Anais da 30aRBA
ISBN n° 978-85-87942-42-5

MR036. Sincretismos e Contrassincretismos Afro-Brasileiros

Esta mesa objetiva revisitar um dos mais tradicionais temas dos “estudos afro-brasileiros”, o sincretismo religioso. Como se sabe, este foi tradicionalmente estudado como um fenômeno de adaptação dos candomblés africanos à sociedade dos brancos e à cultura luso-católica. Assim tendeu a ser tratado, primeiro, como uma prova de que os africanos não seriam capazes de absorver valores mais complexos como os do cristianismo; e, mais tarde, como um episódio do chamado “mito das três raças”, no qual o encontro dos africanos com os brancos se dá na forma da mestiçagem e do sincretismo na direção de uma fusão pacificadora sob a égide do polo branco. Por mais opostas que sejam, essas duas vertentes compartilham a problemática certeza de que as diferenças não podem se relacionar enquanto diferenças. Etnografias mais ou menos recentes, contudo, têm encontrado teorias locais desse fenômeno que parecem proceder de modo inteiramente diverso, ou seja, não apenas afirmando, mas promovendo um tipo de “mistura” que de modo algum anula as singularidades daquilo que se mistura. E é a isso que estamos chamando provisoriamente de “contrassincretismo”. Trata-se, pois, de tentar traduzir para a linguagem antropológica o fato de que, ao longo dos séculos, e ainda hoje, os afro-brasileiros não puderam deixar de estabelecer e de pensar suas relações com “a sociedade dos brancos e cultura luso-católica”, mas que o fizeram de um ponto de vista que é seu e que temos que tentar captar e compreender.

Miriam Cristina Marcilio Rabelo (Universidade Federal da Bahia)
(Coordenador)
Marcio Goldman (UFRJ)
(Participante)
Vânia Zikán Cardoso (UFSC)
(Participante)
José Carlos Gomes dos Anjos (UFRGS)
(Participante)