Tal política se baseia na oferta de uma educação escolar específica e diferenciada, com o objetivo de garantir as memórias históricas, as identidades étnicas e a valorização de suas línguas e seus saberes, bem como o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional. Foi realizada uma pesquisa documental em portarias e resoluções do Governo de Pernambuco e da Secretaria de Educação sobre o marco legal que reconhece a educação escolar indígena autônoma e diferenciada para os povos indígenas em Pernambuco. Como resultado parcial da pesquisa: a) indica o estado de Pernambuco, com a quarta maior população indígena do Brasil e com 12 etnias, tendo b) a rede de ensino se formado a partir de 2002 no âmbito estadual com atribuição legal em todos os municípios onde encontram-se localizadas os povos indígenas, e por ultimo c) mostra os desafios da desta rede estadual para incorporar especificidades indígenas (currículo e pedagogia indígena) no Plano Nacional de Educação para o Estado de Pernambuco.
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Entre a natureza natural e as paisagens culturais: produção artesanal e modelos de natureza em jogo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Autor/es: Mônica Sousa Pereira
O artesanato de buriti – Mauritia flexuosa – é uma das atividades praticadas por artesãs que historicamente residem e trabalham em Achuí e Bom Jardim, localidades que integram o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Barreirinhas, MA. A reflexão sobre essa atividade visa compreender práticas, usos de recursos e representações da natureza a partir do uso e manejo das palmeiras e da extração das chamadas flechas ou olhos para a confecção de artefatos, pois as cultivam próximas a rios e lagos, revelando saberes e práticas que correspondem a mecanismos de conservação da natureza. Busco identificar os modelos de natureza em disputa: a idealizada pelo Estado brasileiro, que a percebe como natural, e a dos integrantes das comunidades tradicionais, que a identificam como resultado de suas interações com o meio biofísico. Os modelos antagônicos de natureza são tratados no trabalho a partir da análise da perspectiva oficial de natureza intocada e o das famílias de Achuí e Bom Jardim de paisagens socialmente construídas. Busco entender os processos de produção artesanal como patrimônio imaterial desses grupos elemento que permite a construção de uma identidade específica. Os buritizais do Parque não podem ser classificados como natureza natural, resultando também do trabalho humano mediado pela cultura. A visão conservacionista dos agentes do ICMBio revela o desconhecimento do modo de vida das comunidades, omitindo as práticas tradicionais de conservação da natureza.
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Estudos Iniciais Sobre as Políticas em Torno da Maconha Medicinal no Brasil

Autor/es: Monique Fernanda de Moura Prado, Yuri José de Paula Motta
Nossa pesquisa utilizou como ponto de partida o filme Ilegal como um ponto de partida para analisar as reivindicações pela legalização da Cannabis Medicinal no Brasil. Ele retrata o drama de uma mãe que para conseguir um medicamento à base de CBD, encontrado na Cannabis para sua filha, começa a enfrentar duras disputas políticas e burocráticas para ter acesso a esse medicamento junto com outros pais e pacientes. O maior resultado obtido dessas disputas foi a Regulamentação do CBD que foi retirado da lista de substâncias proibidas da ANVISA e passou para a lista de controladas assim como recentemente o THC. Outra consequência da repercussão do filme foi a criação de associações demandando novos contornos para a política de drogas no Brasil e em especial a Cannabis e a sua proibição que acaba fomentando a importação ilegal devido a dificuldade de conseguir uma autorização para o remédio. A pesquisa utiliza metodologia qualitativa e desde novembro acompanhamos uma Associação de Cannabis Medicinal a: ABRACANNABIS que possui membros protagonistas das lutas retratadas no Ilegal e ativistas da marcha da maconha e do site growroom. Nossa pesquisa tenta compreender como esse tipo de ativismo se articula para conseguir mudanças na lei referentes aos múltiplos usos da cannabis e ao acesso pleno da cannabis medicinal atuando como atores políticos nas esferas de decisão, atuando como atores políticos nas esferas de decisão e alcançando mudanças nos tramites burocrático e na lei.
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Juventude e tradição:Memórias do Maracatu Pavão Dourado em Tracunhaém ,Pernambuco/PE

Autor/es: Nalva Maria dos Santos
A antropologia vem dedicando boa parte de seus estudos a diversidade cultural e seus modos de transmissão e manutenção. Neste sentido me dedico à cultura pernambucana, especificamente ao Maracatu Rural. Este trabalho busca apresentar os jovens personagens do maracatu rural, e mostrando o quanto é importante a participação destes na brincadeira. Trabalho com a memória e oralidade pontes importante para manutenção da cultura de maracatu. Meu objeto de pesquisa é o grupo Pavão Dourado que foi criado em 1998 e é um dos grupos de Maracatu Rural da cidade de Tracunhaém, interior de Pernambuco. A metodologia usada é a de observação participante, o uso de questionário com perguntas semi-estruturadas, um rico referencial teórico específico sobre maracatu rural e tradição. Também faço o uso de gravador e máquina fotográfica. O Maracatu Pavão Dourado possui cento e setenta e oito brincantes de idades entre dois anos ate o quanto o brincante queira brincar. Palavras chave: Maracatu rural, jovens, tradição, memória.
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As Duas Irmãs, de Mario de Andrade: experiências migratórias e algumas reflexões sobre o campo da Antropologia Urbana

Autor/es: Natan Schmitz Kremer, não há
Entendendo o potencial mimético que a produção literária pode apresentar, a pesquisa aqui exposta trata-se de uma analise da experiência migratória - no fluxo fazenda-cidade, interior-metrópole - apresentada no capítulo “As Duas Irmãs”, do romance “Café”, de Mario de Andrade (p. 147-241, 2015). Sendo a obra situada nas primeiras décadas do século XX, o ensaio apresenta considerações sobre as experiências da primeira modernidade na cidade de São Paulo e os choques e contrastes que estas experiências estabelecem com a vida na fazenda da família produtora de café, atingindo de maneira distinta homens e mulheres, jovens e adultos. Para além destas considerações, pensa-se ainda no campo da Antropologia Urbana e nos dilemas entre uma Antropologia na Cidade e uma Antropologia da Cidade (em um persistente dilema entre micro e macrossociologia) e em como um olhar atencioso à obra de Mario de Andrade – enquanto “teórico não-acadêmico” - poderia enriquecer a reflexão sobre o campo no Brasil, levando em conta que se situa em um aparente rompimento entre as fronteiras estabelecidas entre estes dois seguimentos que disputam um campo.
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A escola e a identidade quilombola: um estudo sobre os significados da educação na comunidade quilombola de Laranjal/MT

Autor/es: Nathália Oliveira Defende
As comunidades autodeclaradas quilombolas empreendem movimentos políticos em busca do reconhecimento de seus direitos, dentre os quais a educação se faz uma de suas reivindicações mais expressivas. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo compreender os significados atribuídos à educação quilombola no ponto de vista dos agentes sociais que a experienciam como um todo – alunos, professores, familiares, além de lideranças políticas locais. Ao mesmo tempo, pensou-se a questão em interface com as políticas públicas de educação idealizadas para as comunidades quilombolas, com ênfase nos seus impactos sob o modo de vida desses grupos. Ancorada no método etnográfico, a pesquisa ocorreu na Comunidade de Laranjal, situada na região pantaneira de Mato Grosso, no município de Poconé. Levou-se em conta, também, as relações que a comunidade estabelece com sujeitos de outros quilombos da região, os quais, em conjunto, compõem o movimento por uma escola e educação voltada para os quilombolas. Assim, a experiência junto ao grupo apontou que a especificidade da educação quilombola reside, principalmente, no seu poder de construção e afirmação de identidades, as quais, referenciadas nas lutas recentes desses grupos, representam estratégias e perpetuações de um modo de vida diferenciado.
Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Pôster

Encenando a si mesmx: experiências de gênero e diversidades no contexto escolar

Autor/es: Nauana Antonello Ramos De Aguiar, Suzana Martins Costa Nauana Antonello
Este trabalho visa apresentar pesquisa realizada através de nossa atuação no Projeto de Extensão Papo Sério, desenvolvido pelo Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) da Universidade Federal de Santa Catarina, em 2015. O projeto tem como uma de suas ações a realização de oficinas em escolas municipais e estaduais da Grande Florianópolis, promovendo a desconstrução de estereótipos de gênero, de representações sobre sexualidade e diversos tipos de violência vividas por estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio de escolas públicas. Durante a nossa atuação no projeto coletamos relatos de vivências dxs estudantes, retratando questões relacionadas aos temas abordados nas oficinas. Em paralelo participamos de uma ação proposta através de projeto de pós-doutorado “Corpo, Gênero e Performance”, em oficinas de preparação teatral. Ao longo do ano, articulamos as duas experiências através da criação de jogos, exercícios e cenas teatrais compartilhadas com o público. Estas foram construídas a partir dos relatos das estudantes e também de nossas experiências pessoais. Apresentaremos neste pôster esta experiência metodológica que transformou a observação das oficinas em cenas teatrais que expressam experiências de violência de jovens de escolas publicas e estudantes de graduação. Concluímos que a linguagem teatral é capaz de transformar os indivíduos e pode ser uma forma de produzir relatos etnográficos, envolvendo novas linguagens e formas de transmitir conhecimentos.
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Saberes e práticas tradicionais da mulher quilombola da comunidade de Laranjal/MT no cuidado à sua família

Autor/es: Nayara Marcelly Ferreira da Silva,
Procura-se analisar os saberes e práticas tradicionais da mulher quilombola de Laranjal/MT no cuidado à sua família, no intuito de compreender como se constitui o universo simbólico quilombola a partir da coexistência da relação tradição e modernidade que o circunscreve. Os códigos simbólicos dos saberes e práticas tradicionais da mulher quilombola da comunidade de Laranjal/MT no cuidado à sua família podem ser evidenciados a partir de uma dimensão moral, na medida em que envolve um conjunto de sensações e pensamentos que não se limitam apenas ao corpo biológico, mas abarca também processos sociais. Neste sentido, o sujeito não se emancipa como um organismo essencialmente biológico. Portanto, busca-se compreender os saberes e práticas de saúde a partir do viés antropológico, na medida em que estas estão internalizadas a um específico campo cultural. Pode-se afirmar que coexiste uma relação categórica na comunidade quilombola de Laranjal/MT, na medida em que a doença é o oposto a saúde. As mulheres de Laranjal/MT trazem duas categorias de doença, aquelas consideradas “doencinhas” e a “doença grave”, estas implicam em ações diferenciadas. A primeira são perturbações do estado norma. Já a doença grave, são aquelas doenças que só são curáveis pela medicina oficial. Neste sentido, os aspectos relacionados à saúde/doença no universo quilombola se dispõem de duas alternativas: a medicina popular, que se constitui mediante o conhecimento empírico da população, e a medicina oficial.
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Etnografando o aprender: reflexões sobre aprendizagem na prática cotidiana

Autor/es: Nicole Faria Batista
O trabalho procura realizar um diálogo entre as áreas da Antropologia e Educação para refletir sobre a aprendizagem e transmissão dos saberes tradicionais em determinados contextos. Buscaremos nos afastar das ideias dominantes sobre esses processos, que individualiza-os e mostra-os como exclusivos das instituições escolares. Procuramos discutir a partir de teorias antropológicas sobre o tema (INGOLD, 2001; LAVE, 1991) como esse processo está atrelado à práticas cotidianas e informais, alargando assim o campo da educação para além das instituições escolares e das práticas formais de ensino. Realizou-se dessa forma uma revisão bibliográfica de textos (AUGUSTO, 2011; ALBERT e KOPENAWA, 2015; BENITES, 2012; BERGO, 2011; MENDES, 2003; SAUTCHUK, 2007, SILVA, 2011) que descrevem etnograficamente esses momentos em diferentes contextos de povos indígenas e população tradicionais, associando-os assim às teorias estudadas. O trabalho nos revelou então que a educação nessas situações se dão na aprendizagem em momentos cotidianos, em que os mais velhos e o mais novos interagem criando relações não necessariamente hierárquicas de transmissão de seus saberes. Ele é marcado pelo exercício cotidiano de tornar-se membro nos diferentes contextos que permite que o saber continue a existir, sempre levando em consideração os veteranos das práticas e saberes entendendo o seu compartilhamento, sua proteção e sua constituição como um dever coletivo.
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Construção de identidades entre jovens e adolescentes com deficiência no esporte adaptado de alto rendimento

Autor/es: Orlando Nunes de Souza Neto
Muito tem se discutido sobre os diferentes tipos de legados que a realização dos chamados megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol masculino em 2014, os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos em 2016, podem trazer para o Brasil. Seguindo essa tendência, este trabalho pretende discutir os impactos na construção da identidade de crianças e adolescentes com deficiência a partir de suas inserções na prática esportiva em uma das principais entidades que promove e garante os direitos das pessoas com deficiência no estado do Rio de Janeiro – a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF). Na maioria das vezes a busca por reabilitação proporciona o primeiro contato com o esporte adaptado. É a partir desse contato e, posteriormente, com a realização das Paralimpíadas Escolares que se abre uma porta para a entrada e transformação destes jovens em possíveis atletas. No entanto, essa transformação para além da própria vontade e esforço dos jovens depende também de um processo instituído pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), chamado de Classificação Funcional – que legitima as corporalidades aptas para as práticas do esporte de alto-rendimento. Nesse sentido, não pode ser deixada de lado uma análise sobre saúde, deficiência, esporte adaptado e classificação funcional.
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Todas as trans finíssimas na universidade: etnografia da vivência acadêmica norte-rio-grandense das travestis

Autor/es: Pedro Henrique Azevedo da Silva Paiva
As trajetórias de vida das travestis são marcadas por espaços de exclusão, assujeitamento e violência, fruto de uma realidade sociocultural transfóbica, cisgênera e machista. Existe uma enorme barreira que impossibilita o ingresso das travestis no ambiente acadêmico, que corresponde desde a não conclusão do Ensino Médio decorrente de vários fatores até a necessidade de trabalhar (geralmente na prostituição) por motivos de expulsão do contexto familiar. Esta pesquisa almeja compreender como se dá a vivência acadêmica das travestis na realidade do ensino superior potiguar, analisando os problemas subjetivos e institucionais vivenciados durante esta trajetória de vida. Em uma perspectiva etnográfica, acompanhamos o cotidiano universitário de uma travesti e realizamos conversas semiestruturadas com outras duas, que relataram sobre suas vivências enquanto acadêmicas. Enquanto graduandas elas passam por problemas com a validação do nome social e acesso ao banheiro e têm relações conflituosas com professores e técnicos por conta de sua identidade de gênero. As dificuldades só reforçam que além de árduo o processo de entrada delas em um curso superior, a manutenção de sua presença neste espaço é algo que requer muita batalhas vencidas. Vem crescendo o número das travestis cursando uma graduação, ocupar este espaço é sobretudo resistir e impor-se a uma sociedade opressora e excludente que as colocam à margem e renega direitos fundamentais, como o da educação de qualidade.
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Diferentes usos e significados do crédito: pensando as práticas de pequenos e micro empreendedores a partir das propostas do SEBRAE.

Autor/es: Rafaella Campos Delgado
A população urbana vem crescendo rapidamente na cidade de São Luís, MA. O público consumidor vem demandando novos ou mais serviços (restaurantes, lojas de vestuário, clínicas, etc). O acesso às tecnologias financeiras (cartões, contas bancárias, empréstimos e investimentos) está cada vez mais amplo. Isso é interpretado por alguns atores sociais como uma boa oportunidade de abrir o seu negócio mesmo com a crise financeira, afinal ficar desempregado é pior do que se arriscar a tornar-se um empreendedor. Para abrir uma empresa é necessário ter capital inicial para investir. Se o candidato a patrão tem algum dinheiro guardado, pode começar a fazer planos. Porém, há casos em que essa quantia não é suficiente para iniciar esta empreitada e, assim, algum tipo de crédito pode ser parte da solução. Como esses agentes sociais calculam o valor do empréstimo? Como planejam seu negócio e significam suas dívidas? Esta pesquisa, ainda em andamento, visa compreender a relação entre empreendedorismo e operações de crédito. Para isso, foram analisados materiais produzidos pelo SEBRAE, na cidade de São Luís, MA; trabalho de campo durante um dos cursos oferecidos pela mesma instituição e conversas informais com pequenos empreendedores. O que já sabemos é que: a) ter crédito pressupõe confiança e a possibilidade de acessar determinados tipos de serviços financeiros; b) empréstimos são paradoxais: podem viabilizar projetos e/ou endividar o devedor, comprometendo o sucesso do empreendimento.
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Brasileiros em Kourou (Guiana Francesa)

Autor/es: Rafaely figueiredo da Rocha
Brasileiros em Kourou (Guiana Francesa) Resumo Neste trabalho pretendo apresentar uma breve etnografia sobre processos de sociabilidade dos brasileiros que vivem na cidade de Kourou, na Guiana Francesa. Kourou é uma cidade localizada a 62 km de Caiena, capital da Guiana, e se destaca na economia e sociabilidade guianense em razão do centro espacial de lançamento de foguetes da França. Esse centro foi construído na década de 1960 e, por causa de sua obra e da construção de residências para os franceses metropolitanos, atraíram contingentes de trabalhadores do Brasil, Suriname, Venezuela, Colômbia, Martinica, entre outros países. Os brasileiros residentes na Guiana Francesa, de um modo geral, entram como imigrantes de duas formas: ilegais (por não possuírem documentação) e legalizados. São trabalhadores que migram para a Guiana Francesa em busca de oportunidades de trabalhos. Em Kourou existem atualmente várias áreas residenciais de brasileiros, que podemos se destacar na paisagem da cidade pelas construções improvisadas, pelas atividades comerciais e pela sociabilidade, incluindo as formas de lazer e entretenimento. Assim, pretendo apresentar uma descrição etnográfica dessa sociabilidade e, através da mesma, como os brasileiros vivem entre símbolos de brasilidade e o galicismo francês, buscando construir espaços de cidadania entre esses dois mundos.
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PEDRA, O SOM QUE SE SENTE: Um estudo das relações afetivas que se estabelecem entre um contingente da população de São Luís do Maranhão e a música reggae jamaicana.

Autor/es: Ranyere de Jesus Dias Serra, Ranyere de Jesus Dias Serra
Este trabalho busca analisar os mecanismos pelos quais a apropriação da música reggae criada na Jamaica em meados da década de 1960, pôde uma década depois, ser incorporada à dinâmica de parte considerável da vida da cidade de São Luís do Maranhão. A etnografia em questão, trás como unidade de análise, a categoria nativa “pedra” (uma referência à música reggae), esta unidade analítica aponta para uma dinâmica de relação afetiva que se estabelece entre os regueiros do Maranhão e este produto musical jamaicano. A reflexão acerca desta dinâmica aponta para raízes de inúmeras outras que se estabelecem em meio ao cenário reggae de São Luís do Maranhão, como por exemplo, economia, estética, identidade e tantas outras dinâmicas que se desdobram a partir destas. Palavras chave: Reggae, emoção, pedra, relação homem/objeto.
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Pesca x Desenvolvimento: Avanço industrio-portuário e os efeitos sobre as comunidades pesqueirasna zona rural II de São Luis, MA

Autor/es: Rayanne Gonzaga Mendes, Rayanne Gonzaga Mendes Madian de Jesus Frazão Pereira
Desde 1970, por conta de delimitações do Plano Diretor da cidade,visandointeresses industriais, conflitos territoriais são pontuados na zona rural II de São Luís-MA, lugar de diversidade cultural com várias comunidades, agrícolas e/ou extrativistas/pesqueiras. Surge desde então disputas territorial-político-jurídicas:a manutenção do modo de vida tradicional em confronto com alógica desenvolvimentista em curso.Com a instalação do pólo siderúrgico e portuário, os impactos ambientais são arguidos e criticados pelos moradores da região, que relatam as alterações do modo de vida local.A pesca passa a ser afetada pela diminuição dos peixes da região, ou contaminação deles por resíduos industriais. No segundo semestre de 2015, com discussões acerca do novo Plano Diretor e ameaça de instalação de um terminal portuário no território na comunidade do Cajueiro, que poderia implicar no deslocamento compulsório de inúmeros moradores, intensificou-se a mobilização pelo reconhecimento da identidade local, e a possível articulação das comunidades pesqueiras com o Movimento de Pescadores e Pescadoras (MPP).Diante do exposto, busca-se analisar os impactos causados nas comunidades pesqueiras com o avanço industrio-portuário em São Luís, e a resistência das comunidades circunscritas na área da Resex Tauá-Mirim. Deve-se ressaltar que o trabalho é elaborado através delevantamento bibliográfico, além de entrevista com agentes das comunidades e envolvidos na articulação jurídico-popular
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Pesquisa etnográfica sobre ações terapêuticas e assistenciais voltadas para crianças e adolescentes no município de Niterói

Autor/es: Raylani Pereira de Carvalho
A pesquisa ora apresentada buscou efetuar um levantamento sobre as práticas de apoio e tratamento terapêutico de crianças e jovens que fazem uso de drogas por parte dos operadores das redes de assistência social e da área da saúde no município de Niterói, Rio de Janeiro. Para a realização desta pesquisa foram feitas visitas aos órgãos e instituições que integram a rede de proteção à criança e ao adolescente em tal município, tais como: Delegacia de Proteção de Crianças e Adolescentes; Secretaria de Assistência Social de Niterói; Centro de Referência Especializado de Assistência Social; Centro de Atenção Psicossocial Infantil; Conselho Tutelar; Centro de Referência Especializado em População de Rua, Abrigo Paulo Freire, entre outros. Do ponto de vista metodológico, foi feito uso de entrevistadas com diversos graus de estruturação, sendo os roteiros previamente criados e readaptados de acordo com o perfil da instituição. Este trabalho de pesquisa revelou alguns aspectos significativos da atuação desses órgãos, entres eles destacam-se: a precariedade dos serviços oferecidos principalmente dos serviços ligados à área da saúde; a falta da infraestrutura básica para atendimento em alguns casos; as dificuldades que os jovens e seus familiares encontram em encontrar apoio necessário para a recomposição de suas redes relacionais e trajetórias existenciais.
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O São João de Naninha: Relatos sobre uma cultura invisível

Autor/es: Renata Batista Cavalcanti
Este trabalho trata da analise do terço cantado de São João que acontece no Gurguri, periferia da cidade de Mamanguape/PB. Este é um ritual de devoção a São João Batista conduzido pela senhora Josefa Maria Vicente popularmente conhecida como Naninha, realizado na noite de 24 de junho. O ritual do terço cantado por Naninha, não tem nenhuma ligação com o poder politico, não se beneficia de auxílios econômicos e não pertence à organização paroquial, sendo um ritual popular e tradicional (Oliveira, 1994). O terço é um ritual domestico que ocorre anualmente do qual participam pequeno número de vizinhos e amigos. Essa pesquisa pretende abordar as estratégias de manutenção e transmissão de conhecimentos entre esses poucos adeptos do ritual. Tem como pano de fundo uma comparação deste ritual e os festejos juninos na Paraíba, considerado um dos maiores do Brasil. A escolha metodológica foi a da etnografia (Malinowski, 1978), as narrativas orais (Gonçalves, 2012) e o registro de imagens. Percorrendo a historia de vida de Naninha, podendo entender melhor a relação entre o devoto e o santo e como esse tema aparece no contexto histórico e social da região.
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Vargens e morrarias: pecuária familiar no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

Autor/es: Ricardo Rodrigues Cutrim
O painel tratará do conjunto de práticas, saberes e regras costumeiras relativas à criação de animais, em especial de caprinos, no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Tal criação é praticada num vasto espaço de dunas, localmente chamadas de morrarias, entre as quais são encontradas as denominadas vargens que servem de pasto aos animais. A relação entre homens, animais e natureza é orientada pela combinação de regras costumeiras de propriedade e de uso de recursos comuns. O trabalho busca refletir sobre os fatores que contribuíram para que moradores do povoado Mocambo desenvolvessem essa forma específica de pecuária. Visa compreender qual a importância dessa atividade para as famílias, a partir da perspectiva dos chamados vaqueiros. Um dos objetivos é entender o arranjo institucional que a torna possível , ancorada nas relações de parentesco e nas regras costumeiras relativas ao acesso e uso dos recursos naturais, bem como na definição nativa de propriedade. A pesquisa aponta que, a partir do relacionamento entre humanos e animais e das formas de interação com o ambiente, foi possível a obtenção de hábitos que tornaram possível a convivência e reprodução de ambos naquele espaço.
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Patrimônio Cultural Imaterial Afro-Brasileiro – Natal/RN

Autor/es: Rudney Handerson da Silva
A identificação do patrimônio cultural brasileiro para proteção legal é um capítulo novo na história do Brasil. Somente a partir da década de 1930, que intelectuais passaram a propor uma política cultural de Estado que garantisse à transmissão desse patrimônio as futuras gerações. Políticas públicas de fomento ao levantamento e identificação do patrimônio cultural imaterial brasileiro são mais recentes ainda, só surgem na legislação com a Constituição Federal de 1988. A pesquisa sobre o patrimônio cultural imaterial afro-brasileiro está inserida em um projeto mais amplo que tem como objetivo fazer o mapeamento dos bens culturais de natureza imaterial da cidade de Natal-RN, reconhecendo a influência desse patrimônio para a afirmação da identidade do povo natalense. Especificamente sobre o universo afro-brasileiro foram mapeadas as comunidades de terreiro, espaços de capoeira, grupos de coco, congos, bambelôs, escolas de samba, entre outros. Como referenciais conceituais foram recuperadas as discussões que envolvem o patrimônio cultural imaterial no Brasil usando as noções de valor e memória social (Cecília Londres, 2005; Regina Abreu, 2007; Gonçalves, 2009; e Silvana Rubino, 2014). A pesquisa foi realizada de agosto/2015 a fevereiro/2016 abarcando as quatro regiões da cidade do Natal e seguindo o roteiro aplicado pelo Inventário Nacional de Referências Culturais – INRC, considerando suas categorias de bens (Saberes, Celebrações, Formas de Expressão e Lugares).
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Sobre “fazer a vida” e pesquisar numa praça do centro de Maceió

Autor/es: Silas da Silva Ferreira, 1-Gercy Paloma Ponte 2-Nádia Elisa Meinerz
O presente trabalho tem como objetivo apresentar, através de uma narrativa etnográfica, o conjunto de trocas subjetivas relativas à sexualidade entre dois pesquisadores/estudantes e um conjunto de mulheres envolvidas na prática da prostituição em Maceió. A investigação que originalmente combina técnicas quantitativas e qualitativas de entrevista, vêm sendo aprofundada através de uma inserção etnográfica numa praça localizada junto ao centro da cidade. A “praça das mulheres”, como é nomeada por aquelas que lá “fazem a vida” é marcada por uma intensa circulação de pessoas, principalmente durante o “horário comercial”. O foco da análise gira em torno do gênero como principal operador de diferença nas relações estabelecida entre as prostitutas e cada um dos pesquisadores.Enquanto Silas que se descreve como gay afeminado é incluído num registro de amizade a parentesco, Paloma que compartilha com as mulheres sobre suas experiências homoeróticas será integrada a partir de um vínculo estranhamente ambíguo. Ela, em alguns momentos será percebida como uma concorrente e outros como uma parceira potencial. Nesse sentido, a implicação das trocas relativas à sexualidade estabelecidas no campo remetem tanto a uma problematização das estratégias metodológicas relacionadas a abordagem das práticas de prostituição como objeto de pesquisa quanto a um adensamento das formas de socialidade e das expressões de gênero que permeiam um tipo específico de “situação de rua”.
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Assassinatos de pessoas LGBT na Bahia em 2014: Dinâmicas de raça, gênero e classe na violência letal homofóbica.RaINÂMICAS DE GÊNERO, RAÇA E CLASSE NA VIOLÊNCIA LETAL HOMOFÓBICA

Autor/es: Sônia Maria Santos Soarea
Nos últimos anos os crimes contra a população LGBT, lésbica, gay, bi e trans, vem aumentando consideravelmente no Brasil, chamando a atenção de pesquisadores e grupos contra a homofobia. O Grupo Gay da Bahia(GGB), contribui com um site chamado “Quem a homofobia matou hoje?”, em que são postados diariamente crimes letais que atingem essa população em todo o Brasil. Analisando os dados do site, percebe-se que a violência letal que atinge essa população é um problema crônico, na medida em que ocorre com frequência e não se observa a resolução dos mesmos pelas autoridades competentes. A manutenção/atualização do banco de dados do site visa chamar a atenção da sociedade como um todo, mas principalmente do poder público, no sentido de se pensar em criar mecanismos jurídicos para a punição dos assassinos. Os dados mostram que os crimes raramente, ou nunca, são associados à homofobia, indicando que essa população não é percebida na sua especificidade, além dos marcadores sociais como gênero, raça e classe serem determinantes na investigação / resolução dos crimes. . O presente trabalho apresentará como resultado uma análise dos assassinatos de LGBT ocorridos na Bahia em 2014, cujo objetivo é identificar as regularidades e tendências desses “homicídios”, fornecendo pistas para a comunidade LGBT, evitar situações de risco, e para o poder público, implementar politicas públicas que garantam a segurança dessa população. Palavras chave: Violência. Homofobia. LGBT.
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A Cobra Sofia entre o imaginário e a vida social entre ribeirinhos da cidade de Santana (Amapá)

Autor/es: Thaissa Naiara Nonato Moraes, Thaissa Naiara Nonato Nonato Moraes
No imaginário das populações amazônicas, há uma gama de mitos e encantados da floresta e dos fundos rios. A cobra-grande é um dos mitos que mais aparece em narrativas de comunidades, sejam elas indígenas, ribeirinhas ou quilombolas. Na cidade de Santana, no estado do Amapá, a cobra-grande estrutura não apenas o imaginário, mas a vida social local. Nessa cidade, essa cobra recebe o nome de Sofia e afirma-se que a mesma está localizada no rio Amazonas, bem à frente da cidade. Neste trabalho, pretende-se analisar dois aspectos: a) a constituição de um imaginário sobre a cobra-grande na cidade de Santana, a partir de narrativas e representações sobre a mesma no dia a dia; e b) como esse mito foi instrumentalizado pelos ribeirinhos como crítica social em relação a dois episódios que aconteceram no porto de Santana e que estão relacionados à mineração no Amapá. Desta forma, esta abordagem etnográfica pretende examinar como a cobra-grande se apresenta como mito e como narrativa crítica de ações concretas da vida social local.
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Transmasculinidades na rede: discutindo pressupostos repressivos do sexo no universo do netporn

Autor/es: Ulisses Gonçalves de Oliveira, Não há coautoria
Eis que temos o universo dos "netporns", plataformas online designadas para produção de pornografia pela internet, espaços de exibição de conteúdos pornográficos autônomos ou clandestinos. Representando uma ruptura com o mercado pornográfico "mainstream" (mercado do lucro e da pornografia heteronormativa), tornando-se possível além do compartilhamento clandestino de produções desse mercado, também diversas outras modalidades de pornografia. Algumas dessas modalidades, tomando pressupostos foucaltianos, são marcadores de uma hipótese repressiva, da normativa da sexualidade hegemônica. Neste trabalho, busco retomar discussões e debates acerca da sexualidade na sua formatação para o mundo ocidental. A pesquisa se dá através de uma análise dos comentários deixados pelos usuários dos "netporns" com relação aos pontos de vistas e recepção de vídeos de FTMs (Female to Male), ou homens trans e outras transmasculinidades em uma plataformas online bastante popular. Busco contextualizar as perspectivas discursivas dos internautas a partir dos comentários dispostos em diversos vídeos obtidos desse portal online e tentando extrair a noção acerca da transgressão corporal dessa categoria de gênero pelos comentadores. Além disso, a intenção é problematizar suas evocações de certos padrões e hierarquias com relação às diversas modalidades, percebendo também o rompimentos de padrões discursivos na medida que as pessoas acessam e atualizam a diversidade sexual como uma possibilidade para si.
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O Sexo Enquanto Categoria Analítica Dentro do Discurso Médico-Legal que Constrói os Corpos no IMLAP (RJ)

Autor/es: Victória Franco Martin
O presente trabalho, busca analisar como a estrutura de gênero opera em nossa sociedade, afetando diretamente os corpos em sua materialidade, desde o momento da fecundação até o momento do pós morte. Para isso, acreditando-se ser a morte um bom viés de aproximação da materialidade dos corpos, desenvolveu-se uma pesquisa, de cunho etnográfico, no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto (IMLAP), que compõe parte da Polícia Civil Técnico-Científica, localizado no Centro do município do Rio de Janeiro, a fim de observar em que grau a categoria do "sexo" (supostamente impressa nos corpos), e conseqüentemente sua diferenciação binária, sustentada pela dimensão simbólica e performativa do gênero, afeta a categorização, o tratamento e a disposição dos cadáveres a serem identificados no IMLAP. E, também, o quanto essa dimensão é importante para o reconhecimento jurídico e a identificação dos corpos, encaminhados ao IML por estarem envolvidos em acidentes ou algum tipo de ocorrência policial. Nesse sentido, cabe ressaltar que há uma construção institucional dos mortos, que se dá através do encontro dos discursos científico biomédico e judicial, que atribuem e legitimam significados referentes a estes corpos pela e na burocracia pública que, trabalhando com sua noção estatal de identidade, estabelece o lugar social do defunto. Há, portanto, a necessidade de se problematizar a autonomia destes discursos que incidem diretamente na dimensão do social, sem ao menos considerá-la na prática.
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Justiça & Etnocidadania entre os Tembé Tenetehara, em Santa Maria – Pará

Autor/es: Vinícius da Silva Machado
Entender as categorias acadêmicas: etnogêneses, etnocidadania ou dupla cidadania e pluralismo jurídico em interlocução com as categorias nativas correspondentes à justiça entre os Tembé Tenetehara para realizar possíveis aproximações é o objetivo do trabalho. Para produzir os registros foi necessário conhecer o território Tembé na região do nordeste Paraense e o processo de colonização ao qual foram submetidos pelo Estado Brasileiro. E para compreender os sentidos de justiça vigente entre os membros do grupo, empreendemos interlocução participativa, via oficinas levadas a termo nas escolas: Odojober de Souza Botelho e Francisco Nunes, as quais produziram aproximações com os indígenas criança e com crianças não-indígenas e a partir delas entender as agências por ser Tembé na articulação interétnica e assim compreender como se constroem os sentidos da justiça entre os membros do grupo que são socializados na comunidade, mas “enfrentam” nas escolas que não os atende de forma adequada, pois não são escolas indígenas e tão pouco escolas para indígenas, assim sendo o combate ao preconceito e a discriminação contemplam os sofisticados sentidos de justiça do povo Tenetehara.
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Interfaces da imigração haitiana contemporânea para o Brasil: “raça” como marcador colonial na Amazônia ocidental

Autor/es: Washington Luiz Dos Santos Assis
A proposta deste trabalho é apresentar o resultado parcial de uma pesquisa etnográfica iniciada em 2014 na fronteira ocidental da Amazônia brasileira. O objetivo desta comunicação é oportunizar uma reflexão sobre a influência do sistema colonial enquanto corpo discursivo na constituição de desigualdades. Neste estudo analisaremos as interfaces da imigração haitiana contemporânea para o Brasil a partir de teorias pós-coloniais e decoloniais, para que se possa refletir acerca dos processos de subalternização de imigrantes haitianos na Região amazônica, especificamente no contexto de Porto Velho, Rondônia. Realizaremos, também, reflexões acerca das feridas coloniais (Fanon, 1968; Mignolo, 2009) na interrelação desses sujeitos em território brasileiro, considerando os mais diversos tipos de inferiorização e subordinação, em especial as marcadas pela raça.
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Interfaces da imigração haitiana contemporânea para o Brasil: “raça” como marcador colonial na Amazônia ocidental

Autor/es: Washington Luiz Dos Santos Assis
A proposta deste trabalho é apresentar o resultado parcial de uma pesquisa etnográfica iniciada em 2014 na fronteira ocidental da Amazônia brasileira. O objetivo desta comunicação é oportunizar uma reflexão sobre a influência do sistema colonial enquanto corpo discursivo na constituição de desigualdades. Neste estudo analisaremos as interfaces da imigração haitiana contemporânea para o Brasil a partir de teorias pós-coloniais e decoloniais, para que se possa refletir acerca dos processos de subalternização de imigrantes haitianos na Região amazônica, especificamente no contexto de Porto Velho, Rondônia. Realizaremos, também, reflexões acerca das feridas coloniais (Fanon, 1968; Mignolo, 2009) na interrelação desses sujeitos em território brasileiro, considerando os mais diversos tipos de inferiorização e subordinação, em especial as marcadas pela raça.
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“Essa terra é complicada!”: território e construção identitária entre os Xukuru-Kariri de Taquarana

Autor/es: Wemerson Ferreira da Silva, Wemerson Ferreira da Silva
O trabalho aborda o processo de construção da identidade étnica vivenciado presentemente por três famílias extensas, em Taquarana – AL, e a tentativa de manterem-se no território que ocupam há quase um século. Em função de conflitos com latifundiários locais, que buscavam turbar o território do grupo, esses atores sociais recorreram às lideranças Xukuru-Kariri de Palmeira dos Índios – AL, com as quais mantêm vínculos rituais e de parentesco, e, após um processo de formação política oferecido por elas, passaram a reivindicarem-se, perante o Estado, como etnicamente diferenciados e a solicitar a imediata demarcação de seu território como terra indígena. Em virtude dos últimos acontecimentos, as relações e percepções que o grupo mantém junto ao território vêm sendo reelaboradas, e, de grota, ele passou à condição de Aldeia Mãe Jovina. Analisar-se-ão os efeitos iniciais do “processo de territorialização” (PACHECO DE OLIVEIRA, 1998) dando relevo à articulação local dos fluxos culturais originários de diferentes tradições de conhecimento e que apresentam, atualmente, os primeiros sinais de “etnificação”. Além de enfocar a organização social do grupo, por tratar-se de um estudo de “dinâmica territorial” (MURA, 2006), pretende-se também analisar o modo como o território dessas famílias é configurado não apenas pelas características morfológicas das mesmas, mas em razão da atuação de outras agências e grupos sociais, como o Estado e fazendeiros, no decorrer de quase um século.
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Relações Sociais e Processos De Urbanização: A Escola Municipal Karla Patrícia e a Via Mangue

Autor/es: Whodson Robson da Silva
Compreender a história e a dinâmica urbana da cidade do Recife é tentar perceber uma série de eventos relacionados à ideia de desenvolvimento, a grandes empreendimentos e à violação de direitos sociais. A construção da Via Mangue, maior obra viária das últimas décadas na capital pernambucana, representa um desses eventos de interferências na vida das pessoas que anteriormente habitavam o espaço geográfico, como moradores de palafitas e de casas de beira de maré, e também nas instituições sociais que fazem parte do mesmo local, entre elas a Escola Municipal Karla Patrícia. Estudar as transformações sociais e urbanas causadas pelo projeto da Via Mangue e atrelá-lo às mudanças da Escola sobre a qual esse estudo se atém, é perceber o quanto o ambiente escolar está sujeito a alterações em sua política interna e em sua cultura organizacional por fatores externos e de origens diversas. A partir dos processos de cartografia social, concebida como uma forma de fazer etnografia, o estudo objetiva responder questões que estão interligadas a um processo de expansão e interferências urbanas. Neste sentido, oferece subsídios ao entendimento das relações de poder e desenvolvimento geográfico desigual, que ignoram ou desconsideram as pessoas como sujeitos de direito. Desta maneira, esta investigação se justifica pela contribuição que pode dar à formação do cientista social, ao considerar aspectos históricos e antropológicos presentes nas políticas públicas de moradia e mobilidade urbana.
Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Pôster

Homossociabilidade e construção do ethos macho nos espaços das “casas-dos-homens” de Redenção – Ceará

Autor/es: Ythalo Viana Lima, Jacqueline Britto Pólvora
Utilizei aqui o conceito de “casa-dos-homens” de Welzer-Lang para caracterizar espaços no município de Redenção enquanto ambientes nos quais se desenvolve uma espécie de sociabilidade entre homens heterossexuais baseada no fortalecimento da masculinidade e de códigos coletivamente estabelecidos que delimitam as diferenças na experiência entre ser homem e ser mulher. Acompanhei bares, borracharias e pontos de mototaxistas e pensei os assuntos recorrentes, como bebida, música, ‘mulher’ e jogos na qualidade de elementos que dão aporte à própria sociabilidade do grupo por representarem gostos compartilhados. As minhas angústias em relação ao trabalho se colocaram mediante minha posição de pesquisador gay que confrontou a discrepância da realidade pesquisada com a realidade pessoal e a dificuldade recorrente no compartilhamento com os códigos daqueles espaços. Por fim eu concebi a construção do ethos macho enquanto um processo permanente. A masculinidade é algo que precisa ser diariamente nutrido para que as estruturas de dominação masculina sejam efetivadas. Nesse sentido, eu pensei as “casas dos homens” como espaços que homens heterossexuais frequentam com uma das finalidades de alimentar essa masculinidade que enfraquece diariamente.
Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Pôster