Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

OF03. Entre corpos

Como compreender as diferentes moralidades implicadas nas práticas de medicalização? Quais significados estariam em disputa na postulação das curas e dos tratamentos atuais? Que efeitos as recentes políticas públicas de saúde podem gerar sobre experiência das pessoas e das coletividades atendidas? Enquanto nos confrontamos com o debate nacional pelo direito à saúde, suscitado continuadamente por usuários, profissionais, empresas farmacêuticas, políticos, e demais agentes do campo, a construção dos sujeitos “pessoa com deficiência” e “pessoa com doença rara” são afetados por toda sorte de interlocução social. A falta de políticas públicas para estas pessoas, que vem sendo recentemente resolvida, no Brasil e no mundo, gera debates que vão desde à sistemas classificatórios, à questão do cuidado, de direito à saúde, à biosociabilidade e à novas práticas de eugenia. Diante desse contexto, a oficina proposta pretende pensar a etnografia como uma prática capaz de oferecer elementos para compreender as maneiras pelas quais as noções de saúde e de doença se inscrevem na ordem social aproximando o biológico e o social na fabricação de categorias de sujeitos. Para tanto, o uso de Canabidiol (CBD), a denominada “maconha medicinal”, será assumida enquanto um fenômeno complexo que articula dimensões científicas, morais e políticas ao debate sobre a medicalização de pessoas que escapam aos padrões de saúde, normalidade e corporalidade estabelecidos pelas políticas públicas vigentes. 

Coordenador(es): Adriana Dias (COMITÊ DEF ACESSIBILIDADE/AAA/UNICAMP) e Fagner Carniel (UEM)
Ministrantes:
Helena Moura Fietz (UFRGS)
SESSÃO 1
Roberta Reis Grudzinski  (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
SESSÃO 2