Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Artigo


 

1º Lugar
Diana Patricia Mendes (UFMA) / Orientador: Benedito Souza Filho (UFMA)
“NEM SOJA, NEM GAÚCHO: autonomia camponesa e governança ambiental na Resex Chapada Limpa/MA”

2º Lugar
Camille Gouveia Castelo Branco Barata (UFPA) / Orientadora: Jane Felipe Beltrão (UFPA)
“Cuidar, Curar, resistir: corporeidade entre mulheres Tembé-Tenetehara (Santa Maria/PA)”

3º Lugar
Mayara Ferreira Mattos (UFMG) / Orientador: Aderval Costa Filho (UFMG)
“Mapeando as famílias circenses em Minas Gerais: diálogos sobre reconhecimento identitário e luta por direitos a um modo de reprodução sociocultural em uma comunidade tradicional”

Menção honrosa
Arthur Dias Costa (UFJF) / Orientadora: Cristina Dias da Silva (UFJF)
“Quando a rua vira um lar: autonomia e subjetividade entre moradores de rua de Juiz de Fora”

Menção honrosa
Nathália Dothling Reis (UFSC) / Orientadora: Miriam Pillar Grossi (UFSC)
“Trajetórias e subjetividade: etnografia da Marcha das Vadias de Florianópolis/SC em 2014”

Menção honrosa
Nathan Lima Virgílio (UnB) / Orientadora: Antonádia Monteiro Borges (UnB)
“É muito bicho pra perseguir. Peleja e comunicação entre criaturas no Góes-CE”


Dinâmicas de produção de tais e objetificação da cultura na Díli contemporânea.

Autor/es: Andreza Carvalho Ferreira
O tais é um tecido tradicional em Timor Leste, importante para a sociabilidade local, com elação além de sua materialidade. Dentro desse horizonte, a circulação e a produção do tais eram (até 1999) intrinsecamente vinculados à criação, manutenção e estabelecimento de relações; figurando entre dádivas. Neste cenário a tecelagem era uma atividade que apenas acontecia dentro de um grupo doméstico. Contudo, recentemente (a partir de 2002) o tais tem assumido outros sentidos ao mesmo tempo que se transforma em novos processos dentro de práticas manuais. As tecedeiras do tais, começam a dividir o protagonismo de suas peças com outras mulheres que entram nos processos de costura, cartonagem e etc. A divisão do trabalho fica mais complexa e é intermediada por coletivos que pleiteiam identidades, tanto para os grupos quanto para os produtos feitos, na medida que estes produtos derivados de tais são destinados ao consumo estrangeiro. De setembro a dezembro de 2014, estive em Díli, capital de Timor-Leste, com auxílio do projeto de mobilidade financiado pelo edital CAPES/AULP. No decorrer da pesquisa, pude perceber que as novas formas adquiridas pelo tais são reflexo da influência estrangeira para liderar programas de empoderamento das mulheres. Com esse cenário o tais é adequado as demandas do mercado estrangeiro, na construção de um mercado turístico. Nesse sentido o trabalho dos coletivos é vital para mediar as expectativas entre a produção e o consumo do tais.
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Quando a rua vira um lar: autonomia e subjetividade entre moradores de rua de Juiz de Fora

Autor/es: Arthur Dias Costa
O presente artigo tem como objetivo trabalhar a problemática do morador de rua, valorizando sua subjetividade frente a passividade a ele relegada nos vários estudos sobre essa categoria. Toma-se aqui três sujeitos que disseram viver na rua como opção. Enxergando-os como sujeitos cognoscentes, explora-se aqui seus discursos e vivência, buscando o que seria morar na rua e as consequentes ressignificações do espaço e do corpo que tal situação acarreta, principalmente a privatização do espaço público. E entendendo o corpo a partir das perspectivas no campo da Antropologia do Corpo e da Saúde, pretende-se analisar os valores e símbolos relacionados ao fenômeno de “morar na rua”, defendendo que há uma relação entre corpo e espaço a qual é gerida principalmente aqui pelo higienismo, tornando esse sujeitos de certa forma transgressores de tal valor. Assim tal transgressão é compensada com a marginalização, colocando-os numa situação de negação da dignidade, por causa de sentimentos de nojo e repulsa. Estes visam a evitação do perigo e são negligenciados nos estudos dessa categoria, frente aos sentimentos de compaixão e humanização.
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Da união estável ao casamento: uma etnografia da implementação de direitos associados a relações homoafetivas em Curitiba (PR).

Autor/es: Bruna Maier dos Santos
Este trabalho tem como ponto de partida apresentar e compreender a sentença do Supremo Tribunal Federal que reconheceu, em maio de 2011, a união estável homoafetiva, abrindo caminho para a efetivação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. A partir deste referencial, busca-se analisar os desdobramentos institucionais da decisão do STF e seus impactos na experiência de casais que buscavam ou passaram a buscar a formalização de seus relacionamentos. Através de pesquisa de campo em cartórios e entrevistas realizadas com casais de Curitiba, verificou-se que, de início, não havia um entendimento sobre como os cartórios deveriam proceder em relação aos pedidos de diversos casais que queriam realizar a declaração de união estável e/ou pretendiam sua conversão para casamento civil. Somente em março de 2013 uma instrução normativa da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Paraná regulamentou os procedimentos de conversão de união estável em casamento e de habilitação para casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornando o Paraná o oitavo estado brasileiro a realizar o casamento civil homoafetivo. No plano nacional, a padronização só aconteceu dois anos depois, quando uma resolução do Conselho Nacional de Justiça determinou que nenhum cartório brasileiro poderia recusar esses pedidos, evidenciando mais uma vez os diversos meandros e a complexidade da conquista de direitos relativos às relações homoafetivas.
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Post-Gay: sobre não-identidades sexuais

Autor/es: Caio Felipe Campos Cerqueira
Este artigo versa sobre usos e desusos de identidades em contextos multissituados com jovens na cidade de Salvador. A partir de uma etnografia com jovens frequentadorxs de festas matinês em boates gays constatou-se que o uso da categoria identitária tem tido seu uso questionado em diversos ambientes e situações. Esse é um fato que dialoga com estudos internacionais, sobretudo europeus, que já sinalizam para uma situação intitulada de post-gay. Tendo em vista a novidade do tema, o texto foi construído no sentido de questionar, problematizar e chamar atenção para uso da linguagem como instrumento de poder, já que essxs jovens tendem a negar qualquer aproximação com categorias identitárias, seja hétero ou homossexual. Aqui, não apontamos apenas os jogos de poder em torno das identificações, mas como que temos a reconfiguração de práticas outrora bastante sedimentadas no social.
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O “eu” sob holofotes: Uma análise etnográfica sobre os efeitos do exercício de teatro na subjetividade juvenil

Autor/es: Camila Horbatiuk Dutra
A partir de um interesse em questões relativas a subjetividade e processos de subjetivação, e uma experiência pessoal com aulas de teatro não-profissionalizantes, desenvolvi esta pesquisa a partir de um tema que abarca e reúne essas duas tendências de estudo: “A influência que aulas de teatro exercem na construção e alteração da subjetividade em jovens”. Somando-se o recorte teórico – que passa pelos rituais de Victor Turner, pelos “habitus” de Marcel Mauss e o “não-eu/não não-eu” de Richard Schechner –, ao etnográfico – com um grupo cênico formado por alunos e professores de aluas de teatro extracurriculares escolares –, a proposta deste trabalho é estudar se e como a realização de exercícios teatrais e a participação em um grupo cênico não-profissional interfere no processo de construção de subjetividade das pessoas envolvidas nessas atividades, e se possível contribuir para a intersecção de estudos sobre subjetividade e sobre performance dentro da Antropologia.
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Cuidar, Curar, resistir: corporeidade entre mulheres Tembé-Tenetehara (Santa Maria – PA)

Autor/es: Camille Gouveia Castelo Branco Barata
O trabalho problematiza as práticas de cuidado e proteção do corpo frente a situações de violência entre as mulheres Tembé/Tenetehara, moradoras do hoje município de Santa Maria do Pará. A discussão consiste da revisão bibliográfica empreendida sobre as questões da pesquisa, bem como a reflexão sobre narrativas consideradas reveladoras para o entendimento do tema. Os objetivos são: (1) refletir sobre as formas de empoderamento, cuidado e resistência das interlocutoras frente a situações de violência e brutalização dos corpos e trajetórias; (2) dialogar com o repertório bibliográfico investigado até o momento a partir dos atos e falas das interlocutoras, considerando as interpretações antropológicas e as das interlocutoras igualmente válidas. Categorias como dor (DAS, 2008) e terror (TAUSSIG, 1993), bem como o entendimento de marcadores sociais da diferença sob um ponto de vista interseccional (BRAH, 2006; MCCLINTOCK, 2010) estruturam o olhar sobre a pesquisa.
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NEM SOJA, NEM GAÚCHO: autonomia camponesa e governança ambiental na Resex Chapada Limpa/MA

Autor/es: Diana Patricia Mendes
As reflexões empreendidas no artigo buscam, por um lado, compreender o processo de luta e mobilização de famílias camponesas para a criação da Resex Chapada Limpa; por outro, visam entender os problemas relativos à autonomia das famílias após a criação da Reserva Extrativista Chapada Limpa, localizada no município de Chapadinha, no Maranhão, tomando como referência questões relativas à governança ambiental e territorial. A questão ambiental foi considerada como elemento importante para compreender os processos de transformação de áreas de tensão social em unidades de conservação não por enquadrar-se em uma idéia de preservacionismo, mas por sua relevância social e política, já que o avanço do agronegócio tem afetado a reprodução material e social de várias famílias da região da Resex Chapada Limpa. Essas tensões surgem em decorrência da disputa envolvendo, por um lado, famílias camponesas que lutam para conservar áreas de cerrado e, de outro, pretensos proprietários ou os chamados gaúchos cujos interesses estão associados à venda de terras em zonas de chapada e a ampliação de áreas de cultivo da soja respectivamente. É justamente em função dessas situações de tensão social que segmentos camponeses têm pleiteado a criação de unidades de conservação de uso sustentável como forma de resolução dos problemas enfrentados com grileiros ou com agentes do agronegócio, notadamente do ramo da soja.
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“Yo naci nuna frontera donde se juntan dos pueblos”: Uma (auto)etnografia situada entre o Brasil e o Uruguai

Autor/es: Isis Karinae Suárez Pereira
Resumo: o presente trabalho em Antropologia apresenta o modo de vida dos fronteiriços, moradores das cidades de Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai). Na atualidade, as fronteiras tem sido alvo de pesquisas; muitos estudos na antropologia colocam a inexistência de fronteiras culturais, existindo apenas as de cunho simbólico, as estatais. A partir da etnografia apresento a trajetória de algumas famílias da região, o seu dia-a-dia e como vivem a fronteira (simbólica e física) com seus saberes e modos de fazer. Para isso, as dinâmicas diárias constituídas na informalidade são escolhidas como ponto central de observação. A fronteira entre o legal e ilegal se torna ínfima e se reconstrói nas situações observadas. Os relatos contados de eventos e micro-eventos se tornaram roteiros das conversas. Tentou-se compreender o conceito de identidade para essas pessoas, a partir da obtenção e uso de documentos. As etnografias foram somadas à experiência do pesquisador apresentadas pela autobiografia. Tornando possível repensar os métodos antropológicos e o Estado em fronteiras.
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Entre o viver e o morrer : As mulheres e a violência de gênero no Brasil

Autor/es: Janaína S. Zaranza
Neste estudo focalizo o viver e o morrer na sociedade brasileira, mas especificamente na cidade Fortaleza/ Ceará / Brasil fundamentadas pelos os conflitos conjugais e violência de gênero, os mesmos passam a ser vivenciados nos espaços públicos destinado à denúncia de violência contra mulher, a partir da promulgação da Lei No. 11340 (lei Maria da Penha). Analiso através do Ritual de denúncia elaborada a partir de Turner (1974) a crítica por alguns autores contemporâneos como Sorj e Monteiro (1985), Grossi (1995), Gregori (1987), Rifiotis (2006), Debert (2006), Spivak (2010), Agambe (1998) sobre a penalização e a judicialização do autor de conflitos de conjugalidade e os femicídios. Para Debert (2006) a judicialização é a principal forma de enfrentamento de conflitos interpessoais e de conjugalidade no ambiente doméstico. Assim, visualizamos as dificuldades e os avanços da lei, permitindo verificar como mulheres, mulheres, movimentos, polícia, jurídico estão dispostos a mudar.
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Analise da obra do artista plastico Jose Zumba: Visibilidade e Memória Afro-Alagoana.

Autor/es: Jeamerson dos Santos
RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar a relação da obra do artista plástico Jose Zumba e os movimentos culturais afro-alagoanos e religiosos; a visibilidade e os simbolismos estéticos utilizados pelos movimentos como bandeiras na luta por igualdade e liberdade religiosa nas manifestações culturais; e a manifestação por políticas para juventude negra e liberdade religiosa no ano de 2012, em Alagoas. Palavras-chave: Jose Zumba. Movimento negro, Tia Marcelina, artes visuais, símbolo.
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Jogando com MC’s: identidade, estilos de vida e performance em uma experiência etnográfica na “Batalha do Mercado”.

Autor/es: Jose Luis Abalos Junior
Este trabalho é síntese do Trabalho de Conclusão do Bacharelado em Ciências Sociais no qual realizei pesquisa vinculada ao Departamento de Antropologia Social/UFRGS, e das minhas reflexões junto ao Banco de Imagens e Efeitos Visuais (BIEV/PPGAS/UFRGS) e ao Núcleo de Antropologia Visual (NAVISUAL/PPGAS/UFRGS) grupos de pesquisas ao qual me vinculo. Abordo um evento específico denominado “Batalha do Mercado” ligado à cultura Hip Hop em Porto Alegre. Primeiramente reflito sobre a trajetória de Madyer, o “Amarelo”, um master of ceremony, usualmente “MC”, que faz recombinações musicais reinventando não só sua musicalidade, mas também seu campo cultural. Posteriormente descrevo este jogo envolvente como um processo ritual e um espaço de performance em que o MC, através de duelos verbais, explicita inúmeras questões de identificação no “conhecimento” e no “sangue”. Logo após reflito sobre questões de consumo ligadas ao vestuário, marcas e acesso a tecnologias, que atentam para uma busca de existência de um sujeito MC. Finalizo abordando o advento da internet, assim como o acesso e o sucesso dos MCs nesta, e a lenta e gradual participação das mulheres neste cenário cultural como os elementos históricos e mais significativos que marcam o nascimento de uma “nova geração” do Hip Hop em Porto Alegre.
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Os Jovens da “Baixada” e seus encontros com a Polícia: VIOLÊNCIA E SUSPEIÇÃO

Autor/es: José Luis dos Santos Leal
Fruto das reflexões do trabalho de conclusão de curso, o presente artigo discute as ações policiais que visam à busca pessoal em jovens sob a utilização motivadora da suspeição policial, suas análises partem mais especificamente para o campo simbólico e subjetivo que confronta o policial e o jovem. A pesquisa analisa a partir de elementos que compõem a “tríplice da suspeição” os mecanismos e critérios da construção do discurso da “suspeição policial”, buscando compreender a possível articulação entre acusados e a influência de filtros sociais na seleção e criminalização dos indivíduos. A pesquisa original foi realizada no ano de 2014 na comunidade da Baixada do Ambrósio, na cidade de Santana/AP, e desenvolveu-se a partir das seguintes vertentes: 1) pesquisa bibliográfica que possibilitou o contado com a literatura pertinente; 2) pesquisa de campo com a realização de entrevistas abertas e semiestruturadas com moradores do bairro e policiais militares da UPC (Unidade de Policiamento Comunitário). A pesquisa analisa ainda, como os policiais constroem o discurso que define quem é, ou não um suspeito. Assim, parte-se da hipótese que a suspeição não é aleatória, mas sim, seletiva e sistemática. É um processo inquisitório pelo qual identidades são construídas e/ou atribuídas para habitar adequadamente no que é representado como um suspeito.
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Pirataria no Estado de São Paul: a Fiscalização de um Mercado Popular Global.

Autor/es: Júlia de Capdeville e Silva
Esse artigo é resultado de uma pesquisa etnográfica realizada na cidade de São Paulo entre os anos de 2013 e 2014, com os órgãos fiscalizadores da pirataria na cidade, tratando especialmente da Polícia Federal, Polícia Civil e Guarda Civil Metropolitana. A ideia foi compreender a concepção de pirataria dos agentes desses órgãos, entender sua função na tarefa de coibir a pirataria, para visualizar o funcionamento da rede de órgãos que trabalham na fiscalização deste tipo de mercado informal. E, por fim, procurar compreender em que dimensão os “locais” da pirataria na cidade de São Paulo como a 25 de Março, Feira da Madrugada e outros lugares no centro, seriam parte de um mercado popular global, característico de um processo de globalização não hegemônica.
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Os saberes tradicionais indígenas nas páginas de O Patriota, Jornal Politico, Literário e Mercantil

Autor/es: Letícia Lemes da Silva
O presente trabalho busca discutir as múltiplas relações existentes entre o conhecimento científico e saber tradicional indígena no Brasil no século XIX a partir de alguns periódicos que circularam pelo país durante o XIX, como o Patriota. Analisar-se-á como o saber tradicional indígena foi apropriado por aqueles que faziam ciência no Brasil, num momento de profundas transformações sociais, fomentadas especialmente pela transposição da corte portuguesa para o Brasil, então colônia.
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Formas de socialização dos indígenas xavante com deficiência na aldeia Namunkurá.

Autor/es: Luciana Moura de Carvalho
Este estudo constitui uma análise pormenorizada de como vive o indígena com deficiência suas dificuldades, possibilidades e acessibilidades. Avaliando-se desde o nível de socialização do indígena com deficiência junto a comunidade e sua aceitação nos diversos espaços da aldeia na vida da comunidade no dia a dia de forma geral, as produções recentes legais que se voltam para a socialização deles de forma mais efetiva na comunidade. Considerações são realizadas a cerca da visão que a comunidade faz sobre o aspecto em questão o tais como: O que são estes deficientes, o que pensam sobre eles, o que julgam necessário para socialização do deficiente: na comunidade, na escola, na vida cotidiana, nos rituais, nas brincadeiras. O deficiente visto em sua singularidade, o entendimento de pessoa humana para o Xavante. A interpretação nativa de que a “deficiência” teria surgido junto com o contato com o homem branco também é um forte indicativo sobre a indigenização Xavante da deficiência. O meio de pesquisa empregado neste trabalho foi o bibliográfico e o presencial trabalho de campo, limitando-se esse último a visita in loco a aldeia Namunkurá, e o acesso a sites disponíveis na WEB, atentando as suas limitações.
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Corpos de barro: pessoas e objetos em interação

Autor/es: Marcus Venitius Bonato Filho
Este artigo tem como objetivo investigar e compreender a relação entre o corpo, a natureza e o artesanato em todo o processo que envolve a fabricação do artesanato na região de Oriximiná/PA. Para tanto, foi realizado um trabalho de campo na comunidade quilombola do Lago do Moura, localizada à margem do Rio Trombetas. Nos moldes de uma antropologia compartilhada, busquei dar voz às reflexões elaboradas pelos próprios sujeitos da pesquisa, na tentativa de compreender como eles pensam a relação entre seu próprio corpo, a natureza que os rodeia e o artesanato que fazem. O corpo, pensado como objeto relacionado à natureza e ao meio em que está inserido, carrega valores simbólicos responsáveis pela construção cultural de um determinado povo e de sua identidade. Já a peça produzida, o artefato, torna-se mediadora entre o corpo e a natureza, fundindo essas dimensões e, por isso, é de fundamental importância para se pensar a tríade corpo-natureza-artesanato ou uma cosmologia quilombola, ou, até mesmo, uma ontologia quilombola.
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(Re)pensando O Abuso Sexual em Contexto Universitário: Afeto, Compartilhamento e a Construção de Fatos.

Autor/es: Mariana Barroso da Costa
O presente artigo trata sobre o Abuso Sexual no Contexto Universitário a partir da experiência de um grupo de estudantes da Universidade de Brasília que se mobiliza a partir de um caso de estupro cometido por um estudante do curso. Observando a dinâmica de construção de direitos a partir da reflexão do discurso jurídico e o afeto nesses encontros. O discurso jurídico aqui é compreendido enquanto um conjunto de normas abstratas que são analisados a partir dos limites das suas categorias sobre uma expectativa prática de comportamento normativo. O afeto por sua vez se apresenta por uma inversão, onde as práticas geram transformações sobre categorias, que são fundamentadas a partir do compartilhamento. Dessa forma, reescrevendo fatos e percepções de direitos a partir de experiências subjetivas de reconhecimento de identidades.
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A artimanha do anonimato em trajetórias de vida atravessadas pelo alcoolismo: uma etnografia do A.A. da Ilha do Governador

Autor/es: Mariana Oliveira da Fonte
A presente pesquisa é o resulto de três meses de etnografia em um grupo de A.A. localizado na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Para compreender os usos e sentidos múltiplos do anonimato nos grupos de auto ajuda procuro lançar um olhar mais subjetivo às trajetórias de vida de alcoólicos que se tornaram anônimos. E para isto, traço o percurso dos alcoólicos até a admissão no A.A., passando por momentos de rupturas interpessoais e estigma social até a retomada de agência e controle sobre o próprio planejamento de sua vida. Proponho um exercício de interpretação da complexidade “do ser alcoólico”, entendendo a Irmandade A.A. como um campo no qual os membros se desnudem de um tempo do qual o álcool foi um fator delimitador de suas vidas e relações sociais. O grupo de A.A. é percebido aqui como um importante canal de reconstrução identitária, na qual o anonimato desempenha diversas funções, sendo acionado, de modos variados, como instrumento facilitador para ressocialização do alcoólico.
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Etnomídia e Identidade Étnica Entre os Pankararu

Autor/es: Mariane Cândido de Souza
Este artigo tem o propósito de enriquecer o debate sobre o acesso e uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC's) por parte da comunidade tradicional indígena Pankararu, de Pernambuco. Valendo-se do conceito de Democracia Digital para compreender a realidade mais recente do uso de dispositivos móveis com acesso à rede mundial de computadores (Internet), por alunos e professores do ensino médio das escolas estaduais indígenas desta comunidade. Desta forma é possível problematizar como se dá a identificação de si mesmos e dos outros, como usuários de tecnologias disseminadas nos meios urbanos e como se percebem identificados pelos outros, não-indígenas, pelo uso dessas tecnologias. Na medida em que a apropriação das ferramentas e linguagens virtuais são também meios pelos quais o(s) Pankararu agenciam a forma como são vistos, comunicando a forma como descrevem a sua cultura, seus saberes tradicionais, sua cosmovisão. A capacidade transversal patente às competências comunicativas virtuais como a internet, envereda por percursos que culminam, entre outros alcances, na chamada etnomídia. Este é um conceito duplamente pertinente para o que aqui se intenta. O primeiro tem uma dimensão política e diz sobre uma vertente contra-hegemônica que, com efeito, está numa frente combativa dos valores que foram convencionados a respeito da identidade indígena. O segundo sentido traz no seu bojo um aspecto etnológico. Assim, a mídia na visão dos povos indígenas.
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Fortaleza e seu patrimônio material: os sentidos e os usos efetivos conferidos aos imóveis tombados em âmbito municipal

Autor/es: Mário Jorge Barreto Ribeiro
Em 2016, Fortaleza completa 290 anos de sua fundação. Imbricada pela ação de diferentes linhagens culturais como a portuguesa, a holandesa e a indígena, a cidade e seus moradores debatem frequentemente sobre a preservação da memória e da história da capital cearense, assim como a necessidade de fortalecer os sentimentos de identidade e pertencimento dos habitantes deste espaço. O objetivo deste artigo é elaborar uma reflexão sobre o patrimônio material da cidade resguardado pela lei em âmbito municipal, a fim de observar os sentidos e os usos conferidos aos imóveis resguardados pelo Estado. Para tanto, foi realizado um levantamento a partir do Livro do Tombo do município, além de consultas a notícias relacionadas à temática, publicadas em jornais, e também a bibliografia especializada. Foram identificados vinte e nove imóveis tombados em caráter definitivo, pelo município, sendo doze de propriedade particular e dezessete de posse do poder público. Quanto aos usos desses bens, a grande maioria é utilizada como sede de órgãos públicos, instituições religiosas ou clubes de atividades esportivas e sociais. Amiúde, Fortaleza é vista como uma cidade que não cultiva sua memória e que não tem apreço pelo seu patrimônio. A análise dos usos dos imóveis tombados poder ser vista como uma linha de investigação sobre a relação do fortalezense com o seu patrimônio material. Palavras-chave: Fortaleza; Patrimônio Material; Imóveis Tombados
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Mapeando as famílias circenses em Minas Gerais: diálogos sobre reconhecimento identitário e luta por direitos a um modo de reprodução sociocultural em uma comunidade tradicional.

Autor/es: Mayara Ferreira Mattos
Essa monografia teve por finalidade produzir um esboço inicial do mapeamento das famílias circenses que itineram por Minas Gerais, caracterizando-as como uma comunidade tradicional. Acompanhando a dinâmica diária de pequenos circos que circulam, principalmente, pela região metropolitana de Belo Horizonte, e participando das reuniões da Rede de Apoio ao Circo, propus compreender a importância da transmissão dos conhecimentos circenses num devir criativo, temporal e espacial constantes, focando nas principais noções que evocam as tradições circenses, em que as suas identidades são (re)elaboradas de acordo com suas práticas cotidianas ao longo de rotas territoriais marcadas. O sentimento de pertencimento a uma comunidade mobiliza a memória, evoca construções coletivas das identidades que permeiam os indivíduos e conformam as relações históricas do grupo. Sendo assim, é acionando essas características próprias que as famílias circenses constituem-se numa comunidade tradicional que tem se mobilizado para garantir modos específicos de reprodução socio-cultural, lutando para que seus conhecimentos sejam respeitados na sua diversidade. Desse modo, a tradicionalidade implica comungar valores próprios aos membros das famílias circenses, ao mesmo tempo que a tradição os fazem, eles refazem a tradição, processo dialético de construção de suas identidades que se consolida em conhecimentos tradicionais transferidos e atualizados de geração a geração.
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Trajetórias e subjetividade: etnografia da Marcha das Vadias de Florianópolis/SC em 2014

Autor/es: Nathália Dothling Reis
Partindo das discussões sobre o estudo etnográfico em espaços urbanos, sobre a subjetividade da pesquisadora em campo como constituinte da construção do saber antropológico e dos estudos de gênero e sexualidade, o presente trabalho analisou a influência da pensamento feminista anarquista no grupo de organizadoras da Marcha das Vadias de Florianópolis/SC em 2014. Através de dois meses de trabalho de campo e intenso convívio com as organizadoras, foi possível traçar trajetórias que revelaram as possibilidades de um feminismo anarquista e interseccional na cidade de Florianópolis. Foi desse exercício dialógico (MARCUS, 1991) que a pesquisa se construiu.
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É muito bicho pra perseguir”. Peleja e comunicação entre criaturas no Góes-CE

Autor/es: Nathan Lima Virgílio
O presente artigo é fruto de reflexões engendradas por minha monografia de graduação, feita a partir de um trabalho de campo desenvolvido em 2014, numa comunidade rural do sertão cearense conhecida por Góes. Durante o período de minha estadia em campo, permaneci na casa de meus avós, onde mantive contato diário com eles e com outros moradores do Góes, com suas criações e legumes. Disso, brotou o tema de minha monografia, a saber, as relações de cultivo e manutenção da vida que davam as cores e os contornos das paisagens e cenários do dia-a-dia naquele lugar. Para esse artigo, tomarei como foco de análise dois aspectos que estiveram sempre presentes nas relações com as quais me vi envolvido em campo: a peleja e a comunicação entre criaturas. Como veremos, tais criaturas, como cabras, bodes, galinhas, seres humanos e legumes, relacionando-se, comunicam fome, necessidades para manterem-se vivas e expectativas que serão ou não satisfeitas de uma ou outra maneira em um fluxo de trocas que tanto dá sentido quanto é significado, modificado por elas.
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Quem odeia quem odeia crianças: disputas de moralidade em uma página do Facebook

Autor/es: Pedro José Nasser Saliba
O presente trabalho tem como objeto a extinta página de Facebook “Odeio Crianças” sob uma perspectiva etnográfica. A partir de uma metodologia de registro e apreensão dos dados enquanto os mesmos estiveram online, a pesquisa busca analisar as disputas de moralidade mediante as interações possíveis no ambiente virtualizado sob a óptica de dispositivos morais (WERNECK, 2015). Problematizando as relações sociais existentes sob a forma virtual, busco em autores clássicos, como Goffman e Simmel, as semelhanças e diferenças fundamentais encontradas em campo, baseando-me nos trabalhos de Pierre Lévy a respeito do que é o virtual e a cibercultura.
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Cura, dom e dádiva

Autor/es: Raysa Martins do Nascimento
Este ensaio trata sobre as Parteiras Tradicionais do Município de Santana, no Estado do Amapá. O período temporal da pesquisa foi de 2013 a 2015, sendo que a primeira fase tratou do levantamento bibliográfico acerca do tema e a etapa subsequente consistiu no trabalho de campo de caráter etnográfico. Através da observação participante acompanhei os encontros que aconteciam três vezes na semana chegando antes do horário de iniciar e saindo após o término, para ter tempo de conversar informalmente com o número máximo de parteiras. Registrei em imagens seus atendimentos diários e aguçando os sentidos enquanto antropóloga dediquei atenção às falas e comportamentos das minhas interlocutoras, observando atentamente seu cotidiano. Meu objetivo nesse ensaio é apresentar o atendimento e a importância das parteiras tradicionais do município de Santana no processo de cura e cuidados ao corpo feminino durante o processo gestacional. Procuro demonstrar que isso não pode ser pensado, senão por meio de uma relação de dádiva e contra-dádiva entre humanos e não-humanos, onde tais mulheres relacionam seu saber a um dom concebido por Deus, sendo o conhecimento o responsável pela efetivação da cura das doenças, sem a qual as técnicas não teriam eficácia.
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O Gênero Criança: perfomartividade de gênero em não-adultos.

Autor/es: Tiago Sales de Lima Figueiredo
Este trabalho é baseado no meu trabalho de conclusão de curso e se inscreve nos debates entre sociabilidades de não-adultos e a antropologia das relações de gênero, tendo como finalidade observar os possíveis conflitos entre meninos e meninas e as interações que esses estabelecem com o universo dos adultos. Em diferentes termos, trago com este esforço uma análise das diferentes representações das perfomatividades e identidades de gênero entre gerações, além de problematizar a categoria criança a partir do ponto de vista delas mesmas. Considerando as crianças como produtoras de cultura, o desafio desta investigação é despir-se das pré-noções que meninas e meninos são seres incompletos, em processo de construção pela cultura dos adultos. Nesse sentido, a proposta é compreender como se dão as relações de poder que delimitam as fronteiras de gênero neste universo. Nas interações que observei entre meninas e meninos de nove a treze anos, em uma escolinha de futsal no subúrbio de Niterói, entre 2010 e 2012, o termo criança era contextual, utilizado pelos responsáveis e por aqueles que estariam circunscritos dentro dessa categoria de maneira diversa. A mobilidade dessa categoria revela, nos contextos observados, que “estar” criança exprime um jogo de poder, onde aquele que se inscreve dentro dela é deslocado ao polo feminino nas estruturas das relações de gênero.
Prêmio Lévi-strauss - Edição 2016 - Artigo