Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

GT010. Antropologia Digital, Tecnologia e Cibercultura

O desenvolvimento da Antropologia Digital tem sido crescente nos últimos anos, devido ao notável protagonismo das tecnologias digitais no cotidiano e em todos os domínios da vida social. Com essa proposta de GT buscamos dar continuidade ao trabalho iniciado na REA de 2009 e mantido, desde então, em todas as edições da REA, RBA e RAM, visando fomentar os estudos dentro deste campo, sobretudo aqueles cujas reflexões são originadas a partir de estudos etnográficos. Assim, temos como objetivo promover discussões sobre os usos particulares que são feitos da Internet por grupos específicos, as formas de sociabilidade desenvolvidas em ambientes do ciberespaço, as interações entre sujeitos mediadas pelas novas tecnologias comunicacionais e a relevância social, política e cultural dessas tecnologias na vida cotidiana, a partir de suas formas singulares de apropriação por diferentes segmentos sociais. Nosso interesse recai sobre trabalhos que incidam sobre a construção de identidades digitais e modos de vida que se apoiam no uso intensivo das TIC´s (Tecnologias de Informação e Comunicação), como grupos de fandoms, gamers, cosplayers, residentes de mundos virtuais, etc. No campo das lutas pela diversidade e direitos, estaremos interessados particularmente nos modos de apropriação que os grupos LGBT e demais movimentos sociais estão fazendo da internet, tornando-a também uma arena de debates, publicações e militância (grupos e fóruns, blogs).

Débora Krischke Leitão (universidade federal de santa maria)
(Coordenador/a)
Laura Graziela F. de F. Gomes (Universidade Federal Fluminense)
(Coordenador/a)


Fotografia digital compartilhada e marcação social: etnografando alguns usos sociais da fotografia na internet

Autor/es: Airton Luiz Jungblut
A proposta desta comunicação é apresentar e discutir alguns pontos referentes às possibilidades de uma etnografia dos usos sociais da fotografia nas redes sociais ambientadas na Internet. Por "usos sociais da fotografia", nesse ambiente, entenda-se tanto a exposição fotográfica individual, com a finalidade de expressar distintividades sociais pretendidas, como, também, o uso de material fotográfico alheio para o posicionamento sócio-identitário do outro, num jogo que pode variar do elogio invejoso ao achincalhamento estigmatizante.
Apresentação Oral em GT

Gênero e sexualidade em tempos instáveis: mídias digitais, identificações e conflitos.

Autor/es: Anna Paula Vencato
Verso neste trabalho sobre o modo como as mídias digitais – com foco nas páginas da internet, blogs e redes sociais - e o cenário político nacional se articulam, embasam e desembocam em polarizações e questionamentos sobre as normas sociais, os preconceitos e as exclusões. Proponho-me a pensar, a partir das redes sociais, na ampliação do debate sobre “liberdade de expressão x discurso de ódio”, para além da emergência de novos sujeitos políticos que reivindicam outras identificações para além das já estabelecidas - em especial quanto às identidades fixas relativas ao gênero e às sexualidades.
Apresentação Oral em GT

A moda e os modos na rede: Conexões e sociabilidades entre sujeitos nos instablogs de moda.

Autor/es: Augusto Ferreira Dantas Júnior
O estudo analisa a relação estabelecida entre pessoas a partir do uso do instagram, por meio de perfis de consumo de moda e produção de imagem pessoal. Autodenominados como instabloggers ou instabloggers de moda, estes interlocutores constroem uma rede de sociabilidades entre eles e com outros usuários no espaço virtual, estabelecendo contatos cotidianos que em muitos casos não vão além do ciberespaço. Para isso, faz-se necessário compreender quais os significados atribuem aos vínculos instituídos pela mediação dessas novas tecnologias e aos fazeres relacionados, tais como trocas de informações, trabalhos divulgados e compartilhados. Possuindo como cenário inicial a cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí (Brasil), onde a figura do instablogger tem adquirido destaque (assim como a produção de moda e estilo local), este trabalho vida dar continuidade à pesquisa de mestrado concluída em 2013 e ao trabalho apresentado na RAM de 2015. Aqui percebemos que o uso das novas tecnologias (tanto nos fazeres destes sujeitos quanto na realização da etnografia) permite que a pesquisa vá além dos espaços anteriormente estudados, considerando que o discurso dos interlocutores alcança indivíduos em outras localidades e nestas é consumido e/ou reproduzido. Desta forma, nosso objetivo é analisar o modo de apropriação do espaço virtual pelos usuários e seus seguidores e o significado que atribuem a estas novas formas de comunicação, vinculação e trocas estabelecidas.
Palavras chave: Instabloggers; Sociabilidades; Etnografia
Apresentação Oral em GT

Uma Lei Maria da Penha para a internet: Gênero, sexualidade e violência nos debates sobre “pornografia de vingança”

Autor/es: Beatriz Accioly Lins
Essa paper tem como objetivo refletir sobre as discussões acerca da “pornografia de vingança”, a divulgação sem consentimento de conteúdos íntimos e/ou eróticos via internet. Proponho acompanhar de que maneira a categoria vem sido definida nos diferentes contextos em que é mobilizada; traçando as disputas simbólicas em jogo em sua construção e nas tentativas de transformá-la em faceta da violência contra as mulheres e em tipificação criminal contemplada pela Lei Maria da Penha no Congresso Nacional. Proponho que a internet seja simultaneamente sujeito e campo de observação dessa pesquisa. Devido aos avanços técnicos disponibilizados pelas tecnologias de informação – redes sociais, smartphones e outras plataformas de comunicação de compartilhamento e troca conteúdos –, estamos diante de mudanças na forma que interagimos uns com os outros e com as mídias digitais. De diferentes maneiras, é na e por causa da internet que a “pornografia de vingança” toma vida. São em espaços de sociabilidade virtuais – blogs, redes sociais, páginas –, que circulam, concomitantemente, tanto os produtos da divulgação não autorizada e maldosa de conteúdos íntimos, quanto as decorrentes condenações morais e perseguições às mulheres envolvidas, permitindo a manutenção e proliferação de diferentes formatos de violência contra as mulheres. Via as possibilidades interativas da internet, também, são apresentadas formulações e reivindicações que incitam a crítica, a resistência e à reação a essas práticas. A internet se configura no principal espaço em que se dão debates que apresentam, definem, discutem, criticam e condenam a prática de divulgar conteúdos íntimos com intuitos violentos, construindo a “pornografia de vingança” enquanto problema. Parte atuante de uma “esfera pública ampliada” (Ramos, 2013), a internet é um espaço de múltiplas disputas, que comporta posições contrárias, ambíguas, contrastantes e em embate. Se por ela se perpetuam convenções de gênero e sexualidade restritivas e condenatórias, por ela também circulam vozes dissidentes e contra hegemônicas. Assim, a internet seria uma espécie de “campo de batalha para sexualidade” (Ramos, 2013), espaço que reúne embates políticos acerca de significados e restrições sobre os corpos, comportamentos e usos dos prazeres; e produzindo diferentes “tecnologias de gênero” (Lauretis, 1994), que atribuem significados, valores e lugares a indivíduos, instituições, objetos e ações associados a ideais de feminilidade e masculinidade.
Apresentação Oral em GT

A Construção da Imagem Pública de Dilma Rousseff no Ciberespaço: Misoginia, estereótipos e relações de gênero

Autor/es: Elizabeth Christina de Andrade Lima
Passada a euforia da vitória pela segunda vez da Presidenta Dilma Rousseff, nas Eleições 2014, em uma campanha marcada por denúncias, desaforos e desrespeitos por parte dos candidatos, que protagonizaram uma das campanhas mais vorazes e negativas para a democracia brasileira, um fato nos chamou a atenção: a forte presença da mídia escrita, televisiva e do ciberespaço na tentativa de desconstrução da então eleita Presidenta. Objetivamos aqui propor uma espécie de confluência entre três temas: gênero, política e mídia. Embora saibamos que existe toda uma tradição de trabalhos acadêmicos para cada um dos pares de temas (tais como: estudos sobre gênero e política, sobre política e mídia, sobre gênero e mídia), a interseção das três temáticas ainda é campo pouco estudado no Brasil, principalmente na Antropologia. Propor tal interseção para avaliar a visibilidade ou invisibilidade midiática da Presidenta Dilma Rousseff é interessante na medida em que a visibilidade nos meios de comunicação de massa é um fator fundamental na produção de capital político nas sociedades contemporâneas. Em outras palavras, a mídia pode e deve ser pensada como uma esfera de representação. Como um espaço privilegiado de difusão de representações do mundo social e que, por isso mesmo, se estabelece como momento de uma representação especificamente política. Nunca se viu e se leu tantas manifestações de desrespeito e de ódio a uma figura pública. Mal a presidenta assumiu o governo as manifestações não cessam de acontecer, em forma de palavras, altamente violentas, tais como: “Dilma vai tomar no cú”, “Dilma biscatona véia”, “Vai pra Cuba comunista de merda”, “Vaca”, “Vagabunda”, entre outros adjetivos, a Presidenta de vê isolada no poder e desprotegida por uma saraivada de críticas, acusações e expressões de ódio que a cada dia, ganham maior destaque e visibilidade midiática. O objetivo desse artigo é o de apresentar algumas reflexões sobre os discursos de ódio e misoginia construídos nas redes sociais, facebook, sobre a Presidenta tentando entender como o discurso do ódio, aliado ao ressentimento, tem promovido uma leva de expressões e práticas altamente violentas a figura da mulher e da estadista. O nosso intento é construir a idéia de que Dilma tem sido exposta a toda sorte de práticas de ódio, de misoginia e de expressões de desrespeito pelo fato de ser mulher; o que se questiona nas frases de efeito propaladas por vozes ou escritas por mentes e mãos raivosas não é absolutamente o seu governo e as ações de seu governo, mas ela enquanto persona feminina, enquanto mulher que “ousa” ocupar um espaço que não é “legitimamente seu” é um espaço que ela usurpou, mesmo tendo sido, paradoxalmente, eleita pelo voto popular.
Apresentação Oral em GT

Uca na Boca da Mata: Uma etnografia do ciberespaço na perspectiva da militância do professor indígena

Autor/es: Francisco Alves Gomes, Amanda Karine Monteiro Lima, Adnan Assad Youssef Filho.
Trata-se de um estudo sobre a inclusão digital indígena e a relação dos professores da Comunidade Indígena Boca da Mata com as novas tecnologias de informação inseridas a partir do PROUCA, de modo a compreender como os seus habitantes estão fazendo uso do ciberespaço para construir e manifestar sua identidade e viabilizar seus projetos pessoais e/ou comunitários, e perceber as perspectivas que os professores têm sobre o acesso à rede mundial de computadores, bem como perceber as condições de uso do computador/internet e infraestrutura, em relação à permanência e continuidade do PROUCA na comunidade. Nessa perspectiva, o caminho demarcado para o alcance das questões acima expostas inicia-se via análise de dados obtidos a partir da pesquisa bibliográfica, momento em que demarcamos os limites teóricos e epistemológicos norteadores deste trabalho e todo o seu delineamento enquanto pesquisa científica desenvolvida na aldeia Boca da Mata. Após esse procedimento, promovemos o diálogo entre a literatura acumulada com as informações obtidas por meio da observação participante, mediante o trabalho de campo etnográfico que teve início no dia 30 de julho de 2012, momento em que procedemos com a aplicação do questionário e da entrevista estruturada. Em domínio dos dados adquiridos por meio da observação participante, bem como de entrevista diretiva, viabilizamos o diálogo dessas informações empíricas com a perspectiva teórica advinda do levantamento bibliográfico, de modo a edificar formulações antropológicas atinentes as questões levantadas durante o desenvolvimento deste trabalho. Diante do exposto, infere-se o ciberespaço correria para além de um simples instrumento de pesquisa e inclusão digital, na medida em que os professores indígenas articulam-se para idealizar projetos de comunicação intercultural e de divulgação do estilo de vida de seu povo, para além das fronteiras da Terra Indígena São Marcos. Na perspectiva dos docentes da Comunidade Boca da Mata, a junção do computador e internet se notabilizam como uma ferramenta política, isto é, um meio destinado para construir e manifestar sua identidade e viabilizar seus projetos pessoais e/ou comunitários.
Apresentação Oral em GT

Etnografia e História na observação online

Autor/es: Jair de Souza Ramos
O objetivo dessa comunicação é examinar o modo como se articulam a observação continuada de ações na internet com uma especificidade do digital que é o registro integral das ações online, o que inclui aquelas que se realizaram em momentos passados. Tentaremos extrair das técnicas de observação e análise das disciplinas Antropologia e História alguns recursos analíticos que sirvam de ponto de partida para um exame das relações entre tempos presentes e passados nos quais as ações se desenvolvem e da simultaneidade de diferentes tempos na socialidade online. Daremos atenção, em especial, às diferenças e tensões entre a temporalidade progressiva dos processos de subjetivação e socialidade e o arranjo simultâneo que emerge dos registro das ações.
Apresentação Oral em GT

Economia da atenção: Notas sobre produção de valor econômico em territórios digitais.

Autor/es: Louise Scoz Pasteur de Faria
A questão econômica atravessa inúmeras reflexões a respeito das tecnologias digitais, fazendo com que saia do segundo plano analítico para assumir lugar de destaque em produções mais recentes do campo da Antropologia Digital. Debates sobre o papel da troca nas relações comerciais (LEITÃO, 2011), a emergência da figura do “prosumer" (BOELSTORFF, 2010) e as transformações das relações constitutivas do mercado financeiro e a criação de moedas virtuais (MAURER et al, 2013; 2012) são alguns exemplos desses novos caminhos investigativos. Com essa comunicação, proponho pensar a produção de valor econômico a partir do fenômeno das webcelebridades (FARIA, 2014) fazendo uso de dados etnográficos coletados entre os anos de 2012 e 2013 e discutir o papel da especulação e da informação na composição de uma economia do digital. Referências teóricas FARIA, Louise Scoz Pasteur de. A arte da fama : Victor Calazans e a construção de (@) Hebe Camargo enquanto uma webcelebridade. Dissertação de mestrado. UFRGS, Porto Alegre. LEITÃO, Débora K. Mercado, coleções e interconexões: Algumas pistas para compreender trocas comercias via internet. Século XXI, UFSM, Santa Maria, v. 1, n. 1, p. 82-96, jan./jun. 2011 MAURER, Bill; NELMS, Taylor C.; SWARTZ, Lana. When perhaps the real problem is money itself!: the practical materiality of Bitcoin. Social Semiotics, 2013. MAURER, Bill; KENDALL, Jake; MACHOKA, Phillip; VENIARD, Clara. An Emerging Platform: From Money Transfer System to Mobile Money Ecosystem. Onnovations / volume 6, number 4, 2012.
Apresentação Oral em GT

Midiativismo: tecnologias, práticas e contextos nas lutas no Rio de Janeiro

Autor/es: Marcelo Castañeda de Araujo
O artigo trata do emergente campo do midiativismo a partir dos protestos que tomaram a esfera pública em junho de 2013 enfatizando as tecnologias associadas a práticas e contextos no Rio de Janeiro. Nele analiso o papel das tecnologias na configuração de práticas e contextos inerentes ao campo do midiativismo, entendendo como máquinas e aplicativos tecnológicos possibilitam uma ação sociotécnica que viabiliza conexões entre pessoas que perfazem um contra-poder. Longe de um campo unificado, a multiplicidade das singularidades marca o panorama inicial traçado, constituindo uma variedade de possibilidades e dilemas que se mostram a partir do momento em que cessa o processo de mobilização a partir de outubro de 2013. Por isso, procurei destacar coletivos, partindo do que apresentou maior centralidade e tinha uma constituição prévia aos protestos de junho de 2013, a Mídia NINJA, até chegar a coletivos como a MIC e o Mariachi que se formaram à quente em meio às manifestações que eclodiam de forma multitudinária. Para não parecer que o campo se limita aos coletivos, que geralmente refletem uma certa preocupação com segurança, mapeamos algumas pessoas que se fizeram midiativistas de forma mais individualizada, ainda que colaborassem com coletivos, destacando um deles que também já tinha uma atuação como midiativista antes dos protestos de junho de 2013. A metodologia envolveu trabalho de campo, participação observante, entrevistas em profundidade e observações na plataforma Facebook. O artigo se volta para o capitalismo contemporâneo (Boltanski e Chiapello, 2009; Lazzarato e Negri, 2013; Hardt e Negri, 2004) e, muito influenciado pelas abordagens de Daniel Miller e Don Slater (2000), Bruno Latour (2005) e Manuel Castells (2009, para o uso das tecnologias em processos de mobilização, tendo como resultado mais evidente a caracterização das práticas de midiativistas a partir da descrição do aparato tecnológico e dos contextos com os quais indivíduos e coletivos tecem uma ação sociotécnica nas lutas que tomam forma no Rio de Janeiro. Em suma, o midiativismo pode ser visto como uma prática que envolve tecnologias apropriadas por agentes em contextos específicos com uma dose de autonomia e liberdade para contestar as estruturas vigentes de exercício do poder. Como campo emergente e nascente está em constante mutação, tanto quanto as tecnologias mobilizadas e contextos de luta que se formam.
Apresentação Oral em GT

Uma imagem vale mais que mil objetos: o colecionismo de imagens entre brasileiros no Pinterest

Autor/es: Márcia de Mesquita Carvalho
Sempre variando entre a iconoclastia e a iconofilia em diferentes contextos históricos, os grupos humanos produzem imagens, tendo estas atingido status de grande importância e tornando-se praticamente onipresentes no atual contexto sociocultural. Nos territórios do Ciberespaço, elas vêm ganhando cada vez mais centralidade entre determinados grupos de usuários e territórios online, como no caso do site Pinterest. Este trabalho apresenta os resultados de uma etnografia realizada durante meu Mestrado em Antropologia entre um grupo de usuários brasileiros deste site. Para estas pessoas, o Pinterest é uma plataforma para realizar coleções de imagens classificadas através de painéis criados com temas de suas preferências. Assim, suas páginas são uma espécie de inventário imagético digital do mundo, retratando as mais variadas cenas, objetos, pessoas e lugares. O trabalho apresenta as formas de organização e sistemas de classificações destes usuários, e como o uso intenso que tais indivíduos apresentam serve para demonstrar a agência destas imagens reunidas. Ao serem classificadas de acordo com intenções subjetivas, são singularizadas e ressignificadas; e o objetivo maior passa a ser a fruição estética das mesmas, maior até que a vontade de interagir verbalmente com os demais usuários. Tais práticas observadas no campo geraram questionamentos quanto aos conceitos de materialidade da imagem e de representação dela nos contextos online.
Apresentação Oral em GT

“Amanhã vai ser maior” (?): notas sobre os usos da internet nos (in)sucessos de duas manifestações de rua do ativismo de pessoas trans.

Autor/es: Mario Felipe de Lima Carvalho
A partir da observação etnográfica da 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (04/05/2014) e do Ato pelo Dia da Visibilidade Trans do Rio de Janeiro (29/01/2015), busco tecer relações entre os usos da internet, as produções de alianças políticas, a luta por visibilidade social e as novas e velhas dramaturgias políticas acionadas por ativistas travestis e transexuais em ambos os contextos em função de diferentes marcadores como classe, geração e regionalidade. Nesta análise, tomo como ferramenta analítica a metáfora dramatúrgica de Goffman. Entre as diversas manifestações de rua etnografadas ao longo de meu trabalho de campo de doutorado, optei por comparar estas duas manifestações por se tratarem de experiências antagônicas no que tange ao seu “sucesso político” do ponto de vista nativo (sendo a primeira considerada uma derrota frente ao sucesso da segunda), ao mesmo tempo em que acionam dramaturgias e repertórios semelhantes, a saber: (i) uso sincrônico e diacrônico das redes sociais da internet para além da divulgação e mobilização política; (ii) estabelecimento de alianças com diferentes agrupamentos e instituições políticas (partidos, coletivos feministas e LGBT, órgãos governamentais); e (iii) uso do “corpo-bandeira”. A 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo teve o seu tema alterado em virtude de uma mobilização on-line de ativistas trans que pleiteavam uma maior visibilidade de demandas e pautas políticas especificamente trans, que as/os mesmas/os consideravam negligenciadas pelo movimento LGBT hegemônico. A condução dessa disputa política pela APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo) e por ativistas trans se deu justamento no continuum on-line off-line. O Ato pelo Dia da Visibilidade Trans do Rio de Janeiro de 2015, chamado “#Respeito, do morro ao asfalto, travestis e transexuais existem de fato!” convocado pelo grupo TransRevolução com apoio de outros coletivos (Pela Vidda-RJ, Marcha das Vadias e BeijATO) foi fortemente marcado por diversos usos da internet antes, durante e depois do ato. Por fim, busco elementos nos possíveis legados das chamadas “Jornadas de Junho” de 2013 no Brasil, tanto nas disputas representadas quanto nas diferentes avaliações nativas com relação aos (in)sucessos das manifestações, o que ganha colorido especial no cenário carioca.
Apresentação Oral em GT

Cibercelebridades Locais: autopoésis, expertise mecatrônica e devires imagéticos

Autor/es: Patrícia P. Pavesi
A partir do reconhecimento da relação de contiguidade entre as experiências on e offline, nos territórios digitais um novo tipo de “sujeito público referência” emerge nas malhas das cibercidades, em redes de trocas juvenis nos grupos populares, o “famosinho”. Este novo ator circula nas várias mídias sociais e, explorando a convergência, constrói a partir do manejo de imagens, compartilhamentos e postagens uma identidade pública que exige constante trabalho de gerenciamento de perfil e/ou páginas, tendo em vista o controle de audiência por meio de uma satisfatória triangulação do Fator “F” (fãs, Fowllings e friends) com vistas a ampliação do capital social. Rastreei por dois anos nas redes sociais digitais três “famosinhos” da periferia da Grande Vitória/ES e sua rede mais próxima e assídua de contatos online. A partir desta investida etnográfica foi possível identificar algumas práticas que revelam novas formas de manifestação e expressão da juventude mediante agenciamentos que conjugam consumo e conexões. O objetivo desta proposta de comunicação é apresentar os resultados de uma pesquisa de campo realizada entre 2012 e 2014 que consiste essencialmente de relatos e interfaces reflexivas com a literatura recente sobre o tema, tomando como elementos pontos de a análise a) a produção e intensificação de sociabilidades locais em ambientes online; b) o processo de fruição em autopoiésis e produção de si na rede e, c) o desenvolvimento de uma expertise para o manejo de recursos técnicos e relacionais em ciberperformances e “devires imagéticos.”
Apresentação Oral em GT

Pensando a relação entre a internet e a rua em atos político: produção da informação no caso etnográfico “#ForaDilma” em Natal-RN

Autor/es: Raquel Souza da Silva
Devido à “facilidade tecnológica” da realização do que ficou denominado de “ativismo de sofá”, as ações coletivas que nascem nas redes online, ou que constituem sua articulação por meio destas redes, parecem gerar dentre seus integrantes uma oposição entre o ativismo online e o ativismo nas ruas. É partindo deste pensamento que este artigo busca compreender, por meio das etnografias realizadas de observação-participante com o movimento “#ForaDilma” em Natal-RN-Brasil, a circulação de informações (pensando este trânsito como discurso e prática) que emergem da imbricação das redes online e off-line, quando o aspecto destas redes é político. Deste modo, se objetiva entender como espaços de produção de discursos e ações como as postagens dos manifestantes, as notícias das mídias tradicionais locais e o ato de rua trazem à tona junto às suas características morfológicas e técnicas a categoria de pensamento nativa: “somos agora tantas pessoas nas ruas”. É a partir desta “produção do número de adesão de manifestantes” (realizada por manifestantes, mídia e polícia militar) ao ato de rua que esta proposta visa pensar a importância desta elaboração para as ações coletivas contemporânea. Se no campo analítico existe a defesa de que não podemos pensar na separação destas redes, o trabalho etnográfico parece apontar para uma possível separação realizada pelos atores entre estes dois espaços: a internet e a rua.
Apresentação Oral em GT

“Meu Tinder tá bombando!” Geolocalização, sociabilidade e vivências da sexualidade

Autor/es: Sheila Cavalcante dos Santos
A massificação da internet e o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) vêm diversificando as possibilidades de conexão entre pessoas desconhecidas com a finalidade do encontro íntimo – seja paquera, sexo ou relacionamentos românticos –, tanto numa perspectiva de manutenção da virtualidade desse encontro como tendo a expectativa de um futuro contato presencial. Recentemente, os smartphones e tablets passaram a desempenhar um papel como meio de busca de parceiros/as em ambientes virtuais, a partir da criação de aplicativos (apps) de relacionamento por geolocalização. Estes tornam possível definir um perfil de parceiro/a, determinar a distância dos pretendentes com relação ao usuário e iniciar uma conversa imediata, caso ambos demostrem interesse. A partir desses apps o usuário pode buscar, flertar ou encontrar pretendentes em quaisquer hora e local, desde que conectado á internet. Os aplicativos de paquera proporcionam um ambiente de caráter lúdico e estrutura semelhante ao jogo, mediado por interesses comuns nos quais pessoas em aparente igualdade de posições traçam suas escolhas, sendo locus propício para o exercício da sociabilidade, conforme os critérios estabelecidos por Simmel (2006). Hoje o brasileiro é um dos principais consumidores mundiais desse tipo de aplicativo. O tema dos aplicativos de celular que proporcionam conexões entre pessoas via geolocalização está na cena dos debates sobre a influência das TICs na dinâmica das relações sociais contemporâneas. A cena é ampla e está em constante mutação; o debate, distante de se esgotar ou ser consensual. O olhar antropológico para esse cenário vem enriquecer e aprofundar as discussões. Dessa forma, propõe-se aqui trazer um panorama preliminar dos estudos feitos na área no país, focalizando a utilização do meio virtual para busca de encontros íntimos, em especial, a partir do uso de programas ou aplicativos específicos. O intento é o de que as ciências sociais ampliem o leque de análises sobre um tema que vem sendo já amplamente explorado por outras ciências, desde a comunicação social, marketing, tecnologias da informação até as ciências da saúde. A necessidade de contextualizar culturalmente os impactos do uso dessa tecnologia nas experiências dos usuários brasileiros é o aspecto motivador central desta proposta de análise, uma vez que grande parte dos estudos divulgados nesse sentido foi produzida fora do nosso contexto cultural.
Apresentação Oral em GT

A campanha do #vistobranco e as redes de conectividades na militância política de grupos ecumênicos.

Autor/es: Tatiane dos Santos Duarte
A Rede de Juventude Ecumênica/REJU se constitui a partir de uma dimensão ecumênica experimentada em uma mística compromissada com a unidade intra-religiosa, com a unidade inter-religiosa e com distintas expressões de fé e espiritualidades para promover a justiça, a paz e a integridade da criação. Através de uma formação horizontal e em rede de conectividades, a REJU incide em pautas políticas sobre os direitos das juventudes preconizando os eixos temáticos sobre laicidade do Estado e intolerâncias, sexualidades e lutas feministas, justiça socioambiental, democratização das comunicações e enfrentamento ao extermínio da juventude negra. Todas essas incidências públicas são realizadas nas redes sociais e nas diversas localidades onde a REJU atua em conjunto com outras organizações de caráter ecumênico e/ou outros movimentos sociais. Um das principais campanhas promovidas pela REJU se dá no dia 21 de janeiro marcado como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa quando em todo o país se promovem debates e ações de promoção da liberdade de culto religioso e do combate ao racismo. Nesse ano de 2016, a REJU propôs um novo caráter e designer para a campanha utilizando a mistura das cores das fitas do Senhor do Bonfim para convocar a diversidade de seus parceiros a vestir-se de branco e postar nas redes sociais suas fotos de manifestação pela liberdade de fé e de repúdio às intolerâncias religiosas. Cada postagem é compartilhada e recompartilhada com outras redes e pessoas (e também em outras redes sociais e sites da internet) proliferando assim a proposta da campanha e a visibilidade das incidências políticas não apenas da REJU, mas, de cada coletivo que compõe o movimento ecumênico. Desse modo, a campanha #vistobranco também compõem as incidências públicas das pessoas ecumênicas e das insituições do movimento ecumênico interessados na defesa da diversidade religiosa e da efetivação do Estado laico como garantidor da liberdade de ter ou não ter fé. E o espaço da virtualidade compõem os demais espaços nos quais esses actantes se constroem enquanto seres políticos e religiosos. Assim, em rede e nas redes, a REJU e seus parceiros ecumênicos constroem uma conectividade cujos entrelaçamentos e interações procuram promover os direitos humanos através do diálogo e da valorização da diferença nas mais variadas esferas sociais, políticas e religiosas em conexão com as interações virtuais. Nesse sentido, esse paper utiliza a campanha #vistobranco fomentada pela REJU nas redes sociais, em parceria ecumênica e inter-religiosa e coletiva, para analisar a conectividade compósita dessas redes de coletivos ecumênicos e as ações, fluxos e agenciamentos que proliferam outras formas e conteúdos de incidência política no campo religioso brasileiro.
Apresentação Oral em GT

Interseção de raça e gênero num território privativo do ciberespaço

Autor/es: Zelinda dos Santos Barros
Por meio de uma etnografia virtual realizada num "território privativo do ciberespaço", o Curso de Formação para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileiras (CEAO/UFBA), na modalidade à distância, é analisado como as categorias raça e gênero podem contribuir para explicar as diferenças na forma como homens e mulheres se relacionam com as tecnologias digitais. Conclui-se que se o acesso à ação formativa foi facilitado pelo fato de ser realizado com a mediação de tecnologias de comunicação e informação, que permitem a participação das/os cursistas à distância, a permanência no curso sofreu a influência mais destacada do gênero, uma vez que foi identificada uma brecha digital que revela as dificuldades de uso, pelas mulheres, dessas tecnologias. Com relação à raça como um marcador social das diferenças no território privativo do ciberespaço estudado, vimos que ela interfere mais decisivamente na seleção do público participante dessa ação formativa, uma vez que a maioria das/os cursistas era negra, mas também é relevante para explicar a permanência das/os estudantes no curso, pois a proporção de brancas/os e negras/os concluintes diferiu significativamente quando o curso passou a ser realizado totalmente à distância e requereu maior conhecimento e autonomia no uso das tecnologias.
Apresentação Oral em GT

CAIU NA REDE: Reflexões sobre pornografia de revanche no Brasil

Autor/es: Carolyna Kyze silva Bezerra de Melo
CAIU NA REDE: REFLEXÕES SOBRE PORNOGRAFIA DE REVANCHE NO BRASIL O presente artigo tem como objetivo apresentar os passos de uma pesquisa que começou a ser realizada no ano de 2012 acerca da pornografia de revanche no Brasil, ou seja, a disseminação de conteúdo produzido no âmbito do privado de forma consensual, mas por razões de revanchismo com o fim do relacionamento amoroso é propagado por um dos parceiros em plataformas de relacionamento da web. A temática vem ganhando destaque nas mídias digitais e impressas, uma evidência disso é a consagrada expressão “caiu na rede”, que significa que um conteúdo viralizou entre os usuários do ciberespaço. Nessa rede de relações e múltiplas agências representadas entre pessoas, web, disseminação, comentários dentre outros, verificam-se redefinições nos papéis usualmente exercidos pelos diferentes agentes envolvidos, uma vez que indivíduos repassem imagens e vídeos recebidos de conteúdo íntimo-sexual e propagam sem a permissão das partes envolvidas. Pode-se dizer, por exemplo, que viola-se o privado confundindo-o com o público. Identificam-se as possibilidades ofertadas pela web para potencializar e horizontalizar a comunicação no ciberespaço, possibilitada por ferramentas que ficaram conhecidas como redes sociais. Tal esforço de mapear, identificar e analisar os casos de pornografia de revanche no Brasil, no viés metodológico, torna-a de cunho qualitativo, uma vez que a pesquisa qualitativa em Antropologia Social é instrumento central para o entendimento das diversas nuances que o fenômeno da pornografia de revanche suscita. Usando questões quantitativas como apoio – no caso do levantamento estatístico de casos denunciados como, por exemplo, os dados da Safernet, que apontam que só no ano de 2012 foram recebidas 48 denúncias de casos de pornografia de revanche. Em 2013 foram 101 casos, ou seja, um aumento de 110% em relação a 2012. E em 2014, foram 224 casos - percebe-se que os casos mais que quadruplicaram nesse período. A exploração inicial veio advinda de periódicos jornalísticos nacionais, e para o recorte dessa pesquisa foi usado apenas suas versões online. As notícias sobre pornografia de revanche divulgadas em jornais têm demonstrado que as publicações de fotos ou filmagens íntimas sem o consentimento de uma das partes muitas vezes acabam em casos de suicídios, isolamento social e estigma para quem teve sua intimidade exposta. Diante do exposto esta pesquisa realizou um estudo teórico sobre pornografia de revanche no Brasil, que para além dos números, faz-se necessário a reflexão sobre a reverberação desse fenômeno sobre os sujeitos envolvidos nesse contexto.
Pôster em GT

Encarapinhando a rede: debates sobre cabelos, texturas e preconceito capilar em Moçambique

Autor/es: Denise Ferreira da Costa Cruz
Tenho acompanhado nos últimos dois anos grupos de discussão na rede de relacionamento da internet, Facebook, que congregam mulheres e homens negros em torno dos debates sobre os cabelos crespos. São vários os grupos que possuem esse tema. Acompanho mais de perto o grupo Carapinha do Indico de Moçambique. Todos promovem encontros e eventos para conversarem e trocarem conhecimento e ideias sobre cabelos. Vejo que esses espaços virtuais e de encontros são espaços políticos, como o são os salões étnicos já estudados pela literatura sobre cabelos crespos, pois i) promovem um espaço de experimentação de novas possibilidades de cuidados com o corpo; ii) são espaços para debates sobre racismo e discriminação; iii) são espaços que possibilitam a troca e o reconhecimento mútuo de uma estética geralmente relegada ao lugar do feio; iv) são espaços onde conhecimentos sobre cuidados com o corpo e cabelo são compartilhados a despeito de haver representatividade nos grandes meios de comunicação e no mercado; v) são espaços que criam lugar para a representatividade de uma estética outra. Tanto em momentos virtuais como em momentos presenciais, os debates em torno do cabelo crespo “natural” revela duas sociedades (brasileira e moçambicana) realizadoras de um verdadeiro preconceito capilar. Sobre esse espaço que é ora on line, ora off line que se debruça o presente trabalho.
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Quanto vale um like? Uma análise do comércio no Instagram na cidade de Natal/RN.

Autor/es: Letícia Cunha Feitosa, Drielly Elienny Duarte de Figueiredo
O trabalho seguinte desenvolve-se a partir de uma pesquisa realizada com lojas de cosméticos e artigos de beleza na cidade de Natal/RN que nos últimos anos mostrou um aumento no interesse e oferta desses produtos, principalmente usando o Instagram como plataforma de comércio, devido ao fato de que é uma plataforma mais informal que proporciona um sentimento intimista, surgindo aqui a presença de uma interação de certa forma mais prática e dinâmica entre lojistas e consumidores. A proposta da pesquisa é observar como acontece a relação loja-cliente no Instagram, com foco na perspectiva do lojista e nas suas estratégias de contato com os seus clientes. Visamos aqui perceber a partir da visão do lojista como se dá a apresentação do produto nessa mídia, o processo de troca (“likes” e compartilhamentos) que surge entre os seguidores e a loja, a propaganda que resulta dessa troca e, como dito anteriormente, as estratégias que o lojista usa para manter essa relação saudável. A metodologia usada para a pesquisa foi a entrevista com lojas de produtos de beleza e cosméticos na cidade de Natal, que reconheceu nas redes sociais, no caso o Instagram, a possibilidade de começar a atuar na área comercial e que a partir de então expandiram-se, tornando-se pioneiras e referência no comercio por meio das redes sociais.
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